ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

terça-feira, julho 06, 2004

Ontem terminou uma das melhores séries que vi nos ultimos tempos. Penso que teria resultado melhor em filme completo, mas dada a extensão não se tornava exequível.
Bem sei que muitos dos homofóbicos e Cesares das Neves que por aí andam devem ter benzido a televisão ou pendurado uns quantos terços nas arestas protuberantes do aparelho, mas a verdade é que, para mim, é uma obra fantástica, cheia de diálogos e situações que marcam e deixam memória, e sobretudo porque se trata de uma reflexão profunda acerca do preconceito sem cair em discurso panfletário.
A lógica é sempre a mesma. Acho que a imensa falta de humildade de que sofrem certas pessoas resulta precisamente da ausência de capacidade de perspectiva. De tentar interiorizar e perceber as motivações, gostos e visões do outro. Aquilo que para mim é mais que tolerância, mas sim, humanidade básica.
Anjos na América mostrou um cenário que o "Philadelphia" de Tom Hanks já mostrara, mas em meu ver, de forma muito mais contundente, irónica e crua, sem deixar de ser terno ou comovente.
Deve ser chato para alguns tipos que se faça uma reflexão profunda sem cair naquele fatalismo nihilista e enegrecido de que nada tem solução. Foi isso que Kushner fez. Revelar uma realidade que, muito á semelhança do discurso de Almodovar, recai numa verdade universal. Se o amor existe, em todas as suas formas, tudo acaba por gravitar em torno dele, sendo dispicienda a forma como se revela.
Não sei porque é que o facto de existirem seres humanos que gostam uns ds outros, por vezes independentemente de sexo ou forma, chateia tanta gente.
Talvez porque para uns, o facto do pai da família nuclear encher de porrada os petizes é mais aceitável que outras formas de família.
Mas o mundo muda. A irracionalidade de ódios subjectivos não vence sempre. Infelizmente para eles.

Excelente.

Sem comentários: