ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, dezembro 26, 2003

Atenção a Finding Nemo.
Uma absoluta maravilha, á qual voltarei em breve. Parece que os tipos da Pixar sabem o que fazem, e tontos serãos os da Disney se não renovarem o contrato que os une...

Após as festas, que ainda vão a meio, a bem dizer, eis-me a tentar vir ao de cima neste cantinho.
Espero ter a força, descaramento e paciência que tanto me têm faltado nos ultimos tempos para tentar continuar a dizer alguns disparates que pelo menos, tentam ser o mais honestos possível.

Abraços a todos e e vamos a isto.

Penso que eram os chineses que diziam - "Possamos nós viver em tempos interessantes".
Eu costumo dizer que tive e continuo a ter essa felicidade. Pude ver desde o início até ao fim toda a carreira do Michael Jordan, vi o Stephen King ganhar um prémio literário de grande importância ( algo que já era merecido há muito tempo), pude ver a queda do muro de Berlim, etc, etc.
E tive a oportunidade de ver a criação e difusão de uma absoluta obra-prima ( quem me desculpem alguns nobre amigos, mas a argumentação quanto ás deficiências ou limitações para obra prima não colhem perante o contexto do universo retratado). Peter Jackson conseguiu o impossível. Transpor o instransponível, adaptar o inadaptável, e fê-lo com uma tal capacidade, visão e qualidade artística que até o mais indefectível dos fãs terá de concordar que esta é a rainha de todas as adaptações literárias. Um projecto feito de um tal labor e com uma tal atenção ao pormenor e desenvolvimento das personagens que realmente explica os sete anos que levou ao seu desenvolvimento - quase metade do tempo que levou Tolkien a escrever a sua obra prima.
Gollum é um triunfo absoluto, Wood e Astin uma miríade de dramatismo e intensidade, e Ian McKellen não representa Galdalf - Ele é Gandalf.
A realização de Jackson consegue o perfeito equilíbrio entre a grandiosidade de um épico e o intimismo reservado para a dor, o desespero, a felicidade e a tristeza pungente dos seus personagens. A história não cede por um minuto aos ditâmes da industria, e talvez seja por isso que para muito poucos o filme pareça longo.
Tolkien era um visionário de tal ordem que evitou precisamente o já aqui referido happy end. O Senhor dos Anéis tem tudo menos um desenlace feliz, e a grandiosidade da sequência final, associada á ideia da perda irreparável e ao preço da obtenção da liberdade torna a história cheia, completa e multifacetada. A ferida de Frodo nunca sara, e de alguma forma, Gandalf estaria já morto, recordam-se? Não pode haver vitória sem sacrifício, e Tolkien representa o preço dos jogos da humanidade com uma mestria narrativa absoluta, que Jackson consegue transpor com a qualidade de quem nunca se detém perante o valor artistico da obra em si e da sua visão.
Esta trilogia não será um sonho, mas uma magnífica realidade concretizada que em meu ver, ultrapassa a saga Star Wars ou qualquer outra. Há aqui um peso dramático e artístico que faz de uma história que alguma hipocrisia e sobranceria crítica denomina de escapista, um marco indelével na história da arte, da literatura e finalmente, do cinema.
Deêm o Óscar, o globo de Ouro e tudo e mais alguma coisa a Jackson. Porque ele afinal de contas resistiu á tentação do Anel e fez da sua visão desta obra imortal sem concessões.
Peter Jackson - um muito obrigado pelo sonho feito filme. pela coragem, integridade e honestidade artística.

Abraço a todos

SK

P.S. - Quanto ás pontas soltas, haveria realmente tempo para a morte de Saruman ás mãos de Grima? Ou para o desenlace pouco ortodoxo entre Eowyn e Faramir, que de resto é intuido na cena final? Além de outros? De resto, é esperar pelo DVD com extensões, e recordar o que Jackson disse - " A filmarmos como Tolkien escreveu realmente, seriam nove horas só para sair do Shire".