ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, maio 24, 2004

The Eternal Sunshine of the Spotless Mind.

Confesso que de Alexander Pope pouco conhecia, à parte das máximas que conhecidas mas que nem sequer sabia lhe pertencerem, tais como "Fools rush in where Angels fear to tread." ou "To err is human, to forgive is divine."

Li umas poucas coisas acerca da sua vida e percebi que se tratava de um fervoroso e satírico homem de letras, carcomido pela doença e mal estar físico. As enfermidades relacionadas com a Tuberculose fizeram com que este poeta não chegasse sequer ao metro e meio, além de padecer de dores frequentes. Além de poeta era tradutor, tendo efectuado uma monumental tradução da Odisseia de Homero em seis volumes.
Mas é o seu poema "Eloisa to Abelard" que é evocado no filme referido no título que me chamou á atenção. Aliás, o filme inteiro, a temática, a personagem de Clementine e toda a abordagem ao amor, aos seus contributos para a psique e o poder imenso da memória enquanto a riqueza que permanece realmente, já que o prazer e a vivência existem em momentos curtos e electrizantes.
Michael Gondry é responsável, em meu ver, por um magnífico truque de magia, reinventando, por um lado, e mencionado por outro, uma dimensão real, dura, mas tremendamente ternurenta do amor enquanto fenómeno que, bem vistas as coisas, até inconscientemente nos condiciona.
Clementine é uma pérola de argumento, de história, de um certo imaginário masculino, o meu pelo menos. É um caos maravilhosamente controlado, temível, mas ao mesmo tempo com a dimensão terrena que não a coloca naquele patamar daqueles que constituem a nossa imaginação e nunca o toque terreno. Aliás, é ela própria que se desmistifica em jeito de aviso rodoviário. Mas, para mim, permanece uma evocação aquela qualidade de seres que nunca permite que a vida tenha a última palavra.
A realização é feita a retalho, como um puzzle que se vai construindo passo a passo, de trás para a frente. No fundo, todo o filme parece um sonho, feito das suas efemeridades e momento etéreos, mas com uma enorme vantagem. Quando acordamos vemos que o objecto fixo pelo nosso inconsciente está lá, e que a memória guarde aquilo que feliz e realmente aconteceu.
"The Eternal Sunshine of the Spotless Mind", traduzido para "Despertas da Mente" ( ok, podia ser pior, como geralmente é...) é para mim a mais magnífica história de amor que vi filmada nos ultimos tempos. É impressionante como Kauffman consegue dar uma visão pungente e tocante do amor, sem cair por um segundo que seja na tentação do sentimentalismo.
Maravilhoso. Nos ultimos tempos, só o filme "Big Fish" de Tim Burton me emocionou mais, talvez pelo facto de que a figura paterna e cheia de histórias me diz tanto.
Mas se tinha gostado de Adaptation, tiro o meu chapéu a esta história de Kauffman. Uma absoluta pérola.

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