ADAPTATIONFabuloso, excelente e sobretudo, original sem cair num expressionismo incompreensível ou numa linguagem de simbolismos fechados e que se tornam eles sim um Oroboro.
Nicholas(s) CAge (s) é assobroso, Maryl Streep está ao seu nível de sempre, e deixem-me tirar o chapéu a Chris Cooper e a falta dos seus dentes da frente.Óscar muito bem atribuido, embora ele já estivesse excelente em muitos outros papéis, do qual destaco, como não podeia deixar de ser, o coronel gay de American Beauty. Realizado com mão fime mas plenamente entregue á história dos personagens, faz com a história flua sem se dar por ela, e sobretudo dando o ênfase necessário aos instante de reflexão e impacto emocional do filme, que tocam e colocam a massa cinzenta aos pulos. Já para não dizer o músculo peitoral interno. :)
As críticas ao final do filme, realizado e escrito por Donald Kaufman, são injustas na medida em que, conforme ele disse e muito bem, " everyone has he's own genre - What's yours?"
Vivemos dentro do Cool e desmiolado Donald, que empresta uma espécie de mapa de afeição em meio á demência desgraçada de Charlie.
E sobretudo há uma ideia de beleza, complexidade e multiplicidade de influências de que somos todos feitos, a ideia de que não somos cristalizados em nada como norma de identificação unitária e redutora. Não somos só Charlie, nem Donald, e congratulo-me por sentir que Kaufman e Jonze escolhem esta forma inteligentíssima e brilhante de mencionar que a inteligência e a qualidade do que se possa perseguir ou realizar não assenta numa espécie de código subentendido do que é qualidade.
Ou seja, o final é um elemento de positividade que não é deslocado nem fora de contexto. É afinal de contas, a real Adaptação. Aceitar a premissa da jornalista, abrir a porta para que a imaginação e a busca da orginalidade não aliene a forma positiva de encarar os desejos perante a própria vida.
Lamento profundamente que algumas pessoas com quem falei tenham este horror pós-moderno a tudo o que signifique a capacidade de um protagonista de uma história superar-se e de alguma forma encontrar algum encantamento, por pequeno que seja, no seu percurso de vida. Sinceramente, esta obsessão pela definição da qualidade em função da tinta negra que se lança sobre a história confunde-me um pouco. Que se passa com todas essas pessoas? Abram as janelas da cave e percebam que o sol também brilha de quando em vez. E que o dia também faz parte da existência, caraças! E que tal não significa qualquer traição á forma inteligente e sentida de contar uma história. Tenho mais isto a a agradecer a Kaufman e Jonze.
Para mim, na altura, um dos filmes do ano, e sobretudo uma pedrada no charco.
Abraços
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