ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quarta-feira, agosto 18, 2004

PARA QUANDO A REVISTA "MÁRIO"?
Antes eram as revistas femininas. Cheias de conselhos para os ditos tempos modernos, encorajando a uma titude feroz e idependente, conjugada com receitas e mexericos. Era, e são publicações que não dão bom nome ás mulheres, e com as quais, felizmente, muitas se não identificam. Até porque acho que a mulher Cosmo não existe, mas enfim, a perseguição às abstracções também cria ideias.
Agora surgem as ditas revistas masculinas, onde salvo raríssimas excepções, o discurso é imbuído de um tom a roçar a boçalidade, onde todos aqueles que se querem reputar como homens á séria devem regurgitar todas as informações possíveis e imaginárias sobre futebol, nada em cerveja e exibir todas as demonstrações de machismo bacoco que sejam possíveis. Entre o leitor alvo destas revistas e o Zezé Camarinha, as distâncias parecem terrivelmente curtas.
E porquê esta linguagem ou esta simbologia?
É certo que gostamos mulheres bonitas. É certo que a monogamia é um desafio constante. É certo que a cerveja gelada é um imenso prazer. É certo que um bom jogo de futebol é algo agradável.
Mas porque raios é que surgem estas pragas editoriais, onde o discurso e o tom empresta ao leitor uma espécie de código identificativo com o universo testosterona, como se esse fosse realmente o denominador comum para aqueles que se denominam como homens? Já para não falar no tom homofóbico constante e um suposto humor á lá "levanta-te e ri" que chega a ser confrangedor.
Eu não identifico as mulheres como Cosmo Girls.
Será que elas nos identificam como homofóbicos beberricadores de cerveja, com níveis impensáveis de testosterona e uma obcessão, por isso mesmo contraditória com os nossos abdominais?
Para mim é apenas uma extensão da péssima linguagem televisiva dos dias de hoje. Mas vá lá. Ao folhear na banca, sempre dá para rir um pouco.
Comprei um exemplar de cada uma dessas publicações. Não há salvação possível, embora uma delas tenha um tom mais inteligente e elegante que as outras (Men's Health).
É assim tão complicado abordar temas inter género de forma divertida, irreverente, mas com inteligência?




Sem comentários: