ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, setembro 30, 2003

PROJECTO AVALON

Para que, conforme disse anteriormente, a recordação não se apague, por muito que desejemos esquecer.
Se bem que a Europa parece começar a ter falhas de memória...

Abraços
Neste dia, em 1946, o tribunal militar internacional de Nuremberga condenou 22 lideres nazis por inqualificáveis crimes de guerra.

É bom que continue fresco na memória.

Abraços
A morte de Robert Palmer traz nostalgia.

Um ataque cardíaco levou o autor do absolutamente incontornável e sensualíssimo "Addicted to Love".

Quem é que não se recorda daquele magnífico videoclip com a banda feminina de roupa preta e lábios incrivelmente vermelhos?



Já para não falar no primeiro album dos Power Station com, imagine-se, o John Taylor dos Duran Duran na guitarra.

Só bons momentos.
Que descanse em paz. Palpita-me que aquele vídeo era precisamente a antevisão dele do céu. Se realmente existir, espero que ele ande por lá.

Abraços!

segunda-feira, setembro 29, 2003

Roberto Leal e Herman José.

Irmãos Siameses separados há bem pouco tempo.

Medo!

Abraços
"A musa é um homem em fato de macaco, com um pouco de magia nos bolsos" - Stephen King - On Writing

Quer-me parecer que o Edison disse algo remotamente parecido, ainda que com outras palavras completamente distintas...

Que acham?

Abraços
Surgiu...


"Numa rua perdida de Lisboa vivia uma mulher que supostamente via coisas. Ao contrário de tantas outras que alegam tais situações ou capacidades, esta mulher vivia aterrada pelo que via. Coisa terrivelmente dolorosas escolhiam as piores alturas para aparecerem, com a clareza de um filme em tela branca. Chamava-se Branca.
O problema é que esta mulher via toda a sequência de eventos, que aparentemente não tinham qualquer relação entre si, mas que em conjugação dariam origem às situações que chegavam a tirar-lhe noites inteiras de sono.
A existência desta mulher era o mais convencional possível. Bancária de profissão, vivia sozinha depois de ter acordado um dos namorados à unhada, em consequência de um sonho que viria a causar-lhe a primeira depressão ou pré esgotamento, como lhe chamara o psicólogo. Regava as plantas que tinha na varanda, alimentava um papagaio falador, enfim, deambularia na felicidade contida da sua normalidade, como ela dizia, se ao menos não tivesse os apagões.
Os apagões eram momentos, na sua esmagadora maioria numa fase de pré sono, que se caracterizavam por uma viagem sensorial e psíquica tão intensa que ela se sentia com se saísse do próprio corpo e entrasse em todo o lado. Tão depressa podia ser uma maçaneta gentilmente apertada e rodada para abrir a porta correspondente, como a lâmina com a qual um assassinato era cometido, ou o joelho esfolado de um miúdo que trepava a uma árvore.
Um piscar de olhos foi o tempo que esta mulher levou a ser considerada absolutamente maluca. Chiça, eu cá estou a pensar bem no assunto e não tenho dúvidas de que lhe colocaria o carimbo na testa e em seguida despachá-la-ia para uma das alas do Miguel Bombarda.
No então o Gabriel acompanhou esta história a par e passo. Falou com a mulher durante cerca de uma semana, recolheu elementos, fez entrevistas, compilou uma pequena biografia.
Em casa não havia nenhuma bola de cristal, nem símbolos profanos ou zodiacais espetados na parede como posters de cinema ou postais de viagem ampliados. Era uma casa escura, na qual Gabriel sentira um cheiro estranho, indefinível. Era o cheiro a tristeza, dizia ele. A encarceramento e tristeza. Coisas dele. Desde a viagem, nada era estranho no Gabriel.
Contou-me que ela lhe relatara descrições minuciosas de assassinatos hediondos, com pormenores que levam o mais impassível dos estômagos a registar um veemente protesto. Ou actos de crueldade mais simples mas tremendamente eficazes, que ecoavam em pedaços desconexos na cabeça dela. Era como fazer um zapping lento pelos piores canais que se pudessem imaginar. Fazia-o com um olhar cansado, como quem carrega um fardo às costas por demasiado tempo e exibem olhos demasiado velhos para a idade do rosto.
Metódico e curioso como era, Gabriel resolveu ir à polícia judiciária para obter informações. Sabia que o mais provável seria que ninguém ventilasse fosse o que fosse, e que até poderia colocar-se em sarilhos, mas resolveu ir lá à mesma. Como previra, deu bom os burros na água, apesar da cordialidade da responsável pelas relações públicas da instituição. Informação absolutamente confidencial, claro!
Gabriel nunca mais voltou a falar com a mulher, mas guardou os elementos que recolhera, decidido a escrever um artigo sobre o assunto. No entanto a história entrou na gaveta e lá ficou.
Meses mais tarde, um dos jornais televisivos do horário nobre deu cobertura a uma notícia acerca de um assassinato de uma mulher. Branca fora morta com dois tiros no peito por um homem que invadira a casa. Segundo o que Gabriel apurara, estava tudo partido. Mesas viradas ao contrário, janelas estilhaçadas, e o corpo deitado no chão no centro da sala. Uma das balas havia varado o coração, matando-a imediatamente, mas toda ela estava marcada por equimoses derivadas de um espancamento longo e determinado.
O caso foi rapidamente esquecido pela opinião pública, mas Gabriel acompanho-o até ao fim. Desde a prisão ao final do processo judicial. E foram as declarações do assassino que o deixaram sem pinga de sangue, numa batalha plena entre aquilo que ele chamava o cepticismo seguro e a coincidência demasiado extrema para não ser suspeita.
Parece que o assassino havia perdido a filha de quinze anos dias antes de ter morto. Fora violada e morta por dois homens perto de Alcântara. Metida dentro do carro elevada para um barracão, expirou após longa horas de sevícias que eu nem sequer consigo imaginar. Ou talvez nem queira, sinceramente. Há coisas que não se querem cá dentro por muito tempo, e a estarem, é bom que não lhes toquemos muitas vezes.
Eles ainda não haviam sido capturados na altura. Nunca chegariam a sê-lo.
Abandonaram o corpo num banco de jardim e evaporaram-se.
Parece que na véspera dos acontecimentos, Branca terá telefonado ao pai da rapariga. O número aparecera-lhe num dos apagões, assim como tudo o resto. Terá tentado avisá-lo, contando o que vira, mas como seria de esperar, recebera pela história um compreensível riso e resposta torta. O pai da rapariga terá dito que não queria comprar, nada, e provavelmente, porque raios é que ela não escolhia outro número de telefone a quem foder a cabeça? Voltou a ligar e levou outra resposta ainda mais rude.
Alguns dias após a morte da rapariga, o pai, completamente descontrolado, tendo conseguido obter a morada da mulher que lhe telefonara através do registo telefónico, dirigiu-se à casa da Branca e uma vez lá, espancou-a até que ela revelasse o que sabia. Branca obviamente não sabia de nada. Vira os acontecimentos como um pesadelo, e recordava-se razoavelmente da cara dos assassinos, mas não tinha nomes ou localizações. Parece que o pai desesperado lhe terá feito uma ultima pergunta, e depois disparou a arma que guardava em casa duas vezes.
Após dizer isto em audiência, caiu em pranto, e parece que perdeu todos os berlindes que tinha na cabeça, estando provavelmente a babar-se no mesmo local para onde eu pensava em enviar a Branca.
Gabriel culminou esta história com uma noção que por acaso partilho, mas que não me deixa nada descansado, mas ao invés deixa-me com uma sensação mesclada de tristeza e perplexidade.
Ele aposta que ela talvez até soubesse os nomes dos violadores. Que os podia identificar tão bem como o fizera com o numero de telefone do pai ou o rosto da rapariga que morrera. Mas Branca achou que já passara por demasiado. Dissera a Gabriel, a quando da conversa que ambos haviam tido, que os apagões pareciam aumentar de intensidade e frequência, como bombinhas de Carnaval que rapidamente passavam a granadas e que lhe estilhaçavam a cabeça. Sozinha e excluída, meio enlouquecida pelo que supostamente poderia ver, ela achara que era tempo de acabar. E assim fez.
Quando Gabriel acabou de relatar esta que era apenas uma de muitas histórias que ia partilhando comigo, eu cá fiquei a pensar numa outra coisa. Para mim, a amiga Branca engendrara as coisas muito mais cedo do que se pensava. Eu cá penso que o telefonema feito ao pai da moça tivera desde logo outra intenção. A dor fora longe demais e que de alguma forma o correio nunca chegaria com a carta de envelope ensolarado, por isso, porquê perder tempo?
A dor tem mesmo razões que a esperança desconhece...



Abraços
Descrédito Interessante

Se o Pedro em questão for quem eu penso, então não me surpreende a sua intervenção.

Aliás, igual a si mesmo, desde a preparatória.

Um abraço

Para quem queira passar mal do estômago

Cuidado.
Para quem abrir este site, tenha atenção á mão espetada em saudação de tempos idos, pois pode arrancar-vos um olho.
Para quem queira ler apologias a Pinochet e regurgitar a refeição recém-ingerida com mais meia dúzia de patacoadas, este é o blog a ler.
Para um magnífico, informado e arrasador antídoto ( ou contra-veneno), recomendo Cruzes que dispensam qualquer apresentação.

Abraços!

quinta-feira, setembro 25, 2003

Paulo Portas dixit - Mas não devia ter dito

No Publico de hoje aparece esta notícia, que de resto faz uma análise clara ao fenómeno que temos em mãos. Ainda por cima eu trabalho com Imigração todos os dias, por isso sei até que ponto o SR. Portas asneirou no inominável discurso que deu.

Mas eis alguém que o dirá de melhor forma.

CIDAC organiza conferência sobre migrações
Política de imigração deve apostar no desenvolvimento dos países de origem

A ideia já está a ser testada em países com maior tradição no acolhimento de imigrantes. E poderá ser uma das apostas políticas dos estados da União Europeia no futuro: em vez de considerar a imigração em função dos seus interesses económicos, a Europa terá que começar a pensar em formas de potenciar o desenvolvimento dos países de origem destes fluxos.

A ideia foi defendida, em entrevista ao PÚBLICO, por Reynald Blion, especialista francês na área da imigração, que irá participar nas conferências sobre migrações, organizadas pelo CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) em parceria com o Instituto Panos, que se iniciam hoje na Fundação Aga Khan, em Lisboa.

Blion, que é também director do programa Migrações Internacionais e Media do Instituto Panos, vê na actual política de restrição da entradas de imigrantes, defendida pela maior parte dos responsáveis políticos europeus, uma falácia, uma vez que dificilmente se conseguirá vencer novas formas de mobilidade, perpetuadas por redes ligadas ao tráfico de mão-de-obra e pelo mercado da "escravatura moderna". Os fluxos migratórios não são, assim, afectados pelos controlos fronteiriços, por mais intensos que eles se tornem, esclarece.

O discurso europeu dominante - aceitar a legalização de imigrantes na medida exacta das necessidades de mão-de-obra e demográficas dos estados, e ser implacável na luta contra os clandestinos - deve, por isso, mudar o seu ângulo de abordagem, passando a preocupar-se mais em fazer com que os imigrantes sintam que, para além de estarem a beneficiar os países onde trabalham, estão também a contribuir para melhorar o seu país de origem.

"É uma abordagem relativamente nova. Essa questão já foi colocada em cima da mesa da Comissão Europeia. Mas está tudo numa fase ainda experimental", refere Reynald Blion. Para além da Organização Internacional para as Migrações, que tem um programa ligado ao desenvolvimento dos países africanos, há exemplos de sucesso desta filosofia na América do Norte. No Canadá, nomeadamente, um grupo de engenheiros informáticos romenos que lá se instalaram está a desenvolver, através da Internet, um programa de formação à distância de quadros do seu país. "E há toda uma diáspora que começa a trabalhar desta forma", garante o sociólogo.

Esta nova forma de encarar o fenómeno da imigração poderá ser concretizável, segundo Blion, celebrando parcerias entre o sector privado, associações locais e humanitárias, sindicatos, e os governos dos vários países.

O sociólogo é, no entanto, contra o incentivo ao retorno de imigrantes, uma medida posta em prática em França, no passado, e que resultou num fracasso, suscitando uma atitude negativa por parte dos trabalhadores estrangeiros, uma vez que o processo se assemelhava a uma expulsão encapotada.

O paradoxo da imigração



De acordo com a análise do director do Instituto Panos, a Europa enfrenta, actualmente, um paradoxo complexo: por um lado debate-se com o receio de uma invasão, e por isso boa parte das suas reformas e iniciativas legislativas têm como objectivo o encerramento das fronteiras ou o seu controlo apertado; por outro, considerando as necessidades de mão-de-obra, tem que continuar a recrutar profissionais pouco qualificados (ou qualificados em áreas muito específicas).

A tendência crescente para promover uma política repressiva contra a imigração ilegal é uma resposta ao sentimento de insegurança exteriorizado pelos nacionais dos países de acolhimento. É certo que alguns estados procuraram, nos últimos anos, lutar contra sentimentos xenófobos (em França, nomeadamente, há três anos atrás, uma lei veio obrigar a que, em casos de discriminação, caiba ao acusado provar que não era culpado). Mas a imigração continua a ser um tópico associado às questões da segurança interna, e as comunidades estrangeiras permanecem ligadas ao imaginário dos subúrbios urbanos, da violência e da marginalidade.

Blion conclui, assim, que novas políticas de inserção sociais, que proporcionem o multiculturalismo, devem ser postas em prática. Ao contrário do que é prática corrente nos países europeus, em que os governos optam por políticas de integração e assimilação (os imigrantes são intimados a submeter-se à cultura do país de acolhimento), dever-se-á, neste sentido, promover a manifestação das diferentes comunidades imigrantes, concretiza.
WELL, DUH!!!!!!

O New York Times de hoje, esse jornal completamente esquerdizante, vem mais uma vez revelar o óbvio. Ou seja, a fundamentação primeira da invasão ao Iraque transformou-se em areia, ou nunca existiu...
Parece que uma primeira versão do relatório do Sr. David Kay, antigo inspector de armamento das Nações Unidas, vem revelar aquilo que é tão evidente que só ainda não foi visto por PAcheco Pereira, ou seja, que por mais que esquadrinhem o Iraque, as ADM não aparecem...
Que estranho...

Abraços

quarta-feira, setembro 24, 2003

Li este excelente artigo da Village Voice e entre as gargalhadas sinceras, vejo-me a concordar com muito daquilo que esta senhora aqui diz.
E ainda bem que este é um blog pouco lido ou inexistente, porque de contrário, já teria uma fileira de hate mail por parte de cada um dos (ultra) conservadores limpinhos e de cruxifixo ao peito que proliferam cada vez mais cá no burgo.

Abraços!

Pucker Up
by Tristan Taormino
In Defense of Sluts
September 19th, 2003 5:00 PM


Recently, an administrator at the women's center of a large Midwestern university inquired about bringing me to campus as a featured speaker. After reviewing my press kit, she applied for an honorarium. She e-mailed me to say that her request to the student board that allocates funds was denied because board members feared that I would promote (and possibly recruit students for) prostitution. I chalked it up to a wacky bunch of ill-informed kids until the same thing happened at another university in the South. In all the talks I have given at colleges around the country, never once has prostitution been mentioned in my initial pitch, nor in any portion of my presentations. Sure, I've made donations to sex worker organizations and written about various aspects of the industry; I do support the legalization and unionization of sex work (because whores deserve fair working conditions and health benefits, too), but that's not my agenda when I speak at institutions of higher learning. How did two separate groups make the leap from me to prostitution? There can be only one answer: They think I'm a slut.

I've never denied being a slut. I've had my fair share of sexual partners, both in and out of relationships, and from the average person's perspective, I'm probably a trollop. Although most people think it's a put-down to say I put out, I embrace the label willingly and with enthusiasm. I encourage other easy riders to do the same. From Mary Magdalene to Pamela Anderson, sluts are mythologized, denigrated, and misunderstood by society, and I propose to debunk the label and its lies. I think it's time we put the stereotypes of sluthood to bed once and for all, reclaim the term, and redefine it.

All sluts are women. Why is it that women who have multiple sex partners, play the field, or have an abundance of erotic experience are skanks, but men who do the same thing are studs? The feminization of slutdom is another example of misogyny hard at work—a symbolic scarlet letter meant to prevent women from becoming too sexually assertive, independent, or empowered. We need to squash this tired double standard in its tracks, and start calling guys sluts, too.

Sluts lie and cheat. Contrary to popular belief, sluts aren't sleeping around behind a significant other's back or deceiving partners about their true desires; on the contrary, many sluts know what we want and are up front about it. In 1998, authors Dossie Easton and Catherine A. Liszt coined a meaningful term (and lifestyle) with the title of their book The Ethical Slut. They also introduced the notion that players with morals were not walking contradictions. Their use of the term slut is definitely tongue in cheek, since the subject of this how-to guide is responsible polyamory. People who practice polyamory (some of whom also call themselves sluts) have sexual and emotional relationships with more than one person. In other words, your slut is someone else's polyamorist.

Sluts are morally bankrupt individuals without a conscience. The heir apparent to the Ethical Slut may be Zen Slut (zenslut.com), a self-proclaimed stereotype-busting broad who runs her own website full of treatises and propaganda about sluthood as a spiritual calling: "Through sex and relationships, I gain introspection and insight into myself and the selves of others. Zensluttery is a bit of a spiritual path for me . . . transcendence through orgasm. . . . Sex is . . . one of the ways that I make my world make sense, and one of the tools I use to understand people and my environment." While the object of some sluts' worship may be more dick than divine, Zensluttery is another take on the power of sluttiness.

Sluts will do anything and anyone. Just because we may cast a wide net doesn't mean we tramps don't have our own personal standards and boundaries. Sluts may be more open to acting on attraction and expressing our sexual selves, but we're not indiscriminate: We can be as selective and picky as non-sluts about who we'll slip between the sheets with, and what we'll do once we're there.

Sluts are sex addicts. Sluts enjoy sex, but their enjoyment does not make them compulsive. Has anyone taken the standard test to determine sexual addiction? Well, if you masturbate frequently, engage in sexual dialogue on the Internet, rent or purchase porn regularly, believe your parents didn't have a good sex life, or often find yourself preoccupied with sex, you can be classified as a sex addict.

Sluts have diseases. Being a slut does not automatically make one ignorant about sexually transmitted diseases, lax about practicing safer sex, or willing to swap bodily fluids with everyone including the milkman. Sluts have been around the block, and every sexual partner one has increases the risk of being exposed to STDs, but being a slut does not make one more careless or stupid. In fact, the sluts I know are more informed about their sexual health than the average person, and more careful about using condoms and other methods of protection.

Sluts are commitment phobic. Some sluts incorporate their taste for variety into their relationships and may have several partners. Others just prefer not to be tied down, but it's up to the individual slut. There are as many people in relationships with a fear of intimacy as there are on the loose. Samantha of Sex and the City has done a lot for sluts everywhere, embodying a sexually voracious woman who is thoughtful, three-dimensional, and has feelings. She even gave monogamy a shot, and it didn't kill her; it just made her stronger.

Sluts are emotionally unstable. I'll concede that some sluts need therapy, some sluts use sex to mask insecurities and pain, and some sluts are just plain crazy. I could say the same thing about monogamous people, virgins until marriage, and a certain blonde, booty-shaking pop star. It's time to stop reviewing that copy of Basic Instinct and realize that sluts can be sane and normal as much as the girl next door can be out of her mind. Frequent, inspired sexual activity is not synonymous with psychosis.

I confess that sometimes I wish all sluts were self-aware, articulate, and empowered à la sex worker activist Annie Sprinkle or Zen Slut, but, alas, they aren't. I'm content that there are some very bright ones in the world, spreading a more sex-positive message for young sluts everywhere.


O Meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe


Jorge Palma

Com a respectiva música e a voz de Palma é ainda melhor. Uma pequena pérola que ouço vezes sem conta e que de alguma forma nunca perde aquele encanto entristecido que constitui as músicas que nos acompanham nos momentos que perduram na memória. Excelente!

Abraços

terça-feira, setembro 23, 2003

Imaginar compensa?


E pergunto isto porquê? Porque o neorealismo feioso em que vivemos parece de alguma forma aceitar o contributo do cinismo como factor exclusivo para justificar qualidade.
Uma cambada de poeirentos parte do principio que a imaginação elemento de um reduto menor da expressão cultural, e o mundo inferioriza tudo aquilo que surja da simples capacidade de construir algo que não se assemelhe tanto ao que estamos fartos de ver.
Cascam em J.P.Jeunet, Larry e Andy Wachowski, Peter Jackson, Stephen King, Clive Barker, como cascaram em Poe, Tolkien, Doyle, etc, etc, etc...
Mas que complot é este contra a imaginação, contra a reorganização dos elementos da realidade para maravilhar, assutar, ou simplesmente mostrar algo diferente? Já para não falar na animação. Mas como é que a "Vaigem de Chihiro" não foi um dos melhores filmes, senão o melhor do ano passado? O que é que faltava para o neorealismo? Que Sen fizesse umas linhas de coca lá no balneário dos deuses?

É a sobranceria de sempre, que classifica os géneros ligados á imaginação e á comédia como sendo menores.
Mas têm esses senhores ideia do quão complicado é imaginar como deve de ser? Ou quão terrivelmente dificil é fazer rir?
Ou é a arrogância tão imensa que confundem as suas subjectividades com uma suposta grelha objectiva de qualidade, que pressupõem nos seus discursos mas nunca explicam?
Basta ler a maioria da crítica de cinema nacional e a conclusão é fácil.
Lamentável, mas fácil.

Abraços

P.S. ( falta apenas um mês para Matrix Revolutions!)
Porque será que a visão de uma linda mulher me dá, ocasionalmente, a vontade de ser invisível?
De me esconder, envolto numa leda tristeza, como se a imperfeição do mundo tivesse feito de mim um seu posto de observação ou sucursal?

Porque é que nessas alturas não consigo continuar a ser Kantiano?

Abraços




Falta pouco tempo...
Para quem não leu a obra, mas viu os filmes, aconselho-vos a apertar o cinto. É o culminar de toda a maravilha relativa á obra de Tolkien.

Abraços

Muita atenção quando jogarem á bola com o chefe.
Especialmente se ele for um cretino com tendência para abusar da autoridade, como este aqui...
Há gente perfeitamente estúpida, realmente...

Abraços


WAYNE SACKED AFTER 'RED CARD' FOR BOSS


10:30 - 22 September 2003

When referee Wayne Millin "blew the whistle" on his boss during a football game, he never thought he would lose his job two months later.

Wayne, from Nailsworth, had reported his boss - who was the manager of one of the teams playing - for swearing at him. And now the 35-year-old has been awarded £6,000 for unfair dismissal after he was made redundant from Just Labels Ltd at Brimscombe.

Wayne had worked for Just Labels until June when he received a letter informing him that he was no longer required by the company.

He claimed that he was unfairly dismissed after getting involved in an argument with his boss, Robert Smith, during a match featuring King's Stanley FC's second team, of which Mr Smith is manager.

Wayne has been a referee for just two years and was only refereeing the game last April after volunteering to take charge of the clash.

He said: "There were a lot of games to play at the end of last season and I volunteered to take on this match as an extra one to help out.

"When I told them in work that I would be in charge, we had a joke about it but when we got to the game I did what I do in every match and spoke to both teams, telling them that I would not accept abuse and so on.

"I didn't think it would be a tough game as neither team had anything to play for really, neither was going up or down, it was just a middle-of-the-table clash.

"When the game started, everything seemed to go well but then there was a tackle on the far side of the pitch which looked fair to me, so I waved play on."

However, Robert Smith did not agree with the decision and, following swearing and abusive comments from the touchline, Wayne told him he would be reporting him to the Gloucestershire Football Association (GFA).

Wayne said: "He seemed to think I was joking, but when the £7 fine arrived from the GFA a month later, my life was made hell in work.

"Nobody would speak to me, and it became really unbearable.

"Eventually I reported it to the union and, on their advice, handed in a letter of complaint about the treatment I was receiving.

"I handed that in on June 23, but on June 27, after being at work all day without anyone saying anything, I returned home to find a letter telling me I was being made redundant.

"I contacted the union, who told me that I had a good case for unfair dismissal, and I was eventually given £6,000 after winning my case and settling out of court.

"I am just pleased to have won. Nobody deserves to go through what I have been through in the last few months."

Robert Smith declined to comment when approached by The Citizen.

In - "The Citizen" - www.thisisgloucestershire.co.uk - 22-09-2003
Existem dias em que escrever se assemelha a tentar levantar um bloco de concreto com o dedo mindinho. Andamos á voltas, tocamos, empurramos, mas nada se mexe.
Mas como dizia SK na sua autobiografia "On Writing" ( que recomendo sem reservas) a musa não é uma mulher lindíssima,cheia de voluntariedade e "armada" de um saco de ideias. É mais um tipo parecido com o Luis de Matos, de fato de macaco e cartola, que passa de quando em vez para ver como estamos e nos empresta uma pitada de magia.
No fundo os processos de criação, pelo que me aprecebo, necessitam de tempo e alguns recursos, e é complicado encarar sempre tudo como trabalho. Tem de haver algo que se mova por si, como uma aleatoriedade simpática que nos carrega por alguns segundos, abrindo o tal buraco no papel ou no ecran.
Nesses períodos, o melhor é ler. Porque não tem o dia 36 horas então?

Adiante

Abraços

segunda-feira, setembro 22, 2003

Ontem á noite vejo na televisão uma notícia que sinceramente me deixa preocupado e perplexo. Alguns dos factos podem estar inexactos, pois estava a escrever algo ao mesmo tempo e a concentração era errática.
Um automóvel entra em contra mão, penso que era um jeep, e abalrroa dois automóveis, matando e ferindo pessoas.
Este seria um cenário pavorosamente normal nas nossas estradas, mas aquilo que me assustou foi ter percebido que existia intenção da parte do condutor em cometer a infracção e embater nos outros carros. Supostamente tratar-se-ia de um perverso sistema de apostas, baseado num desafio á morte através de um jogo de probabilidades e suposta perícia.
O resultado é o conhecido.
O mais aterrador é que estas coisas não são de hoje.Conheci pessoalmente o caso de um canalha que, para entreter as meninas que levava no carro, resolveu fazer terceira faixa na marginal. O resultado foi a morte de todas as pessoas envolvidas no posterior choque frontal, á excepção dele próprio. A gracinha e a ousadia custou quatro vidas.
Muitas vezes nos questionamos acerca da existência de algo verdadeiramente maligno. Como optimista que sou, tendo a procurar a explicação para tais "perturbações" no mecanismo de causa efeito.
Mas ao deparar-me com algo como isto, entendo que a maldade, nestes casos aliada á estupidez, existe de facto. Não mais é que um desrespeito absoluto pelo valor vida, e uma atitude consciente e intencional para produzir nada mais que dano injustificado a outrem.
E isso nunca consigo entender.
Pior ainda quando a existência de tais fenómenos está á mão de semear, provada com a clareza de uma manhã soalheira, fria e seca de Inverno.
E o descontentamento que deixa, leva a incómodas perguntas.

Vou por um pano preto por cima... desculpem.

Abraços


sexta-feira, setembro 19, 2003

Enviei um original para algumas editoras há cerca de quatro meses.
A verdade é que, até agora, apenas uma dela me respondeu,dando-me uma sarabanda subtil. As outras permanecem em silêncio, provavelmente com material para atear as lareiras das casas na Serra da Estrela quando o tempo arrefecer.
Previsível, mas ainda assim, chateia imenso.

Abraços
Governo corrige o discurso absurdo e extremista de Paulo Portas, que cada vez mais se parece com uma duplicada lavadinha de Heider.
Ao Ministro da Defesa é cada vez mais difí­cil esconder a sua tendnêcia para o extremismo de direita, a sua queda para o populismo e a demagogia na sua forma mais vulgar e estrondosamente óbvia.
Leio o Público hoje com agrado, e verifico que o Governo tomou uma decisão sensata, porque se é certo que não temos um paí­s que aguente uma polí­tica de porta aberta sem qualquer regra, também será absolutamente claro que uma importante parte do reforço no encaixe de verbas na segurança social e fisco deve-se às contribuições dos imigrantes. E se muitos destes não fossem explorados na ilegalidade por empresários inexcrupulosos e absolutamente criminosos, estes números aumentariam ainda mais. É engraçado ver como aqueles que Paulo Portas quer ver daqui para fora, num discurso de limpeza que até me revolve o estômago, contribuem mais para o orçamento de Estado e saúde financeira da Segurança Social ( que ele também quer ver destruí­da através da substituiç ão epelasseguradoras) que muitos dos seus amigos que integram a classe alta e sobranceira que caracteriza muitos dos elementos ou simpatizantes do PP, classe esta envolvida em casos que vão desde a Moderna a evasão fiscal gritante. Aliás, o caso da empresa de sondagens Amostra está tão mal explicadinho que prova precisamente a qualidade de lapa que Portas tem quanto ao poleiro do poder. Qualquer outro político já se teria demitido depois de tanta suspeita, mas este senhor mostra a sua sofreguidão em mandar e influenciar, mantendo-se num cargo para o qual a confiança polí­tica há muito que deveria ter sido retirada.
Ainda mais lamentável para um homem que enquanto director do Independente tanto se esforçou por descobrir fraudes e alimentar desconfianças, que tantas cabeças pediu por coisas que mais tarde nem sequer se vieram a provar, e que agora mostra a medida da sua incongruência e desonestidade intelectual e polí­tica.
Portas é uma caricatura perigosa daquela espécie de direita que não se importa em discutir ou pensar sobre nada, mas tão somente em acicatar segregacionismos e elitismos absolutamente infundamentados. Embora eu saiba que não, se este senhor fala por toda a direita, bem...um saneamento político já era oportuno.
Heider ou Le Pen á  escala nacional. Uma tristeza, uma vergonha.


Abraços
Hoje é Sexta Feira.
E há sempre uma pequena euforia.

Abraços
Ontem á noite vi o filme "Irreversível", e sinceramente não sei o que pensar.
Sim, bem sei que a chamada crítica letrada e auto intitulada especialista em condicionamento de subjectividades dirá que se trata de uma porra de uma obra prima, mas eu cá mantenho a minha. Não sei o que pensar.

Para começar, se eu fosse o Christopher Nolan, ficava lixado, porque a lógica de progressão regressiva da narrativa é copiada a decalque dessa obra genial que dá pelo nome de "Memento". É que tirando as piruetas da câmara, a premissa é exactamente a mesma, ou seja, as cenas entrelaçam-se numa progressão para trás. Tem algo de deja vu, verdade seja dita.

Os actores entregam-se, é verdade, se bem que Vincent Cassel ofusca todos os outros, incluindo a ex-esposa Belucci. A empatia é excelente, e até os figurantes fazem um trabalho credível e envolvente. Arrepiante, diria eu, mas isso é outra história.

No entanto aqueles tiques de realização que é suposto criar uma qualquer envolvência tornam o início do filme confuso e determinados planos são esticados para além daquilo que considero integrado no ritmo de um filme. A observação torna-se errática, e dei comigo a olhar para o lado porque já estava cansado de ver a câmara dar voltas e mais voltas, como se o operador tivesse caido de uma escada abaixo. É uma tentativa de criar estilo mas que até um certo ponto leva a que me pergunte qual o intuito.
E se a ideia é dar a noção de desorientação, inquietação, mal estar e stress, porque é que a cena da violação está filmada num plano estático? Padece de falta de coerência, se é que era esta a intenção do realizador.

Depois é a implausibilidade de imensas premissas e decisões dos protagonistas. A decisão dela de andar sozinha num local supostamente perigoso da cidade, ainda por cima já se sabendo grávida. A forma como o marido consegue entrar tão agressivamente num local que mais parece um sector do inferno mais carregado que já vi em cinema, é forçada.
A própria premissa do argumento está assim algo fragilizada pela plausibilidade de alguns acontecimentos.

E finalmente o choque. A brutalidade. A intenção claríssima de castigar o espectador até ao limite do suportável. E a minha pergunta é a mesma. Qual o intuito? É suposto ser um extremo exercício de realismo? Mas quem é que rebenta a cabeça de alguém com a mesma expressão de leve enfado com que se limpa um dejecto canino no passeio? Caraças... Eu sempre embirrei um bocadinho com aqueles que confundem o poder do choque e do desagradável com profundidade e sentido de comunicação de ideias. Eu posso sugerir uns sites com imagens parecidas e ainda mais brutais, que nunca mais na vida quero ver, e que nem por isso são considerados cinema de autor.
Noe resolve castigar-nos com algumas das cenas mais brutais e asquerosas que eu já vi em cinema ou qualquer outro local, e a minha questão é só esta. Qual é o intuito? A subtileza também conta para alguma coisa, certo?


E no entanto, para além disto tudo, não se pode dizer que o filme não funcione. Não tenciono vê-lo novamente, e não é um filme que tenha gostado. Mas não pode de forma nenhuma ser considerado um mau filme. Tem força e uma certa forma de atrevimento que torna o seu visionamento marcante.
Não sei se é mau ou bom.
Eu sinceramente não gostei, pelo mesmo motivo que detestei Saló do Pasolini. É daqueles filems que nem sequer percebo porque foi feito, nem qual a virtude senão uma tentativa de denúncia num contexto politico e histórico determinado. Acho que neste domínio, certas coisas absolutamente gratuitas são confundidas com sentido artistico e denuncia realista. Não sei que propósito servem, mas a mim nenhum com certeza.

Por estranho que pareça, recomendo e não recomendo.
Se forem sensíveis, este filme é uma absoluta tortura. Impiedoso mesmo. Uma jornada de nervos nos primeiros 50 minutos.
Se a curiosidade vos levar a melhor, preparem-se. É, acima de tudo, uma experiência.
Para mim, está lado a lado com Saló - de Pasolini, o Homem Elefante - de Lynch e SAving Private Ryan - de Spielberg, como um dos filmes mais difíceis de ver.
São os chamados filmes bigorna, pela pancada que nos dão na cabeça e a dor e incómodo que lá deixam.
Boa sorte.

Abraços

quinta-feira, setembro 18, 2003

Não há meninos, não há casório...

"No plans for kids? The church won't marry you

June 01 2003 at 02:24PM



Paris - A French couple has been refused a religious wedding ceremony by the Catholic church because they said they did not want to have children, Le Journal du Dimanche newspaper reported on Sunday.

The pair - named only as Anne and Christophe - told the parish priest in Saint-Remi de Forbach in northeastern France that they were afraid of passing on a nervous disorder from which Anne suffered.

"However, it was not a genetic illness. It posed a real problem because what they said is incompatible with canon law," said Philippe Hiegel, spokesperson for the Metz diocese.

In the Catholic marriage ceremony bride and groom must declare that they intend to have children and that they accept the "responsibility of spouse and parent," church officials told the paper.

"The priest had no choice but to refuse. If the marriage was ever disputed in a church court it would be declared void," said Jean-Marie Stock, the diocesan vicar-general.

Church officials explained that the marriage service can be offered to couples who cannot have children, or who want to delay having them, but an outright refusal to have children is a disqualification. - Sapa-AFP
"

Pois é, a minha Instituição favorita... ( not!!!) fê-lo novamente...
Não há filhotes, não há casório, que esta coisa de sexo por prazer são modernices.
Obviamente que a questão se prende com a lei canónica, a qual, em grande parte do seu conteúdo normativo, está desfasada da natureza humana e regula relacionamentos com uma doutrina comportamental por ideias de severidade, medo e privação.
Bolas, mas a religião não existe para acolher e beneficiar as pessoas? Ou a tolerância pela liberdade pessoal é perfeitamente incompatível com os dogmas do cristianismo?
Duh! Pergunta de retórica, claro...

Abraços
Comboio Fantasma? Não, muito mais imbecil e assustador do que isso...

O conceito desta espécie de purga para as massas crentes é algo de quase inacreditável. Sinceramente, até pode ser considerado divertido e risível, se for possível distanciarmo-nos do facto de que os seus craidores levam a sua invenção e pseudo-pedagogia associada muito a sério...

No ano passado George Ratliff realizou um documentário acerca deste fenómeno que teve e tem lugar ainda hoje na Trinity Christian School em Cedar Hill, Texas, e que supostamente se identifica como uma viagem de catarse através da exposição aos efeitos dos pecados. A mim parece-me que alguém andou a ver demasiadas vezes a laranja mecânica, e criou uma aberração fanática cheia de vontade de repisar preconceitos numa espécie de demonstração de moral pela lógica do choque.
Atenção que uma das reprentações teatraliza a homossexualidade como um demónio, bem como aborto, entre outros...
Sinceramente, até me custa falar mais sobre esta "criação" sem ficar com uma azia para três semanas, e deixo apenas um texto descritivo do excelente "Rotten Tomatoes" acerca do documentário em questão, o qual é por si mesmo elucidativo.

George Ratliff's stirring documentary sheds light on one of late-20th Century America's most confounding creations, the Hell House. Providing a bizarre twist on the traditional haunted house formula, Hell Houses are church-funded, elaborately staged productions that trade fictitious monsters for the so-called demons that haunt our everyday lives--demons such as abortion, suicide, and homosexuality. Brought to you by the parishioners at your local Pentecostal or Southern Baptist churches, Hell Houses aim to frighten nonbelievers into a life of purity (as they see it) by accepting Jesus Christ as their personal savior. Ratliff's impressively unobtrusive camera takes the audience behind the scenes of one of America's most notorious Hell Houses, sponsored by the Trinity Assembly of God Church in Cedar Hill, Texas, following the outlandish production from its pre-planning stages all the way through its wildly successful two-week run. Rather than merely presenting these people--and this spectacle--as an outrageous example of reverence gone bonkers, Ratliff takes the time to establish the humanity of each participant, which adds another layer to the film. Frustrating, hysterical, and stimulating, HELL HOUSE is a testament to the saying "truth is stranger than fiction."

This film screened in April 2002 in New York City as part of the Gen Art Film Festival.


Não são os deuses que devem estar loucos.
Para quê transferir responsabilidades, digo eu...
Sem mais comentários, e uma nota de admiração a George Ratliff que segundo as críticas que li, é considerado unanimente como um observador isento na sua obra.
Para quando nos nossos cinemas ou circuito Video/DVD?

Abraços!
"Temos uma experiência familiar da ordem, da constância, da perpétua renovação do mundo material que nos rodeia. Todas as suas partes são frágeis e transitórias, os seus elementos agitados e migratórios, todavia ele subsiste. Está unido por uma lei de permanência e, embora sempre a morrer, renasce a cada instante. A dissolução apenas dá origem a novos modos de organização; uma morte gera mil vidas. Cada hora, ao chegar é apenas um testemunho de quão passageiro e, no entanto, quão seguro e quão certo é o grande todo. É como uma imagem nas águas, sempre a mesma, embora as águas fluam constantemente. O sol entra no ocaso para tornar a despontar; os dias são engolidos pela noite pela escuridão da noite para dela nascerem tão novos como se nunca tivessem findado. A Primavera transforma-se no Verão, e, pelo Verão e pelo Outono, é transformada em Inverno, ainda mais confiante pelo seu regresso último, para triunfar daquela sepultura para a qual resolutamente se apressou desde a sua primeira hora. Lamentamos as flores de Maio porque se destinam a murchar; mas sabemos que Maio um dia obterá a sua vitória sobre Novembro pela revolução daquele círculo solene que nunca se detém, que nos ensina no cume da nossa esperança a ser sempre sóbrios e no mais profundo da desolação a nunca desesperar."

John Henry Newman
"The Second Spring"


William Peter Blatty utilizou este sermão de um padre jesuíta para dar voz a uma das suas personagens no seu notável romance "O Exorcista".
Um livro que é uma fantástica surpresa, ao contrário do que se possa pensar.
A não perder, juntamente com o filme de William Friedkin com o mesmo nome.
Sim, bem sei que o texto é optimista e que vai causar males de fígado aos realistas e conservadores empedernidos, mas felizmente a realidade também se pinta a outras cores, meus senhores.


Abraços




ADAPTATIONFabuloso, excelente e sobretudo, original sem cair num expressionismo incompreensível ou numa linguagem de simbolismos fechados e que se tornam eles sim um Oroboro.

Nicholas(s) CAge (s) é assobroso, Maryl Streep está ao seu nível de sempre, e deixem-me tirar o chapéu a Chris Cooper e a falta dos seus dentes da frente.Óscar muito bem atribuido, embora ele já estivesse excelente em muitos outros papéis, do qual destaco, como não podeia deixar de ser, o coronel gay de American Beauty. Realizado com mão fime mas plenamente entregue á história dos personagens, faz com a história flua sem se dar por ela, e sobretudo dando o ênfase necessário aos instante de reflexão e impacto emocional do filme, que tocam e colocam a massa cinzenta aos pulos. Já para não dizer o músculo peitoral interno. :)
As críticas ao final do filme, realizado e escrito por Donald Kaufman, são injustas na medida em que, conforme ele disse e muito bem, " everyone has he's own genre - What's yours?"
Vivemos dentro do Cool e desmiolado Donald, que empresta uma espécie de mapa de afeição em meio á demência desgraçada de Charlie.
E sobretudo há uma ideia de beleza, complexidade e multiplicidade de influências de que somos todos feitos, a ideia de que não somos cristalizados em nada como norma de identificação unitária e redutora. Não somos só Charlie, nem Donald, e congratulo-me por sentir que Kaufman e Jonze escolhem esta forma inteligentíssima e brilhante de mencionar que a inteligência e a qualidade do que se possa perseguir ou realizar não assenta numa espécie de código subentendido do que é qualidade.
Ou seja, o final é um elemento de positividade que não é deslocado nem fora de contexto. É afinal de contas, a real Adaptação. Aceitar a premissa da jornalista, abrir a porta para que a imaginação e a busca da orginalidade não aliene a forma positiva de encarar os desejos perante a própria vida.
Lamento profundamente que algumas pessoas com quem falei tenham este horror pós-moderno a tudo o que signifique a capacidade de um protagonista de uma história superar-se e de alguma forma encontrar algum encantamento, por pequeno que seja, no seu percurso de vida. Sinceramente, esta obsessão pela definição da qualidade em função da tinta negra que se lança sobre a história confunde-me um pouco. Que se passa com todas essas pessoas? Abram as janelas da cave e percebam que o sol também brilha de quando em vez. E que o dia também faz parte da existência, caraças! E que tal não significa qualquer traição á forma inteligente e sentida de contar uma história. Tenho mais isto a a agradecer a Kaufman e Jonze.
Para mim, na altura, um dos filmes do ano, e sobretudo uma pedrada no charco.

Abraços





Da MulherA Mulher é , para mim, uma fonte inesgotável de pensamento, irritação, fascínio, curiosidade. Por isso criei este post, ao qual voltarei em tempos futuros. Porque acho que nunca terei dito tudo o que posso sobre ela.

É uma homenagem trapalhona mas que é pelo menos sentida.
Se entenderem alguma coisa como generalização gratuita, peço desde já desculpa, dizendo também que se tratam de ideias e conclusões com base numa experiência e percurso pessoal junto das mulheres, a saber, o meu.

Apetece-me falar um bocadinho dessa eterna tensão entre os dois sexos, que até hoje ainda andam a ver exactamente o que pretendem um do outro.
Começando por termos mais práticos, a igualdade que deve ser defendida mais veementemente é a de vertente jurídica, ou seja, a que concede direitos, oportunidades e legitimidade para todas as coisas do mundo humano.
Mas quando se entra no relacionamento interpessoal, no domínio da abordagem do "eu" perante o mundo, as diferenças são mais que um objecto de estudo, uma evidência.
Somos iguais em muitas coisas, como somos diferentes.
Presumir certas igualdades será um exercício optimista pelo desejo de compreensão, mas talvez complicado devido ao plano de diversidade da natureza. porque realmente acho que a Natureza tem um plano. Não estivéssemos nós tão empenhados em dar cabo dele, e talvez víssemos a sua concluão, mas adiante...

E porquê?
Bem, a começar pela forma como a natureza desejou ordenar as coisas, ou seja, pela construção dos sexos, dos corpos e a função que desempenham nesse eterno jogo de suposições que é o relacionamento homem mulher.
Segundo as leis da natureza não racional, ou seja, dos animais ditos não racionais ( atenção que isto do não racional tem o que se lhe diga, mas para facilitar a discussão fiquemos por aqui) a beleza, a cor, aquilo que chama a atenção ficou por conta dos machos. São eles que detém as jubas, as penas coloridas, os cantos mais altos, as danças mais vigorosas. No fundo, os mecanismos de atracção dita evidente ficaram por conta dos machos na sua feroz luta por chamar a atenção.
Mas alguém resolveu pregar uma partida ao género humano, e baralhou as cartas todas.
À mulher foi concedida a beleza. A capacidade de exteriorizar um prolongamento do seu género que origina um fenómeno imediato de contemplação. Há algo na beleza, no simples facto de se tornar presente a presença feminina que desafia todas as subtilezas masculinas.
A pele lisa, os cabelos compridos, as curvas subtis, ao arranjo mágico do rosto, os trejeitos sensuais do corpo? tudo foi dado à mulher, ainda por cima numa lógica de (aparente) controlo do jogo da atracção.
Parece tudo menos justo!
A natureza pode ser sábia, mas nem por isso aparenta ser justa nesta situação em particular.
Face a tudo isto sempre achei a mulher um ser fascinante. Não só pelo seu carisma sexual, pela força da sua essência sensível, mas também pelas suas contradições, pelas suas fraquezas, pela sua tendência feroz para a territorialidade.
Quanto mais vou andando, mais percebo que menos sei, e que a melhor forma de se comunicar com o espírito feminino é desdramatizando a sua suposta complexidade, simplificando os conceitos, e realmente ouvindo o que ela pode ter a dizer. É ficar quieto, ouvir mais do que falar, mas ser firme.
A nossa suposta fraqueza hormonal é um mito. Porque ela é em si também um acto de vontade. É por isso que é tão engraçado estudar as mulheres. Especialmente para alguém como eu que nada sabe sobre elas, mas que tende sempre a querer descobrir.

O universo sexual feminino é um poço de originalidades e idiossincrasias. Tudo parece diferente de pessoa para pessoa, e não existem limites para os universos de interpretação social.
Mas digo desde já que discordo da ideia tão propalada da tendência recatada e monogâmica da mulher. Pode ser um elemento cultural, incutido profundamente, mas julgo que não radica em noções de inatismo. Este é um universo no qual penso que o corpo feminino grita tão alto como o masculino.
A natureza dá-nos a pista inicial.
A mulher tem mais 43 pontos erógenos, se não me falha a memória, e possui um órgão cuja utilidade é única e exclusivamente o prazer.
O facto de ter tantos pontos erógenos leva a duas conclusões. A primeira, que quase toda a mulher é em si um ponto erógeno, sendo que a pele pode ser veículo quase total para a ideia de toque e excitação. E a segunda é que talvez assim se explique a razão pela qual o toque é muito mais poderoso na mulher que a estimulação visual. Penso que se os homens se atrevessem a tocar mais, as coisas seriam diferentes. Mas a sociedade ordena-se por esses mecanismos de prudência, e de uma certa forma, é o que mantém uma certa ordem.
Já quanto ao famoso órgão, denominado por clítoris, ou "clit" nas designações "anglo-urbano-modernas", tem mais de oito mil fibras nervosas numa superfície externa de dois centímetros. Se considerarmos que o pénis tem 3 mil, a conclusão tira-se por si mesma.
Ou seja, o corpo da mulher foi construído para o prazer. Dela mesma, não do homem, reafirme-se já. A sensualidade que a mulher é capaz, endeusando-se, é um mistério. É uma extensão fantástica desta bomba de potencial sexuado, onde as imagens criadas emanam de uma capacidade para a recepção do toque. Talvez seja por isso que as mulheres seja curvas, sejam suavidade. Porque elas são toque, e para si mesmas, este é o rei do contacto com o exterior.

Ao contrário do que dizem alguns sectores mais prudentes, especialmente deste ressurgimento do dito neoconservadorismo, não julgo que haja, ou deva haver qualquer distinção na atitude perante a glória do corpo entre homens e mulheres.
Durante séculos existiu uma repressão das manifestações da libido feminina precisamente por receio da superioridade sexual. Os próprios instrumentos de tortura tinham um pendor de destruição dessa mesma superioridade. Como demonstração de que a força bruta teria sempre a ultima palavra, em todas as formas de subjugação conhecidas.
Sem surpresa, o género humano tende a destruir o que não entende por preguiça e comodismo mental. Depois do medo, claro.

Como havia dito, penso que a iniciativa na mulher não fica mal, ou não dá qualquer imagem de baixeza. Porque aquilo que é feito de forma gratuita fica mal a ambos os sexos, ao contrário do que se propalava há uns tempos. O conceito da mulher fácil é apenas uma espécie de muleta psicológica para explicar uma timidez mal aliada a um desejo de intimidação e domínio da caça. Qual é o tipo de arma ao ombro que quer andar a fugir dos coelhos? Tenho amigos que olham para a mulher como algo esquivo, que deve fugir para provar a sua qualidade. Eu, com o devido respeito, acho isso uma idiotice.

O grande problema é a falta de cedência de parte a parte. Ou seja, os hábitos e territórios separados por uma espécie de código de automatismos, e a desconsideração do que são os rituais alheios.
Há toda uma enorme série de códigos, signos e significados que atraem os dois sexos ao mesmo tempo que pressupunham clivagens. Porque penso que há um grande desejo de entender, de perceber, de interiorizar, ainda que seja pela pior razão do mundo, ou seja, o exercício de controlo.
A única coisa que digo é que se a mulher domina claramente o universo da sensualidade e sedução, então pergunta-se o que sobrou para os homens?
Sobram os milhões de páginas de poesia, literatura, de partituras, de telas, de objectos transformados.
Sobram os cantos de inspiração, as modificações do discurso, as mentiras encantadoras, as verdades rendidas. Sobram os passos no encalço do mistério. Sobramos nós, a tentação, a cobiça e um fascínio por vezes ressentido.

As hormonas podem explicar muita coisa. E explicam. Assim como o juízo estético. Por muito doloroso que seja, a beleza traz uma facilidade à imaginação. Um par de olhos ou uma curva perfeita da mama enche a taça da criação do olhar e engenho masculino. Era pelo menos isso que dizia Vinicius de Moraes e eu tendo a concordar com ele.

Mas o universo feminino, naquilo que tem de exasperante e por vezes aparente e gratuitamente complexo, tem uma outra face de riqueza e multifacetação que surpreende porque à medida que vamos crescendo e visualizando, menos vamos entendendo. E é a atitude que desarma, a vivência expressa em trejeitos que empresta à beleza um senso de fundamental mas simultaneamente apenas parte de um todo.

É uma crença que tenho, sinceramente, o que talvez explique muito do que não entendo, e ainda mais a falta de um senso de sedução eficaz.
Mas ainda assim, vale a pena ir aprendendo, penso eu.
ou pela lógica a mim aplicada, ir sabendo cada vez menos.




Abraços!




"



"...Andy Dufresne, who crawled through
a river of shit and came out clean
on the other side. Andy Dufresne,
headed for the Pacific.

Sometimes it makes me sad, though,
Andy being gone. I have to remind
myself that some birds aren't meant
to be caged, that's all. Their
feathers are just too bright...

...and when they fly away, the part
of you that knows it was a sin to
lock them up does rejoice...but still,
the place you live is that much more
drab and empty that they're gone.
I guess I just miss my friend. "


Shawshank Redemption - Frank Darambondt -Realizador
cena interpretada por Morgan Freeman a partir de um texto original de Stephen King"




Abraços!








RICKY:

It was one of those days when it's
a minute away from snowing and
there's this electricity in the
air, you can almost hear it, right?
And this bag was like, dancing with
me. Like a little kid begging me
to play with it. For fifteen
minutes. And that's the day I knew
there was this entire life behind
things, and ... this incredibly
benevolent force, that wanted me to
know there was no reason to be
afraid. Ever.

Video's a poor excuse. But it
helps me remember... and I need to
remember...

Sometimes there's so much beauty
in the world I feel like I can't
take it, like my heart's going to
cave in."





LESTER:
"I guess I could be pretty pissed
of f about what happened to me...
but it's hard to stay mad, when
there's so much beauty in the
world. Sometimes I feel like I'm
seeing it all at once, and it's too
much, my heart fills up like a
balloon that's about to burst...

And then I remember to relax, and
stop trying to hold on to it, and
then it flows through me like rain
and I can't feel anything but
gratitude for every single moment
of my stupid little life...

You have no idea what I'm talking
about, I'm sure... but don't
worry...

You will someday."


Quando vejo este filme, fico sem conseguir falar coerentemente durante meia hora. Pairo. E fico feliz por estar vivo para poder ter uma experiência como esta com uma criação artística. Se a arte consegue provocar-nos isto, explica absolutamente a irredutivel necessidade da sua existência.

Abraços

The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it wa grassy and wanted wear;
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two road diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.



Robert Frost

Quantos de nós pensam que fazem exactamente isto?

Abraços


As fotos menos glamorosas das personalidades famosas

Pedindo desculpas desde já pela fraquíssima rima, ficam aqui algumas fotos instantâneas cujo destino não são os registos da Caras, da Vanity Fair, ou coisa que o valha.
Afinal de contas, eles também são humanos, verdade? Ainda que por vezes não pareçam.

Abraços


Robert Downey Junior, provavelmente pela 15ª prisão por posse de estupfacientes


Hugh Grant, depois de Divine Brown. Ela ficou rica a dar entrevistas, ele ficou sem a Elizabeth Hurley, que segundo parece, também não era flor que se cheirasse...

Nick Nolte depois de colocar os dedos na tomada.... não, foi apanhado a conduzir com alcool, e deve ter despejado metade na cabeça.




Li a "Agressão" deste senhor, e raras vezes li um livro de cariz altamente técnico e científico e dito profundamente erudito que fosse tão acessí­vel e pleno de um optimismo e rigor tão intensos, próprio de quem considera o conhecimento vasto que possui como uma riqueza a partilhar e não um archote de superioridade a exibir.
Tremendamente pedógico, este livro de Lorenz traz uma mensagem de humildade ao género humano que me tocou especialmente, mas se olharmos um pouco para a biografia do autor, contada seguidamente pelo próprio, vemos que o seu percurso também foi rocambolesco e tão diversificado como as suas abordagens.

Há tempos, quando manifestei uma opinião sobre este livro, alguém se referiu a ele como uma qualuqer espécie de propaganda científica e já largamente ultrapassada. A essas pessoas só tenho duas coisas a dizer.

O homem foi prémio Nobel, juntamente com Karl von Frisch, Nikolaas Tinbergen, pela descoberta no campo da Medicina ou Fisiologia, pelo trabalho no campo da descoberta relativa a padróes de comportamento no plano do indivíduo ou de grupos em socialização. Em animais, bem entendido, cuja transposição para os seres humanos, combatendo aquilo que ele designa de arrongância antropologica e consequente receio primevo de misturas ou proximidades ao mundo animal, é tão fantasticamente descrita nos ultimos dois capítulos deste livro.

A segunda, é que ao ler este livro, a minha análise parcialmente empí­rica e informada até onde o tempo lhe permite, não verificou qualquer falta de actualidade, e lamento que a arrogÂncia intelectual de algumas pessoas realmente suponha que a formulação de pensamentos e ideias acerca do mundo onde se vive depende da quantidade de citações que se consegue despejar numa folha de papel ou ecran... Lorenz realmente tem razão, em mais que uma vertente, neste caso.

Deixo-vos com a biografia, muito interessante no meu ponto de vista.


"I consider early childhood events as most essential to a man's scientific and philosophical development. I grew up in the large house and the larger garden of my parents in Altenberg. They were supremely tolerant of my inordinate love for animals. My nurse, Resi Fahringer, was the daughter of an old patrician peasant family. She possessed a "green thumb" for rearing animals. When my father brought me, from a walk in the Vienna Woods, a spotted salamander, with the injunction to liberate it after 5 days, my luck was in: the salamander gave birth to 44 larvae of which we, that is to say Resi, reared 12 to metamorphosis. This success alone might have sufficed to determine my further career; however, another important factor came in: Selma Lagerf's Nils Holgersson was read to me - I could not yet read at that time. From then on, I yearned to become a wild goose and, on realizing that this was impossible, I desperately wanted to have one and, when this also proved impossible, I settled for having domestic ducks. In the process of getting some, I discovered imprinting and was imprinted myself. From a neighbour, I got a one day old duckling and found, to my intense joy, that it transferred its following response to my person. At the same time my interest became irreversibly fixated on water fowl, and I became an expert on their behaviour even as a child.

When I was about ten, I discovered evolution by reading a book by Wilhelm Bölsche and seeing a picture of Archaeopteryx. Even before that I had struggled with the problem whether or not an earthworm was in insect. My father had explained that the word "insect" was derived from the notches, the "incisions" between the segments. The notches between the worm's metameres clearly were of the same nature. Was it, therefore, an insect? Evolution gave me the answer: if reptiles, via the Archaeopteryx, could become birds, annelid worms, so I deduced, could develop into insects. I then decided to become a paleontologist.

At school, I met one important teacher, Philip Heberdey, and one important friend, Bernhard Hellmann. Heberdey, a Benedictine monk, freely taught us Darwin's theory of evolution and natural selection. Freedom of thought was, and to a certain extent still is, characteristic of Austria. Bernhard and I were first drawn together by both being aquarists. Fishing for Daphnia and other "live food" for our fishes, we discovered the richness of all that lives in a pond. We both were attracted by Crustacea, particularly by Cladocera. We concentrated on this group during the ontogenetic phase of collecting through which apparently every true zoologist must pass, repeating the history of his science. Later, studying the larval development of the brine shrimp, we discovered the ressemblance between the Euphyllopod larva and adult Cladocera, both in respect to movement and to structure. We concluded that this group was derived from Euphyllopod ancestors by becoming neotenic. At the time, this was not yet generally accepted by science. The most important discovery was made by Bernhard Hellmann while breeding the aggressive Cichlid Geophagus: a male that had been isolated for some time, would kill any conspecific at sight, irrespective of sex. However, after Bernhard had presented the fish with a mirror causing it to fight its image to exhaustion, the fish would, immediately afterwards, be ready to court a female. In other words, Bernhard discovered, at 17, that "action specific potentiality" can be "dammed up" as well as exhausted.

On finishing high school, I was still obsessed with evolution and wanted to study zoology and paleontology. However, I obeyed my father who wanted me to study medicine. It proved to be my good luck to do so. The teacher of anatomy, Ferdinand Hochstetter, was a brilliant comparative anatomist and embryologist. He also was a dedicated teacher of the comparative method. I was quick to realize not only that comparative anatomy and embryology offered a better access to the problems of evolution than paleontology did, but also that the comparative method was as applicable to behaviour patterns as it was to anatomical structure. Even before I got my medical doctor's degree, I became first instructor and later assistant at Hochstetter's department. Also, I had begun to study zoology at the zoological institute of Prof. Jan Versluys. At the same time I participated in the psychological seminars of Prof. Karl Bühler who took a lively interest in my attempt to apply comparative methods to the study of behaviour. He drew my attention to the fact that my findings contradicted, with equal violence, the opinions held by the vitalistic or "instinctivistic" school of MacDougall and those of the mechanistic or behavioristic school of Watson. Bühler made me read the most important books of both schools, thereby inflicting upon me a shattering disillusionment: none of these people knew animals, none of them was an expert. I felt crushed by the amount of work still undone and obviously devolving on a new branch of science which, I felt, was my responsibility.

Karl Bühler and his assistant Egon Brunswick made me realize that theory of knowledge was indispensable to the observer of living creatures, if he were to fulfill his task of scientific objectivation. My interest in the psychology of perception, which is so closely linked to epistemology, stems from the influence of these two men.

Working as an assistant at the anatomical institute, I continued keeping birds and animals in Altenberg. Among them the jackdaws soon became most important. At the very moment when I got my first jackdaw, Bernhard Hellmann gave me Oskar Heinroth's book "Die Vögel Mitteleuropas". I realized in a flash that this man knew everything about animal behaviour that both, MacDougall and Watson, ignored and that I had believed to be the only one to know. Here, at last, was a scientist who also was an expert! It is hard to assess the influence which Heinroth exerted on the development of my ideas. His classical comparative paper on Anatidae encouraged me to regard the comparative study of behaviour as my chief task in life. Hochstetter generously considered my ethological work as being comparative anatomy of sorts and permitted me to work on it while on duty in his department. Otherwise the papers I produced between 1927 and 1936 would never have been published.

During that period I came to know Wallace Craig. The American Ornitologist Margaret Morse Nice knew about his work and mine and energetically put us into contact. I owe her undying gratitude. Next to Hochstetter and Heinroth, Wallace Craig became my most influential teacher. He criticized my firmly-held opinion that instinctive activities were based on chain reflexes. I myself had demonstrated that long absence of releasing stimuli tends to lower their threshold, even to the point of the activity's eruption in vacuo. Craig pointed out that in the same situation the organism began actively to seek for the releasing stimulus situation. It is obviously nonsense, wrote Craig, to speak of a re-action to a stimulus not yet received. The reason why in spite of the obvious spontaneity of instinctive behaviour, I still clung to the reflex theory, lay in my belief, that any deviation from Sherringtonian reflexology meant a concession to vitalism. So, in the lecture I gave in February 1936 in the Harnackhaus in Berlin, I still defended the reflex theory of instinct. It was the last time I did so.

During that lecture, my wife was sitting behind a young man who obviously agreed with what I said about spontaneity, murmuring all the time: "It all fits in, it all fits in." When, at the end of my lecture, I said that I regarded instinctive motor patterns as chain reflexes after all, he hid his face in his hands and moaned: "Idiot, idiot". That man was Erich von Holst. After the lecture, in the commons of the Harnackhaus, it took him but a few minutes to convince me of the untenability of the reflex theory. The lowering thresholds, the eruption of vacuum activities, the independence of motor patterns of external stimulation, in short all the phenomena I was struggling with, not only could be explained, but actually were to be postulated on the assumption that they were based not on chains of reflexes but on the processes of endogenous generation of stimuli and of central coordination, which had been discovered and demonstrated by Erich von Holst. I regard as the most important break-through of all our attempts to understand animal and human behaviour the recognition of the following fact: the elemental neural organisation underlying behaviour does not consist of a receptor, an afferent neuron stimulating a motor cell and of an effector activated by the latter. Holst's hypothesis which we confidently can make our own, says that the basic central nervous organisation consists of a cell permanently producing endogenous stimulation, but prevented from activating its effector by another cell which, also producing endogenous stimulation, exerts an inhibiting effect. It is this inhibiting cell which is influenced by the receptor and ceases its inhibitory activity at the biologically "right" moment. This hypothesis appeared so promising that the Kaiser-Wilhelmsgesellschaft, now renamed Max-Planck-Gesellschaft, decided to found an institute for the physiology of behavior for Erich von Holst and myself. I am convinced that if he were still alive, he would be here in Stockholm now. At the time, the war interrupted our plans.

When, in autumn 1936, Prof. van der Klaauw convoked a symposium called "Instinctus" in Leiden in Holland, I read a paper on instinct built up on the theories of Erich von Holst. At this symposium I met Niko Tinbergen and this was certainly the event which, in the course of that meeting, brought the most important consequences to myself. Our views coincided to an amazing degree but I quickly realized that he was my superior in regard to analytical thought as well as to the faculty of devising simple and telling experiments. We discussed the relationship between spatially orienting responses (taxes in the sense of Alfred Kühn) and releasing mechanism on one hand, and the spontaneous endogenous motor patterns on the other. In these discussions some conceptualisations took form which later proved fruitful to ethological research. None of us knows who said what first, but it is highly probable that the conceptual separation of taxes, innate releasing mechanisms and fixed motor patterns was Tinbergen's contribution. He certainly was the driving force in a series of experiments which we conducted on the egg-rolling response of the Greylag goose when he stayed with us in Altenberg for several months in the summer of 1937.

The same individual geese on which we conducted these experiments, first aroused my interest in the process of domestication. They were F1 hybrids of wild Greylags and domestic geese and they showed surprising deviations from the normal social and sexual behaviour of the wild birds. I realised that an overpowering increase in the drives of feeding as well as of copulation and a waning of more differentiated social instincts is characteristic of very many domestic animals. I was frightened - as I still am - by the thought that analogous genetical processes of deterioration may be at work with civilized humanity. Moved by this fear, I did a very ill-advised thing soon after the Germans had invaded Austria: I wrote about the dangers of domestication and, in order to be understood, I couched my writing in the worst of nazi-terminology. I do not want to extenuate this action. I did, indeed, believe that some good might come of the new rulers. The precedent narrow-minded catholic regime in Austria induced better and more intelligent men than I was to cherish this naive hope. Practically all my friends and teachers did so, including my own father who certainly was a kindly and humane man. None of us as much as suspected that the word "selection", when used by these rulers, meant murder. I regret those writings not so much for the undeniable discredit they reflect on my person as for their effect of hampering the future recognition of the dangers of domestication.

In 1939 I was appointed to the Chair of Psychology in Köningsberg and this appointment came about through the unlikely coincidence that Erich von Holst happened to play the viola in a quartette which met in Göttingen and in which Eduard Baumgarten played the first violin. Baumgarten had been professor of philosophy in Madison, Wisconsin. Being a pupil of John Dewey and hence a representative of the pragmatist school of philosophy, Baumgarten had some doubts about accepting the chair of philosophy in Köningsberg - Immanuel Kant's chair - which had just been offered to him. As he knew that the chair of psychology was also vacant in Köningsberg, he casually asked Erich von Holst whether he knew a biologically oriented psychologist who was, at the same time, interested in theory of knowledge. Holst knew that I represented exactly this rather rare combination of interests and proposed me to Baumgarten who, together with the biologist Otto Koehler and the botanist Kurt Mothes - now president of the Academia Leopoldina in Halle - persuaded the philosophical faculty in Köningsberg of putting me, a zoologist, in the psychological chair. I doubt whether perhaps the faculty later regretted this choice, I myself, at any rate, gained enormously by the discussions at the meetings of the Kant-Gesellschaft which regularly extended late into the night. My most brillant and instructive opponents in my battle against idealism were the physiologist H. H. Weber, now of the Max-Planck-Gesellschaft, and Otto Koehler's late first wife Annemarie. It is to them that I really owe my understanding of Kantian philosophy - as far as it goes. The outcome of these discussions was my paper on Kant's theory of the à priori in the view of Darwinian biology. Max Planck himself wrote a letter to me in which he stated that he thoroughly shared my views on the relationship between the phenomenonal and the real world. Reading that letter gave me the same sort of feeling as hearing that the Nobel Prize had been awarded to me. Years later that paper appeared in the Systems Year Book translated into English by my friend Donald Campbell.

In autumn 1941 I was recruited into the German army as a medical man. I was lucky to find an appointment in the department of neurology and psychiatry of the hospital in Posen. Though I had never practised medicine, I knew enough about the anatomy of the nervous system and about psychiatry to fill my post. Again I was lucky in meeting with a good teacher, Dr. Herbert Weigel, one of the few psychiatrists of the time who took psychoanalysis seriously. I had the opportunity to get some first-hand knowledge about neurosis, particularly hysteria, and about psychosis, particularly schizophrenia.

In spring 1942 I was sent to the front near Witebsk and two months later taken prisoner by the Russians. At first I worked in a hospital in Chalturin where I was put in charge of a department with 600 beds, occupied almost exclusively by cases of so-called field polyneuritis, a form of general inflammation of nervous tissues caused by the combined effects of stress, overexertion, cold and lack of vitamins. Surprisingly, the Russian physicians did not know this syndrome and believed in the effects of diphteria - an illness which also causes a failing of all reflexes. When this hospital was broken up I became a camp doctor, first in Oritschi and later in a number of successive camps in Armenia. I became tolerably fluent in Russian and got quite friendly with some Russians, mostly doctors. I had the occasion to observe the striking parallels between the psychological effects of nazi and of marxist education. It was then that I began to realize the nature of indoctrination as such.

As a doctor in small camps in Armenia I had some time on my hand and I started to write a book on epistemology, since that was the only subject for which I needed no library. The manuscript was mainly written with potassium permanganate solution on cement sacking cut to pieces and ironed out. The Soviet authorities encouraged my writing, but, just when it was about finished, transferred me to a camp in Krasnogorsk near Moscow, with the injunction to type the manuscript and send a copy to the censor. They promised I should be permitted to take a copy home on being repatriated. The prospective date for repatriation of Austrians was approaching and I had cause to fear that I should be kept back because of my book. One day, however, the commander of the camp had me called to his office, asked me, on my word of honor, whether my manuscript really contained nothing but unpolitical science. When I assured him that this was indeed the case, he shook hands with me and forthwith wrote out a "propusk", an order, which said that I was allowed to take my manuscript and my tame starling home with me. By word of mouth he told the convoy officer to tell the next to tell the next and so on, that I should not be searched. So I arrived in Altenberg with manuscript and bird intact. I do not think that I ever experienced a comparable example of a man trusting another man's word. With a few additions and changes the book written in Russia was published under the title "Die Rückseite des Spiegels". This title had been suggested by a fellow prisoner of war in Erivan, by name of Zimmer.

On coming home to Austria in February 1948, I was out of a job and there was no promise of a chair becoming vacant. However, friends rallied from all sides. Otto Storch, professor of zoology, did his utmost and had done so for my wife even before I came back. Otto König and his "Biologische Station Wilhelminenberg", received me like a longlost brother and Wilhelm Marinelli, the second zoologist, gave me the opportunity to lecture at his "Institut für Wissenschaft und Kunst". The Austrian Academy of Sciences financed a small research station in Altenberg with the money donated for that purpose by the English poet and writer J. B. Priestley. We had money to support our animals, no salaries but plenty of enthusiasm and enough to eat, as my wife had given up her medical practice and was running her farm near Tulln. Some remarkable young people were ready to join forces with us under these circumstances. The first was Wolfgang Schleidt, now professor at Garden University 1 near Washington. He built his first amplifier for supersonic utterances of rodents from radio-receivers found on refuse dumps and his first terrarium out of an old bedstead of the same provenance. I remember his carting it home on a wheel-barrow. Next came Ilse and Heinz Prechtl, now professor in Groningen, then Irenäus and Eleonore Eibl-Eibesfeldt, both lady doctors of zoology and good scientists in their own right.

Very soon the international contact of ethologists began to get re-established. In autumn 1948 we had the visit of Professor W. H. Thorpe of Cambridge who had demonstrated true imprinting in parasitic wasps and was interested in our work. He predicted, as Tinbergen did at that time, that I should find it impossible to get an appointment in Austria. He asked me in confidence whether I would consider taking on a lectureship in England. I said that I preferred, for the present, to stick in Austria. I changed my mind soon afterwards: Karl von Frisch who left his chair in Graz, Austria, to go back to Munich, proposed me for his successor and the faculty of Graz unanimously concurred. When the Austrian Ministry of Education which was strictly Catholic again at this time, flatly refused Frisch's and the faculty's proposal, I wrote two letters to Tinbergen and to Thorpe, that I was now ready to leave home. Within an amazingly short time the University of Bristol asked me whether I would consider a lectureship there, with the additional task of doing ethological research on the water-fowl collection of the Severn Wildfowl Trust at Slimbridge. So my friend Peter Scott also must have had a hand in this. I replied in the affirmative, but, before anything was settled, the Max-Planck-Gesellschaft intervened offering me a research station adjunct to Erich von Holst's department. It was a hard decision to take; finally I was swayed by the consideration that, with Max Planck, I could take Schleidt, Prechtl and Eibl with me. Soon afterwards, my research station in Buldern in Westfalia was officially joined to Erich von Holst's department in a newly-founded " Max-Planck-Institut für Verhaltensphysiologie". Erich von Holst convoked the international meeting of ethologists in 1949. With the second of these symposia, Erich von Holst and I celebrated the coming-true of our dream in Buldern in autumn 1950.

Returning to my research work, I at first confined myself to pure observation of waterfowl and of fish in order to get in touch again with real nature from which I had been separated so long. Gradually, I began to concentrate on the problems of aggressivity, of its survival function and on the mechanisms counteracting its dangerous effects. Fighting behaviour in fish and bonding behaviour in wild geese soon became the main objects of my research. Looking again at these things with a fresh eye, I realized how much more detailed a knowledge was necessary, just as my great co-laureate Karl von Frisch found new and interesting phenomena in his bees after knowing them for several decades, so, I felt, the observation of my animals should reveal new and interesting facts. I found good co-workers and we all are still busy with the same never-ending quest.

A major advance in ethological theory was triggered in 1953 by a violent critique by Daniel D. Lehrmann who impugned the validity of the ethological concept of the innate. As Tinbergen described it, the community of ethologists was humming like a disturbed bee-hive. At a discussion arranged by Professor Grassé in Paris, I said that Lehrmann, in trying to avoid the assumption of innate knowledge, was inadvertently postulating the existence of an "innate school-marm". This was meant at a reduction to the absurd and shows my own error: it took me years to realize that this error was identical with that committed by Lehrmann and consisted in conceiving of the "innate" and of the "learned" as of disjunctive contradictory concepts. I came to realize that, of course, the problem why learning produces adaptive behaviour, rests exclusively with the "innate school-marm", in other words with the phylogenetically programmed teaching mechanism. Lehrmann came to realize the same and on this realisation we became friends. In 1961 I published a paper "Phylogenetische Anpassung und adaptive Modifikation des Verhaltens", which I later expanded into a book called "Evolution and Modification of Behaviour" (Harvard University Press, 1961).

Until late in my life I was not interested in human behaviour and less in human culture. It was probably my medical background that aroused my awareness of the dangers threatening civilized humanity. It is sound strategy for the scientist not to talk about anything which one does not know with certainty. The medical man, however, is under the obligation to give warning whenever he sees a danger even if he only suspects its existence. Surprisingly late, I got involved with the danger of man's destruction of his natural environment and of the devastating vicious circle of commercial competition and economical growth. Regarding culture as a living system and considering its disturbances in the light of illnesses led me to the opinion that the main threat to humanity's further existence lies in that which may well be called mass neurosis. One might also say that the main problems with which humanity is faced, are moral and ethical problems.

Todate I have just retired from my directorship at the Max-Planck-Institut für Verhaltensphysiologie in Seewiesen, Germany, and am at work building up a department of animal sociology pertaining to the Institut für Vergleichende Verhaltensforschung of the Austrian Academy of Science.


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1. According to Professor Wolfgang Schleidt, on July 22 1998, there is no Garden University. He was professor at the University of Maryland, College Park Campus from 1965 to 1985.

From Les Prix Nobel 1973.

Dr Lorenz died in 1989."
DUH!!!!!

Que novidade...
A Bíblia como fonte de ideias segregacionistas ou preconceituosas? A religião organizada como instituição fundamentalmente intolerante? Bolas, como dizem os ingleses, "those are old news"!

Abraços



MPs vote to protect gays under hate law
Last Updated Wed, 17 Sep 2003 22:12:01
OTTAWA - MP Svend Robinson was celebrating Wednesday after the House of Commons voted in favour of his private member's bill to extend hate-crimes protection to gays and lesbians.

Bill C-250 passed by a vote of 143-110.


INDEPTH: Same-sex rights


"It's been a good week for equality in Canada," the openly gay Robinson said.

The vote came just a day after MPs narrowly defeated an Alliance Party motion to maintain the traditional definition of marriage – an attempt to derail the government's plan to allow same-sex marriages.

The hate crimes law already makes it illegal to incite hatred against an identifiable group based on colour, race, religion or ethnicity, but not sexual orientation.


Svend Robinson

Opponents of the bill had complained that the legislation would stifle free speech, particularly among religious groups.

Some worried that passages in the Bible condemning homosexuality could be declared hate literature.

"We've seen through the courts that when religious freedom comes up against gay rights, that in fact religious freedom intends to be more often than not the loser in those particular cases," said Derek Rogusky, of the group Focus on the Family.

Supporters of the bill said fears about censorship are groundless and that C-250 isn't meant to infringe on anyone's freedom of religion.

The law carries a penalty of up to five years in prison


quarta-feira, setembro 17, 2003

O meu poema de sempre...


If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man my son!


Rudyard Kipling

Abraços

Agora que já transferi alguma da tralha que não consegui deixar na outra casa, recomeça este novo diário, com a certeza de que não existirão mais mudanças de estrutura imóvel. O template poderá colorir-se, mas sinceramente nem sei se o quero fazer. Logo vejo.

Agora em frente.

É tempo de voltar a dizer algo que não seja demasiado disparatado.

Abraços

Perfume Francês.. passo, obrigado...

Realmente não era esta a ideia ou noção que tinha de perfume fracês, sinceramente...
E penso que assim se acrescenta um registo absurdo a tantos outros...
Já agora, porque não colocar corante azul nos rios poluídos? Pelo menos transmite aquela noção de fotografia filtrada de postal...

Enfim...

Abraços!

A CIGARRA E A FORMIGA - CARTA A PACHECO PEREIRA


“Já se notam os efeitos das férias: isto vai dividir-se entre as cigarras e as formiguinhas.

E lá vão as formiguinhas ganhar, como ganham sempre, ignoradas , gozadas , sem bronze , sem o sinistro toque dos Algarves , com aquela fome ancestral , de gerações , que as leva a trazer mais uma pedrinha , mais um raminho , a não se dispersarem , a terem disciplina , a pouparem .

Os outros levam os livros , mas depois há tanta areia , e está tanto calor , e deitei-me tão tarde …

E vai começar a silly season.”
in abrupto - junho 2003




Caro Pacheco Pereira:

Embora discordemos em muitas coisas e situações da realidade circundante, penso que de uma forma geral o seu modus operanti face à distribuição de opinião é algo que muito me agrada, e que sinceramente esclarece e interessa.
No entanto não consegui deixar sossegada a consciência e uma certa forma de indignação, que espero divertida, perante esta ideia acima transcrita. Ou seja, a glorificação e prática de algo que se pareça com divertimento saudável, com um descanso da mente e do corpo, com a diversão que não procura incessantemente um distanciamento cultural e pretensamente ecléctico, é metaforicamente apelidado como “a cigarra”. São a tradução conceptual, em termos de fábulas, da preguiça total, da ausência de capacidade, imprudência e ignorância sem causa nem porquê. Em suma, aqueles que procuram algo nas férias que não seja eminentemente relacionado a um actividade de militância cultural ( pelo que entendi, essencialmente livresca), são os pobres de espírito que não puxam pelo mundo, que andam cá a gastar oxigénio. Ao invés de aproveitarem o sol, o calor, a praia, os desportos, deveriam provavelmente atacar a versão trilingue do Tempo Reencontrado do Proust, ou fechar-se em casa e pensar em na forma de traduzir o Ulisses do Joyce ( que alguém já apelidou do romance mais incompreensível de sempre – na minha opinião, penso que relativamente a esse livro será aplicável o que disse Umberto Eco, ou seja, que a interpretação de qualquer livro ou obra equiparável é uma liberdade absoluta do leitor) para mirandês.
Já para não falar na questão da poupança, ou seja, há como que uma espécie de teoria da contenção e do sofrimento regrado, resultando numa modéstia de existência que coloca completamente à parte a ideia de uma pretensa necessidade que o ser humano tem de se divertir, movimentar, de gozar o corpo, a natureza, as diversões talvez mais leves. Ou seja, há uma culpa inerente ao facto de não sermos formigas, mais um no meio da populaça que verga a mola até as costas sangrarem, em detrimento de gozarmos o direito inalienável e a necessidade irreprimível de gozar o ócio.
Peço desculpa pelo tom algo hiperbólico, que sinceramente tem algo de brincadeira, mas confesso-me profundamente discordante com esta noção, que infelizmente grassa muita da nossa cultura, de um elitismo mais preocupado em cavar as diferenças entre aqueles que lêem e se preocupam com as coisas supostamente sérias, e a pretensa cambada de otários que nem sabe bem em que mundo se encontra.
Não sei porquê, mas tem algo de cabotinismo e falta de senso pedagógico, porque o quão bom seria encarar a cultura como algo também polvilhado de hedonismo, chamando as pessoas até ela, e não esta espécie de muralha dos sapientes versus os idiotas da aldeia.
Eu, que sou uma pessoa largamente ignorante perante o seu saber e cultura, não me julgo por isso menos consciente da proporção equitativamente necessária de todas as componentes da vida. Sou um fervoroso apoiante da “mens sana in corpore sano”, porque penso que só nessa complementaridade se encontra um equilíbrio. Acho tão importante uma pessoa conseguir sentir um arrepio, como me sucede, ao ler um magnífico parágrafo, como a desfrutar de uma cerveja gelada num pôr do sol, ou sentir que consigo correr e mexer-me com agilidade.
Além disso, a cultura não é só feita do acumular de saber, mas dos pensamentos criados perante os enunciados que a vida de todos os dias fornece. É feita da forma como se quer e deseja pensar, na capacidade de fazer perguntas, e não somente na acumulação de informação. Aliás, era Conan Doyle que dizia que a mente é como um sótão, de espaço limitado e onde só podemos guardar um certo montante de informação sem que toda ela se torne uma massa desarrumada e impassível de estar à disposição aquando da necessidade real.
Não será igualmente digno de chacota uma pessoa que nem sequer consegue dar três passos de corrida, ou que é destituída de qualquer agilidade física? Aliás, recordo que a ideia do homem da Renascença era precisamente um ser completo, física e mentalmente.
Não era Giordano Bruno um atleta formidável?
Não me leve a mal, ou talvez eu tenha interpretado as suas palavras de forma incorrecta, mas julguei este seu post um pouco inconsciente da variedade de formas de trilhar caminho na realidade quotidiana.
Eu sou, nessa lógica, uma formiga no ano inteiro, e uma cigarra leitora quanto baste no período de férias ou silly season. Além disso, estou como Yeates… cheirar as flores enquanto posso.

Continue o bom trabalho

Abraço Sincero