Em certa medida, todos temos uma espécie de local pequeno para onde escapamos, e uma espécie de código para chegar a esse local. Porque se é certo que todos somos destinos, então é nesse percurso que nos identificamos e damos as tais pistas subtis e indirectas para a nossa localização.
Sendo necessário verificar as nossas justificações noutros elementos do real, torna-se absolutamente necessário ir deparando com objectos, fórmulas, construções passíveis de desempenhar esse papel. É por isso que vamos encontrando musica, letras, imagens, pessoas e todo um universo de existências que provam indirectamente a nossa forma de estabelecimento da originalidade de cada vida individual.
Nessa óptica, existem entidades, vivas ou sem essa qualidade, que permanecem, enterram as suas fundações em rocha sólida e assim permanecem como marcos de uma identidade que a mais das vezes permanece obscura pela falta do ouvinte atento e humanização interessada. São aqueles tesouros que guardamos à semelhança do que fazíamos quando éramos meninos. Em sacos amarrotados, entrelaçados nas mãos ou amarrados ao cinto, para nos recordarmos, ao tocar, da sua existência. No fundo é carregar a originalidade do percurso de vida em marcos feitos de tudo, desde a dor mais pungente à ternura mais reconciliante com o mundo.
Por isso lanço o desafio de encontrarmos e colocarmos aqui pedacinhos desses locais. Automatismos de conforto para onde escapamos quando o desespero assenta como uma espécie de névoa compacta, ou elementos da mais pura alegria anexada á vivência de cada um, como marcos exógenos para onde caímos em sorrisos mais ou menos ridiculos mas definitivamente prazenteiros...
Abraços
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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