ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, dezembro 26, 2003

Atenção a Finding Nemo.
Uma absoluta maravilha, á qual voltarei em breve. Parece que os tipos da Pixar sabem o que fazem, e tontos serãos os da Disney se não renovarem o contrato que os une...

Após as festas, que ainda vão a meio, a bem dizer, eis-me a tentar vir ao de cima neste cantinho.
Espero ter a força, descaramento e paciência que tanto me têm faltado nos ultimos tempos para tentar continuar a dizer alguns disparates que pelo menos, tentam ser o mais honestos possível.

Abraços a todos e e vamos a isto.

Penso que eram os chineses que diziam - "Possamos nós viver em tempos interessantes".
Eu costumo dizer que tive e continuo a ter essa felicidade. Pude ver desde o início até ao fim toda a carreira do Michael Jordan, vi o Stephen King ganhar um prémio literário de grande importância ( algo que já era merecido há muito tempo), pude ver a queda do muro de Berlim, etc, etc.
E tive a oportunidade de ver a criação e difusão de uma absoluta obra-prima ( quem me desculpem alguns nobre amigos, mas a argumentação quanto ás deficiências ou limitações para obra prima não colhem perante o contexto do universo retratado). Peter Jackson conseguiu o impossível. Transpor o instransponível, adaptar o inadaptável, e fê-lo com uma tal capacidade, visão e qualidade artística que até o mais indefectível dos fãs terá de concordar que esta é a rainha de todas as adaptações literárias. Um projecto feito de um tal labor e com uma tal atenção ao pormenor e desenvolvimento das personagens que realmente explica os sete anos que levou ao seu desenvolvimento - quase metade do tempo que levou Tolkien a escrever a sua obra prima.
Gollum é um triunfo absoluto, Wood e Astin uma miríade de dramatismo e intensidade, e Ian McKellen não representa Galdalf - Ele é Gandalf.
A realização de Jackson consegue o perfeito equilíbrio entre a grandiosidade de um épico e o intimismo reservado para a dor, o desespero, a felicidade e a tristeza pungente dos seus personagens. A história não cede por um minuto aos ditâmes da industria, e talvez seja por isso que para muito poucos o filme pareça longo.
Tolkien era um visionário de tal ordem que evitou precisamente o já aqui referido happy end. O Senhor dos Anéis tem tudo menos um desenlace feliz, e a grandiosidade da sequência final, associada á ideia da perda irreparável e ao preço da obtenção da liberdade torna a história cheia, completa e multifacetada. A ferida de Frodo nunca sara, e de alguma forma, Gandalf estaria já morto, recordam-se? Não pode haver vitória sem sacrifício, e Tolkien representa o preço dos jogos da humanidade com uma mestria narrativa absoluta, que Jackson consegue transpor com a qualidade de quem nunca se detém perante o valor artistico da obra em si e da sua visão.
Esta trilogia não será um sonho, mas uma magnífica realidade concretizada que em meu ver, ultrapassa a saga Star Wars ou qualquer outra. Há aqui um peso dramático e artístico que faz de uma história que alguma hipocrisia e sobranceria crítica denomina de escapista, um marco indelével na história da arte, da literatura e finalmente, do cinema.
Deêm o Óscar, o globo de Ouro e tudo e mais alguma coisa a Jackson. Porque ele afinal de contas resistiu á tentação do Anel e fez da sua visão desta obra imortal sem concessões.
Peter Jackson - um muito obrigado pelo sonho feito filme. pela coragem, integridade e honestidade artística.

Abraço a todos

SK

P.S. - Quanto ás pontas soltas, haveria realmente tempo para a morte de Saruman ás mãos de Grima? Ou para o desenlace pouco ortodoxo entre Eowyn e Faramir, que de resto é intuido na cena final? Além de outros? De resto, é esperar pelo DVD com extensões, e recordar o que Jackson disse - " A filmarmos como Tolkien escreveu realmente, seriam nove horas só para sair do Shire".

quinta-feira, novembro 27, 2003

Bem sei que a Associação Nacional de Cínicos, caso lesse este cantinho desconhecido, iria chamar todos os nomes possíveis e imaginários a este vosso amigo. Junte-se a Tertúlia dos Críticos Esclarecidos e o Movimento Contemporâneo da Cultura Acertada e Real, e teremos um coro de protestos.
Especialmente porque quando a grande parte são misantropos, o assunto de que falarei em seguida irritá-los-á ainda mais devido á quadra. Aliás, devem estar neste momento ocupados com os textos de arraso á quadra natalícia, sempre defendidos por aquilo a que chama o "esclarecimento social e cultural", leia-se, uma crise maus fígados por um período do ano em que, seja lá porque automatismo social for, acicata os sentimentos das pessoas, para bem, ou para mal, dependendo da situação da própria vida. Alguns têm razão para experienciar essa raiva, e normalmente não são aqueles que tanto espumam contra o período em causa. Enfim, adiante...

Falo-vos de um filme que fui ver ontem.
Richard Curtis, de quem sou um fã empedernido devido á magnífica saga Black Adder, entende que de alguma forma se pode brincar com a sociedade de duas formas. Com uma lâmina afiada e arguta, por um lado, e mantendo essa argúcia em nome de algo mais positivo, por outro.
Love Actually é um filme feito de nove pequenas histórias que talvez não tenham nada de inovador, mas são construídas com um charme e ternura tão genuína que se torna impossível não nos revermos em algum daqueles momentos, quando tomamos atitudes imbecis por causa de uma coisa que não se vê, não se cheira ou toca, mas que anda por cá e faz estragos para cacete.
Os actores entregam-se, as histórias funcionam, e há uma espécie de rodeio em torno da profundidade que é comum a todos os estados de inebriamento emocional. É na ilusão que todos pairamos quando nos encontramos naquele estado, quer queiramos, quer não. Pode combater-se, mas não negar-se. E é precisamente isso que Curtis ali mostra. A capacidade para nos iludirmos, a fantástica viagem que é o nascimento do amor, e a outra face mostrada pelas suas vicissitudes.
O filme tem falhas claras, obviamente. A cena no restaurante português é dispensável ( para não dizer má), e eu pessoalmente trataria a resolução final do cantor envelhecido de outra forma, mas tudo o resto está imbuido de um genuíno afecto pelas personagens, pelos seus percursos, pelas coisas que fazem de ambas as ilusões algo que não é passível de ser ignorado por ninguém. Não há profundidade na génese do amor, mas tão somente um pairar por cima da ilusão, onde tudo se transforma numa sensação de imortalidade. Na minha modesta opinião, se não fosse assim, nunca chegávamos á profundidade. A força do amor mede-se pela exacta e proporcional comparação ao discernimento. Se ambos conseguem crescer, algo de sólido se passa. Mas o nascimento da emoção ou sentimento, como lhe quiserem chamar, é feita do material que constrói as horas de espera infantil até á abertura das prendas.
Duas ilusões. Dois nascimentos. Duas hipóteses.
É uma comédia romantica? Pois é. E qual é o problema?
Talvez esteja a ficar sentimental com o passar dos anos, mas não vi ali facilidade alguma, nenhum truque narrativo sujo, e sinceramente, conseguiu comover-me a espaços. Atenção ao miudo de dez anos, e ao que se pode fazer com alguns cartazes e um rádio da Worten!!!

Feel Good Movie. Se não forem preconceituosos, talvez vejam ali pedaços de algo que com certeza já fizeram por alguém que amaram, que perderam não obstante o esforço que tenham feito, ou que ainda tentam alcançar por todos os meios, rídiculos ou não. E é na inteligência e ternura com que tal é revelado que reside a força de um filme que talvez não seja não ser profundo como a génese do amor nunca o pode ser.

Diivirtam-se e deixem a magia da quadra derreter algum desse cinismo.
É que sinceramente, não serve para nada.
Justiça para quem pode...


Eis o que fizeram do principio do acesso á justiça. Mais uma vez, quem tem dinheiro pode ter direito a recorrer aos tribunais, quem não tem, aguente-se... o que significa a existência de cidadãos de primeira e de segunda, algo extremamente claro em toda a política social da actual administração. É só uns emeplos atrás dos outros...
É o que dá. Um tipo deixa o cariz umbiguista do blog e dá logo de caras com esta desgraça...




Custas judiciais aumentadas para moralizar acesso aos tribunais

Catarina Gomes
PÚBLICO
O novo regime de custas judiciais, cujo projecto é hoje aprovado em Conselho de Ministros, pretende dissuadir as grandes empresas de inundar os tribunais com pequenas dívidas e encaminhar cada vez mais os cidadãos para meios alternativos de resolução de conflitos, como os julgados de paz. A Ordem dos Advogados discorda do aumento sem alternativas das custas das acções de menor valor e a Associação Nacional de Jovens Advogados vê a medida como "desacompanhada".

O novo Código de Custas Judiciais, que deverá entrar em vigor no início do próximo ano, parte de um pressuposto: cerca de 85 por cento das acções para cobrança de dívidas são interpostas por empresas. As acções de pequenas dívidas (até 500 euros) predominam e são sobretudo intentadas por empresas de transportes, armazenagem e comunicações, como as operadoras de telemóveis. Já os cidadãos individuais escolhem cobrar as suas dívidas em tribunal em cerca de dez por cento destas acções.

O novo regime de custas, que se traduz num aumento de 2,6 por cento (o projecto original previa aumentos de sete por cento), agrava a taxa de justiça sobretudo nas acções de menor valor, o que pretende ter um efeito dissuasor sobre as empresas. Mas irá afectar os cidadãos particulares, defende a Ordem dos Advogados (OA).

O bastonário da OA discorda sobretudo do "aumento sem alternativas das custas das acções de menor valor". Júdice afirma que o merceeiro tem tanto direito a cobrar 500 euros como uma grande cadeia a cobrar 50 mil euros. Por que há-de o primeiro ser prejudicado?

"É intolerável que o Acesso à Justiça prejudique os direitos dos menos favorecidos, apenas porque tais direitos têm valor económico baixo em termos absolutos, embora muito elevado para o valor patrimonial e os rendimentos de amplas camadas da população", lê-se na moção contra o projecto de Código de Custas Judiciais aprovada pela OA, em Novembro, que espelha a posição do órgão sobre esta questão, afirma Júdice.

Em resposta a esta crítica, fonte oficial do Ministério da Justiça afirma que os cidadãos deverão cada vez mais levar acções de pequena monta aos julgados de paz - meios alternativos de resolução de litígios com competência para julgar acções até cerca de 3700 euros. Hoje fazem-no cerca de 200 mil pessoas, com a expansão da rede pretende-se que sejam 1.600.000 cidadãos, reforça.

Para Miguel Alves, vice-presidente da Associação Nacional de Jovens Advogados, o aumento das custas é uma medida de "aplicação solitária" porque "desacompanhada de medidas de aumento da eficiência do sistema". "Aumentar as custas é o caminho mais fácil", o critério económico devia ser a última forma de combater a pendência processual, diz. Na sua opinião, deveria apostar-se em medidas de cariz positivo. "Pensem duas vezes antes de ir para tribunal [devido ao preço] não nos parece a mensagem correcta", ainda mais numa altura em que os cidadãos aumentam a consciência dos seus direitos.
REVOLTANTE!!!


Não há palavras para descrever algo como isto...
Mas afinal de contas o que faz falta são os submarinos e os estádios de futebol. Coisas como a AMI são dispiciendas para este Governo. Aliás, tudo o que tenha a ver com as pessoas é supérfluo...
Que tristeza...

No DN de hoje...

Estado asfixia as ONG
LICÍNIO LIMA
As Organizações não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) correm o risco de fechar as portas, abandonando projectos em curso nos quatro cantos do planeta de apoio à educação, agricultura, saúde, etc. Em causa está a mudança abrupta de metodologia do Governo, que, ao contrário do que sempre fez, deixou de adiantar verbas para co-financiar as iniciativas, alegando que tal prática viola a lei, nomeadamente as regras da despesa pública. É que a partir de agora só receberão dinheiro mediante a apresentação de facturas ou de uma garantia bancária.

A plataforma representativa das ONGD, as quais traduzem o rosto da solidariedade portuguesa no mundo, considera esta norma contrária ao espírito das suas actividades, frisando que a cooperação com os povos mais desfavorecidos «não se enquadra nem na compra nem na venda de serviços». E, neste sentido, já manifestou a sua indignação ao primeiro- ministro, ao ministro dos Negócios Estrangeiros e aos deputados, através de carta.

A situação é desesperante. «Se as novas regras forem impostas, as ONGD mais pequenas terão de encerrar as suas actividades», garantiu ao DN Fernando Nobre, presidente da AMI. tendo esclarecido, no entanto, que sobre o assunto só sabe o que foi veiculado pela plataforma e pelos meios de comunicação social. O presidente da AMI garantiu mesmo não ter recebido qualquer informação oficial do Instituto de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) - entidade dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros responsável pela atribuição dos subsídios. Por isso, Fernando Nobre adverte que espera que aquele organismo governamental cumpra o compromisso assinado para quatro projectos que a sua organização está a desenvolver na Guiné-Bissau, Timor, Angola e São Tomé e Príncipe. «Quero crer que o Estado é uma pessoa de bem e vai honrar o que assinou», disse.

Segundo apurou o DN, em causa estão alguns milhões de euros, precisamente 1,6 milhões (320 mil contos), que deveriam ser disponibilizados pelo IPAD. Por exemplo, a Grécia distribui por esses organismos não governamentais cerca de 40 milhões de euros.
Isto significa que as dádivas do Executivo são pouco significantes, comparadas com os financiamentos da Comissão Europeia (CE), que rondam os 75 por cento do valor de cada projecto. Porém, o dinheiro europeu apenas é disponibilizado se as instituições de solidariedade garantirem os restantes 25 por cento através de fundos públicos e privados.

Neste contexto, a palavra desespero ganha sentido, tal como explicou ao DN Pedro Krupenski, dirigente da Plataforma das ONGD. «É que já há 28 ONGD que assinaram contratos com o IPAD, com o compromisso de que iriam receber os co-financiamentos, tendo os documentos servido para provar junto da CE que os 25 por cento estavam conseguidos». Por outro lado, adiantou aquele responsável, «alguns dos projectos são plurianuais, dependendo dos subsídios anuais.

As consequências são óbvias: «Se o IPAD não adiantar as verbas, as ONGD não têm como provar à CE a sua utilização, podendo perder, ou ter de devolver, os subsídios europeus. E os projectos em curso correrão o risco de serem abandonados, afectando, nalguns casos, populações inteiras», disse.

Tudo isto, frisou, porque o IPAD resolveu mudar a política de atribuição de subsídios, apesar de a CE manter a norma de adiantar os financiamentos e de os fiscalizar depois para saber se os projectos foram ou não realizados, como se fazia em Portugal.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Aos que não sei onde andam...


Num mundo onde tantas pessoas se ocupam em determinar a verdadeira noção do que é dizer alguma coisa, onde parece que alguém finalmente inventou uma espécie de código da elegância para as mensagens ditas importantes, criou-se um novo mito. A ilusão do dito por não dito, a lógica da parecença, as frases pressupostas, as lógicas intermédias.
A conversa está perra. Existe uma correria para a colocação na ordem suposta das relações humanas e os mecanismos da imaginação cedem perante o rosário certinho do adequado. Instila-se a noção de progressão, do abandono do que se torna anacrónico em direcção a uma consciência que mais parece um prato composto. Cinismo quente como carne ou peixe, e esperança mal disfarçada como conduto fumegante. E é nesta lógica que o escapismo surge como sobremesa. Porque no fundo é apresentado para cada um não como o fim, mas como uma etapa do que realmente já deveria ter começado.
Embora haja uma argumentação baseada nas elaboradas lógicas da doença civilizacional, as paragens para medição da infelicidade são, não raras vezes, tragédias pequenas cuja acumulação produz outras maleitas, como afluentes a uma corrente avassaladora de que toda a suposta normalidade é feita.
A verdade é que a busca das identidades, o combate à alienação quotidiana está radicado numa forma muito primária de tristeza. Não se fala nela, porque não se falam nas coisas evidentes. Encontram-se formas de expor essas fragilidades do chamado equilíbrio em demonstrações artísticas que falam sempre no mesmo conceito, através de consequências mais ou menos devastadoras. Em muitos dos filmes ou livros que experimentei ao longo de uma curta e inculta vida, a ideia da denuncia da alienação está retratada, como disse acima, num escapismo que varia entre a brutalidade e um cinismo crónico. Os dentes afiados da vergonha recusam um estertor que seja de positividade, embora num local solitário, quando as circunstâncias o permitem, as perguntas são sempre as mesmas. As certezas do negrume esclarecido perdem igualmente o vigor argumentativo, e volta e meia aparecem as fragilidades.
Não se fala em coração porque é piroso. E já agora cientificamente incorrecto. Não se fala em bondade porque a denuncia da intenção oculta paira como uma espécie de código de posicionamento cultural (e até mesmo político). Esse código indica uma verdade supostamente inalienável. Ninguém dá nada a ninguém.
Ouço psicólogos aferirem isto com base em explicações que, embora bebam na lógica verificável, não são nunca passíveis de generalização. Mas a convicção é outra. As histórias que se contam nunca podem reflectir a verdadeira dimensão da fragilidade, porque o conforto dado, a mais das vezes, assenta num assentimento simpático.
As pessoas hoje em dia confiam numa espécie de posição de principio. Os relacionamentos surgem e funcionam nos seus inícios, e existe uma convicção clara de que os compromissos construídos funcionam por si, como um perfume colocado na pele que nunca desaparece. Essa posição de principio torna-se um código. E de alguma forma, os pólos de resistência que se vão formando assentam em mecanismos de pertença que bebem precisamente desse saber mudo. Está tudo definido. As coisas questionam-se, mas a normalidade surge como a panaceia naturalística. Os gestos são feitos daquilo que é intuído, para desgraçada da vaga de insegurança que assola todas as pessoas em qualquer momento dos seus dias ou vidas.
Os formatos aparecem então como o best seller para o combate ao desespero imperceptível. Os códigos, os manuais de procedimentos, a falta de perguntas, os divertimentos provocados por objectos ou realidades alheias.
A doença civilizacional surge como o bode expiatório, mas que de alguma forma está para além do castigo. Os contactos perdem-se, arrefecem. As perguntas morrem. As curiosidades tornam-se, em certo campo, obscenas, incómodas ou alvo do maior assassinato possível – o anacronismo. E o dito por não dito surge como a farda da mente. A técnica do silêncio como o cartão de visita dos desejos de cumplicidade, a normalidade como o termo de responsabilidade da pertença.
Quando se envia uma mensagem aos que têm de partir, no entanto, tudo isto desaparece. Seja um amante que se vai, um amigo que viaja ou alguém que dá um passo para o mundo da morte. Surge a válvula de segurança, a expressão do desejo contido e o medo que lhe está relacionado. A dignidade e o dispêndio de atenção tornam-se mais correntes, e por algum tempo, a alternância dos comportamentos aparece como deveria ser. Porque a alternância é tudo. Caraças, olhem para a própria cadência do sexo. Alternância. São as idas e vindas do conceito de vida. Daquela que interessa, pelo menos. O nada nunca chega a ser alguma coisa se não estiver lá num segundo, e desaparecer no seguinte.
No fundo é tudo um problema de importância. A importância da atenção devida versus a comodidade dos estados supostamente adquiridos. E no entanto, o código de silêncio permanece como uma tradição que não parte.
Conceptualizar em voz alta a noção de pertença é acicatar presenças inimigas junto a esta espécie de contra-código social moderno. Seja porque o tempo nos escapa, porque o conforto é encontrado numa presença pressentida, ou porque a necessidade do avivar da pertença é demasiado parecido com um pedido. E sabemos o problema que isso representa, certo?
Uma outra coisa curiosa é precisamente a familiaridade tangível através da ternurenta falta de cuidado. Não escapa a ninguém como o insulto e a graçola saltam com frequência quando existe uma verdadeira cumplicidade e senso de pertença entre pessoas. Pensem lá bem.
Imaginem a diferença que existia no tratamento dos amigos realmente próximos, ou da cara metade, antes de existir o senso de pertença. O cuidado com as palavras, com o uso do à-vontade. Será uma raridade suspeita se alguém for capaz de mandar à merda um amigo recente ou um projecto de relacionamento com pernas para andar. E não é só porque a má educação possa ficar desagradavelmente à espreita, mas porque o nosso lugar ainda não está verdadeiramente fixo. A insegurança dá uma espécie de noção bem clara de vontade. Vontade de ser, de pertencer, de poder caminhar num carreiro demasiado estreito para muitas pessoas.
No fundo, a ausência das pessoas que vão desaparecendo, as culpas atribuídas à referida doença de civilização, são formas menos elaboradas destes cuidados ou pruridos. E são formas incompletas, porque se referem à pertença a meio gás, tratando-a como uma planta imortal que nunca senão de uma autodeterminação que arrisco a dizer que ninguém deseja absoluta.
A alienação do próprio, a busca dos elementos de uma qualquer outra forma de contacto com o mundo que a todos pertence, pode levar a extremos. E muitas vezes esses extremos são implosões, vendavais de sofrimento interno forçado a ser calmo e pacífico, inaparente. O contrário chama-se pedido, e em muitas das linguagens relacionais entre pessoas, só tem sonoridade familiar quando a cumplicidade já existe. No fundo, o grande problema é a iniciativa. A fuga para a frente. A tomada de pequenas decisões que podem formar uma carapaça interactiva mas resistente com uma universalidade de pequenas agressões. É uma escolha.
A saudade daqueles que devem ficar, deve ser traduzida nos actos que levam ao mesmo risco que a conquista oferece. Com a vantagem de se saber que o receptáculo já reconhece o código, e que raramente sabemos exactamente a razão pela qual há alguma incerteza. Aquela que é feita da perseguição aos afectos. A melhor de todas.
É algo difícil olhar para a nossa vida e achar que as falhas subtis podem ter repercussões muito mais graves que as que previmos. Ou perceber porque razão essas mesmas falhas acontecem, sem que sejamos o seu agente activo.
No fundo andamos sempre à procura daqueles a quem queremos. Mas são as formas de o fazer que não têm um arquétipo. E talvez nem o devessem ter. Torna-se é necessário agir. E talvez o desconhecimento da melhor forma de o fazer, seja o mais adequado a algo que não tem instruções.
Existem poucas coisas melhores que procurar aqueles a quem queremos. Fazer as pequenas coisas, criar pequenos objectivos, solucionar mágoas com pequenas surpresas.
E quando perguntamos o que se passa, o que há, o que alguém quer, ter a noção de que realmente queremos ouvir. Que o espírito que nos impulsiona, nos atrai, mostra nas suas contracções o quão completo é. E quão total é a nossa motivação em querer um pouco ou fazer parte dele.
Quando se envia uma mensagem aos que têm de partir, desejamos sempre que a motivação seja outra. Que a mensagem seja falsa porque não existe partida. Que as chegadas sejam espontâneas, que a saudade seja apenas uma alternância dos afectos, necessárias à sua sobrevivência. Porque o gosto da solidão é um engodo, e a sua argumentação, uma ilusão argumentativa.
Por isso, onde estão todos?
Ao alcance das minhas mãos, se os meus actos ilibarem a culpa da minha inércia.
Aos amigos e mais além.
Aos que importam.
Aos que gostaria tanto que não tivessem de partir, ainda que estejam por cá.
Hoje vi, através da simpatia do site metter, que ultrapassei as 800 visitas. E vejo que normalmente encontro sempre as mesmas caras, cuja gentileza imensa lhes permite ainda passar por aqui e não sentir o aparecimento de um enorme bocejo.
Ou se calhar aparecem devido ás insónias...

Deve ser isso...
Seja como for estou-lhes tremendamente agradecido, e espero de alguma forma que esta letargia me passe e as coisas passem a ser mais movimentadas por aqui...

Abraço Forte
Hoje vi, através da simpatia do site metter, que ultrapassei as 800 visitas. E vejo que normalmente encontro sempre as mesmas caras, cuja gentileza imensa lhes permite ainda passar por aqui e não sentir o aparecimento de um enorme bocejo.
Ou se calhar aparecem devido ás insónias...

Deve ser isso...
Penso que ninguém ignora o quão difícil é racionalizar uma perda. Obviamente que a dimensão e importância contam, mas a fúria e desorientação pode ir da perda da carteira (leve), ao desaparecimento de um ente querido (pesadíssima). Julgo que é a falta de explicação. Sinceramente. A racionalização da perda é impossível precisamente porque não se encontra uma explicação para tal. É um facto cuja origem remonta a algo aleatório, comandado por uma vontade alheia à vitima da perda.
Claro que existem aquelas que pessoas que encolhem os ombros, soltam uns praguejos, e a coisa lá vai. No fundo a aceitação surge como uma explicação parcial – o velho – "estas merdas acontecem."
Outros esbracejam e disparam com fúria de encontro ao mundo. Julgam-se traídos e feridos de morte no orgulho, porque afinal perder algo é perder, é ficar numa posição de fraqueza ou vulnerabilidade.
E existe ainda um grupo que mistura as duas coisas, sendo que a segunda cresce consoante a importância da perda.
Aqui há dias mandei uma carta com uma espécie de puxão de orelhas aos que desaparecem. Um puxão cheio de saudades e embebido num licor de um abraço distante.

Nem uma coisa nem outra resultaram...
Começo a fazer perguntas que não agradam a ninguém...

sexta-feira, novembro 07, 2003

Existem poucas coisas piores que a saudade intensa de quem está bem perto.
E é sentimento que não deve continuar, caso essa saudade não poder ser reiteradamente satisfeita e recriada.
CHANGE

I don't feel the suns coming out today
It's staying in, its gonna find another way
As I sit here in this misery I don't think I'll ever see the sun from here
And oh as I fade away, they'll all look at me and say,
Hey look at him I'll never live that way
But that's ok their just afraid to change

When you feel your life ain't worth living, you've got to stand up and
take a look around you then a look way up to the sky
And when your deepest thoughts are broken, keep on dreamin boy cause
when you stop dreamin its time to die
And as we all play parts of tomorrow
Some ways we'll work and other ways we'll play
But I know we can't all stay hhere forever
So I want to write my words on the face of today
.....And then they'll paint it

And oh as I fade away they'll all look at me and say,
hey look at him and where he is these days

When life is hard you have to change


GALAXIE


Is this the place that i want to be
Is it you who i want to see
Holding on, Hold it high, show me everything

And you're leaving me me
Yeah you're leaving me
You're leaving me with hated identity

But i just keep on a comin' here and standing in this place
And I'm never really sure if you'll take
What I'm saying the right way
But i'm never apalled or afraid verbal pocket play
Is as discreet as I can muster up to be
Because the Cadillac that's sittin' in the back
It isn't me
Oh, no, no, no it isn't me
I'm more at home in my galaxie

Can i do the things I wanna do
That I don't do because of you
And I'll take a left then I'll second guess into a total mess

And you leaving me
Yeah you're leaving me
You're leaving me with hated identity

Chorus

I'm more at home in my galaxie

Blind Melon

Esta era uma das bandas que poderia ter sido bem maior do que foi. Grande amigo de Ax'l Rose,embora tenha feito musica radicalmente diferente, Shannon Hoon morreu a 21 de Outubro de 1995. Um jornalista da Rolling Stone diria que a sua voz soava fantasmagoricamente a Janis Joplin, e ao ouvir, podemos comprovar isso mesmo.
Provinda de um período de música que marcou uma geração de então adolescentes e jovens adultos. A minha. Os anos noventa serão para mim a génese da música que marcou a minha vida. Do Seatlle Sound a todos os derivativos.
A saudade que fica da descoberta da musica dessa altura é comparável á primeira leitura dos Maias ou do Senhor dos Anéis. Maravilhas que se podem repetir, mas nunca reiniciar. Como um primeiro beijo.
A vida por vezes é boa.
Walk Away


Oh no
Here comes that sun again
That means another day
Without you my friend

And it hurts me
To look into the mirror at myself
And it hurts even more
To have to be with somebody else
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away

With so many people
To love in my life
Why do I worry
About one

But you put the happy
In my ness
You put the good times
Into my fun
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door

We've tried the goodbye
So many days
We walk in the same direction
So that we could never stray
They say if you love somebody
Than you have got to set them free
But I would rather be locked to you
Than live in this pain and misery

They say time will
Make all this go away
But it's time that has taken my tomorrows
And turned them into yesterdays
And once again that rising sun
Is droppin' on down
And once again you my friend
Are nowhere to be found
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door
You just walk away
Walk away


Ben Harper - Welcome to the Cruel World

Esta é provavelmente uma das mais belas peças de música que ouvi até hoje. E se a letra promete, ouçam a instrumentalização e deixem-se arrasar pela beleza simples e intangível desta faixa.
Mestre Ben, és um génio!!!

quinta-feira, novembro 06, 2003

Prevejo uma avalanche de currículos...

PARIS, France (Reuters) - Want to learn how to strip?

A Paris department store is offering women free "lessons in seduction" this week as it opens what it calls the world's largest underwear store.

Those feeling inspired by the hundreds of silk bras, colorful knickers and G-strings displayed over more than 2,500 square meters (27,000 sq ft) in Galeries Lafayette's new underwear section can retreat to a quiet area for striptease lessons Saturday.

"A professional demonstration lets you discover the gestures it takes to unveil your pretty underwear," the store lures the curious on its Web site, adding classes are for women only.

Striptease teacher Lea said the classes will not be vulgar but artistic. "These classes are for women who want to play seducer -- to spice up their relationship or to surprise their partner -- but who don't know how to do it," she said.

"We will teach them to always unbutton their shirts from the bottom up when wearing trousers and how not to get their stilettos stuck in their skirt," the instructor was quoted as saying in Le Parisien daily Wednesday.

The striptease lessons come amid a heated debate about G-strings in France, as teachers try to deal with a fashion craze among teenagers to expose their midriffs and wear thongs designed to peek out above low-cut trousers.

Fueling the controversy, a French advertising sector association a few weeks ago called on underwear manufacturer Triumph to withdraw a billboard campaign for its Sloggi range of thongs which was condemned as widely offensive to women.






Como se já não bastasse a falta a Kyoto...

Segundo o NY Times, Bush soma e segue na sua cruzada pelo disparate.
Aliás, a sua administração peca novamente pelo autismo perante o óbvio. E a vítima é mais uma vez o ambiente...
Agora é criada a pior espécie de acto legislativo possível, a chamada "lei medida", que despenaliza as companhias com a maior taxa de emissão de poluentes. Isto implica igual e indirectamente que estas empresas não estão obrigadas a instalar anti poluentes.
A E.P.A. foi avisada pela equipa de Cheney para "deixar cair os casos", porque estes tinham sido processos instaurados graças a "uma interpretação errada e restrictiva da lei".
Ou seja, os contribuintes para a campanha do idiota da aldeia acharam que era um abuso serem obrigados a ter responsabilidades e cuidados com oambiente, por isso puxaram o cordão do lobby da energia e agora estão livres para dar cabo do canastro ao planeta. Alías, as empresas estão despenalizadas "ainda que aumentem" a emissão de substâncias poluentes.
É realmente de génio.
Que diria Lomborg sobre isto?
Uma coisa é certa. Luis Delgado arranjaria uma desculpa qualquer, que ainda por cima seria mais uma justificação para a intervenção iraquiana.
Leiam
aqui a notícia completa.

Que tristeza de mundo este. Mas como é que alguém ainda consegue apoiar esta administração?????

terça-feira, novembro 04, 2003

Dirty Pretty Things.

Stephen Frears.
Um dos melhores filmes do ano, uma perturbadora história de sentimento, redenção e quebra de ilusões.
Ainda estou tão tomado pela narrativa e a imagem que lhe deu corpo, que não sou capaz de fazer uma análise escalpelizada. E escalpelizada talvez seja a palavra certa, mas para aferir isso terão de ver.
Uma coisa no entanto tenho que dizer.
Mais uma vez alguns dos defensores do realismo a toda a prova conseguem encontrar neste filme um engulho a essa seita que parece crescer cada vez mais. Segundo estes amigos, não podem existir histórias de amor bem contadas, ou o emergir de humanidade mesmo no meio do Inferno.
Eu pergunto-me se essas pessoas têm tiradas dignas de Casablanca ou o final do Henrique V do Shakespeare quando se confrontam com uma pessoa que lhes faz tremer os joelhos e entaramelar a fala. Ou se a pungência do amor pode simplesmente levar a que uma pessoa, em meio ao mais complicado dos sacrifícios e renúncias, deixe sair uma palavra repetida á exaustão, mas que é tão inevitável como o passar do tempo.
Os protagonistas dizem que se amam, num dos cenários mais tocantes e bem construídos de amor contido que já pude testemunhar, e alguém acha que isso é fugir ao realismo.
Querem realismo e contundência? Vejam o assombroso Chiwetel Ejofor, que arranca uma interpretação magnífica quase só á custa de um olhar que deveria valer 30 Óscares.
Vejam Audrey Tatou, maravilhosa como turca, e Sergi Lopez brilhante na composição da repugnância de um anti-grilo falante.
Claro que amínima possibilidade de retratar estas pessoas como seres humanos com sentimentos reais é ofensiva para quem acha que o realismo deve ser feio, porco e mau até á exaustão.
Não compreendo porque essas pessoas não agarram numa faca e acabam com a sua própria miséria. Mas quem é que quer viver num mundo se o vê dessa forma? É por isso que o cinismo é uma cobardia incongruente.

Abraços
Vão ao cinema ver este filme!!!
Cartas a Sónia III




Deixa entrar uma brisa…
Não é fácil. Lá fora o vento faz corridas com as árvores estáticas
Mas toca no lancil da janela e anseia pela expectativa
Deixa que a mortalidade do teu ânimo se renda ao escuro
E saboreia as mãos da luz no teu pescoço
Como uma promessa surda ou uma tentativa vã
Feita à medida das expectativas de felicidade que fazem sonhar
E antevê… com a força de querer

Sai lá para fora, ainda que só em sonho
Agarra os feixes de ar corrido e sente a temperatura
Bebe os contornos e faz promessas incompletas
Aceita os desmandos e traz para a frente as recordações
Do que então parecia difícil e vagamente inexplicável
Como degraus da subida e ritmos das dores
Prevendo um voo como as folhas que passam à tua frente

Dás os primeiros passos, ainda que com pés descalços
Faz perguntas ao panteão natural que saltita à tua volta
Acolhe os viajantes da crueldade nova
E escreve um poema de redenção, ainda que te pareça impossível
Atreve-te. Desafia as consequências como se já não as sofresses
Dança um tango com a dignidade e desenha novas constelações
Chora lágrimas falsas pela beleza, e interioriza a verdade fugidia

Perde-te com os mapas todos. Escolhe não vê-los
Disseca as estradas e pergunta as direcções para todos os locais
Principalmente aqueles para onde não queres ir.
Apercebe-te da diversidade de sangue nas mãos
Rasga um bocadinho da tua roupa e faz uma bandeira
Desfila perante o silêncio das hostes. Ouve.
Avança e deixa que cheirem o desespero.
Apanha a dignidade naquele carreiro que ela tomou sem querer.

E depois retorna. Faz um mapa da viagem, mas apenas em desenhos abstractos
Diverte-te a explicar o que ficou para trás em língua desconhecida
Vence com a percepção do caminho percorrido, e sobe ao terraço do mundo
Desfia a história lentamente. Constrói-a. Cria paralelos e metáforas
Diverte-te com os teus absurdos, troça com os teus simbolismos
Porque afinal de contas, a voz da tua dor é tua.
Reverbera numa canção estranha e dissociada do real
Apoiada numa solidão necessária, como todas as que se tornam boas histórias

Volta então e conta-ma da forma que desejares.
Espalha o espólio inimigo e informa-me.
Gesticula mostrando como lhe cuspiste.
Mostra-te consciente que a tradução só vai até certo ponto.
Conformada, saberás claramente que é tempo de avançar
A espaços, em momentos, em histórias pequenas
É o teu mundo.
No fim da tua guerra.
O riso perante as pretensões e a pauta explicativa
Fecha a janela. E é então que o mundo fica cá dentro.




quinta-feira, outubro 23, 2003

Finish every day and be done with it. You have done what you could. Some blunders and absurdities no doubt have crept in; forget them as soon as you can. Tomorrow is a new day; begin it well and serenely and with too high a spirit to be cumbered with your old nonsense. This day is all that is good and fair. It is too dear, with its hopes and invitations, to waste a moment on yesterdays.

Ralph Waldo Emerson
"The young man or woman writing today has forgotten the problems of the human heart in conflict with itself which alone can make good writing because only that is worth writing about, worth the agony and the sweat."

-William Faulkner


Sem tirar nem por...
Mas penso que há mais ainda...
( Pedaços de) Cartas a Sónia II


O mais difícil de aceitar é que as coisas más aconteçam às boas pessoas. O mais complicado é não poder proteger-te efectivamente, é não poder mergulhar em ti até não ter mais nada no corpo para dar, é ser a pessoa que deveria afastar os fantasmas, mas cujo exorcismo é apenas indirecto, se bem que sempre intenso e optimista.

É necessário pensar que existem pessoas que nem isso podem fazer. Que aquela coisa que tanto faz sofrer e contorcer, fazer caras estranhas perante a volúpia, aceitar ciúmes e desconfortos repudiados pela racionalidade está ali, e é uma questão não de lutar por ela, mas simplesmente ceder a uma rendição necessária.

O amor é uma espécie de teoria mal amanhada, constantemente emendada, interpretada e geradora de conclusões tão diferentes entre si, que uma pessoa chega a pensar que alguém anda a usar palavras diferentes para coisas semelhantes. Como uma pedra preciosa tão multilateral e facetada que desenha coisas estranhas na parece ao ser iluminada. E o mais engraçado é que não faz sentido nenhum. Nem se faz obedecer.

Estaca ali. E roda sobre si, fragmentando cada capacidade de resistência como uma onda de calor fervente disparada em feixe estilhaçaria um copo gélido.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Sim, lá estou eu novamente.
Mas o que é que querem? Os disparates continuam...
Ainda bem que sou agnóstico, ou a esta altura já estaria triplamente excomungado... o que ainda assim me pareceria uma sorte danada...


Bishop Wants Confession at Schools
Tue Oct 14,10:52 AM ET Add Oddly Enough - Reuters to My Yahoo!

NICOSIA (Reuters) - An Orthodox Bishop has offered to put confession boxes in every Cypriot school for teenagers to seek repentance for their sins.

Whether nabbed smoking or engaging in anything else that would make parents' hair stand on end, the bishop reckons the sanctuary of a confessional on school grounds would soon put teenagers back on the straight and narrow.

"It's an idea which has been conveyed to us and we are looking at it," an education ministry representative said on Tuesday.

The Greek Cypriot education ministry has close ties to the Orthodox Church and several schools already have small chapels. Religion classes are part of the Greek Cypriot school curriculum and focus heavily on Orthodox Christian doctrines.

Athanassios, a bishop from the southern port city of Limassol, is willing to pay for the confessionals, the daily Phileleftheros reported.

But teachers unions' are against the idea. "Children are free to go to church if they wish but trying to force somebody into doing something can backfire," the head of one union said.

The youthful bishop is a popular figure in Limassol. Some years ago his predecessor introduced late morning services on Sundays to give all-night revelers the opportunity to get to church.





Arte é subjectividade, ou então é apenas o que algumas pessoas decidem que seja.
Sim, bem sei que me podem considerar farisaico ou provinciano, ou o que seja, mas a notícia que se segue deixa-me sempre com aquele desconforto familiar que surge quando alguém define critérios de qualidade supostamente objectiva a partir de um juízo puramente subjectivo. Ou seja, define-se a qualidade com critérios à prova de bala com base numa expressão de gosto.

Ou então este pequeno pintor já fez aquilo que Picasso uma vez disse:

"Aos quatro anos já desenhava como Miguel Angelo, mas levei a vida inteira para desenhar como as crianças".

Sinceramente não sei.
Pelo menos o petiz já tem nome para fazer carreira no mundo da arte.
Dante Lamb. Escrita e música contemporânea. Pintura abstracta de génio (sic), dizem eles. Eu cá nem sei o que pensar.

Leiam e investiguem.


Three-year-old's paintings captures attention of galleries and critics

By Jennifer Brice
First Coast News

ST. SIMONS ISLAND, GA -- A local artist is already capturing the attention of galleries and critics. An artist so young his "studio" is made of newspapers that line his parent's home.

Dante Lamb has already created 100 paintings in just two years. He's young artist who's blazing a trail before most even pick up a paint brush.

If you take a stroll into the "Monkey Love Desert Bar and Gallery" in St Simons Island, you'll see all eyes are on a new art show. But to understand the abstract paintings, you've got to meet the boy behind the brush -- Dante Lamb.

"Double Poopsy; that's a good name."

A good name for his new painting says the 3 year old. People are saying the little guy is way ahead of his time.

Brit Figueora owns the gallery and says his work is all technique. Figueroa decided to feature the "Little Picasso's" art in her gallery.
She says his brush stroke is genius.

"It's not your rigid stroke that would be found in a preschooler."

And he naturally picks good color. "I like the white," Dante says as he squeezes out half the bottle.

Art critics are comparing Dante's work to some of the best in the art world. But if you ask Dante, "They're all originals."

And he's not shy to sell. One painting already went for $85 dollars. Not bad for a tot who started out with crayons and chalk says Dante's mom, Aimee Lamb.

"He's kinda snobby now. He won't even do crayons and chalk anymore."

Mom says the talent came naturally. Dante says he just likes to paint.

Some of Dante's art pieces are in the $300 range. Right now his art is exclusively sold out of the "Monkey Love Desert Bar and Gallery" in St. Simons Island.


Created: 10/14/2003 10:38:10 PM
Updated: 10/15/2003 10:16:21 PM
Edited by Jennifer Brice, reporter

segunda-feira, outubro 13, 2003

PARABÉNS MESTRE!

Foi preciso uma vida inteira e uma carrinha lhe ter passado por cima para perceberem que o homem não só sabe escrever, como o faz muito bem, além de ser um fabuloso inventor e contador de histórias.

Este galardão deixa-me, como admirador confesso da obra de King, muito alegre e de alguma forma, reconhecido como leitor e apreciador deste domador de histórias. Quem só vê horror na sua obra, é porque definitivamente nunca a leu.

"It is the Tale, not he who tells it"

Sim, definitivamente.

Abraços!!!



"STEPHEN KING TO RECEIVE NATIONAL BOOK FOUNDATION 2003 MEDAL FOR DISTINGUISHED CONTRIBUTION TO AMERICAN LETTERS
________________________
Best-Selling Author Will Be 15th Recipient of Literary Honor At National Book Awards Ceremony on November 19

NEW YORK, NY (Monday, September 15, 2003) – The Board of Directors of the National Book Foundation (www.nationalbook.org) today announced that its 2003 Medal for Distinguished Contribution to American Letters will be conferred upon Stephen King, one of the nation’s most popular, imaginative, and well-loved authors.

Mr. King has published more than 200 short stories (including the O. Henry Award-winning “The Man in the Black Suit”) and 40 books during a career spanning three decades. He has earned the reputation among readers and booklovers as a genre-defying stylist, vivid storyteller, and master of suspense.

The Medal will be presented to Mr. King on Wednesday evening, November 19, at the 54th National Book Awards Ceremony and Benefit Dinner at the New York Marriott Marquis Hotel in Times Square. Mr. King will deliver a keynote address to an audience of more than 1,000 authors, editors, publishers, friends, and supporters of books and book publishing. The evening benefits the National Book Foundation’s many educational outreach programs for readers and writers across the country.


The annual award was created in 1988 by the Foundation’s Board of Directors to celebrate an American author who has enriched the literary landscape through a lifetime of service or body of work.

The previous recipients are Jason Epstein, Daniel Boorstin, Saul Bellow, Eudora Welty, James Laughlin, Clifton Fadiman, Gwendolyn Brooks, David McCullough, Toni Morrison, Studs Terkel, John Updike, Ray Bradbury, Arthur Miller, and Philip Roth.

In making the announcement on behalf of the Board of Directors, Neil Baldwin, executive director of the Foundation, said, “Stephen King’s writing is securely rooted in the great American tradition that glorifies spirit-of-place and the abiding power of narrative. He crafts stylish, mind-bending page-turners that contain profound moral truths – some beautiful, some harrowing – about our inner lives. This Award commemorates Mr. King’s well-earned place of distinction in the wide world of readers and booklovers of all ages.”

Mr. King will receive $10,000 along with the Medal.

“This is probably the most exciting thing to happen to me in my career as a writer since the sale of my first book in 1973,” Mr. King said. “I'll return the cash award to the National Book Foundation for the support of their many educational and literary outreach programs for children and youth across the country; the Medal I will keep and treasure for the rest of my life.”

With the publication in 1974 of Carrie, his first novel, Stephen King quickly established a devout readership and cemented his reputation as America’s premier horror-writer. Since then and at a pace matched by few others, Mr. King, 55, has worn many hats and has set a number of sales records along the way. More than 300 million copies of his books are in print, including The Shining (1977), Pet Sematary (1983), and Misery (1987); a memoir, On Writing (2000); a six-part novel, The Green Mile (1996); and a fantasy/Western series, The Dark Tower. The fifth installment of that series, Wolves of the Calla, will be published on November 4.

Mr. King’s work has been translated into 33 languages, been published in 35 countries, and has been the basis for more than 70 films, television movies, and mini-series – a Guinness world record. Well known for his philanthropy, Mr. King provides scholarships for Maine high school students, in addition to making contributions to local and national charities through The Stephen and Tabitha King Foundation. He and his wife, novelist Tabitha King, have three children and three grandchildren, and divide their time between Maine and Florida.

In addition to Mr. King’s recognition, the November 19th ceremony will also feature the announcement of the four Winners of the 2003 National Book Awards in Fiction, Nonfiction, Poetry, and Young People's Literature. The highly anticipated list of 20 Finalists in these four categories will be announced at a press conference at 8:30 a.m. Wednesday, October 15.

Updated information regarding the National Book Foundation’s 2003 Gala Awards Ceremony and Dinner, as well as events in conjunction with National Book Month (October), can be found on the Foundation’s website www.nationalbook.org.

ABOUT THE NATIONAL BOOK FOUNDATION

The National Book Foundation is the sponsor of America’s most prestigious literary prize, the National Book Award. The organization promotes the reading and appreciation of great American literature among audiences across the country. The Foundation sponsors a host of programs involving author residencies in New York City public schools, settlement houses, major urban libraries, American Indian reservations, and other under-served communities. Its many educational programs – including the 10-year-old Summer Writing Camp for emerging authors – were recently honored by being designated as Semifinalists for the “Coming Up Taller Awards,” a project of the President’s Committee on the Arts and the Humanities celebrating exemplary programs fostering the creative and intellectual development of children and youth. The mission of the National Book Foundation is to promote the enduring tradition of National Book Award texts, and “literate literacy”: reading, writing and an understanding of “the writing life” for all audiences."
Perceber o olhar de uma mulher que realmente nos quer é como sentir simultaneamente todas as fragâncias, sabores e cortornos dos lugares que nunca quisemos abandonar.
É a consciência de que o mundo está lá. Que pulsa.
É a manifestação de um qualquer deus quando a crença não existe, ou não tem forma.

"Fear of things invisible is the natural seed of that which everyone in himself calls religion."-Thomas Hobbes

Tenho pena de não ter dito muitas coisas na vida.
Esta é uma delas.

Abraços
Gosto muito do trabalho de Kevin smith, que aparece nos seus próprios filmes como Silent Bob.
Adorei o "Dogma" e sobretudo, este inteligente e divertido, mas simultaneamente angustiante "Chasing Amy".

Fica aqui um bocadinho...

I love you. And not in a friendly way, although I think we're great friends. And not in a misplaced affection, puppy-dog way, although I'm sure that's what you'll call it. And it's not because you're unattainable. I love you. Very simple, very truly. You're the epitome of every attribute and quality I've ever looked for in another person. I know you think of me as just a friend, and crossing that line is the furthest thing from an option you'd ever consider. But I had to say it. I can't take this anymore. I can't stand next to you without wanting to hold you. I can't look into your eyes without feeling that longing you only read about in trashy romance novels. I can't talk to you without wanting to express my love for everything you are. I know this will probably queer our friendship--no pun intended--but I had to say it, because I've never felt this before, and I like who I am because of it. And if bringing it to light means we can't hang out anymore, then that hurts me. But I couldn't allow another day to go by without getting it out there, regardless of the outcome, which by the look on your face is to be the inevitable shoot-down. And I'll accept that. But I know some part of you is hesitating for a moment, and if there is a moment of hesitiation, that means you feel something too. All I ask is that you not dismiss that--at least for ten seconds--and try to dwell in it. Alyssa, there isn't another soul on this fucking planet who's ever made me half the person I am when I'm with you, and I would risk this friendship for the chance to take it to the next plateau. Because it's there between you and me. You can't deny that. And even if we never speak again after tonight, please know that I'm forever changed because of who you are and what you've meant to me, which--while I do appreciate it--I'd never need a painting of birds bought at a diner to remind me of."-Kevin Smith, "Chasing Amy"

Abraços

sexta-feira, outubro 10, 2003

Porque não voar?

Voar, porque não voar?
Sair daqui, de mim, passar por cima de tudo
Saltar, ficar sem apoio plantar
Deixar os recortes da terra sem mais estudo

Ouço os gritos da natureza omnipresente
Onde há apatia , cio vida e matança
São dialectos que deixam a vontade ardente
Que incessantemente gritam Avança!
´
Tenho sangue debaixo da pele
os dentes encerrados nos lábios esticados
rogo a quem queira que me vele
mas todos os gritos parecem ignorados


Tenho as memórias recentes em carne viva
Que carcomem a calma e temperança
Vejo a depositária de desejos altiva
Odeio a minha própria esperança

E montados em rasgos de vento cálido
Aparecem os demónios que me deixam pálido
Sorvendo a realidade minha e verdadeira
Deixando-me a querer tudo de outra maneira

Inicia-se o colapso furibundo
As tentativas que não têm resposta alguma
Estou por dentro como por fora, rubicundo
E a minha energia solta, sem aquilo que a arruma



Tenho a razão que a si me chama
Para que entenda que não pode ser tudo entregue
Mas diga-se isso a quem inquieto ama
E ve-se-à que ninguém provavelmente consegue

Deixem-me então voar, porque não voar?
Não ouvir mais nada, nem nada ler ou cheirar
Retirar-me os sabores do desejo maldito
Que à minha consumação permanece interdito
E apenas colher da oscilação do tempo
Aquilo que possa, como nos abandonados pomares
Ser oferecido pela queda de sustento
Do que tu árvore, ainda dispensares


Voar, porque não voar então?
Desaparecer, ser eu estratosfera
Ser rarefeito ou tornar-me monção
Sem voltar em nenhuma Primavera

Deixar as marcas de mim na areia
Para que o mar as abrace, e as apague
E faça desaparecer a forma feia
Para que a nenhum par de olhos chegue

Porque render-me como em queda
Não obsta ao meu orgulho ou identidade
Trata-se de abrir o que o mundo veda
Aceitar a incandescência da verdade
Perceber que todas as acções nascem
De uma única vontade por si mesma dividida
E rir dos esforços que realmente cansem
Porque a melhor paixão é a vivida

Então porque não voar, pergunto eu?
Ser invisível, sem carne ou cheiro
Desaparecer como a paz prometeu
Ser não mais quedo e inteiro

Não posso voar
É o que parece sem dúvida
Porque por qualquer regra estúpida
A paixão não aceitar pacificar
Quero mesmo sem podendo
Exigir o que me vai roendo
E assim apenas para dor poupar
Pergunto eu...
Porque não?
Porque não voar?


Abraços
A minha teoria de que as mulheres se detestam sem razão aparente encontra aqui um argumento de peso.
Um argumento provindo do lado de lá da barricada, o que afasta, espero, qualquer suspeita de misoginia.
É verdade. As mulheres detestam-se.
Mas porquê?

Abraços
Diácona Remédios Strikes Again...

E continua a hilariante saga da beata portuguesa cujo nome deveria ser Irmã Bafio, sem bem que a designação encontrada por eles ainda me parece a melhor: Diácona Remédios
E é comovente o amor que a Diácona tem a esta amiga, continuando a fazer links para a mesma. Parece que tem gosto em ler a tal literatura baixa.
Continuo a defender que este blog só pode ser gozo. Não é possível que tanta cretinice junta seja real.
Mas perante tanta defesa da decência, eu cá pergunto-me. A senhora tem duas filhas... Terão sido geradas por concepção imaculada?
Estaremos na presença de um milagre?
Remeto a resposta para este senhor sábio nestas lides e com certeza capaz de dar uma opinião objectiva.


Abraços
Eu bem digo que os Reality Shows fazem mal...

Uma mocinha chamada Cheryl Tweedy ( que ofensa á maravilhosa personagem do filme Chiken _Run, mas enfim...), membro integrante de um grupo chamado Girls Aloud ( cada vez melhor) parido de uma dessas pragas parecidasás excruciantes operações Triunfo e Ídolos, de nome Pop Stars, pregou um soco numa empregada de W.C. de um clube noturno por não querer pagar pelo conjunto de chupa chupas que acabara de comprar.

Eu bem digo. Uns dão pontapés, outros agridem pessoas na rua.
Os Reality Shows já não são só ridiculamente imbecis, mas parece que são perigosos...

Abraços
Os Dez Passatempos Mais Totós...

Segundo este hilariante artigo, e o meu amor á Banda Desenhada, está explicada a falta de sucesso que tenho com as mulheres...
Caraças, não tenho nenhuma t-shirt do Lanterna Verde... mas deve haver aí á venda...

Artigo não aconselhável a baixos indices de tolerância á ironia.


Abraços
Primo Afastado de Charlton Heston ou Absoluto Imbecil... qualquer uma das identificações serve...

Pois é.
Existem pessoas destas.
Não parece credível, mas eles "andem aí"....
Eu pergunto-me se ele desejasse andar com vários tubos de ensaio plenos de doenças infecto contagiosas, ou seja, outro tipo de armas, se iria igualmente reivindicá-lo como um direito fundamental...



Man Challenges Conceal And Carry Law

Openly displays guns at local malls

Aug 18, 2003 4:10 pm US/Central
(WCCO-TV) A local man is on a mission to get part of the new conceal and carry law thrown out. Bruce Krafft feels it violates his constitutional rights when shopping malls ban guns from their premises.

Krafft has a permit to carry a gun. He's carried his guns in full view on visits to two local malls in the past several weeks, hoping to get a chance to test the new law in court.

Krafft showed up at the Mall of America carrying two guns recently. Concerned shoppers contacted Mall security and he was handcuffed by police. After verifying that he had a permit to carry a gun, they let him go.

"It is a concern to us 'cause it is a concern to the public," said Lieutenant Perry Heles of the Bloomington Police Department. "People aren't used to seeing people walking around in shopping malls and in public with firearms in plain view."

"If I saw me, I would think, oh that is somebody who is exercising his rights," said Krafft. "I am sorry it frightens them. However, a hundred years ago the only people who concealed their weapons were criminals.”

Before the Bloomington incident, Krafft made an armed visit to the Maplewood Mall. The Maplewood police chief is concerned about potential safety issues.

"I am concerned with guns out there and more guns visible that an officer is going to pull up on a situation, and because of the way a person acts the officer may be forced to take action which could involve deadly force," said Maplewood Police Chief Dave Thomall.

The malls have signs posted at entrances banning guns. Krafft says he wants to get arrested so he can make his case against the bans in court.

"Any Mall that tries to deny people their fundamental rights, yes. I will be there."





World Press Photo
Começa hoje.
Toda a gente ao CCB.
É romaria.
Já!

Abraços
Crise no Executivo??? Que disparate...

Hoje no Público, o não demissionário mas demitido M. Cruz mostra a face clara das suas declarações relativas à sua palavra e honra.
De saída, dispara em direcção ao nosso primeiro, e insiste na sua suposta ignorância relativamente ao regime que iria favorecer indevidamente a sua filha.
Não sei o que é mais lamentável.
Se a insistência do ex-ministro nessa questão da honra, quando toda a gente já sabe e já concluiu pela desonestidade do mesmo, se este número de cordeiro sacrificado que, quando já se libertou do jugo, resolve por a boca no trombone e disparar em direcção aos mesmos que haviam garantido a transparência de toda esta situação. Falta de coerência é dizer o mínimo, ao passo que o ressentimento é absolutamente evidente.

Abraços

quarta-feira, outubro 08, 2003

Neste excelente artigo de Amilcar Correia, mais uma denúncia a outro hino à estupidez e à mentalidade bafienta que parece contaminar cada vez mais o país...



As farmácias católicas

Amílcar Correia
A existência de farmácias que se recusam a vender medicamentos como a pílula do dia seguinte ou um dispositivo intra-uterino não é mais do que um atentado às liberdades, direitos e garantias dos cidadãos. Não é minimamente aceitável que este grupo profissional invoque o seu credo religioso, seja ele qual for, para se recusar a vender medicamentos.

Mas foi essa, no entanto, a posição que a Associação dos Farmacêuticos Católicos Portugueses assumiu este fim-de-semana, em Lisboa, no âmbito de um congresso internacional. Luís Mendonça, presidente desta associação de profissionais católicos - fundada em 1955 e com 70 sócios inscritos -, considera que produtos farmacêuticos como um dispositivo intra-uterino constituem um "atentado à vida", pelo que a sua venda se encontra interdita nos estabelecimentos dos seus associados. É "a luz do valor de Cristo e do Evangelho" que separa, nas palavras do dirigente associativo, os profissionais católicos de todos os outros.

Depois da pílula do dia seguinte e do dispositivo intra-uterino, só falta proibir mesmo a venda nestas farmácias de preservativos e das pílulas de todos os dias. A proibição ainda não é um facto consumado só porque a associação está indecisa: "Ainda não decidimos sobre esta matéria, mas não temos deixado de vender [os preservativos], pois há que saber se a liberdade de quem vende se deve sobrepor à liberdade de quem procura".

Temos, portanto, dois tipos de farmacêuticos em Portugal: os que vendem e os que não vendem anticonceptivos. Mas a verdade é que só temos um tipo de alvará. A abertura de um estabelecimento destes, cuja propriedade tem de ser obrigatoriamente detida por um licenciado em Farmácia, é permitida pelo Ministério da Saúde, através do Infarmed, após parecer positivo da junta de freguesia local e tendo em conta um determinado rácio de farmácias por habitante. O que esse alvará prevê é a comercialização de todos os produtos farmacêuticos e afins que se encontrem legalizados no país pelo organismo competente, o Infarmed, neste caso. Nesse alvará, não consta, portanto, a possibilidade de quem quer que seja recusar-se a vender um certo tipo de medicamentos. Nem sequer a possibilidade de venda de escovas de dentes, perfumes ou sapatos ortopédicos (cuja prática se generalizou nas farmácias).

Donde, ou os farmacêuticos cumprem o que determina a autorização que lhes foi concedida pelo Ministério da Saúde ou, pura e simplesmente, declaram objecção de consciência e renunciam ao alvará.

O contrário de tudo isto é esperar pela formação de uma associação de farmacêuticos muçulmanos ou até de partidários de outras crenças que aumente e diversifique a lista de medicamentos interditos. De alguém que se recuse a vender pensos rápidos ou a vacina da gripe. E nem precisa de ser invocada "a luz do valor de Cristo e do Evangelho" para se recusar de todo a venda, quem sabe, do próprio Viagra. E por que não proibir a comercialização do Codipronto, o famoso xarope que contém codeína?"


Amilcar Correia no Publico de hoje.

Depois disto, o melhor mesmo é não comentar. Amilcar Correia já disse tudo, e realmente não há como entender uma alarvidade como esta.
Eu bem me esforço por abrir espaço á religião, mas os gajos não ajudam simplesmente...

Abraços


sexta-feira, outubro 03, 2003

Cartas a Sónia I


Existe uma espécie de frase, repetida uma e outra e outra vez, que se apoia numa convicção quotidiana, e talvez até herdada de dois mil anos de culpabilização cristã.
“A vida não é fácil”.
Existe aqui uma simplicidade desarmante, uma percepção digna daquele epíteto de ideia simples e brilhante, ou é apenas uma forma prosaica e primária de contemplar a finitude das possibilidades?
Sinceramente não sei.
Mas abordo a questão porque ela faz parte do quotidiano. É uma espécie de cartilha diária, cuja leitura é subliminar e vai aparecendo a espaços, como uma tipologia do conceito de marca fatídica. O relativismo pode surgir como causa ilibante, mas penso que já discutimos tanto acerca disso que não vale a pena retomar a questão da legitimidade dos argumentos em favor das dores de cada um.
Não existe um discurso fácil para estas coisas. Talvez porque a sua natureza tenha uma necessária relação com elementos tão complicados como o risco do primeiro beijo ou a consequência da profundidade de uma emoção real na estrutura da alma.
No fundo a questão permanece sempre a mesma. É existencial e questiona sempre os porquês no limiar das forças.
Pegando nas palavras que ouvi ontem, o exercício de fé nunca está reservado para questões cosmogónicas. Pelo contrário. Ainda que agnóstico, e logo imbuído de um senso de fé abstracta e não mais que isso, entendo que ainda assim, a dita professão de fé subjectiva e pessoal é algo digno de um labor árduo e nunca fácil.
No fundo ao falar contigo e imbuir-te de uma esperança visível, parece uma tentativa maléfica de criar-te uma ilusão. O que te poderia fazer zangar, devido a inamovibilidade do dito objectivo.
Pegando um pouco na vertente da comédia, porque lá dizia o Byron, se me rio de algo sério é para não chorar, a verdade é que alguém anda a teimar connosco. Seja porque razão for, pelos recortes das personalidades ou a construção do edifício dos factos, a verdade é só esta. Alguém anda definitivamente a brincar com esta merda. E acha muita piada a esta dançazinha que lá vamos fazendo, com os pés a saltitarem cima de uma qualquer chapa ardente de quereres mal parados e dificilmente compreendidos.
E no fundo as opções não são muitas. Caraças, são até bastante simples. É entoar uma canção por cima da que nos faz supostamente dançar, ou aprimorar os passos. Joanetes e entorces à parte, eu penso que é preferível ir entoando a melodia, sob pena de entoar salmos a um determinismo que sempre mantivemos à parte.
Amar mutuamente é também resistir. É perceber que embora a água tenha correntes contraditórias, o acto de bolinar deve ser esforçadamente natural, como um dever para com a própria entidade. Sim, sorrir em claro insulto e petulância, pegando no cinismo com pinças de meio metro. Resiste-se porque o amor assim o determina, porque a pessoa que vive em meio a essa contenda é aquela que reconhecemos, perseguimos e endeusamos. Sim, porque parte do amor é a construção dos recortes que vimos, em ilusão ou reflexos da carne terrena, entoada em dissertação epidérmica e vocal cheia da confusão própria que é sentir. A ultima abstracção, a musa que derruba um vaso. A trapalhice própria da incredulidade espelhada numa dança mais rápida com a desejo de insaciedade.
Embora eu duvide, os tempos referidos como estáticos e emblemáticos da condição são transitórios. Penso que nunca ninguém duvidou que o amor tem muito mais estações que o ano. E é feito de minutos e horas, que se espraiam em meses de uma busca pouco concreta. Seja pelo sabor dos lábios, a escorregadela portentosa da carne, ou o embalamento das palavras realmente intensas e sinceras.
Não é fácil.
Especialmente por aquilo a que a capacidade de sobreviver está alheia.
Os velhos truques por vezes não resultam.
Mas sempre tiveste uma varinha de condão e sabes perfeitamente que não se desiste nunca porque se quer. É algo mais complexo e maldoso, feito de detalhes que eu aposto que nem sequer se adivinham. E por muito quebrada que esteja a tua lâmina, sempre trespassaste os que se atreviam a chegar mais perto. Fosse qual fosse o sangue que achasses na tua mão. Ainda que fosse o teu, digo mesmo.
Ao achar-me enamorado percebo também esse fenómeno. Os pés estão em cima de gelo, e sopra um vento forte. A minha roupa enfuna-se e lá vou eu. Nada a dizer, nada a fazer, tudo a descobrir, lamentando e rigojizando pela exacta divisão de momentos no mundo que é nosso.
Dizer que nos amamos porque não desistimos é uma falácia. É porque tememos que possa acontecer que reforçamos sempre a ideia contrária. Ainda que o peso seja demasiado, é sempre possível erguer a cabeça para beijar-te. É um acto de resistência, de teimosia. Ou de coacção. Da melhor espécie. Aquela que nasce da confusão que o Amor traz ao livre arbítrio.
Por isso, ainda que agora ( já agora sempre) não saiba exactamente o que hei-de dizer-te, fica a ideia de que ao resistirmos, abrimos espaço para que nos percamos em cada pergunta de pele e voz. Confusos, esperançosos e até mesmo ressentidos, mantemos o punho firme sobre o papel onde se escreve uma coisa diabolicamente complicada porque surge sem palavra ou recorte conceptual, ou seja, na mais estrita e desesperante simplicidade.
O amor está lá.
Resistimos.
Somos nós.
Não saber é ter a melhor certeza. Aquela que assenta na procura que fazemos ambos. Sem fazer ideia de nada que não seja uma tradução a quatro olhos daquilo que aparece como natural antagonista da tal ilusão. Esse contra feitiço tem uma formula simples.
O desconhecimento do destino só torna mais vital a importância da viagem que se faz em conjunto. Pelo menos para mim. Contigo. É a certeza de querer caminhar contigo que invalida qualquer noção de ponto de chegada.
Porquê?
Porque esse já sabemos qual é, e a morte nunca é possível enquanto não se desistir.
E como te disse, não se desiste porque se quer.
É aí que determino amor verdadeiro. Como o nosso. Vive sem nos dar cavaco.


Neste dia, em 1992, Sinead O'connor rasgou uma foto do Papa durante a sua actuação no Saturday Night Live.
Eu concordei, aplaudi, e quanto mais vou sabendo acerca de religião organizada e das suas instituições, mais fácil e indesmentível se torna concluir que fé e religião são coisas absolutamente diferentes.

Abraços
College for the boys?

Parece que o Governo do rigor, da transparência e contenção mostrou o que qualquer idiota com estatuto e poder está autorizado a fazer.
A comprometer as regras, a dobrá-las de dentro para fora, a dar um exemplo de desonestidade e favoritismo perfeitamente inaceitáveis, principalmente para um curso como Medicina, onde as entradas são terrivelmente restritas.
Ou seja, os sacrifícios são para os outros, a frustração de expectativas para os idiotas que têm de ouvir o discurso da contenção, igualmente das vagas para a universidade.
E depois pergunto-me.
A filha do Ministro não tinha notas para Medicina. Se realmente entrar ao abrigo de um regime mal aplicado e distorcido, quem serão os seus pacientes no futuro? Onde está a exigência da excelência para Medicina?
Está no despotismo dos que governam.
Estamos a ser gozados há muito tempo, mas agora acho que chegamos ao limite do ridículo.

Leiam a notícia e abram a boca... ou então encolham os ombros. A mim apetece-me partir alguma coisa...

Abraços

Favor entre ministros
MARIA HENRIQUE ESPADA PEDRO CORREIA *
Uma investigação da SIC, difundida ontem no Jornal da Noite, revelou que o ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, «facilitou» indevidamente a entrada na Universidade da filha de um seu colega de Governo _ o titular dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz. Ao princípio da noite de ontem, esta notícia estava a gerar perturbação no Governo e um coro de críticas por parte de alguns sectores da oposição. O Bloco de Esquerda prepara-se mesmo para exigir a demissão imediata de Pedro Lynce.

Segundo a SIC, a filha de Martins da Cruz entrou na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa ao abrigo de um regime legal de excepção que permite aos filhos dos diplomatas residentes no estrangeiro entrarem nos estabelecimentos de ensino público portugueses sem se submeterem ao numerus clausus. Acontece que a filha de Martins da Cruz reside já há mais de um ano em Portugal, desde que o pai cessou as funções de embaixador em Madrid para assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros. Além disso, não completou o ensino secundário fora do País _ outro requisito obrigatório previsto na lei.

Por parte do Governo, até ao fecho desta edição, só o gabinete de Lynce reagiu. Para dizer que «o processo foi conduzido de forma justa e dentro da estrita legalidade», Mais: «Estamos a assistir a uma pura tentativa de assassinato político.»

Os partidos que apoiam o Executivo _ PSD e CDS _ remeteram-se ao silêncio. Mas o DN sabe que o primeiro-ministro, Durão Barroso, está a reflectir sobre a situação, que pode tornar-se insustentável para os protagonistas, em particular para Pedro Lynce, numa altura em que milhares de jovens portugueses são impedidos de entrar nas universidades públicas.

REACÇÕES IMEDIATAS. O Bloco de Esquerda reagiu de imediato. Francisco Louçã afirmou que, a confirmarem-se os factos relatados, o BE irá «pedir a demissão do ministro do Ensino Superior». Mas o pedido de responsabilidades não se ficará por aqui. O BE quer ver os dois ministros envolvidos a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Educação. Se não os houver, os bloquistas irão ponderar uma comissão de inquérito a todo o caso. Também o PCP vai chamar com urgência Pedro Lynce ao Parlamento. «Tem de explicar todo o processo», garantiu ao DN o comunista Lino de Carvalho.

Mais prudente foi a reacção dos socialistas. Mas Ana Benavente, da direcção do PS e ex-secretária de Estado da Educação, considerou «inacreditável», «lamentável», e dá uma imagem «muito pobre e muito triste de quem nos governa», ao recorrer a «entorses à lei para privilegiar um familiar». Ana Benavente, que conhece bem o regime invocado, recordou que noutras situações de regresso de diplomatas ao País, nomeadamente no êxodo de Macau, a prática adoptada foi a de deixar os estudantes terminar o ensino pré-universitário no território, já após o regresso das famílias a Portugal, para não perderem o acesso ao regime de excepção. E concluiu: «Não é argumento ter frequentado uma escola estrangeira.»



Dezoito a Medicina não dá para entrar

O último aluno a entrar este ano em Medicina, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, tem 18,15 de média do 12.º ano. Mesmo assim, é a nota mais baixa dos sete cursos de Medicina existentes em Portugal. Mas esta é uma área onde os muito bons alunos ficam à porta por uma décima. A Faculdade de Ciências Médicas disponibilizou 160 vagas, mais dez que em 2002, ano em que o último aluno entrou com 18,43. Em 2003, as médias baixaram ligeiramente. O curso da Faculdade de Medicina, da Universidade do Porto, com 190 vagas, é o que exige notas de entrada mais elevadas, mais de 18,58.

* Com Céu Neves, João Pedro Oliveira e Susete Francisco

quinta-feira, outubro 02, 2003

Neste dia, em 1955, começava o magnífico e mítico "Alfred Hitchcock Apresenta", na CBS-TV.

Que saudades!

Abraços

quarta-feira, outubro 01, 2003

Enciclopédia do Crime

Para quem se interesse por investigação criminal e documentos acerca dos grandes criminosos ( não políticos) que andaram cá pelo terceiro calhau a contar do sol.
Relatos verdadeiramente impressionantes que nos levam a pensar o que é comportamento dito humano. Chamo a atenção para a secção serial killers.

Abraços
Alguma alma caridosa sabe como é que se resolve este problema com a pontuação e acentuação portuguesa, que o blogger insiste em ignorar?
Volta e meia não são Estações Diferentes mas Esta???s Diferentes, e os meus links parecem escritos em Islandês.
Agradece-se ajuda para a caixa de donativos.

Obrigado
Acho que já estou como o Pedro Mexia.
Vou tentar fugir ao máximo das discussões políticas.

Abraços

terça-feira, setembro 30, 2003

PROJECTO AVALON

Para que, conforme disse anteriormente, a recordação não se apague, por muito que desejemos esquecer.
Se bem que a Europa parece começar a ter falhas de memória...

Abraços
Neste dia, em 1946, o tribunal militar internacional de Nuremberga condenou 22 lideres nazis por inqualificáveis crimes de guerra.

É bom que continue fresco na memória.

Abraços
A morte de Robert Palmer traz nostalgia.

Um ataque cardíaco levou o autor do absolutamente incontornável e sensualíssimo "Addicted to Love".

Quem é que não se recorda daquele magnífico videoclip com a banda feminina de roupa preta e lábios incrivelmente vermelhos?



Já para não falar no primeiro album dos Power Station com, imagine-se, o John Taylor dos Duran Duran na guitarra.

Só bons momentos.
Que descanse em paz. Palpita-me que aquele vídeo era precisamente a antevisão dele do céu. Se realmente existir, espero que ele ande por lá.

Abraços!

segunda-feira, setembro 29, 2003

Roberto Leal e Herman José.

Irmãos Siameses separados há bem pouco tempo.

Medo!

Abraços
"A musa é um homem em fato de macaco, com um pouco de magia nos bolsos" - Stephen King - On Writing

Quer-me parecer que o Edison disse algo remotamente parecido, ainda que com outras palavras completamente distintas...

Que acham?

Abraços
Surgiu...


"Numa rua perdida de Lisboa vivia uma mulher que supostamente via coisas. Ao contrário de tantas outras que alegam tais situações ou capacidades, esta mulher vivia aterrada pelo que via. Coisa terrivelmente dolorosas escolhiam as piores alturas para aparecerem, com a clareza de um filme em tela branca. Chamava-se Branca.
O problema é que esta mulher via toda a sequência de eventos, que aparentemente não tinham qualquer relação entre si, mas que em conjugação dariam origem às situações que chegavam a tirar-lhe noites inteiras de sono.
A existência desta mulher era o mais convencional possível. Bancária de profissão, vivia sozinha depois de ter acordado um dos namorados à unhada, em consequência de um sonho que viria a causar-lhe a primeira depressão ou pré esgotamento, como lhe chamara o psicólogo. Regava as plantas que tinha na varanda, alimentava um papagaio falador, enfim, deambularia na felicidade contida da sua normalidade, como ela dizia, se ao menos não tivesse os apagões.
Os apagões eram momentos, na sua esmagadora maioria numa fase de pré sono, que se caracterizavam por uma viagem sensorial e psíquica tão intensa que ela se sentia com se saísse do próprio corpo e entrasse em todo o lado. Tão depressa podia ser uma maçaneta gentilmente apertada e rodada para abrir a porta correspondente, como a lâmina com a qual um assassinato era cometido, ou o joelho esfolado de um miúdo que trepava a uma árvore.
Um piscar de olhos foi o tempo que esta mulher levou a ser considerada absolutamente maluca. Chiça, eu cá estou a pensar bem no assunto e não tenho dúvidas de que lhe colocaria o carimbo na testa e em seguida despachá-la-ia para uma das alas do Miguel Bombarda.
No então o Gabriel acompanhou esta história a par e passo. Falou com a mulher durante cerca de uma semana, recolheu elementos, fez entrevistas, compilou uma pequena biografia.
Em casa não havia nenhuma bola de cristal, nem símbolos profanos ou zodiacais espetados na parede como posters de cinema ou postais de viagem ampliados. Era uma casa escura, na qual Gabriel sentira um cheiro estranho, indefinível. Era o cheiro a tristeza, dizia ele. A encarceramento e tristeza. Coisas dele. Desde a viagem, nada era estranho no Gabriel.
Contou-me que ela lhe relatara descrições minuciosas de assassinatos hediondos, com pormenores que levam o mais impassível dos estômagos a registar um veemente protesto. Ou actos de crueldade mais simples mas tremendamente eficazes, que ecoavam em pedaços desconexos na cabeça dela. Era como fazer um zapping lento pelos piores canais que se pudessem imaginar. Fazia-o com um olhar cansado, como quem carrega um fardo às costas por demasiado tempo e exibem olhos demasiado velhos para a idade do rosto.
Metódico e curioso como era, Gabriel resolveu ir à polícia judiciária para obter informações. Sabia que o mais provável seria que ninguém ventilasse fosse o que fosse, e que até poderia colocar-se em sarilhos, mas resolveu ir lá à mesma. Como previra, deu bom os burros na água, apesar da cordialidade da responsável pelas relações públicas da instituição. Informação absolutamente confidencial, claro!
Gabriel nunca mais voltou a falar com a mulher, mas guardou os elementos que recolhera, decidido a escrever um artigo sobre o assunto. No entanto a história entrou na gaveta e lá ficou.
Meses mais tarde, um dos jornais televisivos do horário nobre deu cobertura a uma notícia acerca de um assassinato de uma mulher. Branca fora morta com dois tiros no peito por um homem que invadira a casa. Segundo o que Gabriel apurara, estava tudo partido. Mesas viradas ao contrário, janelas estilhaçadas, e o corpo deitado no chão no centro da sala. Uma das balas havia varado o coração, matando-a imediatamente, mas toda ela estava marcada por equimoses derivadas de um espancamento longo e determinado.
O caso foi rapidamente esquecido pela opinião pública, mas Gabriel acompanho-o até ao fim. Desde a prisão ao final do processo judicial. E foram as declarações do assassino que o deixaram sem pinga de sangue, numa batalha plena entre aquilo que ele chamava o cepticismo seguro e a coincidência demasiado extrema para não ser suspeita.
Parece que o assassino havia perdido a filha de quinze anos dias antes de ter morto. Fora violada e morta por dois homens perto de Alcântara. Metida dentro do carro elevada para um barracão, expirou após longa horas de sevícias que eu nem sequer consigo imaginar. Ou talvez nem queira, sinceramente. Há coisas que não se querem cá dentro por muito tempo, e a estarem, é bom que não lhes toquemos muitas vezes.
Eles ainda não haviam sido capturados na altura. Nunca chegariam a sê-lo.
Abandonaram o corpo num banco de jardim e evaporaram-se.
Parece que na véspera dos acontecimentos, Branca terá telefonado ao pai da rapariga. O número aparecera-lhe num dos apagões, assim como tudo o resto. Terá tentado avisá-lo, contando o que vira, mas como seria de esperar, recebera pela história um compreensível riso e resposta torta. O pai da rapariga terá dito que não queria comprar, nada, e provavelmente, porque raios é que ela não escolhia outro número de telefone a quem foder a cabeça? Voltou a ligar e levou outra resposta ainda mais rude.
Alguns dias após a morte da rapariga, o pai, completamente descontrolado, tendo conseguido obter a morada da mulher que lhe telefonara através do registo telefónico, dirigiu-se à casa da Branca e uma vez lá, espancou-a até que ela revelasse o que sabia. Branca obviamente não sabia de nada. Vira os acontecimentos como um pesadelo, e recordava-se razoavelmente da cara dos assassinos, mas não tinha nomes ou localizações. Parece que o pai desesperado lhe terá feito uma ultima pergunta, e depois disparou a arma que guardava em casa duas vezes.
Após dizer isto em audiência, caiu em pranto, e parece que perdeu todos os berlindes que tinha na cabeça, estando provavelmente a babar-se no mesmo local para onde eu pensava em enviar a Branca.
Gabriel culminou esta história com uma noção que por acaso partilho, mas que não me deixa nada descansado, mas ao invés deixa-me com uma sensação mesclada de tristeza e perplexidade.
Ele aposta que ela talvez até soubesse os nomes dos violadores. Que os podia identificar tão bem como o fizera com o numero de telefone do pai ou o rosto da rapariga que morrera. Mas Branca achou que já passara por demasiado. Dissera a Gabriel, a quando da conversa que ambos haviam tido, que os apagões pareciam aumentar de intensidade e frequência, como bombinhas de Carnaval que rapidamente passavam a granadas e que lhe estilhaçavam a cabeça. Sozinha e excluída, meio enlouquecida pelo que supostamente poderia ver, ela achara que era tempo de acabar. E assim fez.
Quando Gabriel acabou de relatar esta que era apenas uma de muitas histórias que ia partilhando comigo, eu cá fiquei a pensar numa outra coisa. Para mim, a amiga Branca engendrara as coisas muito mais cedo do que se pensava. Eu cá penso que o telefonema feito ao pai da moça tivera desde logo outra intenção. A dor fora longe demais e que de alguma forma o correio nunca chegaria com a carta de envelope ensolarado, por isso, porquê perder tempo?
A dor tem mesmo razões que a esperança desconhece...



Abraços
Descrédito Interessante

Se o Pedro em questão for quem eu penso, então não me surpreende a sua intervenção.

Aliás, igual a si mesmo, desde a preparatória.

Um abraço

Para quem queira passar mal do estômago

Cuidado.
Para quem abrir este site, tenha atenção á mão espetada em saudação de tempos idos, pois pode arrancar-vos um olho.
Para quem queira ler apologias a Pinochet e regurgitar a refeição recém-ingerida com mais meia dúzia de patacoadas, este é o blog a ler.
Para um magnífico, informado e arrasador antídoto ( ou contra-veneno), recomendo Cruzes que dispensam qualquer apresentação.

Abraços!

quinta-feira, setembro 25, 2003

Paulo Portas dixit - Mas não devia ter dito

No Publico de hoje aparece esta notícia, que de resto faz uma análise clara ao fenómeno que temos em mãos. Ainda por cima eu trabalho com Imigração todos os dias, por isso sei até que ponto o SR. Portas asneirou no inominável discurso que deu.

Mas eis alguém que o dirá de melhor forma.

CIDAC organiza conferência sobre migrações
Política de imigração deve apostar no desenvolvimento dos países de origem

A ideia já está a ser testada em países com maior tradição no acolhimento de imigrantes. E poderá ser uma das apostas políticas dos estados da União Europeia no futuro: em vez de considerar a imigração em função dos seus interesses económicos, a Europa terá que começar a pensar em formas de potenciar o desenvolvimento dos países de origem destes fluxos.

A ideia foi defendida, em entrevista ao PÚBLICO, por Reynald Blion, especialista francês na área da imigração, que irá participar nas conferências sobre migrações, organizadas pelo CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) em parceria com o Instituto Panos, que se iniciam hoje na Fundação Aga Khan, em Lisboa.

Blion, que é também director do programa Migrações Internacionais e Media do Instituto Panos, vê na actual política de restrição da entradas de imigrantes, defendida pela maior parte dos responsáveis políticos europeus, uma falácia, uma vez que dificilmente se conseguirá vencer novas formas de mobilidade, perpetuadas por redes ligadas ao tráfico de mão-de-obra e pelo mercado da "escravatura moderna". Os fluxos migratórios não são, assim, afectados pelos controlos fronteiriços, por mais intensos que eles se tornem, esclarece.

O discurso europeu dominante - aceitar a legalização de imigrantes na medida exacta das necessidades de mão-de-obra e demográficas dos estados, e ser implacável na luta contra os clandestinos - deve, por isso, mudar o seu ângulo de abordagem, passando a preocupar-se mais em fazer com que os imigrantes sintam que, para além de estarem a beneficiar os países onde trabalham, estão também a contribuir para melhorar o seu país de origem.

"É uma abordagem relativamente nova. Essa questão já foi colocada em cima da mesa da Comissão Europeia. Mas está tudo numa fase ainda experimental", refere Reynald Blion. Para além da Organização Internacional para as Migrações, que tem um programa ligado ao desenvolvimento dos países africanos, há exemplos de sucesso desta filosofia na América do Norte. No Canadá, nomeadamente, um grupo de engenheiros informáticos romenos que lá se instalaram está a desenvolver, através da Internet, um programa de formação à distância de quadros do seu país. "E há toda uma diáspora que começa a trabalhar desta forma", garante o sociólogo.

Esta nova forma de encarar o fenómeno da imigração poderá ser concretizável, segundo Blion, celebrando parcerias entre o sector privado, associações locais e humanitárias, sindicatos, e os governos dos vários países.

O sociólogo é, no entanto, contra o incentivo ao retorno de imigrantes, uma medida posta em prática em França, no passado, e que resultou num fracasso, suscitando uma atitude negativa por parte dos trabalhadores estrangeiros, uma vez que o processo se assemelhava a uma expulsão encapotada.

O paradoxo da imigração



De acordo com a análise do director do Instituto Panos, a Europa enfrenta, actualmente, um paradoxo complexo: por um lado debate-se com o receio de uma invasão, e por isso boa parte das suas reformas e iniciativas legislativas têm como objectivo o encerramento das fronteiras ou o seu controlo apertado; por outro, considerando as necessidades de mão-de-obra, tem que continuar a recrutar profissionais pouco qualificados (ou qualificados em áreas muito específicas).

A tendência crescente para promover uma política repressiva contra a imigração ilegal é uma resposta ao sentimento de insegurança exteriorizado pelos nacionais dos países de acolhimento. É certo que alguns estados procuraram, nos últimos anos, lutar contra sentimentos xenófobos (em França, nomeadamente, há três anos atrás, uma lei veio obrigar a que, em casos de discriminação, caiba ao acusado provar que não era culpado). Mas a imigração continua a ser um tópico associado às questões da segurança interna, e as comunidades estrangeiras permanecem ligadas ao imaginário dos subúrbios urbanos, da violência e da marginalidade.

Blion conclui, assim, que novas políticas de inserção sociais, que proporcionem o multiculturalismo, devem ser postas em prática. Ao contrário do que é prática corrente nos países europeus, em que os governos optam por políticas de integração e assimilação (os imigrantes são intimados a submeter-se à cultura do país de acolhimento), dever-se-á, neste sentido, promover a manifestação das diferentes comunidades imigrantes, concretiza.
WELL, DUH!!!!!!

O New York Times de hoje, esse jornal completamente esquerdizante, vem mais uma vez revelar o óbvio. Ou seja, a fundamentação primeira da invasão ao Iraque transformou-se em areia, ou nunca existiu...
Parece que uma primeira versão do relatório do Sr. David Kay, antigo inspector de armamento das Nações Unidas, vem revelar aquilo que é tão evidente que só ainda não foi visto por PAcheco Pereira, ou seja, que por mais que esquadrinhem o Iraque, as ADM não aparecem...
Que estranho...

Abraços

quarta-feira, setembro 24, 2003

Li este excelente artigo da Village Voice e entre as gargalhadas sinceras, vejo-me a concordar com muito daquilo que esta senhora aqui diz.
E ainda bem que este é um blog pouco lido ou inexistente, porque de contrário, já teria uma fileira de hate mail por parte de cada um dos (ultra) conservadores limpinhos e de cruxifixo ao peito que proliferam cada vez mais cá no burgo.

Abraços!

Pucker Up
by Tristan Taormino
In Defense of Sluts
September 19th, 2003 5:00 PM


Recently, an administrator at the women's center of a large Midwestern university inquired about bringing me to campus as a featured speaker. After reviewing my press kit, she applied for an honorarium. She e-mailed me to say that her request to the student board that allocates funds was denied because board members feared that I would promote (and possibly recruit students for) prostitution. I chalked it up to a wacky bunch of ill-informed kids until the same thing happened at another university in the South. In all the talks I have given at colleges around the country, never once has prostitution been mentioned in my initial pitch, nor in any portion of my presentations. Sure, I've made donations to sex worker organizations and written about various aspects of the industry; I do support the legalization and unionization of sex work (because whores deserve fair working conditions and health benefits, too), but that's not my agenda when I speak at institutions of higher learning. How did two separate groups make the leap from me to prostitution? There can be only one answer: They think I'm a slut.

I've never denied being a slut. I've had my fair share of sexual partners, both in and out of relationships, and from the average person's perspective, I'm probably a trollop. Although most people think it's a put-down to say I put out, I embrace the label willingly and with enthusiasm. I encourage other easy riders to do the same. From Mary Magdalene to Pamela Anderson, sluts are mythologized, denigrated, and misunderstood by society, and I propose to debunk the label and its lies. I think it's time we put the stereotypes of sluthood to bed once and for all, reclaim the term, and redefine it.

All sluts are women. Why is it that women who have multiple sex partners, play the field, or have an abundance of erotic experience are skanks, but men who do the same thing are studs? The feminization of slutdom is another example of misogyny hard at work—a symbolic scarlet letter meant to prevent women from becoming too sexually assertive, independent, or empowered. We need to squash this tired double standard in its tracks, and start calling guys sluts, too.

Sluts lie and cheat. Contrary to popular belief, sluts aren't sleeping around behind a significant other's back or deceiving partners about their true desires; on the contrary, many sluts know what we want and are up front about it. In 1998, authors Dossie Easton and Catherine A. Liszt coined a meaningful term (and lifestyle) with the title of their book The Ethical Slut. They also introduced the notion that players with morals were not walking contradictions. Their use of the term slut is definitely tongue in cheek, since the subject of this how-to guide is responsible polyamory. People who practice polyamory (some of whom also call themselves sluts) have sexual and emotional relationships with more than one person. In other words, your slut is someone else's polyamorist.

Sluts are morally bankrupt individuals without a conscience. The heir apparent to the Ethical Slut may be Zen Slut (zenslut.com), a self-proclaimed stereotype-busting broad who runs her own website full of treatises and propaganda about sluthood as a spiritual calling: "Through sex and relationships, I gain introspection and insight into myself and the selves of others. Zensluttery is a bit of a spiritual path for me . . . transcendence through orgasm. . . . Sex is . . . one of the ways that I make my world make sense, and one of the tools I use to understand people and my environment." While the object of some sluts' worship may be more dick than divine, Zensluttery is another take on the power of sluttiness.

Sluts will do anything and anyone. Just because we may cast a wide net doesn't mean we tramps don't have our own personal standards and boundaries. Sluts may be more open to acting on attraction and expressing our sexual selves, but we're not indiscriminate: We can be as selective and picky as non-sluts about who we'll slip between the sheets with, and what we'll do once we're there.

Sluts are sex addicts. Sluts enjoy sex, but their enjoyment does not make them compulsive. Has anyone taken the standard test to determine sexual addiction? Well, if you masturbate frequently, engage in sexual dialogue on the Internet, rent or purchase porn regularly, believe your parents didn't have a good sex life, or often find yourself preoccupied with sex, you can be classified as a sex addict.

Sluts have diseases. Being a slut does not automatically make one ignorant about sexually transmitted diseases, lax about practicing safer sex, or willing to swap bodily fluids with everyone including the milkman. Sluts have been around the block, and every sexual partner one has increases the risk of being exposed to STDs, but being a slut does not make one more careless or stupid. In fact, the sluts I know are more informed about their sexual health than the average person, and more careful about using condoms and other methods of protection.

Sluts are commitment phobic. Some sluts incorporate their taste for variety into their relationships and may have several partners. Others just prefer not to be tied down, but it's up to the individual slut. There are as many people in relationships with a fear of intimacy as there are on the loose. Samantha of Sex and the City has done a lot for sluts everywhere, embodying a sexually voracious woman who is thoughtful, three-dimensional, and has feelings. She even gave monogamy a shot, and it didn't kill her; it just made her stronger.

Sluts are emotionally unstable. I'll concede that some sluts need therapy, some sluts use sex to mask insecurities and pain, and some sluts are just plain crazy. I could say the same thing about monogamous people, virgins until marriage, and a certain blonde, booty-shaking pop star. It's time to stop reviewing that copy of Basic Instinct and realize that sluts can be sane and normal as much as the girl next door can be out of her mind. Frequent, inspired sexual activity is not synonymous with psychosis.

I confess that sometimes I wish all sluts were self-aware, articulate, and empowered à la sex worker activist Annie Sprinkle or Zen Slut, but, alas, they aren't. I'm content that there are some very bright ones in the world, spreading a more sex-positive message for young sluts everywhere.