ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, agosto 25, 2004

A lebre e a cenoura...

É certo que nada disto é novidade, e que tantas pessoas fazem tantas outras perguntas acerca do tema.
Mas analisando certos fenómenos que têm cruzado a minha pessoal ultimamente, pergunto-me realmente onde está a noção de estratégia para a fruição da vida com outros. Eu explico.
Sinceramente, o que querem as pessoas? Especificando um pouco mais, o que querem as mulheres?
Porque raios existe uma propensão para as situações complicadas, para a previsão mais do que certa que as incompatibilidades, e as consequentes e mútuas agressões, superam em muito os chamados momentos de alívio, onde tudo parece assemelhar-se a uma central eléctrica pronta a debitar energia? Será que estas pessoas só vivem bem na alternância, procurando um tal estado de frenesim agressivo e angustiante, que encarem a vida enquanto plena somente no momento em que se passa ao estado alternativo? Será que vivem o amor como uma espécie de sucessão de oásis surgidos em meioa a um deserto fervente e constante?
Até que ponto é que se conhecem as irrecuperabilidades do outro, em termos da nossa subjectividade, e ainda assim se faz o juízo arrogante de que serão capazes de o mudar. E desgraçado daquele que o fizer, pois é corrido a trote de caixa num piscar de olhos.
A verdade é que existem muitos casos nos quais a agressividade não existe, porque não tem de existir. E de alguma forma isso é confundido com falta de intensidade, ou talvez uma tangibilidade que retira o caráctr de via sacra que fundamenta o amor de tantas mulheres que conheço.
Tendo em conta a inestimável liberdade de cada um, é indiscutivel que cada um tem o direito a seguir o percurso que deseje. Mas são as queixas subsequentes, o falso desejo de um cenário alternativo e o sofrimento imputado sempre a factores alheios que me irritam profundamente. Porque revelam uma espécie de rixa com as voltas do destino, como se esse mesmo destino não fosse moldado por juízos e impulsos estéticos/afectivos pertencentes a quem se queixa. Como se quisessem fazer crer que não estão a ter exactamente aquilo que pedem. Como se de alguma forma pudessem desejar outra coisa qualquer.
Amor também é poder. Mas não julgo que todos os desiquilibrios se justifiquem.
Se alguém achas desejável viver relações de inferno, de confusão, de eterno mal estar salpicado com momentos de alivio, como nos intervalos das ressacas, está no seu direito, porque o amor vive-se como se pode.
Mas as queixas, atribuindo responsabilidade a outros ou outras coisas, quando a escolha é do próprio, soa a desonestidade, e o que é pior, a falta de legitimidade. Podemos sempre lamentar a nossa pouca sorte. Mas quando a prevemos, e lidamos com ela precisamente porque a mesma assim se forma, existe, e dificilmente mudará, então o sofrimento tem apenas um causador. Aquele que se queixa, que escolheu, e que de alguma forma, não encontrará redenção junto daqueles que que rejeita precisamente porque lhe podem dar o oposto.
Vejo amigos meus nesta situação, e aborrece-me.
Parece injusto, e pior que tudo, doentio.

A eles, um abraço de melhoras...


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