“Yet here Leartes? aboord, aboord, for shame,
The winde sits in the shoulder of your saile,
And you are staid for, there my blessing with thee
And these few precepts in thy memory.
Be thou familiar, but by no meanes vulgare;
Those friends thou hast, and their adoptions tried,
Graple them to thee with a hoope of steele,
But do not dull the palme with entertaine,
Of euery new vnfleg'd courage,
Beware of entrance into a quarrell; but being in,
Beare it that the opposed may beware of thee,
Costly thy apparrell, as thy purse can buy.
But not exprest in fashion,
For the apparell oft proclaimes the man.
And they of France of the chiefe rancke and station
Are of a most select and generall chiefe in that:
This aboue all, to thy owne selfe be true,
And it must follow as the night the day,
Thou canst not then be false to any one,
Farewel, my blessing with thee.”
“Hamlet”
Polonius to Laertes his son, on the day of his departure.
Existe uma espécie de ódio promordial, por um lado, e amor confesso, por outro, ( aqui me incluo) na dispensa de conselhos que são afinal compostos por duas camadas bem divergentes.
O facto de serem oriundos de uma experiência de vida e aprendizagem que se quer passar adiante.
Quando são bem intencionados, e não produto de uma qualquer altivez que dispensa algumas dádivas á populaça.
Alguns dirão que as lógicas são sempre repetitivas, e que de alguma forma, a necessária sectarização subjectiva aniquila a aplicabilidade das tais ideias simples. Mas a verdade é que há sempre a possibilidade de dar um colorido diferente á noção que se tem do mundo, dos passos que lá se deram, das idiossincrassias que o tornaram mais ou menos suportável.
E ficam momentos registados, por mais desdém que se tenha á citação, porque aquelas que vale a pena recordar e consultar, encerram um instante de vida que mantém uma luz alimentada por um motor contínuo. Aquela que constrói a personalidade, e resguarda momentos para onde podemos escapar sempre que a pressão do mundo acordado se torna insustentável e injusta. Injusta para com o investimento das crenças, das vontades diárias, do equilíbrio do cinismo elegante com a necessária visão dignificante. De nós próprios, dos outros, da necessária dialéctica.
Por isso, para além de Polónio, deixo-vos com Mary Schmish, a quem Bazz Lhurman fez famosa num célebre teledisco que se tornou um dos meus favoritos de sempre.
Sunscreen:(tradução livre e de má qualidade - siga por sua conta e risco)
CONSELHOS, COMO A JUVENTUDE, SERÃO PROVAVELMENTE DESPERDIÇADOS NOS MAIS JOVENS.
Mary Schmich, 1 de Junho de 1997
(tradução livre)
Dentro de cada adulto, esconde-se um orador de fórum desejoso de sair, alguém suficientemente convencido de que possui o esclarecimento acerca do mundo em quantidade suficiente para iluminar aspectos da vida a uma audiência que preferia simplesmente passar esse tempo a equilibrar-se em cima de patins em linha. Desgraçadamente, a maioria de nós nunca será convidado para tecer considerações de sabedoria adquirida diante de uma audiência de capas e fitas, mas não existe qualquer razão pela qual não possamos entreter-nos a compor um Guia de Vida para Recém Licenciados.(ou jovens em geral)
Senhoras e senhores da turma de 1997 ( o meu ano curiosamente...)
Usem protector solar.
Se eu pudesse oferecer apenas um único exemplo de conselho, de instrução para enfrentar o futuro, seria o uso de protector solar. Os benefícios a longo prazo dos protectores solares têm sido profusamente comprovados por cientistas, ao passo que o resto dos meus conselhos têm como base nada mais fiável que as minhas calcorreantes experiências. E irei dar esses conselhos agora:
Aproveitem e saboreiem o poder e a beleza da vossa juventude. Oh, deixem lá isso! Nunca entenderão o poder da vossa juventude ou beleza até estas se terem desvanecido. Mas creiam-me, em vinte anos, olharão para fotos vossas dessa altura e recordarão de uma forma que nesta altura nunca conseguiram compreender, quantas possibilidades estavam à vossa disposição e o quão fabulosos realmente aparentavam. Não são nunca tão gordos como imaginam.
Não se preocupem com o futuro. Ou preocupem-se, mas sempre com a noção de que a preocupação antecipada é tão eficaz como resolver uma equação de álgebra usando a mastigação da pastilha elástica. Os verdadeiros problemas na vossa vida serão coisas que nunca vos cruzaram a mente, daquelas que roubam a vossa visão numa calma e serena tarde de terça-feira.
Façam diariamente uma coisa que vos assuste.
Cantem.
Não sejam inconsequentes com o coração das outras pessoas. Não aturem quem seja inconsequente com o vosso.
Usem fio dental.
Não percam tempo com ciúme ou inveja. Por vezes vão à frente, por vezes estão atrás. A corrida é longa, e no fim, é apenas convosco próprios.
Recordem os cumprimentos e elogios que receberam. Esqueçam os insultos. Se forem bem sucedidos nesta tarefa, contem-me como conseguiram.
Guardem as cartas de amor antigas. Rasguem os velhos recibos bancários.
Estiquem-se e flexibilizem o corpo.
Não se sintam culpados se não souberem o que querem fazer com a vossa vida. As pessoas mais interessantes que conheço não sabiam aos vinte e dois o que queriam fazer à vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço, ainda não sabem.
Consumam muito cálcio. Sejam gentis com os vossos joelhos. Sentir-lhes-ão a falta quando eles se forem.
Talvez casem. Talvez não. Talvez tenham filhos, talvez não cheguem a tê-los. Talvez se divorciem aos quarenta, talvez façam a dança da galinha no 75 o aniversário de casamento. Seja o que for que façam, não se parabenizem ou destratem em demasia. As vossas escolhas têm metade das hipóteses de sucesso. Assim como as de toda a gente.
Gozem o vosso corpo. Usem-no de todas as formas que quiserem. Não tenham medo dele, ou do que outras pessoas pensam do mesmo. É o maior e mais fantástico instrumento que alguma vez possuirão.
Dancem, nem que o único local que tenham para o efeito seja a vossa sala de estar.
Leiam as indicações de direcção, mesmo que escolham não seguí-las.
Não leiam revistas de beleza. Só vos farão sentir feios/as.
Conheçam os vossos pais. Nunca saberão quando eles irão de vez. Sejam bons para com os vossos irmãos. Eles são o vosso melhor elo com o passado, e aqueles que mais provavelmente vos apoiarão no futuro.
Entendam que os amigos vão e vêm, mas alguns (poucos) são tão preciosos que nunca os devem deixar ir. Esforcem-se para preencher as lacunas em termos da vossa geografia e estilo de vida, porque quão mais velhos forem ficando, mais necessitarão das pessoas que conheceram quando eram novos.
Viajem.
Aceitem algumas verdades inalienáveis. Os preços subirão. Os políticos prevaricarão. Vocês também envelhecerão. E quando isso acontecer, fantasiarão que no vosso tempo, os preços eram razoáveis os políticos nobres, e que as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeitem os mais velhos.
Não esperem que alguém vos sustente. Talvez tenham um fundo fiduciário. Talvez tenham um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando qualquer um deles se poderá esgotar.
Não façam muitas diabruras aos vosso cabelo, ou quando tiverem 40 anos aparentarão 85.
Tenham cuidado com os conselhos que interiorizam, mas sejam simpáticos e pacientes com quem os partilha. Dar conselhos é uma forma de pescar o passado, polir o obtido, pintar por cima das partes menos bonitas e reciclar para que acabe por valer mais do que efectivamente valia.
No entanto, confiem em mim.
Usem protector solar.”
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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1 comentário:
Andei a fazer viagens no tempo e percorri uns valentes anos da nossa existência.
Já passou tanto tempo e tanta coisa por nós.
Incrível como ainda somos os mesmos ainda que não nos sintamos tão "puros".
Roubei-te este texto, porque o adoro, porque o perdi e voltei a encontrar... porque está fantástico.
Desejo-te um grande fim-de-semana Nuno e obrigada por estares mais vezes presente na minha vida do que aquilo que imaginas. Ainda que não venhas a ser publicado acredita que as tuas palavras no Blog abrem sempre algo cá dentro.
Obrigada, meu amigo.
Beijo enorme
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