ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"

Domingo, Outubro 23, 2011

Não que haja alguém a ler, ou talvez pouco leiam, mas importa dizê-lo, por uma série de motivos que provavelmente só a mim me assistem, ou talvez não. 
O Estações Diferentes acaba aqui, ou pelo menos pausa durante muito tempo. Vou apenas transladar o espólio e depois ficará inacessível ou desaparecerá. 
Talvez abra noutro sítio, talvez com outro nome, talvez nada surja. Não sei. 
Sinceramente, já sei pouca coisa. E percebo ainda menos.
Até qualquer dia, neste ou noutro local. 
Como digo, não sei. 


"Get Busy Living or Get Busy Dying."

Terça-feira, Outubro 04, 2011

Embora haja uma tentação para pensar de forma diferente, as pessoas são perseguidas por algo a vida inteira. Seja por aquilo que os ingleses tão intraduzivel e brilhantemente designam de wanderlust, por traumas familiares, por má relação com a central da tentação, por perfeccionismos quase destrutivos, ou simplesmente porque alguns fios nem sempre conectam e em consequência, a mente como que se mastiga a si mesma numa espécie de apetite abstracto que é incapaz de identificar a sua fonte de saciedade, quanto mais chegar até à mesma.
A verdade é que é esse reduto de pretensa desadequação que permite uma voz original. É como não conseguir ficar quieto ou ter a noção de que nunca se disse a última palavra. É perseguir. É perceber que só se respira no movimento e que a paixão nasce do que conseguimos traduzir em luz oriunda desses locais recônditos, misturado com o que nos mostram. Em tempos chamei-lhe um traço de desgraça. Mas permito-me uma alteração. É a marca da vivência, a religião do tentar, a marca da pergunta, o desejo irreprimível de mover (se).
Um rio parado é água morta. Simples. Ainda que violentamente, a vida move-se. Necessariamente.


Sexta-feira, Setembro 23, 2011

Do que percebo, a propósito das muitas coisas em que me engano, é que a dúvida instala-se e com ela a implacável metodologia da reanálise. Talvez não devesse ser o primeiro instinto, mas a verdade é que o movimento inicial é de auto-dúvida. O que está mal feito tem de ter responsabilidade própria. Seja por insegurança, pela consciencia dos fios mal ligados e as peças defeituosas, porque não consigo ficar descansado onde outros tanto repousam e vice-versa, ou porque os efeitos de tantas coisas ultrapassam qualquer ideia ou intenção que pudesse inicialmente ter tido, a verdade é que as minhas explicações levam tempo a assentar. Aquelas que dou a mim, através da análise lógica das coisas, conseguindo sentir-me bem comigo muito menos vezes do que as minhas férreas teimosias poderiam dar a entender ao observador.
No fundo quero perceber. Olhar para os outros olhos, ouvir as outras vozes e perceber exactamente de onde vêm o motivo do que se passa. Especialmente quando a tendência é para fugir e encaracolar, levando tudo dentro do saco.

Quinta-feira, Setembro 22, 2011

É tudo uma merda.
Um embuste que num ápice nos vira a vida de pantanas e provoca as mais incómodas questões.
Ou então é um azar do caraças.
Ou ambos.
A verdade é que a chance de que seja tudo uma inutilidade é tão grande que realmente, como me dizia uma amiga, correr o risco de que sejamos realmente invadidos e, como tal verdadeiramente vulnerabilizados, parece uma estupidez sem tamanho. E, infelizmente, é o que parece ser.
Passo a passo, até não se conseguir mais.
Até ser tudo tão insuportável que a lógica que nos assiste na simples tentativa de sobreviver sem ficar maluco é uma ingenuidade.
Sim, felizmente alguns de nós não andam a morrer à fome. Nem perderam um braço ou duas pernas. Nem têm um quadro de saúde que seja uma promessa negra. Mas não é por isso que a vida por vezes não parece uma merda, e que as coisas não doam.
Talvez seja o maior embuste de todos. Convencer-nos de que não teria necessariamente de ser assim.
A pendência da morte dá verdade e substancia incomparada às coisas, dizem-nos séculos de literatura e outras artes. Puta que os pariu, é o que lhes digo.