ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, junho 30, 2004

Hoje.
Contra as Túlipas, Marcar, Marcar!!!!

FORÇA PORTUGAL!!!!!
Mariana Cascais em Estado de Choque!!!

"O Supremo Tribunal de Justiça Americano não autorizou a aplicação de uma lei federal destinada a impedir o acesso de menores à pornografia na Internet, considerando que tal posição poderia violar os direitos constitucionais de liberdade de expressão." - In Público de hoje.

A Secretária de Estado da Educação deve estar neste momento a receber assistência médica.

Felizmente que lá nas terras do Tio Sam alguém ainda tem juízo suficiente. Deixa-me sempre perplexo esta alergia a mostrar determinados conteúdos a crianças e não outros.
Porque raios é que não faz mal deixar uma criança ver um filme cheio de porrada criar bicho, e mortes, e sangue, mas é mais inaceitável que veja uma mamas ou mesmo uma cena de cópula.
Não há responsabilidade dos pais? Não são eles que devem controlar o acesso aos conteúdos, na medida do possível?
Sinceramente, entre violência e sexo, porque raios é que a primeira aparece sempre como algo mais aceitável???

Bem, o Verão já está aí, e as férias aproximam-se.
E para que os energúmenos, para não lhes chamar mesmo aquilo que são (fdp) que abandonam animais á sua sorte porque querem ir de férias descansados ( porra, como é que conseguem...), eis informação importante. Agora já não há desculpas, que de resto, já antes não existiam.

Animais em Férias - Intercâmbio e Lares Provisórios
Contactar :

Liga Portuguesa dos Direitos do Animal
Tel: 21 457 84 13 ou 21 458 18 18
Email: lpda@lpda.pt ou sampaiomc@netcabo.pt

Não se esqueçam.. Sim, é com vocês!!!!
Juro que se algum dia apanho um tipo qualquer a abandonar um animal na auto estrada, como já me contaram, paro o carro e acho que vai haver uma cena....
Não abandonem os animais. Não há necessidade, eles não merecem.
Se não desejam ter um animal, não tenham. Mas abandono é crime!

terça-feira, junho 22, 2004


A Noite e os Noctívagos.



Há algum tempo que não saio à noite
E digo-o com alguma saudade, pelo menos parcialmente, mas com um senso de estranheza perante a ausência de necessidade de ir por aí dar umas voltas.
Nunca tive uma ideia muito clara sobre a noite. Parecia-me uma divisão clara entre o alardear de um claro instinto de caça, e um desejo claro de diversão,embora alicerçado na bebida e num maior ou menos desejo de dançar. Julgo que o intuito principal era ver alguém, perceber quem ali andava de um lado para o outro, numa lógica de possibilidade, fosse ela qual fosse e quão remota pudesse ser. Digo era porque me refiro ao passado claro, porque julgo que as coisas ainda não devem ter mudado muito. Bolas, só passaram seis meses...
Brincadeiras à parte, e pegando nesta última ideia da caça, entrar num local noturno relativamente popular é verificar toda a espécie de artimanhas, mais ou menos subtis, para chamar qualquer tipo de atenção aos restantes membros da reunião acidental. A evolução do vestuário feminino, que em muitos casos me permito louvar, trouxe uma espécie de código estético que acentua o interesse masculino num automatismo. Já quanto às mulheres, arrisco a dizer que ninguém sabe muito bem do que gostam nem para onde olham, e é certinho que num grupo de mentes livres e pensantes, não existirá uma única opinião dominante. Isto torna o sucesso masculino em locais como este, bem como na maioria dos outros, uma absoluta lotaria.
A verdade é que o cenário é sempre o mesmo, ou quase sempre.
As mulheres caminham ou dançam, mostram a graça e a morfologia do corpo mais ou menos ajudado pela natureza ou roupas lisonjeiras. Há uma segurança inerente à linguagem corporal que simula comunicação, embora a mensagem seja a maior parte ds vezes errónea.
Os homens observam de longe, com olhares mais ou menos tímidos, gestos mais ou menos trapalhões, incapazes de conter a honestidade dos seus impulsos através de um simulacro de elegância ou contenção. Há uma tensão constante, uma lógica de desconhecimento onde os homens arriscam tudo num instante completamente adverso. Não há forma de sussurar uma frase bonita em meio ao barulho, e ainda que este não existisse, sem predisposição não existem abordagens inteligentes. Há uma consciência clara por parte das mulheres de que neste jogo pouco ou nada arriscam, já que a instituição como a conhecemos joga a iniciativa para as mãos dos seres hesitantes que evitam dançar e procuram rapidamente o fundo do copo, quiçás á procura de coragem líquida.
Nos locais que frequentei, ou frequento, as coisas não são fáceis. Oito ou nove em cada dez tentativas de contacto redundam numa humilhação rápida mas brutal, perpetrada com uma mestria gelada por parte da mulher abordada. Grande parte delas são educadas e declinam qualquer inciativa com um sorriso e um pedido de desculpas, mas uma mancha significativa percebe o cheiro a sangue e não hesita em espezinhar o animal se assim puder. Trata-se de um jogo de poder, como em tantas outras coisas. Há quem não se intimide e mantenha uma postura ainda mais altiva em resposta. E normalmente essa afronta produz resultados, vá lá saber-se porquê...
Este tipo de informação é omnipresente. Olhamos á distância para aqueles que rodeiam o bar e não é difícil perceber a razão pela qual muitos não arriscam, ou desistem depois da primeira miserável tentativa. Há uma espécie de inacessibilidade, que não sei se é própria das metrópoles, através da qual as pessoas concluem coisas sem ouvir a primeira palavra, e onde não há compaixão ou simpatia para quem traz o que não foi pedido. Muitas mulheres partem do princípio que quem se lhes dirige traz logo uma espécie de carregador sexual a rebentar pelas costuras, ao passo que muitos dos idiotas que por acaso têm a sorte rara de ser abordados por uma mulher colocam-lhe uma etiqueta de mercadoria em saldo e passam á frente. Ou então por cima, se é que me faço entender.
As pessoas não se tentam conhecer. Há uma agenda muito clara, rituais impiedosos em que as forças são contantemente medidas, em que os tremendos esforços(, grande parte deles dispendidos em ginásios e coisas que tais,)para produzir o elixir corporal da atracção redundam apenas no gozo pela capacidade de exercer poder. Na noite as palavras que se trocam são as necessárias, e não as essenciais para comunicar.
Pode perceber-se a contenção e retraimento de uns, e a implacável gestão de proximidade de outras. O que não entende são as queixas mútuas de parte a parte, e o queixume quase murmurado de que é cada vez mais difícil conhecer alguém, especialmente na noite.
Eu posso ser parcial realmente, mas quem é que se quer arriscar a falar com alguém que muito provavelmente aproveitará a oportunidade para destruir aquele universo de coragem que foi necessário criar?
Como vos tinha dito, nunca entendi bem a noite. A cortina que separa os dois sexos, os jogos de poder, as atenções desejadas e descartadas, como marcas de presença numa caminhada rápida e longa. "Agora que já vi que me viste e quiseste, podes passar adiante", é a versão moderna do analogamente dizia Moliére.
Um dia destes vou sair à noite. Para ver como andam as coisas. Para me perceber da imobilidade de que são feitos locais onde as pessoas vão para se verem umas ás outras, mas que nunca comunicam entre si.
E se alguém me oferecer uma palavra, isso será o melhor impulso.
E uma surpresa, porque até gosto de conversar.
Para quem?
Se alguma vez acontecer, contar-vos-ei.
Mas não contem muito com isso...
Cartas a Sónia VII

A liberdade é o espaço e tempo para pensar. É a contemplação da beleza que para variar não nos foge, são os aromas de lugares desconhecidos em beijos de vento.
A liberdade é a pequena tristeza dispensada por cada segundo que nunca mais volta.
A liberdade são cinco dedos da tua mão, fechados sobre tudo o que é meu, ainda que não me ocorresse dar-to neste instante.

"I find I'm so excited, I can barely sit still or hold a thought in my head. I think it the excitement only a free man can feel, a free man at the start of a long journey whose conclusion is uncertain. I hope I can make it across the border. I hope to see my friend, and shake his hand. I hope the Pacific is as blue as it has been in my dreams. I hope." - Red

E este é provavelmente o segundo...
I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn't a second at all, it stretches forever, like an ocean of time. For me, it was lying on my back at Boy Scout Camp, watching falling stars. And yellow leaves, from the maple trees that lined our street. Or my grandmother's hands, and the way her skin seemed like paper. And the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird.
And Janie… and Janie.
And… Carolyn.
I guess I could be really pissed off about what happened to me, but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst. And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain. And I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life.
You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry…
you will someday. - Lester Burnham


Mais uma vez o meu momento de cinema preferido. Sem mais palavras...

segunda-feira, junho 21, 2004

Sim, conforme tinha dito, cá estou eu a morder a língua.
Portugal deu ontem uma demonstração de qualidade, classe, mas sobretudo, de vontade, de querer, de "ganas", sem querer ironizar em demasia com os nossos vizinhos e amigos espanhóis. E desde já devo dizer que as declarações dos jogadores espanhóis foram bastante diferentes das proferidas pela imprensa de Castela. Declarações elegantes, desportivas e sobretudo realistas. Portugal foi de facto melhor. Sim, melhor, jogou mais à bola, foi mais capaz, quis mais. E por muito que este léxico aparente andar afastado das bocas tugas, a verdade é que aqueles moços mostraram ontem como a vontade e o empenho simplesmente varrem cansaços e birras para longe. Que grande jogo de futebol.
Digo morder a língua porque eu fui um daqueles que disse que Portugal dificilmente passaria da primeira fase. Parecia-me haver demasiada desreponsabilização, demasiadas desculpas, fosse pela pressão, pelo ambiente, ou pelo estado da relva. O primeiro jogo parecia uma continuação da paupérrima campanha de preparação para esta competição. E com base nisto, julguei sinceramente que Portugal iria sujeitar-se a mais um rosário de desculpas e motivos aparentes ou factuais para explicar mais um desaire.
Para quem pratica e aprecia desporto há tanto tempo e apreende o conceito do que é a competitividade, embora em moldes muito mais modestos como é o meu caso, foi possível perceber a mudança de atitude, a entrega ao jogo e a urgência em dar um recital de habilidade e vontade. E quero eu pensar, de retribuição ao país, à sua manifesta e eterna simpatia e apoio.
Mordo a língua e tenho em mente que numa conjuntura tão complicada, o Euro será tão somente uma espécie de copo a mais numa sexta à noite depois da exaustão. Mas ainda assim, e na lógica contrária que tanto se propala por aí, há espaço para osesforços, os triunfos e para o gozo destes últimos. Esperemos que a nação esteja num caminho semelhante, em que aquilo que é importante venha a ser glorificado, após tantos esforços, para que o gozo de lograr as vitórias seja ainda maior pela derivação necessária de um merecimento colectivo.
Ontem à noite a taquicardia mostrou-me que o senso de pertença é de facto a mais instintiva das emoções. Aquela a que, aposto, ninguém está alheio, por muito que o professe. Os partidários da Neura 2004 também estão a pular, nem que seja um bocadinho, porque esta é a noção de identidade, de "nós", do conjunto que de alguma forma espero que preconize outra espécie de triunfos.
Olhem a Grécia. Supostamente à nossa frente, mas entre piscinas sem cobertura e infraestruturas simplesmente abandonadas, tudo lhes vai acontecendo.
A verdade é que dez estádios continuam a ser demasiados, que talvez o investimento que se faça em futebol no nosso país seja excessivo, que os verdadeiros problemas não se escondem por detrás de um sonho c0lectivo que se baseia simplesmente na magia de pertencer, de fazer parte, de partilhar. Ainda estamos em maus lençóis apesar de tudo.
Mas que diabo, deixem-nos saborear.
Mostrar que por uma vez, a vontade e humildade foram de facto a chave para que fossemos melhores.
Como podemos realmente ser.
Mordo a língua, e penalizo-me a mim mesmo por ter sido descrente. Nunca um acto de contrição me soube tão bem.
Viva Portugal!!!
Viva o país de bandeira à janela!


sexta-feira, junho 18, 2004

Não deve ser novidade para ninguém, mas não sentem por vezes quem a vida nos escapa por entre os dedos? Que o controlo fixado pelas nossas afirmadas capacidades racionais perde-se numa espécie de expectativa perene?
Que os esforços que de alguma forma evidenciamos para resolver os problemas e as alternâncias de estados de alma nada significam, como se tudo não passasse de uma aleatoriedade feitas de humores alternativos e voláteis?
Sempre recusei aceitar um papel determinativo nas questões da sorte, do acaso feliz, ou o que o queiram chamar. A verdade é que sempre pensei que a aleatoriedade podia combater-se com a firmeza mantida em duas ou três coisas.
Mas depois evoluímos, crescemos, maturamos aquilo que sentimos. Perdemos o destemor perante as alternativas. O mundo ainda é feito de escolhas, mas as preferências solidificaram-se. Há uma consciência muito maior do caminho a seguir.
E é precisamente isto que parece não chegar. É isto que fundamenta o esforço feito e as opções tomadas. E ainda assim, a relação causa-efeito é uma possibilidade, e não um ansiado axioma.

terça-feira, junho 15, 2004

Bem, são simpáticos os moços.


I am an Intellectual



Which America Hating Minority Are You?


Take More Robert & Tim Quizzes
Watch Robert & Tim Cartoons




Para mim, no momento presente, o mais belo e intenso rosto do cinema. Porque para além da estonteante beleza da forma, está um olhar que simplesmente não se aprende, nem se simula. Um olhar arrasadoramente humano, preso entre uma sensualidade inevitável e um calor perscrutador.
A natureza tem destas obras.
O problema do pessimismo é que assenta numa lógica de continuidade descendente. Pressupõe um chão, um fim, uma lógica terminal e destrutiva que em última instância se transforma em niilismo.
Já o optimismo cresce, voa, seja quimera, mitologia ou simples ingenuidade parcial, tem os céus e o espaço para ganhar, e está associado ao sonho. Tem sempre espaço para onde crescer. ainda que só se imagine.

O optimismo pode não ter qualquer efeito prático, mas o pessimimo só contraria essa ideia numa única caracteristica. Um efeito de contracção da realidade até que ela acabe por implodir.
É por isso que até me rio com os cínicos, mas não gosto muito deles. Sempre desconfiei de pessoas que supostamente alardeam uma horrível finitude como sinónimo da ordem das coisas, e no entanto não se revêm completamente nela.
Mais valem os sonhos, por mais insubstancias que possam ser.
It is death, it is death, it is life, it is life; this is the man who enabled me to live as I climb up step by step toward sunlight!!!

Este pedaço magnífico de texto constitui o conjunto de palavras que são entoadas no "Haka" dos All Blacks, cantado obviamente em Maori.
Aqui se demonstra como a sabedoria popular e a transmissão de conhecimento e arte através da mitologia, como no caso dos Gregos, é capaz de coisas fantásticas, de uma beleza tão suave como paradoxalmente marcante e inolvidável. E quem já viu um Haka, sabe o quanto impressiona.
Para mim, depois de ver o filme de Nikki Karo, estes fenómenos ganharam outra dimensão...

Vou utilizar um truque velho para o aumento das visitas, no sentido de mascarar a falta de interesse evidente.
Pode dizer-se que é um truque à TVI, ou à "Zé" Eduardo Moniz...
Só para ver o que acontece. Lá vai...

Marisa Cruz
Rabos
Mamas
Euro 2004
Selecção Nacional
Bola
Futebol
Casa Pia
Sexo
Explícito
Beckham

E para abrandar:
Lorenz
Poe
Gomez
Pikea
DBC Pierre

É que um tipo pode vender-se, mas não completamente, que diabo...

segunda-feira, junho 14, 2004

Vá, entoemos Yates.
Cheiremos( todas ) as flores enquanto pudermos...
Portugal-1 Grécia-2

O eterno problema das expectativas, talvez o início da prova de que todo o investimento que se faz em futebol no nosso país tarda em mostrar o retorno necessário. Bem sei que cada vez que digo isto, levo com a campanha vitoriosa do Porto. É verdade, e faço aqui o acto de contricção, mas dois anos de preparação e um treinador de 60.000 contos mês para uma exibição tão fraquinha merecem pelo menos uma reflexão.

Obviamente que não estou vacinado contra a "tugamania", e roí as unhas e praguejei como toda a gente ao ver aquele jogo de inauguração. E sim, tenho esperança que a malta vai arrepiar caminho e mostrar a qualidade que obviamente tem.
Simplesmente gostaria de dizer que não esperava por algo como isto, mas não posso.
Gostaria muito que assim não fosse, mas a minha primeira impressão, muito antes de começar o Europeu e na altura em que andámos a levar sarabandas nos jogos de preparação, é que dificilmente passaremos da primeira fase.
Espero que na quinta feira esteja aqui a morder a lingua, e que eles me provem errado. Seria o melhor acto de contricção que fiz até hoje, sinceramente...
A morte do Prof Sousa Franco apanha-nos de surpresa e deixa-nos sem reacção. Acontece a meio de uma escaramuça por poder local, obviamente incitada pelos lideres das facções em causa. No fundo, em meio a um pano de fundo pouco digno, julgo eu.
Foi meu professor, e embora não fosse muito adepto da sua lógica pedagógica, é impossível reconhecer a enorme capacidade deste professor universitário que morre de forma inesperada e terrível.
Aqui, também o meu voto de consternação e pesar.
A morte a mim parece-me sempre uma traição... não sei bem porquê.


quarta-feira, junho 09, 2004

E pronto...
Lá se foi o Rock In Rio.
Lá vem o Euro, e as Europeias.
E é destes dois gigantescos detalhes que depende o real rumo do país daqui em diante.
Ah, e a resolução dos escandalos de corrupção e pedofilia, claro...
Agora imagine-se que a selecção não tem uma boa campanha, que a tendência política do país muda significativamente e que não existem condenações nos casos da Casa Pia ou Apito Dourado?
Quem é que irá apanhar os cacos do país que restará?
Não há comentários perante uma notícia como esta.
Só gostava de saber é como é possível que hajam pessoas que consigam efectuar uma simples sinapse neuronal e que ainda apoiem esta administração do idiota da aldeia global. Um idiota perigoso, o que é pior...
Mas até onde é que pode ir a evidência????
Como é que alguém consegue refutar uma coisa destas????




Relatório de juristas da Casa Branca
Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre tortura - In Público de 7-06-2004

AFP, Reuters
Juristas da Casa Branca consideram que o Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre a tortura quando está em causa o interesse supremo do país. Portanto, e segundo estas opiniões, os militares americanos envolvidos no escândalo dos abusos contra detidos iraquianos não podem ser acusados judicialmente se tiverem cumprido ordens do próprio George W. Bush.

Segundo o relatório confidencial, citado na edição de hoje do "Wall Street Journal", o Presidente dos EUA "dispõe de poderes virtualmente ilimitados para conduzir uma guerra como entender, sem que o Congresso, os tribunais ou as leis internacionais possam interferir". Como chefe supremo das forças armadas, o Presidente tem, de acordo com o texto, poderes para aprovar quase todas as acções físicas e psicológicas a usar durante interrogatórios.

O documento considera que os agentes do Governo de Washington que torturaram prisioneiros em obediência a ordens do Presidente não podem ser acusados nem processados. Por outro lado, esses agentes podem sempre argumentar terem tido de recorrer a métodos de tortura para obterem informações susceptíveis de impedirem atentados terroristas.

O grupo de peritos do Pentágono (juristas civis e militares) elaborou o relatório — que questiona os meios de contornar as leis americanas, bem como as convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra — em Março de 2003, a ordens do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que, por sua vez, tinha recebido um pedido por parte dos responsáveis pelo campo de detenção da base americana de Guantanamo (Cuba). Os responsáveis queixavam-se de não conseguirem, através dos métodos convencionais, retirar muitas informações dos prisioneiros, essencialmente combatentes afegãos e taliban, presos sem julgamento desde a guerra do Afeganistão.

As organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado a situação de Guantanamo, acusando as autoridades dos EUA de não facilitarem o acesso aos detidos ou destes a um advogado. Os EUA têm rebatido com o argumento de que sempre defenderam e agiram conforme às convenções de Genebra, tratando os prisioneiros de guerra humanamente.

Segundo o "Wall Street Journal", desconhece-se se Bush terá alguma vez lido ou tomado conhecimento do relatório. Uma fonte do Pentágono citada pelo jornal americano reconhece que alguns dos peritos consultados colocaram objecções a alguns dos métodos de interrogatório sugeridos, mas acabaram por assinar o documento, em Abril de 2003, pouco depois da ofensiva liderada por Washington contra o Iraque ter começado.

quarta-feira, junho 02, 2004

A noção de triunfo pessoal radica numa lógica necessariamente comparativa. No universo da meritocracia contemporânea, as pressões deixam de ser exclusivamente económicas para se tornarem uma espécie de selo identificativo. Há uma expectativa relativa aos elementos objectivos da vida de cada um, uma espécie de verificação de galões, de desejo de identificação. No fundo, há um retorno à lógica de confronto de expectativas versus a panóplia de façanhas. E mais notório ainda, é como isso cresce dentro de nós, como as exigências se tornam autocráticas para o próprio. No fundo, encontrar o caminho é complicado, e não ter uma noção clara de que caminho é esse acaba por ser uma reformulação do conceito de pecado social, mas mais de dentro para fora do que o oposto.
E depois há a vida pessoal. Aquela que assenta no que provavelmente justifica as nossas andanças por aqui enquanto espirito finito. Há, e já dizia DAvid Kelley, uma convicção de que a nossa vida pessoal cuida de si mesma. Que é um direito adquirido e que acaba por materializar-se mais cedo ou mais tarde, porque a função social objectivo-produtiva está cumprida.O tempo é queimado sem piedade, os livros ficam por ler e as cores do dia por ver. Aguarda-se pela compaixão emocional dos que nos amam porque está craida a convicção de que essa é uma obrigação que veio com a embalagem. A de fixar uma afeição e depois simplesmente lidar com ela num reforço de intenção, e cada vez menos de facto.
Mas a verdade é que sendo a depressão e as doenças mentais a praga social do século, associada à galopante transformação do modelo social, esta teoria mostra as suas fraquezas e incoerências. Mostra a tristeza mal escondida de quem está a ser empurrado mas simula uma marcha volitiva entusiástica. Há demasiados ecos de Huxley e Orwell neste cenário.Ou mais Darwin que Lorenz, sei lá...
A nossa interacção afectiva com o mundo que nos rodeia não é um luxo. As emoções podem ficar esquecidas até um certo ponto, mas cedo ou tarde cobram a sua parte. E fazem-nos de forma quieta. É complicado pensar que pode não haver amor para todos aí fora. Que não há necessariamente um texto para cada panela, que as pessoas podem efectivamente encontrar-se mais por necessidade de resistência que por uma qualquer epifania afectiva. Sinceramente, o crescimento das taxas de separação entre as pessoas ( dizer só divórcios é redutor), para mim, assenta nesta premissa. São dois focos de pressão. Não há milagres.
Talvez julguem que estou a ser pessimista, mas pelo contrário. A minha ideia é bem simples. A resistência verificada é que fornece um gozo na esperança a que cada um de nós se pode permitir. Pelo menos no meu caso. Amor e quejandos acontecem, felizmente. Mas não é a sobrevivência objectiva que garante a sua existência, e muito menos um direito a esta.
Preparar o futuro tem mais que um significado...
A mim , no fundo, falta-me fazer o caminho inverso, julgo eu.

Absolutamente Assombroso...
Charlize Theron,apesar de fazer um papel exceelente, não mostrou, em meu ver, a magia desta menina. O Dvd tem, nos seus conteúdos, a audição de Keisha Castle-Hughes, e deixem-me que vos diga que é de sentir arrepios na pele. É talento destilado, puro, incontido. As intervenções dela mostram uma maturidade ternurenta que vai muito para além dos seus tenros anos, e a antevisão do que provavelmente será uma mulher de estarrecer, em todos os sentidos possíveis.
A história é maravilhosa. A realização de Nikki Karo é tocante e inspirada. a música um absoluto deleite. E não há aquele pessimismo trade mark próprio de muita da cultura de hoje.
Vi ontem que o Óscar de melhor actriz foi mal atribuído, na minha modesta opinião.
Vejam o quanto antes...