ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, abril 28, 2004

Hubert Selby Jr., Escritor de "Last Exit to Brooklyn" morre aos 75 anos de idade

Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados


P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.

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