ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, março 29, 2004

CARTAS A SÓNIA VI

Não é fácil ser humano. Humano naquela asserção em que a inspiração junto de outros manifesta-se por uma combinação entre uma firme e paradoxal crença racionalizante nas pessoas. Apesar de tudo, pensarás.
A verdade é que ser humano, daqueles que nos envergonham porque a meio da sua naturalidade jorram um elemento composto de humildade e ambição na personalidade, é um feito absoluto, em meu ver. Porque está lá conservada uma espécie muito peculiar de inocência. Aquela que reconhece o cinismo e até bebe uns cafés com ele de quando em vez.
Aquilo que mais me espanta é como consegues fazer isso tudo.
Como consegues ir perdoando, descobrindo, e agregando, mesmo quando muitas pessoas olham para o outro lado, em busca da descomplicação.
Ser indefeso perante alguém que se mostra num acto contínuo de querer bem e querer justo, é para mim simplesmente natural.
Seres tu, explica muita coisa.
Especialmente a razão pela qual somos levados a isolar apenas alguns seres humanos, precisamente aqueles que o conseguem ser.
Com toda a complexidade e sentimentos contraditórios.
Com toda a dificuldade e desejado visionarismo.
Não é facil ser humano.
Como é que fazes?
A minha Amiga Ana falou há tempos da pena de morte, e da complicada discussão que há em torno da questão.
Tendo tido contacto com pessoas que trabalharam na polícia judiciária na altura em que fazia pesquisa para uma história, e sabendo o que eles vêm diariamente, e daquilo que algumas pessoas são capazes de fazer ás outras, eu entendo a hesitação que ela tem em desconsiderar absolutamente a pena de morte.
Quando ouvimos falar em pessoas que metem bebés em microondas ou matam pensionistas á martelada para lhe roubar pouco mais que dez Euros, o distanciamento racional é uma tarefa complicada. Basta fazer o velhor truque da personalização da dor, do choque e da revolta.
Basta imaginar que é à nossa mulher, amgio ou filho que abrem a garganta de um lado a outro. Ou que os mutilam na pré-morte. Ou que os sujeitam a todo o tipo de sevícias imagináveis, e a imaginação humana para o horror é , aparentemente, infindável.
Imagino a minha mulher sujeita a um acto desta sorte. Imagino ter de confrontar a morte dela, e conhecer do sofrimento, do medo, da dor que a precedeu. Se desejaria matar o agressor? Provavelmente. E com as minhas próprias mãos, com certeza.
Mas a criação das leis, da ideia de Estado de Direito, do manancial de direitos que assistem á verdadeira e desejável forma de democracia não pressupõe uma movimento de elevação relativamente á pena de retribuição pura? Do olho por olho? Não é a utilização da morte uma incoerência? Embora o nosso sentido de justiça e retribuição seja manifestado provavelmente em agressão tendente á morte, não deve ele ser refreado, sob pena de se tornar complicadíssimo traçar uma linha?
O historial de tantos assassinos em série, daqueles que povoam os pesadelos e argumentos mais ou menos conseguidos de alguns filmes e livros, denota normalmente um historial de abuso e violência psíquica e mental.
O pai, (ou mãe - embora seja muito mais raro, é verdade) , que viola o filho, que o espanca, que gera um senso de alheamento da realidade mas não uma perda de sanidade, criando assim um assassino de sangue frio e crueldade inumana, não deveria sofrer também qualquer espécie de condenação?
Eu não tenho posição completamente firme sobre a questão.
Julgo que é complicado não sentir um desejo de morte perante, por exemplo, violadores e mutiladores de crianças.
Mas também sei que a ideia do contrato social que forma os estados e as sociedades assenta num caminho que desejavelmente será melhor que a simples organização com base em soluções "Salomanianas".
Seria justo matar uma pessoa desse calibre?
Talvez, assim como á luz de uma justiça precisa, Salomão poderia ter cortado o miudo em duas postas.
Mas tanto um como outro não me parecem a solução adequada.
A pena de morte pode ser o produto de um impulso até justificado, mas não deve ser o estandarte identificativo de um Estado de Direito.
"Que a punição convenha ao crime", já lá dizia o japonês.
Em Democracia, é encontrar esta adequação que significa o desafio, e não simplesmente desfazermo-nos do problema pela morte, como se a sociedade pudesse irresponsabilizar-se dos actos perpetrados por algo que por ela foi produzido.
A pena de morte não me parece solução, porque em certa medida, duvido que qualquer uma das testemunhas que tenham visto uma execução do autor de crimes contra si ou a sua familia/amigos, tenha sentido qualquer felicidade, alívio ou contentamento. Sinceramente, penso que o que fica deve ser um vazio, uma inexplicabilidade perante algo que não fez sentido nem no momento do crime, nem na suposta e devida punição ou retribuição.
No fundo, amiga Ana Albergaria, dou-te meia razão.
Porque é, e será sempre um assunto complicadíssimo de racionalizar.
Mas esta é a minha opinião.

Ando rendido aos audiobooks. E digo o termo em inglês porque a produção nacional de tal instrumento, que torna os períodos de viagem automóvel num absoluto prazer, é inexistente.
Será que alguém alguma vez terá a iluminada ideia de começar a juntar uns actores e dar voz a livros, permitindo que as pessoas possam aproveitar o tempo imbecil que se passa no trânsito?
Espero que sim.
Nem que seja Margarida Rebelo Pinto, lida pela Fernanda Serrano ou a Paula Bobonne. Pensando bem, é melhor não dar ideias...
Mas fica o pensamento.
Para já, restam as magníficas edições inglesas, feitas prazer de leitura através de um truque que até nos leva á infância.
Que coisa será melhor que retornar a um ponto no qual as histórias nos são contadas? O prazer de ouvir alguém que tem algo um pouco mais longo, complexo e recompensador para dizer.
Vivam os livros em suporte audio!
Que alguém se lembre de os começar a traduzir.
Que alguém comece a pensar em contar histórias...


A dor de cotovelo

Esta sempre foi uma das minhas perplexidades. Como é que alguém consegue falar à boca cheia, com um snobismo que realmente revela o calibre de certas pessoas e a incapacidade para uma tão necessária humildade?
Como é que alguém que escreve, calcando o estilo de um cronista que, enfim, é no mínimo discutível, pode tecer determinadas considerações acerca de um Prémio Nobel, alguém que mostrou ao mundo a capacidade que tinha ínsita na sua obra?
Mas para este amigo, a academia sueca só tem momentos de lucidez alternados, o que comprova a falta de imparcialidade na análise da obra de alguém, fazendo uma avaliação pelo critério de posicionamento político, que como se sabe, é do piorio.
Ezra Pound era um fascizóide de primeira água. Mas a sua obra provavelmente transcende o seu posicionamento político. Mas para este "sopeiro", isso já é irrelevante.
A dor de cotovelo está, neste caso, associada á lata ou falta de capacidade de auto-análise. Porque o tamanho da lata e descaramento que é necessário ter para falar de alguém que ficará para sempre na história das letras, quando a única coisa que se consegue produzir é um estilo de escrita e opinião passado a papel químico de alguém que acha porreiro ser um Bad Boy que fala mal de tudo, ultrapassa aquilo que é, em meu ver, mensurável.
Pode não gostar-se da obra de Saramago. Gaita, eu só consegui ler dois livros dele e não é ás suas páginas que vou quando quero reler algo que me dá efectivamente prazer, ou que seja terapêutico.
Mas é preciso realmente não ter qualquer noção das realidades quando se compara o Prémio Nobel a um cágado, e quando não se tem senão um blogzinho miserável, como este, que começa a não ser sequer levado a sério, tal é a dimensão da soberda presente nas suas afirmações.
A dor de cotovelo é uma coisa complicada.


quinta-feira, março 25, 2004

Criado Scriptorium moderno com 50 mil noviços arranjados à pressão...

A primeira pergunta que me ocorre é bem simples... para quê?

A segunda observação prende-se com uma curiosidade.

A secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais, assinalou o início do projecto, ontem, na Escola Gabriel Pereira, em Évora, ao escrever o primeiro versículo do Salmo I.

Ora esta senhora foi a mesma que recusou colaborar com os projectos de áreas curriculares de educação sexual e distribuição de preservativos nas escolas, numa demonstração de irresponsabilidade social que roça o cómico. Aliás, como do suposto crachá da moralidade Neoblanc.
É esclarecedor ver onde estão as prioridades desta senhora, como, e infelizmente, estão as de muitas pessoas. Só que essas não têm responsabilidades ao nível da educação dos jovens e alunos das escolas, podendo dar-se ao luxo de enterrar a cabeça na areia e não ver o mundo como ele é.
Lamentável... mas cada vez mais típico neste país de hoje...

terça-feira, março 23, 2004

Como é que é possível?

Como é que se consegue ser tão reaccionário? Tão segregacionista e elistista ao ponto de desprezar tudo o que não marcha ao ritmo daquela forma de pensamento?
Os exemplos de seguidismo são sempre lamentáveis, mas seguidismo "clonelike" a um personagem como João Pereira Coutinho é no mínimo cómico.

Vejam com os vossos próprios olhos.



segunda-feira, março 22, 2004

O que é exactamente a misoginia, mas quando aplicada de forma inversa?
Será femininismo? Sinceramente que não sei.

Aquilo que me ocorre dizer sobre o assunto é que a querela, ainda que acesa e carburante, não o faz por si só, mas sim alimentada com gente com acesso a muita lenha seca e oca. E ainda por cima, em certa medida, apoiada em justificações que são no mínimo, estranhas formas de ocupação mental, e defesa de bizarros territórios.
Eu cá digo sim ao eterno masculino, porque a suposta evidência da mente do homem é uma terrível falácia, e o amor complexo não é de forma nenhuma feudo do belo sexo.
Não sei porque me ocorreu isto agora.


Desculpem lá...
Não vou ver a Paixão de Cristo.

Eis porquê...

Como se já não bastasse de fanatismos no mundo de hoje.

sexta-feira, março 19, 2004

A beleza pode ser problema. De uma magnífica espécie, mas ainda assim, um problema.
Anda por aí, e apresenta-se com a naturalidade implacável de algo que existe positivamente sem intenção, que acrescenta sem esforço, que provoca reflexão dividida entre um estado taciturno e estranhamente esperançoso.
É como imaginar a captura de um instante perfeito submetido á ilusão da persistência da retina, ou seja, que se repete indefenidamente, com vida.
Quem já viu uma mulher bonita a dançar quando o sabe fazer, entenderá o que quero dizer.
Frase da semana:

"I serve my country by rocking!!!!"

Jack Black

"The greatest test of courage on earth is to bear defeat without losing heart"

Robert Green Ingersoll 1833-1899, Advogado e Orador Americano


Empire of Lights - R. Magritte

Este quadro maravilhoso evoca sempre a mesma ideia para mim. Uma miscelânea fantástica de luz e sombra, de mistério, distância, tensão prévia a uma série de acontecimentos.
É uma história, onde tudo se mistura e integra, á semelhança da natureza composta de que somos feitos.
Só desejaria conseguir contar uma história que de alguma forma reflectisse a sensação deste quadro.
O deambular entre a luz e a sombra, a aura de medo e a promessa de céu azul e claro num mesmo cenário. A inquietação, a projecção do silêncio como antecâmara dos ruídos da noite.
Este é um quadro que me fala de medo, a representação gráfica da genial história de Henry James - "The Turn of The Screw".
É a subtileza de um verdadeiro mergulho na imaginação perante aquilo que parece absolutamente normal, mas não o é. Porque ao olhar para este quadro, vejo tanta coisa que não está lá.
O facto de William Friedkin ter criado uma das mais emblemáticas imagens do cinema com base neste quadro prova que realmente não há acasos, e que os momentos de real génio surgem sempre como uma primeira aparição de algo sublime.
Vivemos num estado onde o positivismo jurídico produz pérolas como a que vamos ler a seguir, especialmente no que concerne ás normas programáticas, se bem que isto nem sequer é uma norma propriamente dita, mas enfim.
Não se instituiu a educação sexual nas escolas, porque alguns retardados julgam que fere uma qualquer noção de moral acerca da qual nem vale a pena discutir pela ridicularia que reveste, nem se permite, ao contrário do resto da Europa, a criação de uma lei que permita a Interrupção Voluntária da Gravidez dentro de prazos legalmente estabelecidos e em condições dignas, com devido acompanhamento médico.
O Estado Português, através do seu orgão legislativo, á guisa da mais proficiente das avestruzes, prefere ignorar a realidade com base num critério moral acerca de questões que nem sequer deveriam estar sob alçada do pode político/legislativo, e produz pessegadas como esta.
Uma chouriçada programática, ainda que bem intencionada, e que supostamente é apresentada como a solução para uma questões tão importantes como a IVG, a gravidez adolescente, a propagação de doenças sexualmente transmissíveis e a educação sexual.

Tendo em conta que a Secretária de Estado da Educação que
tem delírios mentais como este -

"Mariana Cascais, secretária de Estado da Educação e militante do CDS-PP, defendeu recentemente, em entrevista ao "Diário de Notícias", que não deveria existir uma disciplina específica para a educação sexual, contrariando o espírito de um projecto em elaboração pelo grupo parlamentar do PSD. Mariana Cascais disse ainda discordar da possibilidade de haver preservativos nas escolas, uma medida prevista na lei em vigor, da responsabilidade do PS."
-In Público de 11-03-2004
-

aceitam-se desde já apostas.

Eu aposto (probabilidades de 1000 contra 1) como na melhor das hipóteses, o documento infra transcrito vai ficar como está, ou seja, uma declaração de intenções que não passa disso mesmo, que alguém acredita que substitui a responsabilidade do Estado em resolver este problema e não fingir que ele não existe. Ou seja, as boas intenções e nada mais, apresentadas como um pungente "nós fizemos o que podíamos".
Leiam o documento e riam.
Eu cá comecei o dia com uma gargalhada sentida.


Resolução da Assembleia da República n.º 28/2004
Medidas de prevenção no âmbito da interrupção voluntária da gravidez
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo ( han, já viram? recomenda, sugere, mas força obrigatória geral? nope, sorry) o seguinte:
1 - Na área da educação:
1.1 - Apostar na educação para a saúde, criando uma área curricular autónoma de formação e desenvolvimento pessoal dirigida especificamente aos alunos do 3.º ao 9.º ano de escolaridade;
1.2 - Esta área curricular, ou disciplina, a partir do 7.º ano, deve ser obrigatória, salvaguardando a responsabilidade dos pais, nos termos da Constituição e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, sujeita a avaliação, e vocacionada para a educação dos comportamentos nos domínios da civilidade e da saúde física e mental, com especial prioridade à saúde sexual e reprodutiva;
1.3 - Dotar cada centro de apoio social escolar (CASE) dos recursos indispensáveis à promoção da saúde, bem como ao apoio, acompanhamento e rastreio dos alunos em situação de risco, nomeadamente nos domínios da alimentação, do consumo de substâncias aditivas que geram dependências e da saúde sexual;
1.4 - Instituir a figura do tutor escolar vocacionado para a ajuda e o aconselhamento e para a primeira abordagem no despiste e identificação de situações de risco entre os alunos, bem como na articulação com a intervenção especializada ao nível dos CASE;
1.5 - Promover acções de informação, formação e prevenção junto das comunidades educativas visando a circunscrição das condutas e práticas de agressão e violência sobre e entre menores;
1.6 - Criar condições de flexibilização de horários escolares e de exames com vista a que os mesmos se adeqúem à continuação do percurso escolar das mães ou grávidas adolescentes e jovens.
2 - Na área do apoio à maternidade:
2.1 - Criar condições especiais no acesso a creches e jardins-de-infância por parte dos filhos de jovens mães estudantes com o objectivo de lhes permitir a manutenção no sistema de ensino;
2.2 - Reforçar a fiscalização das empresas no que respeita ao cumprimento da lei sobre a protecção da maternidade e da paternidade;
2.3 - Apoiar as instituições particulares de solidariedade social que prestam ajuda e aconselhamento a jovens mães em situação de carência económica ou de vulnerabilidade social;
2.4 - Estimular a criação e o desenvolvimento dos centros de apoio à vida com o objectivo de apoiar mães grávidas solteiras e mães com dificuldades económicas e sociais;
2.5 - Flexibilizar os mecanismos de atribuição de licenças de maternidade, ajustando-os melhor ao objectivo da conciliação de responsabilidades familiares e profissionais;
2.6 - Acompanhar o cumprimento da Lei da Adopção no sentido da sua plena aplicação e da sua premência, tendo em conta as alterações de procedimentos e práticas nos domínios da segurança social, da justiça e da saúde.
3 - Na área do planeamento familiar:
3.1 - Garantir que todas as farmácias, de forma permanente, assegurem a dispensa de todos os meios e métodos contraceptivos previstos na legislação em vigor;
3.2 - Promover a efectiva articulação entre os centros de atendimento a jovens, os centros de saúde e os hospitais da área de referência, bem como com as unidades móveis de saúde, com o objectivo de alargar a efectiva cobertura de consultas de planeamento familiar e de saúde materna a um grupo particularmente vulnerável como são os adolescentes e jovens;
3.3 - Reforçar as condições de acesso aos meios e métodos contraceptivos de forma a prevenir e evitar a gravidez indesejada e ou inesperada, especialmente em grupos particularmente vulneráveis, devido a exclusão social, carência económica ou dificuldades de acesso à rede de saúde pública;
3.4 - Reduzir os tempos de espera das cirurgias de laqueação e de vasectomias.
4 - Na área da interrupção voluntária da gravidez:
4.1 - Garantir, através de orientações precisas aos hospitais do SNS, o integral e atempado cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, garantindo às mulheres, em situação que preencha as condições legais, a interrupção voluntária;
4.2 - Em caso de impossibilidade, o hospital deve garantir o imediato acesso a outro estabelecimento público ou privado, suportando o SNS os respectivos encargos;
4.3 - Apresentar um relatório anual na Assembleia da República sobre o grau de cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez.

Aprovada em 3 de Março de 2004.
O Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral.

quinta-feira, março 18, 2004

Emersos nos nossos códigos comportamentais, sabemos que a Primavera chega.
Mas de que forma? A que é que prestamos atenção? De que forma aligeiramos a tristeza das coisas necessárias, dos apetites, da visão das coisas que cobiçamos e se perdem em alucinações infantis feitas de nuvem?
Tenho de agradecer aos amigos obreiros pela simpatia e a atenção ao juntar-me ao seu núcleo duro de escolhas.
A responsabilidade cresce, e de alguma forma, os meus disparates não podem ser em tão grande monta.
Vamos lá ver o que se pode fazer.

Obrigado e um abraço

quarta-feira, março 17, 2004

Um Amigo reencontrado, de outras andanças, de outras conversas.
O caso típico da pessoa com a qual até podemos não concordar, mas com quem se consegue sempre conversar, racionalizar e sobretudo, desfrutar da comunicação no seu melhor.
Macguffin amigo, um abraço de reencontro, e passemos á conversa, que espero longa.
Um dia destes explico a razão pela qual passei de interventor a observador no Pastilhas.

Abraços de Urso

terça-feira, março 16, 2004

Apesar de talvez ser inutil, vou continuar a escrever.
As histórias atormentam-me. Sonho, acordo, como com elas. É para lá que quero ir, mas as obrigações terrenas obrigam-me a ser apenas um visitante, um passageiro de caneta, ou mais propriamente, de teclado na mão.
Mas não há problema.
Em que outro cenário é que podemos ser um deus criador, ainda que o mundo feito corra o risco de não agradar?
É o hino interno da liberdade, julgo eu. O problema é que não tenho grande voz...
Mas ando a treinar.

Relativamente ao que sucedeu em Espanha, os comentários são já sobejamente conhecidos, e sobretudo, a aura de violência e cobardida inqualificável que fica no ar empesta como uma espécie de névoa poluída. Não há justificação alguma para uma situação ocorrida em Espanha, simplesmente porque a morte premeditada e cobarde não merece qualquer comentário sequer exemplificativo.
No entanto, e conforme se pode ler em vários jornais ao longo dos últimos dias, a atitude do Governo Espanhol mostra bem o calibre de determinadas pessoas, facções, ou ideologias. Mostra igualmente a capacidade mutante de determinado tipo de pessoas ou governantes, que logram imitar a mais reticente das lapas quando confrontadas com o rochedo do poder.
O grande problema, e aqui devo dizer, de uma certa direita elitista e cultivadora das diferenças apríorísticas, é a sobranceria. A soberba e a cabotinice que avalia as pessoas (eleitorado) como uma espécie de massa informe e não pensante, que engolirá passivamente a mais grosseira mentira que lhe quiserem vender.
Esconder o que se passou com base num esticar da corda eleitoralista, é passível de um daqueles clips da Euro News, onde se lê a legenda - " No Comments".
É um desrespeito pelas pessoas, pela democracia. Mas foi a mesma que reagiu, ainda que alguns opinion makers, os mesmos que andam calados que nem ratos acerca das ADM, ficassem de cara amarrada, agarrados ao jargão militante disparado ás cegas.
Não foram os atentados que custaram as eleições ao PP. Foi a tentativa de os varrer para debaixo do tapete numa sociedade de informação, onde pelos bons ou maus motivos, tudo acaba por saber-se.
Só espero que a tendência pegue, sinceramente. Porque talvez não melhoremos muito, mas há que impedir que tudo fique ainda pior.
Bem, depois de uma ausêcia prolongada, devido a compromissos de outra ordem, menos prazenteiros, mas infelizmente mais prementes, eis-me de volta. No entanto esta ausência vai continuar, embora de forma intermitente, uma vez que esses compromissos tendem a persistir e perdurar no tempo.
Mas quando tiver o quartel general em ordem, entenda-se, local e tempo para pesquisar e dizer algumas coisas que julgo importantes, voltarei em força.
A todos quantos dão uma perninha pelo estaminé, o meu muito obrigado.
Até breve e continuemos.

segunda-feira, março 01, 2004

Pois é... foram 11.
Bem sei que alguma da chamada crítica esclarecida dirá que os Óscares são políticos e bla´, blá, blá... por aí fora.
Muitos dirão que o feito de Peter Jackson esteve envolvido numa onda de simpatia pela persistência do autor, e como tal, levou onze estatuetas.
A verdade é que, á semelhança do que acontece em demasiadas ocasiões, a chamada "inteligentzia" (provavelmente soletrei mal) tentará a todo o custo minimizar aquele que foi um feito magnífico, uma proeza, incorporada numa transposição do intransponível. Talvez com isto acabe a sobranceria cultural de uma certa parcela da sociedade que qualifica os chamados géneros menores e maiores de acordo com a sua concepção do que é a qualidade cultural. A mesma tendência cultural que minimiza a comédia e os géneros fantásticos, sem ao menos terem a mínima noção da dificuldade que é fazer rir ou ter uma real e prolífica imaginação. Talvez comece a mudar.
Enfim, pelo menos alguma da crítica reconheceu a qualidade deste maravilhoso épico, e a honestidade simultaneamente rigorosa e ternurenta com que Jackson filmou o Senhor dos Anéis.
Foram 11. Merecidos.
Fica no entanto um reconhecimento rendido a todos os outros filmes, em especial Mystic River e Lost in Translation, pela energia, honestidade e beleza crua das suas problemáticas e a forma inspirada como foram filmadas. Bill Murray, és grande!
E atenção a Big Fish, uma pequena maravilha que foge á porcaria do estereótipo cultural dos dias de hoje em que só aquilo que é feio, porco e mau é que tem qualidade. Tim Burton mostrou o seu virtuosismo e poder para filmar o imaginário num filme que está injustamente afastado da agitação dos prémios e reconhecimentos.

Abraço a todos.

SK