ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, abril 29, 2004

Para quem diz que o mal não existe, ou que o qualifica como uma abstracção

Recomendo um estômago forte.
Mas sobretudo, uma capacidade hercúlea de tentar perspectivar o inaceitável, o horroroso, o incompreensível. E sobretudo, o verdadeiro significado da velha metáfora da avestruz, daquelas que habitam o chamado mundo ocidental civilizado.
Bem sei que já aqui falei disto, mas voltei a encontrar-me com um artigo, e a pele voltou a arrepiar-se.
Nem sei que vos diga depois de ler isto...

quarta-feira, abril 28, 2004

Completamente de acordo!!!!!
(ver post sobre Salman Rushdie e a sua esposa)

A não ser que ela faça parte da academia sueca. Seria o melhor 2 em 1 da história da humanidade.
E eu que pensava que mulheres destas só gostavam de tipos com guitarras a tira-colo, hábitos de higiene discutíveis, afeição dedicada a psicotrópicos, ocasional mão pesada e tendência poligâmica intracelular irreprimível.
Um gajo também se pode enganar, não?
Qual é a justificação para a venda das Lezírias?
Para além do esquema de desenrascanço do suposto equilíbrio orçamental, que toda a gente sabe que representa medida conjuntural e não estrutural?
Porra, "Zé" Eduardo... andas a perder tempo.....

Germany's Big Brother features lesbian kisses

Germany's Big Brother TV show, which started at the weekend, has featured lesbian sex, a woman having an orgasm in the bath and kinky spanking scenes in a sauna.

On Monday night viewers got more than they bargained for after tuning into the RTL2 channel. The show started off with female contestants Jeannine and Franzi drinking a bottle of sparkling wine to loosen inhibitions.

Jeannine then announced she wanted sex, saying "I don't care with who", before playing with 24-year-old Franzi in the sauna. Then she switched to bald-headed, Jerry, who jumped into a whirlpool bath with the pair of them before another contestant, Achim, got involved.

There was spanking, massaging, lots of groaning and even oral sex. At one point in a bedroom Jeannine cried out with pleasure as male contestant Mark joined in. There were also lesbian kisses between Franzi and Jeannine. Jeannine said at one point: "Your kisses are sweet like chocolate mousse."

Endemol, the production company, had no regrets. Producer Rainer Laux said: "Sex is a positive thing. It shows they are having a good time." (completamente de acordo, amigo. Ainda por cima se vende, porque não caraças??? Afinal de contas já podes deixar de lado aquele projecto das execuções em directo...)

One viewer who called the channel to complain said: "And this was only the edited version. I thought I had tuned into a porno channel by mistake."
"O primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários"

Carlos Oliveira

Maravilhosos e certeiros versos "roubados", com as minhas profundas desculpas, ao Glória Fácil
E ela diz isto a frio, apanhando uma pessoa desprevenida

Ainda por cima temos pontos de vista em comum quanto aos intérpretes dessa arte milenar do striptease....
Mas alguém tinha dúvidas?

Está explicado o estado de César das Neves, Maria José Nogueira Pinto, Mariana Cascais, entre outros sofredores....
Espírito do 25 de Abril de nada valeu a esta ovelha hippie, condenada a cortar a lã ao fim de seis anos de flower power style...
Não li o livro de Dan Brown, por isso não tenho uma ideia exacta daquilo que está a causar tanta celeuma dentro da instituição católico-octopóide.
Mas em última instância, se Cristo tivesse realmente casado e constituido família com Maria Madalena, não o traria mais próximo da natureza humana? Não seria um ícone mitológico muito mais credível e sobretudo, mais ajustado a essa mesma natureza?
Relativamente ao post sobre o despedimento dos jornalistas do 1º de Janeiro, eis o local da discórdia.
Talvez o estilo não seja dos melhores, mas as práticas ilícitas que fundamentam os relatos são, no mínimo, abjectas. E a exposição é, no mínimo, compreensível.
Hubert Selby Jr., Escritor de "Last Exit to Brooklyn" morre aos 75 anos de idade

Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados


P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.

terça-feira, abril 27, 2004

É a velha história da protecção das práticas ilícitas defendidas com o argumento de que dentro da empresa, a hierarquia pode determinar tudo, em todas as circunstâncias, porque a suposta autonomia privada assim o permite.
Obviamente que os mais liberais dirão que a empresa não pode admitir ser prejudicada pelos seus próprios funcionários, mas quando estamos a falar de jornalismo, e sobretudo quando esse suposto dano é merecido porque as práticas que lhe deram origem são efectivamente ilícitas e reprováveis não só pela lei mas pelo juízo social, então julgo que o primeiro argumento é falacioso e sobretudo incorrecto. Seria a mesma coisa que dizer que um funcionário que fosse maltratado e sujeito a toda a espécie de irregularidade laboral só pudesse dar conhecimento dessa situação depois de se despedir.
Além disso, como muitos saberão, a credibilidade de alguém que é despedido e depois relata as ilicitudes dá precisamente a imagem de alguém que compactuou com a situação e só porque foi despedido a revela, por despeito.
Mas é a lógica empresarial a dar a nota dominante, como de resto, e infelizmente, começa a ser cada vez mais comum nos dias de hoje. Lamentável.


"Conflito entre o dever de lealdade e a liberdade de expressão
Blogue Provocou Despedimento de Jornalistas
´Jornal Público de Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

Pedro Fonseca

Três jornalistas do diário "O Primeiro de Janeiro" foram, na semana passada, despedidos por terem participado num blogue e nele descreverem algumas práticas comerciais do diário nortenho. Trata-se do primeiro caso em Portugal de despedimento motivado pela escrita em blogues, apesar de o mesmo já ter sucedido noutros países.

Sérgio Moreira criou o blogue "Diário de Um Jornalista" (diariodeumjornalista.blogspot.com) em 30 de Março e rapidamente o abriu a colegas para ali relatarem em público alguns procedimentos internos do jornal - nomeadamente no departamento responsável pelas chamadas edições especiais (suplementos temáticos). Joel Pinto e uma outra jornalista juntaram-se a um grupo de seis pessoas, no total, que passaram a animar o blogue. Foram os três despedidos na semana passada.

O "Diário" chamou a atenção para o facto e gerou alguma discussão nos últimos dias nalguns blogues interessados no jornalismo pelas práticas ali descritas. O seu aparecimento levou mesmo à criação do "Diário de Uma Jornalista no Desemprego" e, num tom mais irónico, ao "Diário de Um Jardineiro".

Manuel Pinto, provedor do "Jornal de Notícias" e um dos membros do blogue "Jornalismo e Comunicação" (webjornal.blogspot.com), chamou-lhes os "novos proletários do jornalismo" e, noutro texto, considerou que "os materiais como o destes blogues vão ser importantes nos estudos que se vierem a fazer sobre os caminhos que trilha hoje o jornalismo".

Para Sérgio Moreira, a criação do "Diário" blogue "foi o culminar de um crescendo de frustrações e preocupações" destes jornalistas, "e que, infelizmente, não tinham correspondência por parte dos editores". E assume que todas as situações relatadas "são verdadeiras", como explicou por E-mail a Computadores.

Segundo Joel Pinto, aquele espaço na Web servia para revelar as "experiências pessoais no jornal" e, "como era um blogue inocente, nem nos preocupámos com o facto de ser público ou privado". "Até mencionamos qual era o jornal em questão, tal a simplicidade com que encarávamos o blogue".

Foi para "denunciar determinadas situações e também - porque não? - brincar com as coisas", refere Ricardo Simães, outro dos "bloggers" do "Diário" e que trabalhou no jornal entre Setembro de 2002 e Julho de 2003.

Os jornalistas não deram conhecimento aos seus superiores da criação do blogue, até porque sabiam "de antemão que as chefias não iriam gostar"; mas o seu criador assume saber que se tratava de "um local de acesso público e, mais cedo ou mais tarde, iria ser descoberto". E salienta que o problema "não está no que escrevemos" mas "na coragem de denunciar estas situações".

As situações, segundo explicam, estão relacionadas com o facto de o departamento comercial combinar a escrita de artigos com o fecho de contratos publicitários. "O nosso trabalho era em função dos contratos de publicidade que eles assinavam; não havendo contratos, não havia entrevistas marcadas", salienta Joel Pinto. "Os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e, em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que têm". Para a direcção da empresa, "o interesse imediato é o de celebrar contratos de publicidade e não o de vender jornais", refere.

Reclamando ainda das exageradas condições de trabalho, Joel Pinto - que afirma ter tido um contrato de estagiário de 1º ano durante dois anos e meio -, salienta que "nem o próprio Sindicato [dos Jornalistas] se interessa por estas questões, tanto mais que eles não reconhecem o nosso trabalho como sendo jornalismo". O blogue "foi o único meio que encontrámos para nos exprimir livremente".

Quanto ao dever de lealdade que gere as relações entre empregador e funcionários (ver caixa "O que diz o sindicato"), o mesmo jornalista questiona, entre outras queixas, "qual é a lealdade de existir um departamento editorial que não correspondia às exigências fundamentadas dos seus profissionais", lembrando que "o comportamento de um funcionário perante a empresa reflecte o comportamento da empresa perante o funcionário".

Os autores do blogue mantiveram o anonimato e não nomearam as pessoas criticadas nos seus textos, até ao passado dia 21, quando falaram directamente de José Freitas, o responsável do departamento de publicações especiais do diário.

Joel Pinto foi despedido "apesar de ter um contrato de trabalho em vigor há mais de um ano", não vai receber qualquer indemnização nem sabe se receberá o vencimento de Abril. O blogue "vai continuar a crescer e todas as situações reais serão diariamente denunciadas", refere Sérgio Moreira. "Talvez dessa forma o nosso esforço seja recompensado e os que ficaram possam ter melhores condições".

As "chefias deveriam, desde sempre, ter criado condições para que não fizesse sentido existir um blogue como o 'Diário'", refere Ricardo Simães. E "deveriam aproveitar esta celeuma para repensar o que tem sido a prática do 'Janeiro' desde há algum tempo; deveriam reconhecer os erros", refere.

Computadores tentou - repetidamente mas sem sucesso - contactar, por via telefónica e por E-mail, José Freitas. Apenas conseguiu chegar à fala com Carla Marques, uma das editoras dos referidos suplementos, que remeteu o assunto para o seu superior. Nassalete Miranda, directora editorial de "O Primeiro de Janeiro", estava indisponível na sexta-feira e Eduardo Costa, administrador da empresa, como os restantes, não respondeu às tentativas de contacto telefónico."

sexta-feira, abril 23, 2004

A deambular pela Internet no outro dia à noite, descobri que o livro "Of Mice and Men", do John Steinbeck, que li recentemente, esteve numa lista de livros banidos mesmo dentro dos próprios EUA. E sinceramente, além de ter gostado muito da história e da forma como ela a conta, não consigo encontrar um único motivo pelo qual alguém possa ter banido aquele livro seja lá de que estante for. Especialmente pela perda que é não o ler.
Não entendo.

terça-feira, abril 20, 2004

Para variar, encalhei na sexta história que comecei em apenas dois meses. Porque á semelhança das outras, tem vida própria, e no uso dos seus direitos, mandou-me dar uma volta para ter a sua privacidade. Assim que confiar em mim, talvez se deixe contar.
Como todas as outras, de resto.
O que me chateia nos pessimistas e exageradamente cínicos é o facto de gostarem por acidente, por inevitabilidade, praguejando esse tipo de situação como uma fatalidade, quando no mínimo é uma feliz incongruência da parte deles.
Será assim tão difícil interiorizar a noção onde se gosta de gostar? Ou o passar dos tempos colocou-nos numa dualidade absoluta onde os extremos da pieguice, por um lado, e a dureza, por outro, não conhecem espectros feitos de tonalidades?
O Chefe da MacDonalds morre de ataque cardíaco
Este é um dos casos em que, ao contrário do que dizia o meu homónimo, a ironia não fez bem ao sangue....
Paulo Portas e César das Neves, infelizes sofredores de uma doença civilizacional...

"A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença provocada pela ansiedade, que provoca no paciente pensamentos, impulsos e imagens recorrentes, considerados "inadequados ou intrusivos" pelo doente, caracterizou Paulo Figueiredo. Para reduzir este mal-estar geral e para aliviar a ansiedade, os doentes desenvolvem determinados actos e rituais, como "lavar as mãos 400 vezes por dia para afastar a ideia da sujidade"
No "Público" de hoje - (leiam todo o artigo)

Vejam como a patologia se aplica perfeitamente ao discurso de Portas sobre a imigração e de César das Neves sobre os homossexuais e heterossexuais que acham que têm direito a uma sexualidade plena.
Pronto, está explicado...
Electroencefalogramas revelam cartão de militancia
Pois é. Ao que parece as tendências políticas podem efectivamente partir de uma concepção endógena e genética. Claro que se trata ainda de uma experiência, mas tendo em conta muitas pessoas da nossa classe política, a única desculpa que podem ter realmente traduz-se numa imposição genética.
E os remédios, como o bom senso e quejandos, há muito que parecem ter perdido a força e eficácia terapêutica.
E depois há gente verdadeiramente doente como
este tipo, cuja cura se desconhece e por acaso ocupa um lugar de poder há anos infindos. E voltando a citar Robert.E. Howard ( J. cá está ele novamente), desde quando é que ser doido ou pobre de espírito é óbice para que alguém se torne líder de Homens?
E querem alimárias destas para Presidente da Assembléia da República...

sexta-feira, abril 16, 2004

Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.

Stephen King

É impressionante como tanta gente se esquece deste princípio básico, lá do alto da cabotinice supostamente instruida. Como se esquecem que o monopólio da verdade não assenta em meia dúzia de tipos que acham que, lá por liderarem a mais recente corrente literária, se acham autorizados a desconsiderar toda a gente que não segue os seus critérios e gostos.

Bem, já que estou numa de divulgação, siga para bingo.
Desta vez é Frank Miller um velho conhecido, que se excedeu com Sin City, um arrasador trabalho de arte num comic saído do mais delirante e violento film noir imaginável.
Mas o seu trabalho de viragem, já precedido da saga do homem sem Medo, Daredevil ( outro filme que estragou completamente uma magnífica BD), é Dark Knight Returns, uma visão apocaliptica do retorno de um Batman com pouco menos de sessenta anos e muitas obsessões num mundo estranho. Uma maravilha. Está publicado pela Devir a um preço muito razoável, e mais uma vez, os apreciadores não devem perder.



Este senhor, de seu nome Alan Moore, é provavelmente um dos artistas mais influentes na cena BD dos ultimos anos. Depois da palhaçada que foi o desmembramento da sua obra "League of Extraordinary Gentlemen" num filme que não faz a mínima justiça á obra escrita e desenhada, fala-se na adaptação de Watchmen, talvez uma das melhores obras de BD feitas até hoje. Espero que saibam respeitar desta vez aquela que é uma obra plena de iconoclastia subtil, fantástica e arrasadora, sem deixar de ser mágica. Basta lembrar os trabalhos dele na saga Swamp Thing.
Quem for apreciador e não sofrer daquela tendência terrível e sobranceira para considerar a BD como uma arte inferior, aconselho a devorar tudo o que este tipo produz, porque a qualidade é garantida. Rato de biblioteca, Moore dá-nos a sensação de ler histórias cheias, abrangentes, e sobretudo, assustadoras porque tocantes.
Um absoluto prazer.

quarta-feira, abril 14, 2004

Atenção a Angels in America.
Ao DVD e á Banda Sonora.
Ainda não vi, mas pelo que tenho lido, parece algo de muito especial.
Excepto para o César das Neves ou homofóbicos que tais. Esses preferem cruzes e mitologia de culpa feita a... como é que se chama?.. Ah! Ideias...

Um grande e velho amigo guia-nos através de uma sugestão de indumentária. Foi o meu primeiro e talvez melhor sorriso do dia.

Grande Abraço, Bird ( Tem algo a ver com o Charlie Parker?)
Muitas pessoas assumem uma postura de escuta, mas infelizmente, limitam-se a procurar um eco...
Socorro... Quem salvará o Monsanto?
Mas não há ninguém que veja esta atrocidade?
Sim, estou a repetir-me, mas é demasiado grave o que se avizinha...
Abro o Público de hoje e constato que a maioria eleita para a Câmara de Lisboa não quer considerar o parque florestal do Monsanto como área protegida.
É caso para dizer que já nem se dão ao trabalho de disfarçar, e temo pelo momento em que este maravilhoso pulmão da cidade de Lisboa venha a ser invadido pela ganância e interesses imobiliários.
Que absoluta vergonha. Que triste desperdício...

quarta-feira, abril 07, 2004

É uma constante que tenho visto em pessoas com um certo alinhamento político religioso esta espécie de alergia á ficção, como se fosse uma espécie de género menor ou coisa que o valha. Além de ser um preconceito de quem tem uma qualquer espécie de aversão à criação e imaginação, como se fossem coisas indignas, é contraposto com outra espécie, desta vez de sobranceira, como se a raiz da dita cultura séria radicasse nessa teimosia com o que chama de realidade.
E depois vivem a vida completamente ligados a um mito, a uma fantasia, que gera uma corrente de opinião e crença gigantescas. Os polícias da realidade acham-se assim rendidos a uma história mitológica, na qual crêem através do recurso à imaginação que gera algo sobre o qual não se deve pensar, mas simplesmente acreditar.
Em que é que ficamos?
O que é impressionante é que essas mesmas pessoas apoiam-se numa corrente de opinião. Se o Village Voice diz que a ficção está morta, vá lá saber-se porque estranhos desígnios dos gurus da chamada cultura "séria", então é vê-los a seguir a prédica sem perguntas, à semelhança do que fazem perante outras situações.
É isto a glorificação da realidade?
Ou a religião surge como a excepção a essa regra de qualificação?
Aqui existe, no mínimo, incoerência, já para não falar na cabotinice intelectual do costume.
Enfim.
"Maldito é o Homem que vive em época decadente." Robert E. Howard

"Roubado" ao magnífico Cruzes Canhoto
"Ao contrário de muitas pessoas que têm uma qualquer pancada na cabeça, a não ser que aceitemos que todos têm tal coisa, eu sempre me dei bem com o meu pai. Talvez porque fosse fácil admirá-lo, ou porque nunca fora económico no afecto que distribuía, ou porque era uma pessoa que recebia um terço da generosidade com que brindara tanta gente durante toda a sua vida. Não conseguíamos conversar de forma muito aprofundada, e ainda não conseguimos fazê-lo, mas isso não surpreende na maioria das situações que conheço, especialmente no que diz respeito às pessoas da minha idade. Divertimo-nos a ver a bola, a trocar ideias à mesa dos almoços cheios de tias e sobrinhos, mas não consigo contar-lhe nada acerca de uma qualquer melancolia trazida por um livro, ou uma peça de música ou uma mulher mais esquiva. Dificilmente poderia discutir o meu ultimo e mirabolante projecto literário que certamente acabaria devolvido na minha caixa de correio ou muito bem aproveitado para rascunho numa qualquer secretária.
Acho que este é sem duvida um fenómeno recorrente. Talvez não nas gerações que seguem a minha, mas a noção que tenho é que salvo alguns indivíduos que se enchem de bravura e estão preparados para ouvir tudo da boca dos filhos, a maioria dos progenitores conscienciosos não arriscam entrar na esfera mais privada e íntima da prole. Talvez porque nesse local moram determinadas formas de sentir, como o sofrimento, e pode ser demasiado penoso saber até que ponto a descendência pode estar a sofrer sem que se possa intervir. Ou então não falam a mesma linguagem, porque a musica não é a mesma, os livros também não, e o panorama político lança mensagens diferentes no mesmo anuncio para cada uma das gerações que o vejam. Eu e o meu pai éramos, como ainda somos, compinchas, amigos da bola, conversadores de boa vontade que os laços de sangue arrastavam para uma intimidade mais incómoda por vezes, mas inevitável. "



Excerto de ficção ou quase...