ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, setembro 18, 2003



ADAPTATIONFabuloso, excelente e sobretudo, original sem cair num expressionismo incompreensível ou numa linguagem de simbolismos fechados e que se tornam eles sim um Oroboro.

Nicholas(s) CAge (s) é assobroso, Maryl Streep está ao seu nível de sempre, e deixem-me tirar o chapéu a Chris Cooper e a falta dos seus dentes da frente.Óscar muito bem atribuido, embora ele já estivesse excelente em muitos outros papéis, do qual destaco, como não podeia deixar de ser, o coronel gay de American Beauty. Realizado com mão fime mas plenamente entregue á história dos personagens, faz com a história flua sem se dar por ela, e sobretudo dando o ênfase necessário aos instante de reflexão e impacto emocional do filme, que tocam e colocam a massa cinzenta aos pulos. Já para não dizer o músculo peitoral interno. :)
As críticas ao final do filme, realizado e escrito por Donald Kaufman, são injustas na medida em que, conforme ele disse e muito bem, " everyone has he's own genre - What's yours?"
Vivemos dentro do Cool e desmiolado Donald, que empresta uma espécie de mapa de afeição em meio á demência desgraçada de Charlie.
E sobretudo há uma ideia de beleza, complexidade e multiplicidade de influências de que somos todos feitos, a ideia de que não somos cristalizados em nada como norma de identificação unitária e redutora. Não somos só Charlie, nem Donald, e congratulo-me por sentir que Kaufman e Jonze escolhem esta forma inteligentíssima e brilhante de mencionar que a inteligência e a qualidade do que se possa perseguir ou realizar não assenta numa espécie de código subentendido do que é qualidade.
Ou seja, o final é um elemento de positividade que não é deslocado nem fora de contexto. É afinal de contas, a real Adaptação. Aceitar a premissa da jornalista, abrir a porta para que a imaginação e a busca da orginalidade não aliene a forma positiva de encarar os desejos perante a própria vida.
Lamento profundamente que algumas pessoas com quem falei tenham este horror pós-moderno a tudo o que signifique a capacidade de um protagonista de uma história superar-se e de alguma forma encontrar algum encantamento, por pequeno que seja, no seu percurso de vida. Sinceramente, esta obsessão pela definição da qualidade em função da tinta negra que se lança sobre a história confunde-me um pouco. Que se passa com todas essas pessoas? Abram as janelas da cave e percebam que o sol também brilha de quando em vez. E que o dia também faz parte da existência, caraças! E que tal não significa qualquer traição á forma inteligente e sentida de contar uma história. Tenho mais isto a a agradecer a Kaufman e Jonze.
Para mim, na altura, um dos filmes do ano, e sobretudo uma pedrada no charco.

Abraços



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