Bem, requiem para o único momento de humor matinal da rádio portuguesa.
Sim, tirando o Markl, os outros estavam a perder alguma da qualidade que os tinha afamado. Pedro Ribeiro deve ter-se esquecido que a piada do John Cleese, por exemplo, esteve sempre naquela magnífica capacidade de manter a (falsa compostura), para depois explodir com um par de cuecas na cabeça, o impagável Gumby, ou suar as estopinhas em fatos de gosto discutivel, (O fabuloso Fawlty Towers). Nos ultimos tempos, Pedro Ribeiro, com os seus gritinhos, estava a tentar ser engraçado á força, o que era confrangedor. Basta ver agora o ser registo mais sóbrio na RCP, e percebe-se porque é que vale a pena ouvi-lo em detrimento dos inenarráveis locutores da MEGAFM (argh!), ou mesmo da insuportável Arroja com as suas "grandes malhas" e os seus "do best".
A Maria era simpática, inteligente, e cheia daquela irreverência própria das mulheres que são giras, sabem-no, mas nunca usam esse mecanismo para olhar os outros com sobranceria. Algumas das gargalhadas eram um bocadinho excessivas, mas caraças, ninguém é perfeito, verdade? E em compensação tinha uma veia certeira para as piadas sexuais subtis.
Markl sempre em grande. É num estilo Monty Pythoniano, cheio de nonsense, mas é o tipo responsável pelo gag da Ultima Ceia e do julgamento que opõe o Pai Natal ao Menino Jesus. Dois clássicos absolutos, imortalizados pelo Herman. ( Quando ele ainda era um comediante inteligente, e não este mutante apimbalhado que por aí deambula. O Gato Fedorento é o sucessor do humor inteligente e irresistível em Portugal.)
Nuno Markl sempre teve, e penso que continua a ter, aquela veia nonsense do tipo que conta as maiores anormalidades com um tom sério. Em televisão não funciona, temo dizê-lo, mas em rádio é imbatível.
Vai fazer falta aquela piada nonsense a caminho do trabalho.
Como o que resta nem vale a pena comentar, só espero que consiga comprar a porcaria do leitor de CD para o carro ( que custa uma pipa de massa) e voltar a ouvir os meus audiobooks ou cd de música.
A rádio matinal simplesmente não oferece nada que valha a pena nos dias de hoje... o que é uma pena.
Impinge-se a fórmula Big Show Sic e siga o baile. As playlists são uma porcaria absoluta. A rádio cada vez mais se parece com a TV, o que é uma pena, realmente. Os bons programas são como as series - ficam para a madrugada e afins...
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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1 comentário:
o Markl de 2009 tem-me vindo a desiludir
há dias então...
não percebo aquelas crónicas na antena 3 as 8:20 da manhã
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