ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 27, 2004

Fui ver "In America".

E que filme. Uma história simples, muito bonita, com dois fenómenos de interpretação de palmo e meio.
Pode ser tudo. Uma reflexão sobre a esperança e perserverança, sobre o medo, a culpa, mas aquilo que retive foi a capacidade de mergulhar profundamente em sentimentos reais, sem nunca fugir o pé para o "CAso da Vida TVI". Há uma contenção que a espaços desaba naquilo que é insuportavelmente emocional na vida de cada uma das personagens, e a bem ver, perfeitamente transponível para nós.
Talvez seja algo complicado de dizer, mas é um filme bonito, talvez dos mais bonitos pela simplicidade, realismo e ilusão simultânea que os afectos e laços inquebráveis podem proporcionar.
A não perder, acima de tudo porque o facto de amarmos algo ou alguém nunca nos coloca a salvo da nossa própria capacidade de causar dano ou felicidade.
Como podemos carregar um juízo de culpabilização do outro e um amor maior que tudo no mesmo saco mental e emocional?
Vejam a opinião de Sheridan...

Todo o tipo de extremismo é uma imbecilidade perigosa.
Por mais que se ouçam relatos de sonegação de liberdades, a repugnância que tal facto instila é sempre renovada e mais pungente.
Seja onde for.
E só há uma palavra para a sonegação da liberdade de navegação na internet em Cuba. Repugnante.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Féher, Angel Almeida, Paulo Pinto nomes que marcam um momento que os praticantes e fãs de desporto dificilmente esquecem pelas piores razões.
Jovens, atletas, aparentemente saudáveis, que num momento de profunda infelicidade morrem sem o que parece ser uma explicação aparente.
Parece impossível pensar numa morte por paragem cardíaca, aos vinte e quatro anos.
Parece impossível que a morte pareça sempre uma traição, uma coisa inconcebível e imcompreensível.
Ontem mal consegui dormir.
Á memória de Fehér, Paulo Pinto, Angel Almeida e Reggir Lewis, que morreram todos da mesma maneira, no campo onde faziam aquilo que mais gostavam, dando prazer e alegria aos outros.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Eu não sou tipo de entrar em polémicas estéreis, especialmente quando o esforço é tendente e responder a alguém que tenta vestir uma pele ou calçar uns sapatos que não lhe servem. Alguém deveria dizer a esta "senhora" que a chamada cultura ou capacidade não se adquirem por contágio devido a proximidade que ela tem com pessoas que são condescendentes o suficiente para ouvir os seus disparates.
Sinceramente, só me recordo das bacoradas incessantes que lançava no programa que apresentava, com Julio Machado Vaz, e do quão risível é ver uma pessoa que nem sequer se apercebe do ridículo dos seus trejeitos e da sua soberba.
Vou comentar esta (b)posta de Anabela Mota Ribeiro, por indicação deste magnífico bloguista, e porque sinceramente é inacreditável a sobranceria, cabotinice e ainda por cima, falta de logica que brota das palavras da Dona AMR. Aliás, esta senhora é a demonstração física de um mito no qual nunca acreditei, mas que pelos vistos existe, ou seja, de que as pessoas com um palminho de cara a mais normalmente não mandam uma para a caixa.

Mas vamos pegar por partes:


Parece que isto, isto e isto se têm sentido algo incomodados com a minha participação na blogoesfera modesta e limitada por compromissos sociais e profissionais de quem tem uma vida "lá fora." Nem sei o que diga, se é que vale a pena dizer alguma coisa.

Aqui está a elevação cultural a falar, ou seja, referir-se ás pessoas como "isto". É a boa educação a falar e deve ser um assomo da corrente pós-modernista a vir ao de cima nesta senhora tão culta e por dentro da arte dita "séria". Bolas, isto é que é ironia de fino recorte! Esta senhora está na vanguarda da expressão cultural de nível superior! E ainda por cima tem compromissos sociais lá fora! Tenho de ir a correr comprar a Lux ou a Caras.

"Tolkien é um autor menor. Digo-o sem quaisquer hesitações. Tenha os adeptos incondicionais que tiver (e são muitos até num país pouco dado a leituras como o nosso a julgar pela quantidade de impropérios com que me encheram a caixa de correio), isso não faz dele mais do que um escritorzeco de contos de fadas desprovidos da contextualização mítico-social que confere validade a esse género literário."

Ainda bem que esta senhora sabe o que é o critério de gosto e qualidade literária, e o que confere validade seja a que espécie de literatura for. Aliás, Tolkien é um dos autores do Século, um dos livros mais lidos de sempre ( só secundado pela Bíblia), autor de uma obra que transcende qualquer espécie de ficção criada até hoje, pelo detalhe, pela problemática geopolítica abordada através daquilo a que ele chamou de aplicabilidade, mas para esta senhora é um escritorzeco de contos de fadas descontextualizadas. Um homem que levou mais de quinze anos a escrever a saga e quarenta a compor todo o background, criou um alfabeto e consequente linguagem de raíz, é um badameco qualquer que pôs ali uns dragões e puf, já está.
O que ainda ninguém disse a esta senhora, é que os nossos gostos pessoais não são o selo de garantia de qualidade, e lá porque não gostemos de algo, não significa que esse algo não seja bom ou tenha qualidade. Eu não gosto de Miles DAvis ou Charlie Parker , mas os homens era dois génios da música. Acho Balzac uma pincelada das antigas, mas é de facto um dos maiores escritores de sempre. AMR pode não gostar de Tolkien á vontade, é um direito seu, e pode defendê-lo, mas falta-lhe a autoridade intelectual para proferir um disparate como designar o escritor mais lido de sempre como um autorzeco. O ridículo vai ao ponto de confessar que ainda não leu as obras, o que ainda acentua mais esta cabotinice vazia de argumentos, como são as asneiradas que diz a mais das vezes.
Já agora, gostaria que ela me explicasse onde está a contextualização "mitico-social" ( seja lá o que isso for) no fantasma de Hamlet, no espectro dos Canterville, em Dorian Grey, na ressuscitada Catherine Earnshaw, Roderick Usher e outros que tais. Ou se calhar Poe, Shakespeare, Bronte ou Wilde não são literatura á seria... Aliás, no seu tempo, estes autores eram tratados abaixo de cão pelos críticos que tinham um discurso muito parecido com o desta senhora. Eram afinal apenas um bando de autorzecos, e assim permanceram...


De qualquer forma, fico positivamente satisfeita por ver que, afinal, há portugueses que lêem fora das classes ditas "intelectuais." Que leiam Tolkien, Harry Potter ou o Homem-Aranha tanto se me dá. Pelo menos, é um princípio e pode ser que um dia venham a descobrir o gosto pela literatura a sério.

Santa Maria Madalena. É mais um dos milagres de Fátima! Esta senhora sabe o que é literatura a sério. Ora quem defende isto com tal veemência, tem com certeza uma justificação, uma espécie de grelha de qualidade, talvez medida em termos quantitativos, como J. Evans Pritchard o fazia, através de um gráfico, no sempre agradável " Dead Poets Society".
Estou sinceramente à espera de receber no meu mail essa grelha, para poder perceber o que ando a ler. Caraças, isto são boas notícias!!!



Quanto às críticas dirigidas ao "Magazine" e à 2:, para evitar polémicas desnecessárias, basta-me dizer que nem um, nem a outra têm como público alvo os autores das críticas. Por isso, para quê perderem tempo com coisas que não vos interessam e que não compreenderão de qualquer maneira? Não será por falta de canais com o tipo de programação que vos agrada com certeza.

Esta então é a mais asquerosa das intervenções. É próprio dos vómitos elitistas de quem se julga esclarecido e iluminado relativamente á pobre da populaça que infesta o mundo onde esta senhora anda. Achei especialmente infeliz a alusão ao facto de que as pessoas não seriam capazes de entender os conteúdos do seu programazinho. É de uma prepotência e demonstração de mania das grandezas que roça o obsceno.


E estou aqui para ficar. Podem ter a certeza disso. Com polémicas ou sem elas. Citando o grande Honoré de Balzac, "Les existences faibles vivent dans les douleurs, au lieu de les changer en apophtegmes d'expérience, elles s'en saturent, et s'usent en rétrogradant chaque jour dans les malheurs consommés."

Isto é que são más notícias. Ou talvez não. É sempre bom ver que há um cantinho para rir na blogosfera, ainda que o humor produzido involuntariamente pelo autor.
O reino dos céus será desta senhora. Talvez ela entenda esta alusão primária, quem sabe...


E em resposta à pergunta "dele", não li os livros porque tenho as minhas prioridades e há coisas mais urgentes a ler.

Ora cá está espelhada toda a autoridade para poder formular uma opinião. Porque emprenhar pelos ouvidos é a fórmula mágica para conseguir fazer um juízo crítico fundamentado, porra, toda a gente sabe isso...



Até Gollum. A respeito deste último, há algo a dizer. A sua representação no filme é, obviamente, uma evocação do aspecto que o corpo dos doentes com SIDA em estado terminal assume. A demonização era desnecessária, quanto a mim.

Aqui não resisto, entre gargalhadas, a transcrever do Cruzes, o J que me desculpe - "São conhecidos os dons proféticos de Tolkien para descrever na década de 50 como seriam as vítimas da SIDA da década de 80".


Tanta referência ao triunfo dos homens bons e justos do Oeste perante os tiranos do Leste é obviamente uma referência ao mundo em que vivemos. E onde estão as mulheres? Relegadas para papéis secundários de serviçais e companheiras.

O disparate continua. Se a senhora em causa ler uma página que seja sobre a obra do autor, saberá que ele sempre negou a escrita de um livro alegórico, mas sim aplicável. A aplicabilidade reside na liberdade de adaptação do leitor, ao contrário da alegoria, intenção clara e calculada do autor.
Quanto à misoginia, talvez o homem até tenha sido, mas vimos o mesmo filme? Que eu saiba, o Rei Feiticeiro é morto por Ewoyn, a sobrinha do Rei Theoden.. para uma serviçal e submissa, tem umas grandes abébias. Já para não falar em Galadriel, mas enfim...


E pronto, cá fica.
Quanto a AMR, talvez um dia perceba que o seu papel nas intervenções televisivas ou outros quejandos, deve-se ao seu valor como bibelot engraçado, e abrande nos disparates.
Recomendo-lhe que leia ou oiça o discurso de Stephen King aquando da entrega do prémio que lhe foi concedido pela NBA ( não, Anabela, não são os tipos do basquetebol), e recue em tanta cagança para tão pouca competência. Saudações!

Aos restantes, um abraço.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Por alguma razão não consigo memorizar datas de aniversário.
Porque será?
Porque é que não esqueço a minha e recordo a de todos os outros, por exemplo?
Mais um livro a reter, e que espero arranjar o tempo para ler.

A biografia de Carl Jung que ao que parece, era um safardana na pior espécie, apesar dos esforços da sua biógrafa.
Chegou a lançar uma bomba de Carnaval para perto de uma das suas filhas, deixando-a surda de um ouvido, aparecia em ocasiões sociais com a mulher num braço e a amante ( a quem chamava a outra esposa), no outro, entre outras proezas.
Andou de candeias ás avessas com Freud e quase foi o psiquiatra de Hitler.

"Jung" - de Dierdre Bair.
"Our Fathers" de David France.

O repugnante universo da pedofilia na Igreja Católica Americana relatado num livro que segundo o Times, vale a pena ler.
Acho que vou á Amazon fazer uma encomenda...

"Here is the incredible criminal history of the Rev. Joseph Birmingham, "methodically moving from boy to boy like a champion at a pie-eating contest" and nicknamed Father Burning-hand by one of his many victims."

E pensar que alguns escritores de ficção têm dificuldade em criar monstros, quando a realidade está pejada deles...

Um Vergonhoso, Triste e Recorrente Fenómeno

O mais impressionante em todas estas situações é verificar como é que as pessoas conseguem odiar de morte a diferença, sem qualquer outro motivo que não um ressentimento injustificado. Até porque para quem trabalha com imigração, que é o meu caso, sabe que os argumentos económicos para justificar racismo são uma falácia já antiga e que não engana ninguém, à excepção do Paulinho das Feiras.
Enfim, dá logo volta ao estômago começar assim o dia, mas são as noticias do mundo...

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Embora já haja ecos deste evento em todas as publicações ou blogs, ou o que for, ainda estou a beliscar-me enquanto recordo a frase daquele senhor cujo nome nem memorizei e que crê que a mulher violada que engravide deveria ter a criança.
A minha cara metade deu um pulo de metro e meio no sofá e disse apenas isto:

"Só um homem é que poderia ter uma tirada destas. Alguém que não sabe do que fala".

Eu concordo com a IVG até ás dez semanas. Concordo que a defesa do valor vida nos moldes em que os ditos defensores da mesma o apresentam é uma falácia, uma vez que se descartam da noção de qualidade de vida e consequentes direitos humanos daqueles que alguém força a vir ao mundo. Esses senhores são os mesmos que vociferam contra o uso do preservativo, que propalam a abstinência, entre outros disparates. Aqueles que não sabem que em África um preservativo custa o equivalente a metade do rendimento mensal, e que muitas pessoas nem sequer sabem o que isso é. Pessoas que nascem apenas para morrer em condições que a nosso conforto nem sequer consegue imaginar como são. Mas segundo esses movimentos, nasceram e iso é que é importante. Agora desenrasquem-se.

Mas adiante.
O que realmente me chamou a atenção é existirem homens a ditar sentenças sobre algo que é um universo que a nós está vedado. Eu nunca saberei o que é ter uma escolha para procriar ou não, e como se posiciona o meu corpo ou consciência relativamente a essa matéria.
Por isso, qualquer lei que obste a uma escolha, que criminalize algo que critério cientifico nenhum consegue determinar, ou seja, o conceito de vida propriamente dito, é um tropeção moral onde deveria existir direito e objectividade relativa a uma autodeterminação de consciência individual.
O disparate que aquele senhor proferiu, como tantos naquela noite, é apenas uma prova de alguém que fala de cor, sem ter a mínima noção de como as coisas são ao nível do desespero que é para alguém ter de recorrer ao aborto.

Hoje de manhã ouvi a música dos Marretas.
E realmente existem coisas que tempo ou modernidade alguma conseguem por de parte. Aquela música ainda me faz arrepiar a pele, colocar um sorriso na cara e expressar uma ternura interna por algo que era e é um tiro na mouche.
Os Marretas, assim como os tresloucados da Warner nos seus episódios de seis a sete minutos são um delírio que ainda hoje não dispenso, apesar do olhar pouco entusiasta de quem tem de me aturar todos os dias.
A verdade é que a maioria dos meus amores reais surge e permanece, vem de dias antigos, vive de noções basilares do que era belo, engraçado, terno, importante, expresso em coisas como os Marretas ou o Tulicreme, do qual falou a Ana Albergaria.
Não me entendam mal. Não sou um saudosista, e muito menos um conservador ( cruzes canhoto, irra!), simplesmente tendo a afeiçoar-me ao que surge e fica com a naturalidade de ser simplesmente o que é.
Vou ouvir os Marretas mais uma vez, desculpem lá.
Passei de Martin Amis para Stephen King, e tenho Patricia Cornwell, Neil Gaiman ou William Faulkner em cima da mesa de cabeceira.
E parece que consigo ouvir as falanges de apoio do público dentro da minha cabeça a gritar para o seu favorito, um pouco á semelhança daquela cena hilariante da escolha da princesa no filme Shrek.
E isto porque cada um deles tem algo que eu posso andar á procura neste momento, mas o problema é decidir ou acertar na coincidência entre os apetites e a adequação.
Mas afinal de contas, não é essa a eterna dúvida acerca de cada coisa ou pessoa que amamos, nem que seja potencialmente?
Estou-me completamente a borrifar.
Estou a escrever uma história como queria há muito tempo. Daquelas que os iluminados culturais designariam de escapista, mirabolante, fantasiosa, e o diabo a sete.
Embora vá insegura, (pois a minha musa apresenta-se como uma sobrevivente em muito mau estado de um descarrilamento e colisão frontal entre comboios), há muito tempo que as ideias não pulavam desta maneira. Provavelmente serão ideias de merda para muitos, mas eu só tenho um mandamento na escrita, e foi o meu amigo que o disse. Aliás, está em baixo, numa outra posta, a bold, mas eu transcrevo.


Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.

We understand that fiction is a lie to begin with. To ignore the truth inside the lie is to sin against the craft, in general, and one's own work in particular.



E essa é a verdade para mim. Tentar sempre dizer a verdade, fazer uma estimativa do que seriam as reacções normais, escrever com a honestidade espelhada no desejo de contar uma história, e no que penso que realmente acontece nesse delírio feito narrativa. Se corto esquinas, faço-o sem saber.
No fundo creio em cada história e conto-a como ela me aparece, seja passada num subúrbio de Lisboa, ou nessa mesma cidade uns largos anos no futuro, com golfinhos de volta ao Tejo.

E divertir-me tanto como me chateio, porque quem escreve só para se chatear, comete um acto de masoquismo puro que sinceramente não entendo.



Parece que a regulamentação da Lei de Imigração lá vai andar para a frente, apesar das brigas de comadres ao nível do Conselho de Ministros.
O que é mais impressionante é que o PP já nem se dá ao trabalho de camuflar as suas tendências conservadoras e segregacionistas, seja neste aspecto, seja na questão do aborto, e por aí fora.
Entrincheirados nos seus fatinhos de risca branca, não fazem a mínima ideia do que é a conjuntura do país em termos de imigração, e a dinâmica dos fluxos de pessoas que estão ligadas, muitas vezes pelas piores razões, ao fenómeno migratório.
O número proposto, 6500, é uma falácia, e mais do que isso, é uma análise completamente cegueta da realidade nacional. Basta recordar que estamos a menos de seis meses do Euro, sendo que as obras e preparativos finais vão absorver e necessitar de um numero muito mais elevado.
O que choca realmente, não são os 6500, mas a forma como se chega a esse número, sem um estudo sério, onde se ausculta os verdadeiros actores sociais relativamente ao impacto que algo assim terá. As empresas e seus orgãos associativos ou representativos, os Sindicatos, os trabalhadores, não foram ouvidos, ou levados a contribuir com o que são as suas necessidades. 6500 é um número para inglês ver, que facilitará aquilo que Gomes Canotilho chamou de modelo restrictivo.
A quota de 6500 cidadãos estrangeiros estará esgotada em Março. Acreditem no que vos digo.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Atenção.
Hoje é dia de estréias.

Atenção a Thirteen - para uma reflexão sobre a dolescência á la Larry Clark ( parece que anda a produzir seguidores)

- Underworld - Parece que é um pouco banhoso, mas os cenários e premissa parecem engraçados. No entanto para certos argumentistas e realizadores, a tentação para borrar a pintura é irresistível por demais.

- In The Cut - Será o Instinto Fatal versão Jane Campion? Ou algo diferente. Uma coisa é certa - Meg Ryan agarrou na menina romântica de excrescências vomitantes como " You've Got mail" e compôs uma bad girl, ao que parece. Vamos lá ver o que sai.

Mas para a semana esteia Lost in Translation! - Vamos lá ver se Sofia Copolla repete o brilharete que fez com "Virgin Suicides" ( que já agora se deveria ter traduzido os suicídio virgens e não virgens suicidas, mas entende-se a intuito) um dos meus filmes preferidos. PElo que ouço falar e leio, parece que voltou a dar cartas. Estarei lá para ver.
Viva! Viva!

Parece que a pouca vergonha italiana vai acabar e até um país que é governado por um fascismo higiénico teve o bom senso de dizer basta quando as coisas chegam a um tal ponto de falta de decência e vergonha na cara.
Depois do bloqueio das inaceitáveis leis medida, Berlusconi já náo tem mão no barco que nem sequer sabia conduzir. "Don Corleone" poderá não ter outra solução senão convocar eleições antecipadas, o que seria uma alegria para a Europa, e para quem olha para a confusão institucional em Itália como um embaraço Europeu.
Parece que o bom senso pode tirar férias, mas nunca abandona o posto de trabalho. Viva por isso!

terça-feira, janeiro 13, 2004

Mesmo que pudesse fazer algum comentário condigno, não me atreveria...



I came to Sweden characterized as a pessimist, though I am an optimist. Now something - perhaps the wonderful warmth of your hospitality - has changed me into a comic. That is a hard position to sustain. It reminds me of days long ago when as a poor teacher I would take turn about during the night with my wife, getting our infant daughter to sleep. I remember once, how at three o'clock in the morning when I began to creep away from the cradle with its sleeping child, she opened her eyes and remarked: "Daddy, say something funny".

However, the moment has come for me to put off the jester's cap and bells.

I do thank Sweden for its wonderfully warm hospitality and I do thank the Nobel Foundation and the Swedish Academy for the welcome and unexpected way in which they have, so to speak, struck me with lightning. I only wish all borders were as easy to cross and all international exchanges as friendly.

I have been in many countries and I have found there people examining their own love of life, sense of peril, their own common sense. The one thing they cannot understand is why that same love of life, sense of peril and above all common sense, is not invariably shared among their leaders and rulers.

Then let me use what I suppose is my last minute of worldwide attention to speak not as one of a nation but as one of mankind. I use it to reach all men and women of power. Go back. Step back now. Agreement between you does not need cleverness, elaboration, manoeuvres. It needs common sense, and above all, a daring generosity. Give, give, give!

It would succeed because it would meet with worldwide relief, acclaim and rejoicing: and unborn generations will bless your name.



William Golding - Discurso de aceitação do seu Prémio Nobel da Literatura em 1983
Embora seja uma ideia antiga, os livros audio, para ouvir durante as secas de trânsito são a melhor das invenções quando a rádio se limita a remoer vezes e vezes sem conta as mesmas xaropadas comercialóides uma e outra e outra vez.
Descobri agora, e recomendo.
Audiobooks, uma bela ideia.
Recentemente vi um filme extremamente interessante, um pouco a puxar para a visão nihilista do Larry Clark é certo, ( do qual não sou um grande fã), mas com várias ideias que essencialmente fazem boas e incómodas perguntas.
Fiquei com a clara e já reiterada ideia de que os anos de crescimento e assimilação da personalidade têm uma permeabilidade absoluta aos contributos dos pais ou responsáveis, e que podem fazer estragos irreparáveis.
Deu-me igualmente a sensação de que o tal vazio e simulacro de amoralidade é finito, e que o cinismo não é eternamente resistente.
Gostei da ideia de procura, mesmo quando não se faz a menor ideia do objecto daquela.
Se bem que um baldas, petulante e com a mania que os chatos comem alface não fala com a eloquência e ecletismo cultural que o protagonista apresenta. Mas o Calvin também não fala como um miúdo de seis anos, e eu gosto imenso da banda desenhada, que nem por esse detalhe deixa de acertar na mouche.
Um dia. Uma experiência. Mais um grande filme.
Qual?
Igby Goes Down, de Burr Steers, e atenção aos dois outros manos Kulkin, a anos luz do tipinho irritante dos "Sozinhos em Casa."

Certo autor disse uma vez que os amigos podem ser como os empregados de bar. Vão e vêm, passam algum tempo connosco, são-nos algo, trocamos algo com eles e vemos a sua dinâmica de presença na nossa vida.
Os mecanismos da afeição, as atracções e repulsas parcelares que fazem o arquétipo de uma relação de amizade, conhecem fases, ou não fossem um derivativo do amor.
Mas são perguntas engraçadas aquelas que fazemos quando os empregados de bar se vão embora, porque já nos deram o que haviamos pedido ou simplesmente levaram o que precisavam. O bulício do bar continua, e por vezes lá os vemos, em meio a toda a multidão que os envolve. E então penso sinceramente que é cada vez melhor e mais recomendável o cultivo de uma amizade com o dono ou maitre de um restaurante lento, onde tudo pode não ocorrer á velocidade que desejamos, mas onde a presença acaba por permitir que o prato apure e se torne prolongadamente único. E como em tantas outras questões não metafóricas, o fast food tem aquela qualidade de alternância esparsa, a ser experimentada somente de tempos a tempos. Sabe bem, é verdade, mas em nada se prolonga.


Não se trata de sexismo amigos...
A sério...

"Woman Causes Parking Garage Chaos
Mon Jan 12,10:00 AM ET Add Oddly Enough - Reuters to My Yahoo!

BERLIN (Reuters) - A German woman caused more than 100,000 euros ($128,300) of damage when an attempt to back out of her spot in a parking garage ended with her car on its roof and four other vehicles damaged, police said Monday.
Police said the woman reversed sharply out of her spot on the upper level of a multi-story parking in the southwestern town of Kirchen, writing off a parked Nissan and damaging a Mitsubishi next to it, police said.

She then accelerated forward, speeding through her original parking place and over a low protective wall -- pitching her Audi some six meters (20 feet) down on to a lower level of the car park.
The car crashed on to a Renault, hit a Citroen and finally came to rest on its roof.
Police said the woman was treated in hospital but that her injuries were not life-threatening. "A blood test was taken after suspicions she was under medication," a spokesman said.
Existem dias de surpresa.
E qual foi a minha quando hoje deparo com um escrito de João Pereira Coutinho onde o moço não só se confessa um admirador de Stephen King, como lhe dispensa encómios, e como faz uma espécie de reconhecimento daquilo que o autor citado refere no seu discurso aquando da atribuição de um prémio literário importante. Neste discurso, King dá uma agulhadas certeiras á chamada crítica iluminada que a história tantas vezes tem provado estar errada e não passar de um bando de snobs com a ideia de universalização de um gosto ou tendência.
Ver JPC apoiar uma causa ou ideia destas deixou-me boquiaberto... sinceramente.
Não o julgava capaz de tal coisa, leia-se, humildade e algo escrito em teor construtivo e não no seu habitual arrazoado de ataques em todas as frentes.
Há dias assim, de surpresa.

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Confesso que ultimamente não tenho lido outros blogs.
A falta de tempo é de facto um argumento de peso, mas sobretudo, porque muitos deles se ocupam constatemente de querelas de cariz político mais ou menos disfarçado, um número considerável acha engraçado e "cool" encontrar 65453164 maneiras de desprezar outros e dar a sua visão da realidade como uma espécie de evidência palpalva. Ou seja, em grande número de blogs as coisas andam mais ou menos como uma contenda acesa, e tudo á pantufada.
Felizmente existem outros que espero voltar a ver muito em breve.
Vocês sabem quem são.

Abraços
Aos snobs que julgam a qualidade da literatura pelos seus gostos pessoais ao nível dos conceitos, não fará mal nenhum ler este discurso de um homem que está cansado de provar que sabe escrever, e que finalmente já reconhecimento.

Um documento acutilante, grato, tocanto por vezes, mas um elogio fantástico á honestidade na escrita. Ou seja, imagine-se ou relate-se, tente-se de alguma forma ser o mais honesto possível no que se quer dizer, seja o relator Tolkien ou Irving Welsh.

Aos que gostam da obra do homem, que é o meu caso, é sempre um prazer vê-lo ganhar vida fora das páginas de uma narrativa.




Stephen King
Winner of the 2003
DISTINGUISHED CONTRIBUTION TO AMERICAN LETTERS AWARD


"Thank you very much. Thank you all. Thank you for the applause and thank you for coming. I'm delighted to be here but, as I've said before in the last five years, I'm delighted to be anywhere.

This isn't in my speech so don't take it out of my allotted time. There are some people who have spoken out passionately about giving me this medal. There are some people who think it's an extraordinarily bad idea. There have been some people who have spoken out who think it's an extraordinarily good idea. You know who you are and where you stand and most of you who are here tonight are on my side. I'm glad for that. But I want to say it doesn't matter in a sense which side you were on. The people who speak out, speak out because they are passionate about the book, about the word, about the page and, in that sense, we're all brothers and sisters. Give yourself a hand.

Now as for my remarks. The only person who understands how much this award means to me is my wife, Tabitha. I was a writer when I met her in 1967 but my only venue was the campus newspaper where I published a rude weekly column. It turned me into a bit of a celebrity but I was a poor one, scraping through college thanks to a jury-rigged package of loans and scholarships.

A friend of Tabitha Spruce pointed me out to her one winter day as I crossed the mall in my jeans and cut-down green rubber boots. I had a bushy black beard. I hadn't had my hair cut in two years and I looked like Charlie Manson. My wife-to-be clasped her hands between her breasts and said, "I think I'm in love" in a tone dripping with sarcasm.

Tabby Spruce had no more money than I did but with sarcasm she was loaded. When we married in 1971, we already had one child. By the middle of 1972, we had a pair. I taught school and worked in a laundry during the summer. Tabby worked for Dunkin' Donuts. When she was working, I took care of the kids. When I was working, it was vice versa. And writing was always an undisputed part of that work. Tabby finished the first book of our marriage, a slim but wonderful book of poetry called Grimoire.

This is a very atypical audience, one passionately dedicated to books and to the word. Most of the world, however, sees writing as a fairly useless occupation. I've even heard it called mental masturbation, once or twice by people in my family. I never heard that from my wife. She'd read my stuff and felt certain I'd some day support us by writing full time, instead of standing in front of a blackboard and spouting on about Jack London and Ogden Nash. She never made a big deal of this. It was just a fact of our lives. We lived in a trailer and she made a writing space for me in the tiny laundry room with a desk and her Olivetti portable between the washer and dryer. She still tells people I married her for that typewriter but that's only partly true. I married her because I loved her and because we got on as well out of bed as in it. The typewriter was a factor, though.

When I gave up on Carrie, it was Tabby who rescued the first few pages of single spaced manuscript from the wastebasket, told me it was good, said I ought to go on. When I told her I didn't know how to go on, she helped me out with the girls' locker room stuff. There were no inspiring speeches. Tabby does sarcasm, Tabby doesn't do inspiration, never has. It was just "this is pretty good, you ought to keep it going." That was all I needed and she knew it.

There were some hard, dark years before Carrie. We had two kids and no money. We rotated the bills, paying on different ones each month. I kept our car, an old Buick, going with duct tape and bailing wire. It was a time when my wife might have been expected to say, "Why don't you quit spending three hours a night in the laundry room, Steve, smoking cigarettes and drinking beer we can't afford? Why don't you get an actual job?"

Okay, this is the real stuff. If she'd asked, I almost certainly would have done it. And then am I standing up here tonight, making a speech, accepting the award, wearing a radar dish around my neck? Maybe. More likely not. In fact, the subject of moonlighting did come up once. The head of the English department where I taught told me that the debate club was going to need a new faculty advisor and he put me up for the job if I wanted. It would pay $300 per school year which doesn't sound like much but my yearly take in 1973 was only $6,600 and $300 equaled ten weeks worth of groceries.

The English department head told me he'd need my decision by the end of the week. When I told Tabby about the opening, she asked if I'd still have time to write. I told her not as much. Her response to that was unequivocal, "Well then, you can't take it."

One of the few times during the early years of our marriage I saw my wife cry really hard was when I told her that a paperback publisher, New American Library, had paid a ton of money for the book she'd rescued from the trash. I could quit teaching, she could quit pushing crullers at Dunkin' Donuts. She looked almost unbelieving for five seconds and then she put her hands over her face and she wept. When she finally stopped, we went into the living room and sat on our old couch, which Tabby had rescued from a yard sale, and talked into the early hours of the morning about what we were going to do with the money. I've never had a more pleasant conversation. I have never had one that felt more surreal.

My point is that Tabby always knew what I was supposed to be doing and she believed that I would succeed at it. There is a time in the lives of most writers when they are vulnerable, when the vivid dreams and ambitions of childhood seem to pale in the harsh sunlight of what we call the real world. In short, there's a time when things can go either way.
That vulnerable time for me came during 1971 to 1973. If my wife had suggested to me even with love and kindness and gentleness rather than her more common wit and good natured sarcasm that the time had come to put my dreams away and support my family, I would have done that with no complaint. I believe that on some level of thought I was expecting to have that conversation. If she had suggested that you can't buy a loaf of bread or a tube of toothpaste with rejection slips, I would have gone out and found a part time job.

Tabby has told me since that it never crossed her mind to have such a conversation. You had a second job, she said, in the laundry room with my typewriter. I hope you know, Tabby, that they are clapping for you and not for me. Stand up so they can see you, please. Thank you. Thank you. I did not let her see this speech, and I will hear about this later.

Now, there are lots of people who will tell you that anyone who writes genre fiction or any kind of fiction that tells a story is in it for the money and nothing else. It's a lie. The idea that all storytellers are in it for the money is untrue but it is still hurtful, it's infuriating and it's demeaning. I never in my life wrote a single word for money. As badly as we needed money, I never wrote for money. From those early days to this gala black tie night, I never once sat down at my desk thinking today I'm going to make a hundred grand. Or this story will make a great movie. If I had tried to write with those things in mind, I believe I would have sold my birthright for a plot of message, as the old pun has it. Either way, Tabby and I would still be living in a trailer or an equivalent, a boat. My wife knows the importance of this award isn't the recognition of being a great writer or even a good writer but the recognition of being an honest writer.

Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.

Of course, I only have my own senses, experiences and reading to draw on but that usually - not always but usually - usually it's enough. It gets the job done. For instance, if an elevator full of people, one of the ones in this very building - I want you to think about this later, I want you to think about it - if it starts to vibrate and you hear those clanks - this probably won't happen but we all know it has happened, it could happen. It could happen to me or it could happen to you. Someone always wins the lottery. Just put it away for now until you go up to your rooms later. Anyway, if an elevator full of people starts free-falling from the 35th floor of the skyscraper all the way to the bottom, one of those view elevators, perhaps, where you can watch it happening, in my opinion, no one is going to say, "Goodbye, Neil, I will see you in heaven." In my book or my short story, they're far more apt to bellow, "Oh shit" at the top of their lungs because what I've read and heard tends to confirm the "Oh shit" choice. If that makes me a cynic, so be it.

I remember a story on the nightly news about an airliner that crashed killing all aboard. The so-called black box was recovered and we have the pilot's immortal last four words: "Son of a bitch". Of course, there was another plane that crashed and the black box recorder said, "Goodbye, Mother," which is a nicer way to go out, I think.

Folks are far more apt to go out with a surprised ejaculation, however, then an expiring abjuration like, "Marry her, Jake. Bible says it ain't good for a man to be alone." If I happen to be the writer of such a death bed scene, I'd choose "Son of a bitch" over "Marry her, Jake" every time. We understand that fiction is a lie to begin with. To ignore the truth inside the lie is to sin against the craft, in general, and one's own work in particular.

I'm sure I've made the wrong choices from time to time. Doesn't the Bible say something like, "for all have sinned and come short of the glory of Chaucer?" But every time I did it, I was sorry. Sorry is cheap, though. I have revised the lie out if I could and that's far more important. When readers are deeply entranced by a story, they forget the storyteller completely. The tale is all they care about.

But the storyteller cannot afford to forget and must always be ready to hold himself or herself to account. He or she needs to remember that the truth lends verisimilitude to the lies that surround it. If you tell your reader, "Sometimes chickens will pick out the weakest one in the flock and peck it to death," the truth, the reader is much more likely to go along with you than if you then add something like, "Such chickens often meld into the earth after their deaths."

How stringently the writer holds to the truth inside the lie is one of the ways that he can judge how seriously he takes his craft. My wife, who doesn't seem to know how to a lie even in a social context where people routinely say things like, "You look wonderful, have you lost weight?" has always understood these things without needing to have them spelled out. She's what the Bible calls a pearl beyond price. She also understands why I was in those early days so often bitterly angry at writers who were considered "literary." I knew I didn't have quite enough talent or polish to be one of them so there was an element of jealousy, but I was also infuriated by how these writers always seemed to have the inside track in my view at that time.

Even a note in the acknowledgments page of a novel thanking the this or that foundation for its generous assistance was enough to set me off. I knew what it meant, I told my wife. It was the Old Boy Network at work. It was this, it was that, on and on and blah, blah, blah. It is only in retrospect that I realize how much I sounded like my least favorite uncle who believed there really was an international Jewish cabal running everything from the Ford Motor Company to the Federal Reserve.

Tabitha listened to a fair amount of this pissing and moaning and finally told me to stop with the breast beating. She said to save my self-pity and turn my energy to the typewriter. She paused and then added, my typewriter. I did because she was right and my anger played much better when channeled into about a dozen stories which I wrote in 1973 and early 1974. Not all of them were good but most of them were honest and I realized an amazing thing: Readers of the men's magazines where I was published were remembering my name and starting to look for it. I could hardly believe it but it appeared that people wanted to read what I was writing. There's never been a thrill in my life to equal that one. With Tabby's help, I was able to put aside my useless jealousy and get writing again. I sold more of my short stories. I sold Carrie and the rest, as they say, is history.

There's been a certain amount of grumbling about the decision to give the award to me and since so much of this speech has been about my wife, I wanted to give you her opinion on the subject. She's read everything I've written, making her something of an expert, and her view of my work is loving but unsentimental. Tabby says I deserve the medal not just because some good movies were made from my stories or because I've provided high motivational reading material for slow learners, she says I deserve the medal because I am a, quote, "Damn good writer".

I've tried to improve myself with every book and find the truth inside the lie. Sometimes I have succeeded. I salute the National Book Foundation Board, who took a huge risk in giving this award to a man many people see as a rich hack. For far too long the so-called popular writers of this country and the so-called literary writers have stared at each other with animosity and a willful lack of understanding. This is the way it has always been. Witness my childish resentment of anyone who ever got a Guggenheim.

But giving an award like this to a guy like me suggests that in the future things don't have to be the way they've always been. Bridges can be built between the so-called popular fiction and the so-called literary fiction. The first gainers in such a widening of interest would be the readers, of course, which is us because writers are almost always readers and listeners first. You have been very good and patient listeners and I'm going to let you go soon but I'd like to say one more thing before I do.

Tokenism is not allowed. You can't sit back, give a self satisfied sigh and say, "Ah, that takes care of the troublesome pop lit question. In another twenty years or perhaps thirty, we'll give this award to another writer who sells enough books to make the best seller lists." It's not good enough. Nor do I have any patience with or use for those who make a point of pride in saying they've never read anything by John Grisham, Tom Clancy, Mary Higgins Clark or any other popular writer.

What do you think? You get social or academic brownie points for deliberately staying out of touch with your own culture? Never in life, as Capt. Lucky Jack Aubrey would say. And if your only point of reference for Jack Aubrey is the Australian actor, Russell Crowe, shame on you.
There's a writer here tonight, my old friend and some time collaborator, Peter Straub. He's just published what may be the best book of his career. Lost Boy Lost Girl surely deserves your consideration for the NBA short list next year, if not the award itself. Have you read it? Have any of the judges read it?

There's another writer here tonight who writes under the name of Jack Ketchum and he has also written what may be the best book of his career, a long novella called The Crossings. Have you read it? Have any of the judges read it? And yet Jack Ketchum's first novel, Off Season published in 1980, set off a furor in my supposed field, that of horror, that was unequaled until the advent of Clive Barker. It is not too much to say that these two gentlemen remade the face of American popular fiction and yet very few people here will have an idea of who I'm talking about or have read the work.

This is not criticism, it's just me pointing out a blind spot in the winnowing process and in the very act of reading the fiction of one's own culture. Honoring me is a step in a different direction, a fruitful one, I think. I'm asking you, almost begging you, not to go back to the old way of doing things. There's a great deal of good stuff out there and not all of it is being done by writers whose work is regularly reviewed in the Sunday New York Times Book Review. I believe the time comes when you must be inclusive rather than exclusive.
That said, I accept this award on behalf of such disparate writers as Elmore Leonard, Peter Straub, Nora Lofts, Jack Ketchum, whose real name is Dallas Mayr, Jodi Picoult, Greg Iles, John Grisham, Dennis Lehane, Michael Connolly, Pete Hamill and a dozen more. I hope that the National Book Award judges, past, present and future, will read these writers and that the books will open their eyes to a whole new realm of American literature. You don't have to vote for them, just read them.

Okay, thanks for bearing with me. This is the last page? This is it. Parting is such sweet sorrow. My message is simple enough. We can build bridges between the popular and the literary if we keep our minds and hearts open. With my wife's help, I have tried to do that. Now I'm going to turn the actual medal over to her because she will make sure in all the excitement that it doesn't get lost.

In closing, I want to say that I hope you all find something good to read tonight or tomorrow. I want to salute all the nominees in the four categories that are up for consideration and I do, I hope you'll find something to read that will fill you up as this evening as filled me up. Thank you. "

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Façamos umas continhas:

O Prof. Marcelo revela em várias publicações que lê, em média, 60 livros por mês.
Vamos então lá fazer algumas contas:

Tendo em conta uma média de 200 páginas por livro, já que uns serão mais pequenos, mas outros com certeza maiores, chegamos a esta cifra.

60/30= 2 - portanto, em média 2 livros por dia.

Se cada livro tiver 200 páginas, e cada página levar 1 minuto a ser lida, dá cerca de 3,33333 ( dízima infinita não periódica), horas para cada livro, ou seja, como são dois diariamente, são cerca de seis horas diárias para leitura, isto pela média, porque alguns dos livros são calhamaços complicados de digerir assim á má fila.

Tendo em conta a revista televisiva da semana que exige trabalho de investigação, as aulas e exames de mestrado, as aulas de faculdade, e o trabalho como jurisconsulto em variadas matérias, que vão do Direito Constitucional ao Administrativo e Financeiro, pergunto-me uma coisa.

Como é que o homem consegue para além disto ler 6 horas por dia, e estar a par de tudo?

Confesso-me intrigado.

Aceitam-se sugestões e comentários que me elucidem este mistério.

Agradecido.

P.S. - A Biblioteca de Pacheco Pereira, ao que parece, tem 25.000 volumes.
Para os ler todos, a dois por dia também,seriam necessários 34 anos de 6 horas de leitura diária ininterrupta.
Chiça, sou uma besta inculta ainda maior do que pensava...