ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Gravity

Lost again
Broken and weary
Unable to find my way
Tail in hand
Dizzy and clearly unable to
Just let this go

I am surrendering to the gravity and the unknown
Catch me heal me lift me back up to the sun
I choose to live

I fell again Like a baby unable to stand on my own
Tail in hand Dizzy and clearly unable to just let this go
High and surrendering to the gravity and the unknown
Catch me heal me lift me back up to the sun I choose to live,
I choose to live, I choose to live
Catch me heal me lift me back up to the sun
Help me survive the bottom
Calm these hands before they
Snare another pill and
Drive another nail down another
Needy hole please release me
I am surrendering to the gravity and the unknown
Catch me heal me lift me back up to the sun
I choose to live, I choose to live


Maynard James Keenan
Perfect Circle - 13th Step
(Para mim o melhor álbum do ano passado.)


Quase a entrar de férias.
A partir de amanhã o blog entra numa paragem higiénica, assim como o seu dono, durante praticamente duas semanas.
No entanto, o ano novo talvez traga uma energia renovada, própria da passagem de uma quadra onde as pessoas (felizmente) ainda inventam argumentos para agradarem a uns poucos outros.
Espero eu...





Sendo uma época que as pessoas aproveitam para balanços, e tomadas de consciência e mais o caraças, fica aqui mais uma. Nada de grandes discursos tendente a uma reformulação desejosa de comportamentos ou factos. Apenas uma espécie de chamada de atenção.

Ouvindo a ocasional conversa sobre o assunto, vejo que as pessoas estão cada vez mais desinteressadas pela quadra. E não falo do stress, que a maioria não sabe transformar em diversão já que se trata de dar trabalho à cabeça para encontrar algo para pessoas de quem supostamente se gosta. Falo de uma corrente generalizada de despreocupação e desinteresse perante qualquer manifestação de algo especial. O argumento é sempre o mesmo. É uma fantochada, e argumentos comercialistas, e por aí fora.
Esta corrente grassa e atravessa outros sectores. Outros fenómenos e momentos. As pessoas andam assoberbadas pelos seus pragmatismos, é verdade, mas contribuem para essa invisibilidade dum outro lado da vida, desculpando-se com o conceito da maturidade. O que me parece uma treta desculpabilizante para a preguiça e a inércia induzida pelo ambiente civilizacional que se vive, mas enfim.
As pessoas perdem ( ou ganham no meu modesto ponto de vista) pouco tempo a divertir-se com as coisas simples. No caso do Natal muita gente age como aquele puto que finalmente descobre que o Pai Natal não existe e como tal preocupa-se mais em remoer esse facto do que em aproveitar as luzes, a atmosfera, alguns actos de bondade genuína entre amigos e familiares, a comida, e sobretudo, em divertir-se com um período em que as pessoas são instadas a fazê-lo. Para elas recomendo “Skipping Christmas”, do John Grisham, o qual não li ainda, mas segundo a critica do NY Times e algumas sinopses disponíveis na net, fala precisamente deste sentimento de greve a um período que, confesse-se ou não, acicata as emoções, sejam elas quais forem.
Por pressão social? Claro que sim, pelo menos em parte. Mas que espécie de sentimentos e emoções que derivam de uma estrutura gregária é que não são, em parte, condicionadas um pouco por estrutura social?
E sinceramente, não entendo esta gaita de protesto contra a suposta invasão comercial do Natal. Posso estar a ser ingénuo, mas essa invasão só é interiorizada por quem altera comportamentos, ou seja, se antes não se compravam prendas e se passam a comprar, aí sim o protesto é válido. Embora me pareça um pouco parvo já que deriva de uma formulação da vontade própria. Até à data ainda não vi tipos na rua disfarçados de pai natal, como uma arma na mão, a investigar sacos e ameaçar furiosamente os energúmenos que decidam não torrar o que não têm em prendas.
O boicote ao Natal é legítimo, na perspectiva de quem leva o conceito a sério e descontraidamente. Mas ouvir aqueles que vociferam contra a quadra com um olhar de mágoa estampado no rosto parece-me, no mínimo, incongruente. Quem não gosta da quadra, poderá lamentá-la? Não sei… pensem lá nisso…
Em reacção contra esta corrente, aproveito para me dirigir a vocês, e de alguma forma tentar passar um sentimento pueril e mesmo ingénuo, mas que espero que apareça aí pelas vossas bandas. Esta é uma altura óptima para soltar a imaginação, em todas as vertentes, se é que me entendem. O argumento do pragmatismo necessário acaba por secar as pessoas, por isso mais vale aprendermos a divertir-nos com alguns disparates menos objectivos, aceitar um pequeno calor interno pelo facto de vermos a cidade enfeitada, e sobretudo porque em meio a todo esse neo-realismo feio, surgem de facto votos sinceros e emoções partilhadas por força de uma altura do ano.
Por isso espero que se divirtam. Que façam alguns disparates. Que coloquem um barrete na cabeça e façam alguém rir, nem que sejam os vossos filhos, se os tiverem.
Espero que possam ter oportunidade de beber um chá quente e ver o crepúsculo da véspera de Natal, ao mesmo tempo que sentem um pequeno frenesim pelo que se aproxima. Espero que possam realmente andar de loja em loja, ou seja lá porque meio for, à procura de algo para aquela(s) pessoa(s), antevendo o sorriso que esperam que ela venha a ter. Espero que não ouçam as vozes que se auto-proclama esclarecidas enquanto eivam tudo com cinismo cortante, e ao contrário, dêem convosco a sentir daquelas coisas que envergonham pelo facto de serem talvez um pouco ridículas, mas certamente muito libertadoras. Porque quem inventou este conceito de ser adulto não falou em secagem interior. Se falou, eu acho que faltei a esse seminário…
E pensem assim. Há o resto do ano para um tipo se chatear com o Governo, com os imbecis que saem à rua só para chatear o próximo, com as consecutivas derrotas do clube de eleição, com a desconsideração dos outros, com as dietas que não resultam, com a elasticidade muito reduzida do orçamento. Não falta o que inventar para se chatearem sem precisarem do ressentimento da quadra.
Por agora, só gostava mesmo é que tivessem todos um ….



Feliz Natal!!!!!!!
e
Feliz
Ano Novo!!!!!!



sexta-feira, dezembro 10, 2004

Os lugares são coisas que criamos. Não nascem sozinhos, não se mascaram de intenções e sonhos nossos, mas admitem tudo aquilo que de somos feitos.
Os lugares existem. Estão lá, depois de feitos. São contornos adivinhados sem conversa, são feitos praticados.
Os lugares são pessoas. Os lugares são raros.
A lógica seria perceber que dificilmente os encontrariamos.
Mas a lógica, por vezes, parte-nos o coração.

Dave Mathews, no início da manhã.
O sol brilha mais forte, especialmente quando se segue Ben Harper.
Em frente...


"Look at this big - eyed fish swimming in the sea oh
How it dreams to be a bird swoop and diving through the breeze
So one day caught a big old wave up on to the beach
Now he’s dead you see beneath the sea is where a fish should be

But oh God
Under the weight of life
Things seem brighter on the other side

You see this crazy man decided not to breathe
He turned red and blue - purple, colorful indeed
No matter how his friends begged and pleaded the man would not concede
And now he’s dead you see the silly man should know you got to breathe

But oh God
Under the weight of life
Things seem brighter on the other side

Oh God
Under the weight of life
Things seem so much better on the other side

No way, no way
No way out of here

You see the little monkey sitting up in his monkey tree
One day decided to climb down and run off to the city
But look at him now lost tired living in the street
As good as dead you see what a monkey does - stay up your tree

But oh God
Under the weight of life
Things seem brighter on the other side

Oh God
Under the weight of life
Things seem so much better on the other side

No way, no way, no way
No way out of here

Rain in my dreams

Fall away"

Dave Matthews Band- Big Eyed Fish




O que falta ler a muito boa gente

A humildade não está fora de moda, nem é um sinal de fraqueza. Desculpa a arrogância com a qualidade parece-me, antes de tudo, falacioso. Alguém que intencionalmente se julga muito melhor que os outros, quando são estes que lhe reconhecessem a tal qualidade é no mínimo, incongruente.
Hoje Estocolmo.
Nobel.
A Elfriede Jelinek não estará presente, não sei se devido ao facto de padecer de forte agorofobia, segundo os relatos oficiais.
Não sei porquê, mas ocorre-me aquela velha frase popular, "Dá Deus nozes..."
Well, Duhh!!!!!!


"Abertura de um processo de responsabilidade financeira sancionatóriaGestão de Santana na Figueira da Foz alvo de acção do Ministério Público" - in público de 10-12-2004

Mas alguém consegue mostrar surpresa a esta altura?

terça-feira, dezembro 07, 2004

Só há uma coisa que eu não percebo, (de entre os outros 345768989798572586039587620345 de coisas)...
Porquê este número do amuo, esta cena dos coitadinhos, como se a asneirada não tivesse falado mais alto nestes ultimos tempos?
Sim, a decisão de Sampaio é política, mas também é constitucionalmente legítima. Daí a minha pergunta. Se existiu respeito pela primeira decisão, onde está esse respeito agora?
Está num número de Madalena arrependida em pleno parlamento, uma aberração de contornos confrangedores, na linha do bebé de incubadora e outras pérolas.
Se realmente há alguma coisa a provar, em Abril veremos. Veremos até que ponto Santana Lopes não continua a sua caminhada triunfal de desastres e feitos inacabados.
O que deixa perplexidade é o ar de surpresa, como se de facto as coordenadas que lhe tinham sido dadas tivessem sido cumpridas.
Não sei se Sócrates será de facto melhor que isto, mas reconheço que tenho de puxar pela imaginação para cogitar algo que se assemelhe a esta pobreza franciscana que o PSD atravessou com o caos relampago do Santanismo.
António Borges?
Por favor! Pelo menos, caso seja oposição, é alguém minimamente credível, ainda que desconhecido da massa populacional. Preferia que o PSD não ganhasse, mas ao menos que ganhe com alguém que saiba algo de alguma coisa, e não seja um perito em vacuidades como o politico Jet Set que assolou o país nos ultimos 4 meses.
E sobretudo nada de alianças com PP. A ala dura da direita mostrou bem a sua cara nesta legislatura, e é bem feia. É feita de coisas que a memória já tinha comido e se viu obrigada a regurgitar.


segunda-feira, dezembro 06, 2004

Existem uma grande classe de pessoas que utiliza aquele que talvez seja dos mais irritantes dos fundamentos para alguma coisa.
Dizem-no com uma postura rendida, mas plenamente confiante, como se o acabassem de dizer tivesse uma justificação plena. Na pose socrática pré-cicuta, dizem, calmamente que :

"Não é defeito, é feitio".


Não se pode ser estúpido por defeito, mas sim por feitio.
Não fica bem ser cruel por defeito isolado, mas e aceitável quando é feitio.
É impensável ser desonesto por defeito, mas aceitável quando se trata de feitio.
O egoismo isolado em determinadas manifestações é recriminado violentamente, mas aceite como uma idiossincrasia quando é reiterado e transformado na constancia de um feitio.

Então eu pergunto:
As coisas e detalhes que não são positivos, que causam mal a terceiros, e não raras vezes aos próprios, são inaceitáveis quando expressos isoladamente, ou por momentos, mas tornam-se passáveis quando perduram no tempo e nas atitudes e escolhas que são feitas ao longo deste?
Sou só eu que acho que a constância de um defeito, quando se conhece o dano que exerce sobre outros, só perdura por vontade? Que isso significa ter uma conduta deliberadamente agressora para com o outro, estendida por tempo indeterminado?
Sou só eu que acho que os erros, porque isolados, são o que fazem de nós humanos ao tentar resolvê-los?
Ou será o feitio a chave mestra que permite arrumar o insanável numa gaveta própria, advertindo os outros para nunca a abrirem?

Este relativismo absoluto irrita-me.
Não é de todo o meu feitio...



Existirão sempre pessoas preocupadas em destruir tudo o que alguém faça.
Escolham pintar, cantar, escrever, seja lá o que for, haverá alguém que se arroga uma espécie de moralidade qualitativa e faz uso da mesma para destroçar tudo. É, afinal de contas, uma espécie de paixão sôfrega pela diminuição do outro.
Porque mesmo que não se goste, mesmo que não seja bom ( pois, a qualidade é coisa mais intrincada que o sexo dos anjos...) há formas e formas de se dizer as coisas, e dar opiniões. E normalmente há muito telhados de vidro.


quinta-feira, dezembro 02, 2004

Há algum encanto no erro. Encanto por verificar o funcionamento de uma personalidade, a identificação dos seus contornos. Há encanto no erro porque a reconstrução dos resultados operados pelo mesmo mostra o que de melhor há numa qualuer mentalidade. Há encanto no erro quando ele é honesto. Quando se apoia numa convicção ou num enunciado mal preparado para aquele pedaço de realidade a resolver.
Há encanto no erro porque ele pressupõe uma reinvenção e uma demonstração da capacidade do espírito em reformular e tornar a criar. Porque denuncia a vontade, respeita uma certa forma de consciência e mesmo generosidade.
O encanto do erro é-lhe atribuido por transferência. É oriundo da própria pessoa, que ao tentar emendar, mostra aquilo de que realmente é capaz, e isso, é, no mínimo, encantador.
É caso para dizer que a ordem natural das coisas é um pouco como a cavalaria.
Tarda, mas normalmente não falha.
É caso para dizer que finalmente podemos celebrar alguma coisa. Celebrar a queda da asneira pegada que foram 4 meses de desastre e erros constantes.
Celebrar a quase inexistência política dos beatos fundamentalistas, que nestas próximas eleições talvez nem aos 2% cheguem.
Celebrar o fim de uma governação feita por um tipo que fala com convicção, mas sem conteúdo, e que demonstra a sua capacidade fantástica para deixar tudo a meio.
Não sei bem o que esperar, mas pior do que foi será difícil.
Aquece o país.
Venha o debate, e sobretudo, a alternativa, se a houver.
Adeus Santana. Esperemos que até nunca mais, mesmo!
Rejubilemos, ainda que seja só mesmo por isso!

segunda-feira, novembro 29, 2004

A esperança do mundo está na Serotonina...
Duvidam?
Esperem para ver...
HORRIPILANTE

É sinceramente a única palavra que me ocorre.
Mas no fundo não devera surpreender, já que é este o retrato do país. O chamado couto privado do macho latino, esta apologia de uma estruturação social apoiada na ignorância e na tradição imbecilóide da separação e atribuição de funções familiares diferenciadas pelos respectivos sexos.
O que mais espécie de me faz é que existe uma mulher no Supremo hoje em dia. E pergunto-me como terá votado? E se terá tido um voto de vencida?
Um homem que asfixia a esposa com as mãos, que a vê morrer em agonia pelas suas próprias mãos é agraciado com uma atenuação com base em argumentos que envergonhariam o Zezé Camarinha, mas que foram proferidos pela mais alta instancia judicial portuguesa.
Só uma palavra:
Horripilante...
Subtítulo?
Vergonhoso...

quinta-feira, novembro 25, 2004

"Quando as mulheres nos amam, tudo nos perdoam, até mesmo os nosso crimes; quando n~ão nos amam, não nos dão crédito por nada, nem sequer pelas nossas virtudes"

Honore De Balzac - 1799-1850

Pois, este moço não era parvo nenhum...
Seja ou não um truque de publicidade, tenho de admitir que gosto da árvore de Natal construida junto ao Centro Cultural de Belém. Para quem como eu percorre a marginal ao fim do dia, a imagem de uma estrela acesa, de luzes bruxuleantes, face a uma noite precoce e ocasionalmente polvilhada de nuvens em chamas, traz um pequeno calor de felicidade. Calor por uma imagem simples, por uma visão que dura segundos, mas que contribui para algo no fim dos meus dias.


É caso para dizer que quem fala assim....

Grande Papoila! Boa sorte para a tua aventura procriadora. E felizmente não manténs um baby blog!!!!! Felizmente!!!

quarta-feira, novembro 24, 2004

Só um instante...
Espera aí. Ouçam lá....
Mas que chinfrineira.... Ah está um senhor de óculos a ler um comunicado ao país... não se percebe o que ele diz, mas ouve-se continuidade e mais não sei o quê...
Mas o que é isto? Cordas? Carris? É um comboio?!!! Vêm aí!!!
Porra, estou mesmo acordado!!!!!!
Roubado do blog de Possidónio Cachapa

"0, 6 %é o orçamento para a Cultura, em 2005.
Vale a pena dizer mais alguma coisa?"


Só duas...
1 - Obrigaducho Sampaio!!!~
2 - Estamos mesmo f..........
Dream Song


I plucked a snow-drop in the spring,
And in my hand too closely pressed;
The warmth had hurt the tender thing,
I grieved to see it withering.

I gave my love a poppy red,
And laid it on her snow-cold breast;
But poppies need a warmer bed,
We wept to find the flower was dead.


Sara Teasdale

Tomando como exemplo parte da minha experiência, e testemunhos recolhidos nos mais variados ambientes que frequento, surge um facto recorrente e preocupante.

Porque será que as mulheres tanto batalham para conseguir a pessoa, e encostam-se tanto aos louros em matérias relativas á dinamica relacional? Será assim tão complicado entender que conseguir e posteriormente manter alguém é uma atitude faseada, feita de acontecimentos, iniciativas e a capacidade de rir? Que as intenções por si só, por melhores que sejam, talvez não resolvam a situação?

Não faço ideia...
Serão os actos e as demonstrações supervenientemente desnecessárias?
ELUCIDATIVO

Flávio, não poderia estar mais de acordo.
Quando beatos e quejandos recomendam que o monumental ensaio de porrada "gore" que é a "Paixão de Cristo" do novo-fundamentalista Gibson ( e eu que até simpatizava com o moço com o seu Braveheart) seja visto por toda a gente de todas as idades, e escandalizam-se porque uma mulher põe uma mama de fora num SuperBowl, que por acaso é visto por gajos que emborcam cerveja até cair e que após o jogo vão para os bares de strip ou alterne ver se a coisa pinga para o lado deles, está tudo dito, e é triste.
Quase tão triste como o tamanho da frase precedente...

Abraços

Como disse Nelson Mandela a certa altura:

"There is nothing like returning to a place that remains unchanged to find the ways in which you yourself have altered."

Como qualquer optimista incorrigível, não aprendo, e concluo que as mudanças estrictamente endógenas (com algumas pitadas do mundo de fora) destes últimos dias mostram a alternatividade entre o melhor e o pior possível, desde que mais alguém esteja na circunscrição dos nossos espaços.

Este é o meu diário, e como tal, um hábito e uma necessidade. Nem que seja de contemplar os meus disparates.

Obrigado pelo apoio daqueles que perdem algum do seu precioso tempo para ler algumas destas linhas. A eles, um enorme abraço, cheio de uma renovada teimosia para tentar perceber o que se vai passando.

O programa segue dentro de momentos...




MAS AFINAL O QUE É QUE SE PASSA?

Bem, tendo em mente os cenários de Huxley, Orwell ou mesmo Azimov, pergunto-me se coisas destas podem efectivamente ser objecto de descodificação e construção através de linguagem binária. Sins e nãos poderão criar ficção? Quem programou este "patricida" ter-lhe-á dado uma espécie de matriz de "qualidade" para a narrativa ficcional, que o programa depois aplica na construção de histórias?
Bem, segundo o cronista, a coisa não é assim tão directa ou fácil, mas não parece ficção científica? E como diz o outro, nunca fiando...

Fortunately, flesh-and-blood writers are nowhere near having to hang up their turtlenecks. When I called Steven Pinker, the Harvard University psychologist whose research focuses on language and cognition, he pointed out that the human brain consists of 100 trillion synapses that are subjected to a lifetime of real-world experience. While it is conceivable that computers will eventually write novels, Dr. Pinker says, "I doubt they'd be very good novels by human standards."

If we don't get much good fiction out of computers, we may at least gain some wholesome new perspective on the process of creating literature. The advent of storytelling computers suggests that thinking people and thinking machines confront many of the same problems in writing fiction, even if their solutions are different. Computers have to rely on a rigorous system of logic, while human writers try to turn their disorganized natures to advantage. Our traditional emphasis on inspiration promotes a reliance on serendipity, which, in turn, helps dampen the potentially paralyzing awareness of the infinite choices available when you create a fictional world.


Se desejarem, leiam o resto do artigo no link do NY Times acima disponibilizado.

sexta-feira, novembro 12, 2004

And the Road goes on and on...

Embora sinta que estou a fazer esta comunicação a mim mesmo e a poucas almas caridosas que por cá passam, torna-se necessário dizer algumas palavritas.

Depois de mais de um ano a pregar "post-its" virtuais, chego a um momento em que tenho de reconhecer o que dizia o Pacheco Pereira há uns tempos. Tirando o J.D. Sallinger, ( e mesmo relativamente a esse tenho dúvidas) ninguém escreve para as paredes. Creio firmemente que quem verte uma palavra que seja num qualquer receptáculo, acalenta um desejo secreto que alguém a leia e retire nem que seja uma milésima parte de uma ideia, emoção, ou informação. Eu tenho-me servido desta página como um simulacro de diário, com algumas buchas de opinião pelo meio. Este blog não é exactamente o que eu quero, porque o tempo não me permite aprofundar e fornecer a informação necessária a uma reflexão mais abrangente sobre cada um dos temas de cariz informativo.
É um bloco de notas, á espera que alguém o leia e retire uma qualquer ideia. Por mais estapafurdia que seja.
Mas o impulso está algo moribundo. E digo-o numa fase em que me encontro profundamente desiludido com quase tudo o que diga respeito às pessoas, mas também porque no momento presente reconheço a profunda inutilidade destas patacoadas, e não tenho sequer a paciência para me convencer a mim do contrário.
Não sei o que vai acontecer.
Se e quando vou aparecer de novo por cá.
Pode ser já amanhã, ou só para o ano.
Por vezes a ignorância é mesmo uma benção, embora eu, de juízo perfeito, não creia por um instante que seja nesse postulado.

Seja como for, a estrada continua.
É tempo de fazer uma pausa. Ou de prolongar as pausas intermédias.
Ou talvez o dia de amanhã seja realmente outro.

Abraços

A um Amigo...

Vou aproveitar para corrigir uma injustiça. Uma injustiça pequena, feita a um amigo , pelas críticas que por demasiadas vezes fiz às suas condutas. Não porque não mantenha algumas delas, mas porque de alguma forma as soluções apresentadas nem sempre conduziriam aos resultados pretendidos.
Sei que podia falar de Arafat, do congresso do PSD, da crise no médio oriente, nos dislates do Vasco Rato (ser-caricatura), etc, etc, etc.
Mas há já tanta gente a ocupar-se disso, gente que já leu pelo menos metade dos jornais do mundo sobre o assunto e documentos existentes desde a biblioteca de Alexandria á nossa do CAmpo Pequeno, que não vou repetir-me.
Vou apenas dizer a um amigo que entendo o que ele queria dizer com a ausência de alternativas. Que entendo que por vezes nem a melhor bateria de esforços consegue resolver ou combater um afogamento social espiralado. Que ás vezes parece de facto melhor aguardar pelos desenvolvimentos do acaso, já que a solidão urbana é de alguma forma desdenhada pela intelectualidade, apesar de sabermos que alguns dos melhores artistas de qualquer forma de arte foram espezinhados por essa realidade supostamente secundária.
Este é um tempo de individualismo. Alguém disse que não existiam causas, mas eu discordo. Há tanto contra o que reagir. Mas nos locais onde se juntam as multidões, onde as pessoas se agregam no intuito de fugir a uma lógica implacável de isolamento, os paradoxos multiplicam-se como ervas daninhas, e na vergonha da intimidade possível, as pessoas sussuram as queixas e confessam a sua tristeza.
Assim ele o faz. Muitas vezes em surdina. Basta-me olhar para os olhos dele e perceber até que ponto se sente encurralado, num universo social onde a individualidade e o comodismo tomam as rédeas, e se sente o impacto amargo da regressão cultural e cívica na qual caímos, e da qual todos os dias se dá conta. Consigo agora expressar uma empatia pelo que teve e tem de passar. Insto-o na mesma á acção, mas já não tenho a mesma crença na previsibilidade dos resultados.
Por isso tenho de lhe fazer justiça. Perceber até que ponto está sozinho é entender a dificuldade que terá em encontrar quem receba o que ele tem para oferecer. E é do melhor garanto-vos.
Nuno, fica lá com um abraço.
É talvez o máximo que possa fazer, mas pelo menos é sentido.



The Thousandth Man

One man in a thousand, Solomon says,
Will stick more close than a brother.
And it's worth while seeking him half your days
If you find him before the other.
Nine nundred and ninety-nine depend
On what the world sees in you,
But the Thousandth man will stand your friend
With the whole round world agin you.
'Tis neither promise nor prayer nor show
Will settle the finding for 'ee.
Nine hundred and ninety-nine of 'em go
By your looks, or your acts, or your glory.
But if he finds you and you find him.
The rest of the world don't matter;
For the Thousandth Man will sink or swim
With you in any water.
You can use his purse with no more talk
Than he uses yours for his spendings,
And laugh and meet in your daily walk
As though there had been no lendings.
Nine hundred and ninety-nine of 'em call
For silver and gold in their dealings;
But the Thousandth Man h's worth 'em all,
Because you can show him your feelings.
His wrong's your wrong, and his right's your right,
In season or out of season.
Stand up and back it in all men's sight --
With that for your only reason!
Nine hundred and ninety-nine can't bide
The shame or mocking or laughter,
But the Thousandth Man will stand by your side
To the gallows-foot -- and after!

Rudyard Kipling – 1865-1936



People Ain't No Good

People just ain't no good
I think that's welll understood
You can see it everywhere you look
People just ain't no good
We were married under cherry trees
Under blossom we made pour vows
All the blossoms come sailing down
Through the streets and through the playgrounds
The sun would stream on the sheets
Awoken by the morning bird
We'd buy the Sunday newspapers
And never read a single word

People they ain't no good
People they ain't no good
People they ain't no good

Seasons came, Seasons went
The winter stripped the blossoms bare
A different tree now lines the streets
Shaking its fists in the air
The winter slammed us like a fist
The windows rattling in the gales
To which she drew the curtains
Made out of her wedding veils

People they ain't no good
People they ain't no good
People they ain't no good at all

To our love send a dozen white lilies
To our love send a coffin of wood
To our love let aal the pink-eyed pigeons coo
That people they just ain't no good
To our love send back all the letters
To our love a valentine of blood
To our love let all the jilted lovers cry
That people they just ain't no good
It ain't that in their hearts they're bad
They can comfort you, some even try
They nurse you when you're ill of health
They bury you when you go and die
It ain't that in their hearts they're bad
They'd stick by you if they could
But that's just bullshit

People just ain't no good
People they ain't no good
People they ain't no good
People they ain't no good
People they ain't no good at all

Nick Cave and The Bad Seeds

Ter um dia ou um ano ou uma vivência honesta, é estar claramente entre estas magnificas ideias destes dois senhores.
Mas ultimamente o Nick Cave tem ganho aos pontos, por muito que eu torça pelo outro tipo...
Estes não são os melhores dos dias.
But who gives a fuck, right?

terça-feira, novembro 09, 2004

Acho que era o Chesterton que dizia que nenhuma boa acção ficará jamais impune.
Mas pensando em raríssimas pessoas que encontrei durante a vida, a verdade deste postulado é indiscutível, se bem que um pouco alterável. A ideia é que poucas boas acções serão alguma vez reconhecidas na sua devida importância, especialmente se forem reiteradas.
Não faltam os risos de escárnio dos chamados esclarecidos, defendendo-se com a objectividade do cinismo. A arrogância e a tendência para rebaixar é vista com tolerância nos chamados meios aculturalizados.
Será tão difícil ver que não há justificação para a soberba?
A História já não deu demasiadas lições acerca dos perigos da convicção de superioridade de uns sobre os outros?
Porque será que a positividade deixa tanta gente desconfortável? Porque será que as histórias competentemente felizes irritam tanta gente?
Quando se diz o máximo da verdade, ainda que se invente, não se cumpre a função própria da transmissão das ideias? Das emoções? seja lá do que for?
É uma coisa terrível engolir o reconhecimento perante os outros. Dar-lhes a noção de que mais não fazem que a sua obrigação. É, no fundo,uma cobardia. Um desvio de atenções para esconder a própria vergonha e inércia, desculpadas com a velocidade dos tempos.
O comodismo mata aquilo que a gratidão suficiente pode quase imortalizar.
E ainda assim, há quem não desista, em meios aos seus milagres quotidianos, pequenos, feitos de detalhes.




Que grande album é este dos Snow Patrol.
Palpita-me que estes amigos vão surgir aí na ribalta para breve, o que me provoca sentimentos mistos. Por um lado é óptimo que se massifique o que é bom, precisamente porque estes dois conceitos raramente se complementam. Por outro, é um pouco como um amigo intimo que passa a ter uma agenda demasiado carregada e perdemos aquela noção de ter desenterrado um tesouro perdido, num local remoto, para onde podíamos fugir.
Mas sinceramente, isso não me incomoda. Nunca tive nada contra a publicitação da qualidade, ao contrário de um vasto preconceito que por aí há que consideram o sucesso do bom material como a sua automática perda de virtude.
Ouçam este album. O resto é só conversa minha...
Excelente...
ESPERANÇA

Sim, bem sei que é o ataque a Fallujah que está na ordem do dia, mas depois da reeleição do imbecil, passo pelo jornal e procuro saber aquilo que realmente pode contribuir para o futuro da humanidade. A capacidade médica para a reconstrução da espinal medula pode estar para breve.

Já quanto aos Bushistas, que andam com um sorriso na cara, provam claramente que a cegueira ideológica e o atropelo a tudo o que é preocupação pelo próximo não são apanágio das posições mais á esquerda. Quem consegue apoiar Bush e manter uma cara séria, é capaz de dizer e defender tudo, por mais absurdo que seja...
Estamos tramados.
Em 4 anos, ele pode simplesmente dar cabo do pouco que resta...

quarta-feira, novembro 03, 2004

Algumas pessoas desafiam o mundo sem pudores. E digo o seu mundo, não o globo. Não a esfera.
Algumas pessoas não aceitam os ditames de certas lógicas. E é por isso que o mundo parece passar-lhes uma mão imensa pelo contorno, dando-lhes luz.
Mesmo escurecidas, brilham porque não têm outra alternativa.
Chama-se a isso talento. Não para uma arte, mas para ser. Ser pessoa.
Eu gosto da América.
A sério que sim.
Gosto do basquetebol, dos seus escritores, da música, do cinema, do humor, de Nova Iorque, das pessoas que gentilmente me perguntavam pela origem e vida cada vez que ia ao supermercado. De um povo que realmente tende a unir-se quando as coisas correm mal.
Claro que há muita coisa que não gosto na América. Como eu, muitas pessoas.
O que não entendo é como se torna possível que depois destes quatro anos de caos e disparate governativo, a América se apreste a reeleger o perigoso pateta alegre da aldeia.
Como é que nos podemos arriscar a mais cruzadas no Irão, à contínua escalada do petróleo, à depredação do meio ambiente, às constantes mortes televisionadas num farrapo que alguns ainda designam de país (Iraque), a escândalos Enron, etc, etc, etc...? Aliás, como é que eles se podem arriscar, porque é claríssimo que os principais sacrificados serão os cidadãos americanos, já que a política interna está a deixar o deficit federal bem para além do vermelho, fazendo disparar o desemprego e asfixiando qualquer medida de cariz social no meio do completo salve-se quem puder...
Eu gosto da América, pelo menos de algumas coisas que julgo importantes. Gosto de algumas coisas dos americanos.
Mas pelo que vejo, eles nem gostam de si mesmos, nem do resto do mundo.
Bush vai á frente...
O absurdo apresta-se a acontecer...
Quem nos valerá?
Estamos desgraçados...
Esperemos que o Ohio seja uma surpresa...
Até ao fim, amigos.. até ao fim...

Bush - 254

Kerry - 242

Fonte: CNN

terça-feira, novembro 02, 2004

Este fim de semana tive uma conversa muitíssimo interessante com uma pessoa que por si era igualmente muito interessante.
E no meio de tantos assuntos e coisas boas que formaram a conversa, ouço esta frase, que nos dias de hoje, ou talvez desde sempre, é terrível porque recorrente:

"As mulheres são fascinantes. Os homens não. São descomplicados.Simples."

Alguém me quer explicar exactamente o que isto quer dizer?
Pareceu-me haver aqui um insulto, mas não encontro a aplicabilidade do mesmo.
Quando se tenta gerir um grupo, o pior que pode acontecer é o descrédito. Quando as ordens têm de começar a substituir o esclarecimento e o favorecimento do espírito crítico. Precisamente porque este não quer entrar em cena, e aparece a substituta teimosia cega.
Quando se desiste antes de sequer se tentar, então é tempo de mudar as regras do jogo.
Vamos a isso.
Até que ponto pode ir a teimosia e desonestidade intelectual das pessoas?
Até quando Vasco Rato vai continuar com aquela pose afectada e arrogante, exibindo o seu "magnífico" sotaque de Massassuchets numas palavrinhas de inglês, tentando defender o indefensável?

Se até já a "The Economist" deu apoio a Kerry porque a incompetência e desrazoabilidade de Bush se tornou transversal e apolítica, como é que este tipo consegue dizer as asneiras que diz e manter uma face séria?
É hoje.
Pode ser hoje o fim do pesadelo, da monumental asneira cometida por um povo e um supremo tribunal de um país.
Pode ser hoje o final da incompreensível estupidez que colocou aquela administração que é hoje alvo de chacota e descrédito, ou medo (consoante se tenha ou não petróleo) por parte de todo o mundo.
Pode ser hoje que o pigmeu imbecil desapareça.
A esperança está viva.
Go Kerry!
Por muita merda que possas vir a fazer, nada se compara ao oligofrénico eleito por um colectivo de juízes...

quinta-feira, outubro 28, 2004

O título do artigo do NY TIMES sobre o último romance de Phillip Roth diz o seguinte:

The Plot Against America
By PHILIP ROTHPhilip
Roth's terrific political novel is a
fable of an alternative universe in
which America has gone fascist.

E eu pergunto - fábula?
Não seria mais adequado?:

The Plot Against America
By PHILIP ROTH
Philip Roth's terrific political novel
is a depiction of an current universe
in which America is ruled by higienic fascism
(and a moron, of course)...
Paes do Amaral nega.
Rui Gomes da Silva não fala.
Deputados do PSD sacodem a água do capote.
Professor Marcelo dá uma aula na Alta Autoridade.

Entre um e outro, quem falará a verdade? Se é certo que a Marcelo poderia dar algum jeito sair desta forma, qual seria o motivo para o fazer? Descredibilizar e fragilizar o Governo ( como se ainda fosse necessário)? Não faria melhor trabalho estando na posição de comentador? Não seria muito mais lógico fazê-lo perto do fim da legislatura, para causar impacto na opinião pública a quando do sufrágio?
Sinceramente, para mim, são coincidências a mais. E onde há fumo, normalmente há um dragão que cospe fogo.(*) E há claros indícios de pressão.
Vejamos no que resulta, mas uma coisa é certa. Uma situação destas é inaudita. Não a pressão, que ocorre em todos os Governos, mas que tenha sido tão vergonhsoamente ventilada e demonstrada através da arrogância habitual desta administração que já nem com pinça tem ponta por onde se lhe pegue...


(*) Mesmo que esteja fora da taça de Portugal...


Pois é...
Os ferozes detractores dos Hobbit talvez tenham de engolir as suas palavras...

Bem, brincadeiras á parte, parece que tivemos, e até há bem pouco tempo, uns primos de um metro de altura que eram bons a trepar àrvores e datam de há 18 000 anos atrás, pelo menos.
Isto é, no mínimo, fascinante e dá indícios que multiplas espécies de humanos conviveram no solo terereno durante largos milhares de anos. Leva a uma reformulação das teorias de evolucionismo, mas demostra claramente um alargamento do espectro de aplicabilidade da teoria da evolução das espécies.
Se calhar não somos todos primos, afinal. Que pena para o Abominável César das Neves...

Hoje, no Guardian:

"Australian and Indonesian scientists have identified a new and completely unexpected species of human. It was only a metre high, had a small brain but a distinctly human face. It made delicate stone tools and it shared the planet with Homo sapiens at least 18,000 years ago.
The scientists report in Nature today that they found the skull and incomplete skeleton of creature known as LB1 in the sediments of a limestone cave at Liang Bua on the remote island of Flores in Indonesia last September.

Since then, fragments of bone from at least seven individuals have been found.

The new creature, officially titled Homo floresiensis but nicknamed "the hobbit" by some researchers, upsets the orthodox view of human evolution."


Continuem a ler " From 18,000 years ago, the one metre-tall human that challenges history of evolution"

quarta-feira, outubro 27, 2004

Não era a Aimee Man que dizia:

"Anda lá daí e salva-me!"

Quantas pessoas são mesmo capazes de dizer isto?

Pior, quantas é que sequer seriam ouvidas?
A quem vive sozinho, só os livros impedem a loucura completa.
O problema surge com os personagens que falam depois de o livro há muito estar fechado...

terça-feira, outubro 26, 2004

A estupidez não pára...

Nos EUA alguém se lembrou de deizer que o Grand Canyon foi obra de Deus há 6000 mil anos, através de uma enorme enchente para lavar a maldade do homem. Estes devem ser primos do Bush com certeza e partilham provavelmente um neurónio perdido entre eles.
Sinceramente, porque é que não há um dilúvio para levar esta gente e a consequente parvoíce para o fundo do mar? Uma das maiores formas de maldade não acaba por ser a estupidez teimosa?
Se existir, eu penso que a divindade andará muito chateada com tanta asneirada que se diz em seu nome.Caraças, eu andaria...

sexta-feira, outubro 22, 2004

No post imediatamente anterior lê-se "emprenho" em vez do correcto "empenho".

Mas vou deixar o erro, porque para mim trata-se de um lapsus linguae que de alguma forma até ajuda á ideia...

Manias...
SONDAGEM DE OPINIÃO
Embora seja um tema talvez recorrente, a questão volta a ser pertinente, em meu ver, devido a alguns acontecimentos recentes na minha vida privada e de pessoas que me estão próximas.
Sem entrar em muitos detalhes, até porque a situação já foi referida aqui e aqui, (por inerência indirecta, se posso chamar-lhe assim) a verdade é que algumas questões deixam-me perplexo, pelo que agora peço mesmo contributos e opiniões aos que por acaso aqui caírem e lerem este post.

Com a obsessão da meritocracia, do reinado dos objectivos materiais, a elasticidade limitada do tempo ( há quem diga que é inexistente) colocam-se algumas questões no campo da opção, ou da escolha.
Até que ponto é justo relegar a esfera pessoal para décimo terceiro plano, depois do trabalho, dos cursos, das obrigações, do engrossar do curriculo, etc, etc, etc...? Até que ponto não será mais honesto obedecer a uma lógica optativa, mas honesta, na qual as pessoas tem efectivamente de dizer a quem amam ou estimam que a escolha está tomada.
Reagirão alguns dizendo que as prioridades não se confundem, mas gerem-se, adiando os momentos e situações importantes para um porvir mais descansado. A porra é que esse porvir tarda em chegar, e vai-se substituindo por outros mecanismos de adiamento. E depois mais outro, e outro ainda...
Sinceramente, para que raio querem essas pessoas alguém a quem amar? Ou alguém a quem chamam de amigos ou família? É perfeitamente legitimo que escolham esse caminho de crescimento e evolução profissional/académica ( e sei lá mais o quê). Mas a legitimidade vai um pouco às urtigas quando a ideia geral é manter as pessoas que deles gostam num estado de longa animação suspensa, muitas vezes escudando-se na ideia de que estas têm mais é que se aguentar, porque isso é que significa gostar e compreender o outro.
Discordo completamente. Acho que é um despotismo, muitas vezes mascarado numa subtil chantagem emocional, deixando a pessoa que quer dar um pouco mais de dedicação com uma sensação estranha de ser um acessório, algo que tapa os hiatos entre os momentos de ocupação. No fundo, importa apenas saber que aquela pessoa está lá, como um conforto potencial e permanente, mas ao qual (quase) nunca se recorre. Esta noção, além de injusta, acaba por ser desonesta, porque no fundo quer-se ter tudo ao mesmo tempo, sabendo de antemão que a vida pessoal será feita de intenções e não concretizações. Uma no papo e outra no saco, como diziam os antigos. No fundo, é aquela velha ideia cuja premissa assenta no factor secundário e auto-sustentado da vida pessoal, emocional ou lúdica. Como já disse antes, essa vida não é um motor contínuo e necessita de movimento, ou atrofia e morre como um musculo inactivo. Torna-se uma coisa mole, inerte e sem vida, limitando-se a existir, a estar ali.
Não sei até que ponto isto pode exigir-se a uma pessoa, sob a capa do amor ou da necessidade de compreensão. Não sei até que ponto tolerar isto significa compreender o outro. Não entendo a razão pela qual existem tantos esforços e concentração para umas coisas, e uma ausência confrangedora de emprenho para outras.
E se as pessoas em causa disserem, como o dizem tantas vezes, que estão bem assim, a solução é simples.
Trata-se de levantar os olhos do umbigo e perceber que se calhar os outros não estão bem assim. Nem têm de estar. E talvez tenham direito a seguir um caminho onde tenham um pouco daquilo que querem, do que afinal torna possível qualquer espécie de relacionamento. A vida, o movimento, a pele e a presença. Já chegam os momentos necessários de saudade próprios da vida que temos.
Ninguém vive com o conceito de alguém. A interacção é a vida de qualquer impulso humano.
Este tipo de boas intenções nem o Inferno enche.
São vacuidades.
Gostaria muito de saber as vossas opiniões e sensibilidades quanto a esta questão.
Digam lá de V. Justiça
DISPARATE MONSTRUOSO E PERIGOSO

Possidónio Cachapa figura, alegadamente, nas listas do SIS como autor de um livro de referência da pedofilia em Portugal, segundo esse "grande jornal"(cof cof... desculpem engasguei-me) que é o "Crime".

Se fosse só um disparate mostruoso (que é), dava para rir, e estou certo que até ele daria umas gargalhadas. No entanto a apurar-se que o SIS efectivamente tem uma espécie de lista de livros e autores isolados, á guisa das listas de livros banidos que a Inquisição ( porra, novamente a Idade Média?) tinha, então saímos do reino da piada para algo muito mais perigoso, insidioso e vergonhoso num estado de direito.
Quando a ignorância faz a Possidónio Cachapa o que se fez a Nabokov ou Thomas Mann, então está ilustrado o calibre desta gente que supostamente nos governa ( esta sim, uma piada...)
Como ele próprio diz, é o Sântano...

Para mais exemplos desta enormidade,consultar aqui e ver em que país "livre" isto acontece ás claras. Neste país são ou foram banidos livros "perigosíssimos" como "Lord of The Flies", do William Golding, "As Vinhas da Ira do Steinbeck" e mesmo o "Cujo" do homónimo deste que vos escreve aqui.
Mas ao que parece, não fica por aqui...

Quanto a Possidónio, só espero que do mal o menos, e isto sirva para que as pessoas comprem ainda mais o seu livro, e vejam a razão pela qual por (não raras) vezes as pessoas e os organismos públicos dizem divulgam ou publicam disparates. Se se preocupassem em ler as coisas e pensar, isto já não acontecia, digo eu...
Durão mantém Buttiglione.
Mantém a pasta da Justiça, Liberdade e Segurança nas mãos de um preconceituoso homofóbico, machista e possuidor de uma agenda teológica na condução das políticas da Comissão nestas matérias.
Durão Barroso continua a surpreender, e não pela positiva...
Lamentável.

OS HISTORIADORES QUE ME AJUDEM..
ENTRE QUE SÉCULOS É QUE EXISTIU A IDADE (MÉDIA) DAS TREVAS???

"Mulheres Sauditas impedidas de votar em 2005"

A ler hoje no Público, uma notícia que parece relatar factos datados da idade das trevas, da ignorância e da mais repugnante e totalitária promiscuidade entre religião e Estado.
E é este o Estado a quem os EUA apertam a mão e consideram "não terrorista".
Enfim...

Ler o resto da notícia aqui...

quarta-feira, outubro 20, 2004

Querida Ana:

O assunto Morais Sarmento-RTP é indesculpável e inqualificável, seja qual for a administração. Não é com certeza a cor política que mascara este tipo de actuações, e ao ponto a que estas são descaradas. Talvez os ultimos partidos a poder falar sejam mesmo o PCP e o PP, já que ambos são pródigos em situações de falta de coerência no que diz respeito á sua posição relativa aos direitos, liberdade e garantias dos cidadãos.
Para mim Hitler e Stalin foram personagens igualmente execráveis, produto da mais profunda e fétida capacidade para praticar o mal que o ser humano pode ter.
Os actos quando são maus, são-no independentemente de quem venha.
Quem tem a consciência pesada, não deve realmente vir dar uma imagem de inocência ou pasmo, especialmente se o curriculo já tem umas manchas.
Realmente estamos de acordo nesta questão.
Uma curiosidade:
Que diria o Portas dos tempos do Independente perante algo assim?
Não seria engraçado fazer este what if?

Beijinhos e obrigado pelas Crónicas.
Parábola de Ti...

So familiar and overwhelmingly warm
This one, this form I hold now.
Embracing you, this reality here,
This one, this form I hold now, so
Wide eyed and hopeful.
Wide eyed and hopefully wild.
We barely remember what came before this precious moment,
Choosing to be here right now.
Hold on, stay inside...This body holding me, reminding me that I am not alone in
This body makes me feel eternal.
All this pain is an illusion

Maynard James Keenan
Sei que me estou a repetir, mas o que
é que querem..
"Parabol" - dos Tool - Album - "Laterallus."
A Stranger
Cast the calming apple
Up and over satellites
To draw out the timid wild one
To convince you it's alright
And I listen for the whisper
Of your sweet insanity
while I formulate
Denials of your affect on me
You're a stranger
So what do I care
You vanish today
Not the first time I hear
All the lies
What am I to do with all this silence
Shy away, shy away phantom
Run away terrified child
Won't you move away you ??
I'm better off without
Tearing my will down
Maynard James Keenan - Perfect Circle - "A Stranger"
O que assombra o meu CD nestes dias mais cinzentos.
Fantástico. Se acompanhar a leitura de Neil Gaiman, é ainda melhor...

Ontem revi um daqueles filmes que muita gente adora detestar para manter aquela postura de ser aculturado e esclarecido, pertencente á elite que engolfa Hanneke e que julga que tudo o resto deve ser queimado em autos de fé crítica.

Como fã de Shakespeare, acho o filme uma deliciosa reinvenção, uma homenagem justa e até tocante a vários temas, entre eles o amor pela arte e sua integridade. Sim, não tem o toque cinzento e frio do realismo puro, duro e feio, mas desde quando é que isso é sinónimo de qualidade? Se assim fosse, o cinema era só documentário, porque tudo o resto é imaginação.

No entanto que me ficou daquele filme é igualmente um senso de admiração. De contemplação até um pouco rendida e que me demonstra algo indesmentível. É impressionante até que ponto a mulher é mais bonita, mais intensa e complexa. Até que ponto a forma como ri pode transformar tudo e dar-lhe uma solenidade e poder imensos.
Conforme li noutro dia numa revista, é na pele que tudo começa, pois é através dela que chegamos ao Céu ou ao Inferno. Curiosamente, isto vinha de um senhor (Paul Valery) o qual afirmou a certa altura que o cinema era um desperdício de inteligência...
Ironias á parte, há de facto fragmentos da vida que por vezes escapam ao inexorável buraco negro característico de uma importante parcela da natureza humana. São momentos belos, únicos, e sobretudo, mostram-nos até que ponto a criatividade pode ser um bálsamo que dá valor a preciosos minutos. E não é isso que vale a pena, afinal?
Elucidativo
Para curiosos e descobridores de musica nova, eis uma ajuda e um guia.
Nem sempre concordo com eles, e a linha editorial é por vezes algo snob e demasiado bota abaixo, mas está sempre por dentro do que de melhor e menos conhecido se faz por aí.
Visita obrigatória, e façam como eu. Se eles dispararem a matar sobre um album ou musico de quem gostamos, recordem-se que opiniões são como os rabos... o resto do silogismo recuso-me a reproduzir.


Se isto for realmente verdade, então chegamos mesmo ao fim...

Já não basta o chorrilho de disparates feito ao nível das campanhas de sensibilização para a educação sexual, dos quais Mariana Cascais é rainha e senhora (quantas bíblias já terá copiado?), agora vamos dar armas á malta jovem porque afinal de contas, é só por uma questão de segurança...
Até onde pode ir este (des)Governo Santanista?

Socorro!!!!


Morais Sarmento e Gomes da Silva constituem mais uma porção de creme desmaquilhante deste Governo que já não faz disparates no meio da governação, mas inverte essa proporção.
A ultima de Morais Sarmento é digna de figurar nos anais da história. E não digo anais dispiciendamente...

Aguarda-se a todo o momento o disparate de César das Neves

Pois é, parece que as evidências estão aí.
A normalidade é ser humano. O resto são balelas segregacionistas de malta que teima em usar palas cavalares e proferir discursos ainda piores.
Parabéns, Mr.Alan Hollinghurst!
Que a mentalidades estejam realmente a evoluir, ao contrário do que ventilam as prédicas do autista social citado em epígrafe.
O dia começou bem. :)

segunda-feira, outubro 18, 2004

MUITOS CORPOS MAS POUQUÍSSIMA GENTE?
Depois de alguma reclusão forçada, resolvi dar um giro nocturno no Sábado, para ver, como é costumeiro dizer-se, como param as modas.
Graças á gentil companhia de uma amiga de longa data e mais outros amigos, pude descobrir aquele que supostamente é o local que esta na "berra". E verdade seja dita que o termo é bem aplicado, porque eram os mais variados berros que se ouviam por toda a parte.
Entrei no local graças ao assentimento que o porteiro deu ás moças que me acompanhavam, como é de resto costumeiro. Se tentasse entrar sozinho ainda a esta altura me encontrava na porta de entrada, junto ao restante rebanho forçado. Isso caso tivesse paciência, o que não aconteceria por certo, mas enfim, adiante.
subimos umas escadas que davam para uma divisão parca em espaço e que servia de acesso ás primeiras casas de banho, onde as moças se amontoavam, e a entrada para um suposto nirvana, com a tabuleta privado escrita nuns caracteres estranhos. O tipo que estava á porta era baixo mas largo que nem uma casa, como sempre, e olhou-nos de lado quando fizemos menção de entrar. Mas mais uma vez as moças fazem milagres e lá entrámos.
Confesso, talvez devido a um período de reclusão mais ou menos longo, que a urticária começou imediatamente a surgir. Os olhares não enganavam, e davam a entender que haviamos entrado numa espécie de clube privado. As minhas pobre calças e camisa denunciavam a ausência de status, e como tal, a estranheza por frequentar aquel local supostamente reservado á nata. valeu-me a decoração do local que era bem engraçada e original.
Recordei um acontecimento engraçado que se passou com os U2 na altura em que faziam a promoção ao "Joshua Tree". Tinham ido a Las Vegas ver o Frank Sinatra, que a páginas tantas lhe lança o seguinte: "you guys don't spend a dime on your clothes". Bono Vox, anos mais tarde, em plena entrevista acerca da digressão com o fantástico "Achtung Baby", recordava esta cena, dentro de uma limousine branca, com um fato de designer de alta costura, em sorriso de paródia, e que dizia "Well Frank, as you can see, times have changed!".
Saímos do privado e entramos num local semelhante a tantos outros. Bares cheios de filas, pistas de dança e acesso pejados de pessoas. Pessoas essas que quando não dançavam, passeavam do lado para o outro, para serem vistas e verem o que se passava. Cabelos, roupas e acessórios clinicamente arranjados para aquela que parece ser a actividade preferida nos locais de diversão noturna - ver e ser visto. Há mais calor e proximidade entre pessoas numa camara frigorífica do que havia naquele local, mas parece ser um código bem aceite por todos.
Há uma espécie de diversão estranha e manter a distância. Algumas mulheres perdem horas do seu dia, arranjam-se ao pormenor, para depois ter o prazer de passear qualquer coisa que desconheço e fazer a sua quota parte de rejeições perante as tentativas de aproximação. Chegou a pensar se algumas não mantêm uma espécie de marcador destas situações. Também sejamos francos, as abordagens normalmente não são felizes, o que nos leva a reflectir acerca da outra face deste fenómeno. Há tão poucos sorrisos que até faz impressão. Parece um jogo de tensão constante. Uma espera penosa, sei lá...
A minha perplexidade prende-se com algo que sempre me acompanhou noutras ocasiões, e que me parece mais acérrima em Portugal. Porque raio é que as pessoas procuram locais cheios, e rejeitam os vazios, se a intenção dessas pessoas não é interagir? Se o intuito é dançar, não será uma pista quase vazia um local muito mais propício do que uma casa cheia que nem um odre one cada ondulação do corpo significa um choque com o vizinho do lado? Se a inevitabilidade é repúdiar contactos ( e demonstrar o enfado que isso provoca), não seria mais lógico procurar locais onde isso fosse menos propício?
Pergunto - porquê ir procurar a companhia de estranhos, se o intuito é que permaneçam estranho, e por isso mesmo, se verifique a ausência de companhia?
Depois de deambular um tanto, conversar um pouco com os meus amigos na varanda e beber um whisky absolutamente mal servido, tentei trazer este tópico para a conversa, para saber se havia uma partilha de opiniões. Aparentemente toda a gente achava isto normal. O que era giro era ir para um local onde estivesse muita gente. Interagir nem sequer estava nos planos mais mediatos. É a norma maioritariamente aceite. As pessoas estão ali ao lado, mas aparentemente não servem outro propósito que não o de observadores e observados.
Volta e meia vê-se um sorriso á distância, e alguns olhares tristes.
Engulo o resto da minha bebida, e após algum tempo de conversa vou-me embora. A saída é mais um cabo dos trabalhos, já que a fila para as caixas é infinda. Vejo mais uns olhares, mais umas toilettes bem programadas, mais um enorme distanciamento entre estranhos. O local está à cunha e ninguém interage com ninguém.
Vou para casa cansado, e sobretudo, reflectindo sobre aquilo que não muda e parece cada vez mais incrementar-se. As metrópoles, ( pelo menos Lisboa assim parece), assemelham-se mesmo aquela velha ideia do isolamento no meio da multidão. Acho que é por isso que as pessoas não se arriscam a ir a locais destes sozinhas. Talvez porque voltem mais isoladas do que foram.
Os códigos são estranhos, e eu pessoalmente não os entendo. Procuram-se os números mas não a companhia.
Mas que diabo, eu saio pouco.
Para quem faz disto um hábito, com certeza as coisas serão diferentes...
Ou não?



Como é que este tipo pode ser director do Público? Como é que um homem que tem tanta experiência em jornalismo pode achar que alguém como Rocco Buttiglione deixaria as suas convicções de parte na condução da pasta que lhe fora proposta?
Achar que alguém capaz de afirmações daquele calibre seja isento e objectivo na condução das suas políticas é, no mínimo, ingenuidade. Porque aqui não se trata de atacar o catolecismo ( porque é doutrina que já faz mal a si mesma que chegue) mas sim ideias que assentam em discriminações absurdas e inqualificáveis. Alguém consegue crer que um comissário que ficaria responsável , por exemplo, por assuntos relativos á não discriminação, não levaria estas ideias segregacionistas e machistas para a construção das suas políticas?
Acusar as pessoas que se insurgiram contra algo assim de anti-clericalismo é de uma pobreza de espírito primária e a todas vacuidade de argumentos.
De JMF já espero tudo, sinceramente....

sexta-feira, outubro 15, 2004



"No Amor, o Homem Deve Tomar a Iniciativa

O pudor inibe a mulher de provocar certas carícias, mas sente prazer em recebê-las quando outro as começa. Sim, um homem tem em demasiada conta as suas qualidades físicas, se espera que seja a mulher a primeira a rogar. É ao homem que compete começar, é ao homem que compete pronunciar as palavras suplicantes; a ela acolher favorávelmente as suas brandas preces. Queres possuí-la? pede. Ela deseja tanto como tu ser rogada. Explica-lhe a causa e a origem do teu amor. Júpiter dirigia-se suplicante às antigas heroínas; apesar do seu poder, nenhuma o vinha provocar. Mas se as tuas preces se quebram na distância dum orgulho desdenhoso, abandona o que começaste e recua. Como elas desejam o que lhes escapa, e detestam o que está ao seu alcance! Sendo menos insistente, não mais serás repelido. E a esperança de alcançares os teus fins nem sempre deve aparecer nos teus pedidos; que o amor penetre sob o nome da amizade. Vi mulheres esquivas serem enganadas desta maneira: o que fora seu cortesão, tornara-se seu amante."
Ovídio, in 'A Arte de Amar'
Caraças, o homem viveu entre 43 e 17 A.C.!!!
A natureza humana acaba por ser como todas as outras formas de evolução dos organismos. Leva milénios a sofrer alterações... Mas que é injusto, lá isso é...
Ainda não tenho palavras para este poema...


" COISAS DE PARTIR

Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.
Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?
E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?
Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras."

Ana Luís Amaral
NA MOUCHE...


"Há, para começar, uma necessidade física. Se a solidão fizesse sentido não seria preciso mostrá-la, à espera que alguém a reconhecesse."

Miguel Esteves Cardoso, "roubado" aqui, com as devidas desculpas.
Ontem, graças ao Canal 11 ( NTV), pude rever melhor o debate presidencial americano.
Alguém ainda tem dúvidas que Kerry ganhou em quase toda a linha? Que Bush, com aquele semi-sorriso idiota e o chorrilho de contradicções levantadas, permanece a maior inexplicabilidade da história do Estado americano? Que não passa de um idiota perigoso?
Esperemos que daquia duas semanas e meia, seja essa a convicção dos americanos, ou estamos num sarilho impossível de resolver.
O barril de petróleo chegou as 55 dólares. Isto só por si deveria ser argumento suficiente. E há tantos outros...
Miguel Esteves Cardoso, numa crónica cujo nome lamentavelmente não me recordo, falou uma vez na falta de graça das relações onde não existe um mínimo de tumultuosidade. E tendo a concordar parcialmente com ele. Não há realmente maior privilégio do que termos a sensação de que a cumplicidade com alguém vai ao ponto de podermos mandá-los passear quando as coisas azedam minimamente. E depois voltar, e conjugar ideias, e aumentar a dinâmica da relação, seja ela de amizade ou amor.
Relação onde ninguém ( ocasionalmente) discute ou se zanga indicia algo de muito mais complicado. A indiferença. E essa ninguém lhe liga....

Isto é aquilo que realmente nos deveria preocupar. É perante factos destes que os discursos idiotas de que as pessoas não querem trabalhar perdem a sua prosápia. É perante isto que quem gosta de alvitrar sentenças quando tem o cu bem sentado perde a pouca credibilidade que já tinha. Porque efectivamente existem pessoas que por mais que lutem, que se esforcem, não conseguem chegar a esse panteão do sucesso tão propalado por quem normalmente lá chega á custa de heranças ou contactos políticos e afins.
Esta é uma realidade que não esconde a sua cara feia perante as ideias tão demagógicas que saem da boca daqueles que insistem no valor do trabalho ( que eu também concordo), mas que esquecem que as pessoas muitas vezes não têm por onde subir, por mais que desejem fazê-lo.

quinta-feira, outubro 14, 2004

O Governo prepara-se para inverter o ónus da prova em casas de evasão fiscal. Embora eu seja partidário absoluto do sistema que preconiza o principio do acusatório, não me repugna nada que se use uma derivação do sistema inquisitório para acabar coma pouca vergonha do pessoal que vai levantar o cheque da segurança social de Mercedes, ou pede abono de família para os filhos que andam no colégio, ao qual os leva de helicóptero.
Agora resta saber é quem é que terá de o comprovar, e se a eficácia da inspecção geral de finanças acompanha estas boas intenções. É que a verificar-se tal situação, PSL vai ter muitos amigos à procura de papéis, ou numa azáfama para imprimir outros tantos.
Ainda na linha política, parece que Bush levou outra rabecada no ultimo debate, e neste momento as sondagens equiparam-se, com cada uma das publicações alinhadas a cada um dos lados a dar uma ligeira vantagem a cada um dos candidatos que apoia. Mas Kerry vai ganhando os debates, e parece que as coisas podem finalmente sair do pesadelo que é o jugo daquele que é provavelmente o mais estúpido e irresponsável de todos os governantes de países do dito primeiro e segundo mundos. Esperemos! Faltam 3 semanas...
Uma última nota, ainda sobre o Prof. Marcelo e as trapalhadas do Governo. O facto do comentador Marcelo poder ter aproveitado a situação para agenda pessoal e política, não está obviamente de parte. A minha ingenuidade e da grande maioria das pessoas não vai a esse ponto, julgo eu. Mas isso não põe de lado nem mascara minimamente a postura inaceitável dos responsáveis envolvidos, especialmente se existe pressão relativa ao conteúdo de uma crónica ou expressão de opinião. A verdade é que o executivo e seus representantes tomaram uma postura perigosa e inaceitável num Estado de Direito, mostrando a prepotência de quem se julga acima da crítica. A comprovarem-se as pressões, é realmente muito grave e retira a ultima réstia de legitimidade que este executivo poderia alguma vez ter tido..
Certo dia, no meio de uma consulta a um site internacional em busca de novidades no universo LMC (Livros, Música e Cinema), descobri que alguém teve o bom senso de colocar á venda, ( finalmente!) os DVD da série Millenium, do Chris Carter, em meu ver, até melhor que o clássico X-Files. É uma oportunidade para rever a postura física irreal e a voz triste de Lance Henriksen numa série cheia de ambiente e originalidade.
Para fãs do género, como eu, é uma oportunidade de ouro.
E o Natal aproxima-se...
Embora possa parecer um cliché terrível, a verdade é que existem poucas coisas que se comparem ao prazer de vermos rir com gosto alguém de quem realmente gostamos. É vê-los em liberdade absoluta em meio a uma torrente de prazer involuntário. É uma das mais significativas formas de partilha entre duas pessoas, porque ao recolher a alegria para si, quem ri acaba por dispensá-la sem saber.
Excelente.
DELICIOSO

[Sedução]

"Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti
até que a dor alegre recomece."

[Maria Gabriela LLansol, "roubado" aqui com as minhas desculpas.
Não deve ser novidade, mas este continua a ser um dos melhores locais da blogoesfera. Do saber enciclopédico, ao esclarecimento e ponderação fundamentada da opinião, passando pela ironia mordaz e bem semeada, há lá de tudo. E com qualidade. Concorde-se ou não.
Visita obrigatória.


terça-feira, outubro 12, 2004

ALARME GERAL

O dia começou bem...

O NY Times fala da intenção da Igreja Católica entrar na campanha eleitoral norte americana, em prol de Bush ( claro), o que demonstra o incremento do autismo de uma instituição cada vez mais desfasada da realidade e das pessoas a quem supostamente se dirige. Como é que é possível tanta intolerância e incogruência numa doutrina social que se denomina como "de amor ao próximo"... enfim..
Ah, o argumento principal para sustentar a simpatia da igreja católica é a posição oposicionista da casa branca relativamente ao aborto e ás uniões homossexuais. Ou seja, a palhaçada do costume...

Alberto João Jardim faz queixa ao governo por causa da intervenção da PJ no seu reinado. Mais uma vergonha para o nosso país, com a qual a bancada parlamentar do PSD compactua, como se pode ler no Público de hoje.

Santana Lopes desmentiu o Ministro das Finanças, numa clara acção de propaganda que só agora começa. Que se preparem os portugueses pois vai começar a época das falsas vacas gordas. Há eleições para ganhar, afinal de contas...

O nosso Duralho escolheu um reaccionário misógino e homofóbico, com um discurso absolutamente imbecil, para comissário da Justiça, Liberdade e Segurança, ideia "brilhante" essa que foi imediatamente vetada por quem ainda tem dois dedos de testa nas nossas instituições comunitárias. Rocco Buttiglione representa do pior que o mundo e as instituições democráticas poder conter, na manutenção da sua tacanhez e formas dissimuladas de preconceito e tirania social. Um escarro que nem sequer deveria ser presidente de junta de freguesia, quanto mais comissário para uma pasta como a que está em análise.


Enfim, uma tristeza... A Europa tem de facto memópria fraca, e a Itália está no top da produção de personagens inqualificáveis. Pelos vistos Berlusconi tem uma legião de sequazes... Isto não faz lembrar nada?





segunda-feira, outubro 11, 2004

Um sinal dos tempos?
Pensem lá bem desde quando é que não ouvem o "Parabéns a você" cantado pausada e completamente?
Desde quando é que as pessoas aceleram as ultimas estrofes até que o final seja qualquer coisa como:

"dklfsldkjfhsfj festa fgdlksdlkgsdkalmas skfdjhgfjghsdlghsdl menina/o tal uma salva de palmas!!!!"

Pois é...
Os hábitos moldam as pessoas. Ainda que sejam emprestados de outras andanças e de ambientes que não eram os seus, a verdade é que aqueles automatismos do que parece correcto e apropriado surgem como uma letargia gosmenta junto da capacidade que as pessoas têm para diversificar. No fundo, para estar vivas de acordo com a mínima correspondência ao seu "plano".
Há quem o faça e sorria, ou quem empreste o seu sorriso como uma reacção aos pequenos desesperos de um dia a dia que pode sempre ser bem mais do que se julga.
Muitas pessoas julgam que as famílias, ou começos destas, podem substituir a vivência do ser individual enquanto parte de outro conjunto. Aquele conjunto das pessoas que nos rodeiam, que nos dão outra perspectiva, que nos mostram que o mundo não está encerrado em si mesmo ou naquela estrutura.
A verdade é que a inércia pode vencer. Vem pelo cansaço. Pela imensa fome que é aplacada de forma artificial pelas imensas máximas que supostamente fazem a elegia das transicções. Sinceramente, acho que é sempre idade para tudo, porque quem diz o contrário nunca assistiu ao espectáculo pueril que é a disputa de amor em anos mais avançados, ou a forma dos jogos mascarada pela suposta sabedoria de alguns anos.
Mas há novidades. Podemos ler mil livros, saber um milhão de coisas, dominar dez milhões de conceitos. A confusão está lá sempre, e toda, mas toda a gente tem a sua Rosebud.
O que a idade traz é um caminhar diferente e olhos mais treinados.
Mas nunca a desnecessidade dos outros ou de ter uma constante fome na vida. Não se vive sem se perseguir. Seja lá o que for.

Qual é mesmo o segredo para a saúde dos relacionamentos?
Embora muitas apostas se possam fazer, eu ponho o meu dinheiro na reinvenção. Mas a reinvenção que também nasce do esforço, da vontade.
A troca de amor pressupõe um elemento volitivo intencional, por muito que isso horrorize algumas pessoas. Sinceramente, acho que a maior injustiça feita ao amor entre as pessoas foi pensar-se que ele vive sozinho, como um motor contínuo que compensa a eventual falta de generosidade, empenho e procura das mais variadas formas de prazer.
A morte do amor é o comodismo.
Não tenho a mínima dúvida....

quinta-feira, outubro 07, 2004

REPUGNÂNCIA ......


Quinta das Celebridades...
Censura á liberdade de imprensa e ao comentário, tentanto impor contraditório onde nunca existiu, especialmente quando o mesmo Professor "martelava" forte e feio em Guterres e quejandos.
A TVI mostrou o esgoto fedorento em que se tornou, e eu, assustado e triste, verifico que as pessoas a consomem cada vez mais, assim como o fazem com o jornal 24 Horas. A TVI tornou-se o ícone do pior telelixo de que há memória, demonstrando que a ideia de cultura é algo absolutamente arredio da sua forma de estar e fazer comunicação social. Uma vergonha á qual só os próprios parecem alheios e que espero que o país reaja. Mas tenho poucas esperanças.

... E PERPLEXIDADE...

Embora como um apartidário mais identificado com a esquerda, não reconheço este PSD, demasiado parecido com o PP e constituido por uma cambada de idiotas que só demonstram que não fazem mesmo ideia daquilo que fazem. O PSD que eu conhecia era discutível nas suas opções, mas era constitudo por algumas pessoas que sabiam o que faziam, que demonstravam alguma competência política e seriedade. Recordo Angelo Correia, Laborinho Lúcio, e claro, o próprio Cavaco Silva.
Mas este PSD, boçal como só A. João Jardim sabe ser, feito de gente que nada faz nem sabe fazer, que a cada dia que passa aumenta o curriculo da asneira para niveis impensáveis, traz a vergonha a quem com ele se identifica ou nele milita. Mostra o pior do aparelho político partidário, e é absolutamente transparente quanto á sua forma de estar. Rui Gomes da Silva mostrou mais uma vez a face de um governo feito de incompetentes, de gente sem tino nem senso, de pessoas que julgam que o país e as pessoas se governam como uma multinacional implantada na Malásia.

Adaptando Almeida Garret
"País, quem és tu?.."
"Ninguém... eu não sou nada nem ninguém..."

sexta-feira, outubro 01, 2004

ADVERTÊNCIA...

Amigos, devido á minha total inépcia em HTML, o local dos comentários está deslocado, parecendo colado ao post anterior, e não ao que realmente pertence. Portanto, se desejarem fazer algum comentário, façam sempre no local para o efeito abaixo do post, ainda que aquele pareça colado à parte superior do post anterior.
E já agora, aos que o façam e por aqui passam, novamente um muito obrigado.

quinta-feira, setembro 30, 2004

Pensando numa amiga, vejo esta situação da colocação de professores, com a barracada da Compta e o diabo a quatro, e imagino o que deve ser a angústia daqueles que dia a pós dia ligam o pc, vão á página do Ministério e encontram aquela mensagem.
Ainda há erros, segundo consta, mas parece que a coisa arranca.
Não sei onde é que ela vai ser colocada, mas espero que tenha sido poupada aos ultimos erros.
E pensando bem, acaba por ser o clima que enganou a organização do ano lectivo. Com 30º de temperatura em Outubro, mais parece que as aulas começam em Agosto...
Está então tudo explicado.
Acessor de Comunicação de Santana ganha mais de 10 000 € por mês, segundo o Público de hoje.
Mais que ele (Santana), mais que o Presidente, mais do que o país pode suportar.
E os aumentos propostos de 2,5% são supostamente para dar o exemplo de contenção.
De quê?
De que uns são filhos da mãe, e outros claramente filhos de outra coisa qualquer...
De que não há limites para a vergonha...

Recordo agora o personagem Lenny no filme Strange Days.
Um homem perdido, com uma noção bem clara do que tinha mais valor que qualquer outra coisa. Despedaçado, tenta remar contra as evidências, tentando recuperar um amor que perde sem merecer, numa lógica implacavelmente prática e fria que lhe mostra que o exercício virtuoso do altruismo traz sempre mais chatice que compensação.
Ainda assim, o salve-se quem puder nunca deve ser o axioma para a dita realidade.
Até porque em ultima instância, nem os conservadores mais cínicos acreditam nela. Não passam de míudos que regurgitam as citações dos seus mais queridos, e depois se refugiam num sofrimento surdo, baço, cheio de protesto.
A maldade tem muitas gradações, e isso não é novidade para ninguém.
Mas se Bush for reeleito, que mensagem é que fica no ar senão a prevalência da estupidez e da impunidade?


Hoje estreia Sharks Tale.
Amanhã lá estou eu, na sessão da meia noite, a rir-me com o Martin Scorcese a dar voz a um peixe balão.
Este filme parece prometer, segundo dizem, uma resposta aquática á altura do magnífico Finding Nemo.
Vamos lá ver isso.
Recentemente tive a felicidade de escrever para cinema.
Um pequeno guião para uma curta metragem.
Ainda está em fase de acabamento, mas em breve estará completo e seguir-se-á a transformação em imagem.
Raras vezes na minha vida senti uma realização tão grande. É de facto um privilégio poder criar algo, ter uma visão por, muito modesta que seja, alguém sentir que alguém quer espreitar para dentro do local onde andámos a alucinar.
Obrigado.
Sinceramente.
PROCURA-SE..? MAS COMO????
Devido a acontecimentos recentes, vejo-me numa posição privilegiada para analisar um certo fenómeno. Algo que deriva da imensa distância que as metrópoles colocam entre as pessoas, mas também das chamadas estratégias de aplicação prática para combate à solidão ou coisa análoga. Senão vejamos...
Qual dos vosso, meus, amigos é que está solteiro(a)? E digo solteiro no sentido da ausência de relação minimamente estável, porque o papel passado é somente uma convenção socio-contratual que a mim ainda me arrepia.
Existem provavelmente três casos tipo, embora saiba de antemão que existem provavelmente mil variedades de razões para o mesmo fenómeno.
Existe o caso mais paradigmático. O homem ou mulher eterna e divertidamente perdido no estado estético "Kieerkgaardiano". São aquelas pessoas cujo charme, imagem e condição económica permitem um distanciamento mediato relativamente ás outras pessoas. Ou seja, são aqueles que marcam os outros, deixam impressão, e esse poder permite-lhes pura e simplesmente ir colhendo as flores quando lhes apetece, tendo em conta que o prado parece estender-se indefinidamente. No fundo as suas qualidades fazem deles pessoas com a capacidade de requisitar os outros quando querem, mantendo um distanciamento honesto e feito de independência cuja qual os mais enamorados ou persistentes teimam em querer quebrar. poder-se-ia argumentar que essas pessoas acabarão por sentir o vazio da falta de pertença, mas talvez não seja assim. Talvez porque quando desejem, acabam por pertencer a qualquer lado. Normalmente são aquelas pessoas que olhamos à distancia, louvamos o seu riso livre e espirito de independencia absoluta. Se tivermos sorte, conseguimos não nos enamorar destas pessoas, evitando assim cicatrizes de escaramuças emocionais impossíveis. Não é Azincourt ou Aljubarrota. Não há esforço heróico que valha, ou abnegação. No fulcro, essas pessoas acabam por ser inconquistáveis, porque talvez esperem um espelho da sua própria perfeição. Acredito que com o tempo acabarão por pagar a factura da sua própria vida, mas até lá talvez tenham vivido o suficiente para encher três tempos dos restantes tipos de vida.
Depois existe o celibatário(a) teimoso. Seja por devoção e entrega a um trabalho específico, ou porque a exigência requer um encaixe absoluto nos seus hábitos celibatários, este é um ser que crê profundamente num determinismo emocional. É o maior defensor do destino, e de alguma forma acredita que todo o seu esforço resultará num arranjo automático, por suposto merecimento, da sua vida emocional. É o tipo que não procura, que não arrisca, que de alguma forma carrega o seu paradigma ou protótipo na mala mental, e só retira a proposta da mesma quando o projecto é feito de encaixes perfeitos. Leva talvez a vida mais complicada porque acaba por sofrer imenso. A solidão desgasta-o, esfarela a sua resistência como um jacto de areia contra um osso velho. Mas ainda assim não há meios termos. De alguma forma, a determinação do seu objectivo é um código de identificação. E de aplicação universal.
No fim existem as pessoas que de alguma forma andam perdidas e não possuem qualquer das estratégias acima referidas. Levam o seu dia a dia com um ouvido atento ao mundo. O seu percurso social leva-as a ver as mesmas pessoas dia após dia, e o isolamento urbano da multidão impede uma convivência alternativa bem sucedida. A noite, como se sabe, não providencia essas possibilidades, já que os objectivos estão bem traçados. Ver, ser visto, partilhar o mesmo espaço, mas não interagir. Na noite não se conhece ninguém. No entanto, quando tal acontece, trata-se de um felicíssimo acaso, ou de uma estratégia bem definida que por acaso encontra feedback do outro lado. A própria falta de uma certa qualidade de vida impede a criação de espaços pessoais para experimentar a companhia de estranhos. É só entrar num local qualquer e ver que as pessoas estão todas num mesmo local, mas não interagem, não se conhecem. Vêm e são vistas, e as coisas por aí ficam, na grande maioria dos casos.
Eu pergunto-me se as pessoas têm a noção da dificuldade que é conhecer alguém a partir dos tempos em que se abandona a faculdade. É impressionante como o universo se comprime, e o circuito social começa a ser feito de casais, de gente que se identifica num conceito de união, seja ela mais ou menos coesa. Ao contrário do que se diz, o terror de ficar sozinho ou de comparecer a jantares e copofonias sem a cara metade está destinado a todos aqueles que até fazem por isso, mas que não conseguem que alguém com o mínimo de caracteristicas exigidas gravite na sua esfera.
Ao falar com a maioria dos meus amigos e conhecidos, e partilhar e experimentar a sua companhia e contributo humano, verifico sempre que a esmagadora maioria tem uma situação amorosa constituida, por mais desiquilibrada que seja. Sinceramente, alguém encontra uma pessoa bem parecida, culta, humana e com uma dose de desvario provocatório/sensual que esteja sozinha? ( tirando aqueles dois primeiros grupos?) O relacionamento até pode ser um desastre, e as trocas e baldrocas uma realidade, mas como e onde é que alguém que esteja perto dos trinta consegue realmente conhecer alguém?
Recordando dois amigos meus nesta situação, e ouvindo as suas angústias, recordo aquela frase de Carrie Fisher no filme "When Harry Met Sally".
"Ainda bem que já não ando perdido lá fora na selva"...
Será assim?
O que faz a saudade por alguém que está temporariamente longe...
Como é que eu faria para a encontrar, se tivesse de o fazer hoje em dia?

quarta-feira, setembro 29, 2004

VAI SER UMA ROMARIA ÁS COMPRAS!

A malta do Gato Fedorento vai editar um DVD em Novembro!
Para mim é uma certeza absoluta e consumada. Vai lá para casa, bem junto ao magnífico Fawlty Towers, Black Adder, Monty Python e por aí fora.
Agora só me resta perguntar uma coisa.
RTP, para quando também a edição em DVD do TAL CANAL????
Quando?????
Vá lá, tratem disso! Acreditem que vende!



segunda-feira, setembro 20, 2004

Bem, requiem para o único momento de humor matinal da rádio portuguesa.
Sim, tirando o Markl, os outros estavam a perder alguma da qualidade que os tinha afamado. Pedro Ribeiro deve ter-se esquecido que a piada do John Cleese, por exemplo, esteve sempre naquela magnífica capacidade de manter a (falsa compostura), para depois explodir com um par de cuecas na cabeça, o impagável Gumby, ou suar as estopinhas em fatos de gosto discutivel, (O fabuloso Fawlty Towers). Nos ultimos tempos, Pedro Ribeiro, com os seus gritinhos, estava a tentar ser engraçado á força, o que era confrangedor. Basta ver agora o ser registo mais sóbrio na RCP, e percebe-se porque é que vale a pena ouvi-lo em detrimento dos inenarráveis locutores da MEGAFM (argh!), ou mesmo da insuportável Arroja com as suas "grandes malhas" e os seus "do best".
A Maria era simpática, inteligente, e cheia daquela irreverência própria das mulheres que são giras, sabem-no, mas nunca usam esse mecanismo para olhar os outros com sobranceria. Algumas das gargalhadas eram um bocadinho excessivas, mas caraças, ninguém é perfeito, verdade? E em compensação tinha uma veia certeira para as piadas sexuais subtis.
Markl sempre em grande. É num estilo Monty Pythoniano, cheio de nonsense, mas é o tipo responsável pelo gag da Ultima Ceia e do julgamento que opõe o Pai Natal ao Menino Jesus. Dois clássicos absolutos, imortalizados pelo Herman. ( Quando ele ainda era um comediante inteligente, e não este mutante apimbalhado que por aí deambula. O Gato Fedorento é o sucessor do humor inteligente e irresistível em Portugal.)
Nuno Markl sempre teve, e penso que continua a ter, aquela veia nonsense do tipo que conta as maiores anormalidades com um tom sério. Em televisão não funciona, temo dizê-lo, mas em rádio é imbatível.
Vai fazer falta aquela piada nonsense a caminho do trabalho.
Como o que resta nem vale a pena comentar, só espero que consiga comprar a porcaria do leitor de CD para o carro ( que custa uma pipa de massa) e voltar a ouvir os meus audiobooks ou cd de música.
A rádio matinal simplesmente não oferece nada que valha a pena nos dias de hoje... o que é uma pena.
Impinge-se a fórmula Big Show Sic e siga o baile. As playlists são uma porcaria absoluta. A rádio cada vez mais se parece com a TV, o que é uma pena, realmente. Os bons programas são como as series - ficam para a madrugada e afins...