ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, outubro 20, 2004


Ontem revi um daqueles filmes que muita gente adora detestar para manter aquela postura de ser aculturado e esclarecido, pertencente á elite que engolfa Hanneke e que julga que tudo o resto deve ser queimado em autos de fé crítica.

Como fã de Shakespeare, acho o filme uma deliciosa reinvenção, uma homenagem justa e até tocante a vários temas, entre eles o amor pela arte e sua integridade. Sim, não tem o toque cinzento e frio do realismo puro, duro e feio, mas desde quando é que isso é sinónimo de qualidade? Se assim fosse, o cinema era só documentário, porque tudo o resto é imaginação.

No entanto que me ficou daquele filme é igualmente um senso de admiração. De contemplação até um pouco rendida e que me demonstra algo indesmentível. É impressionante até que ponto a mulher é mais bonita, mais intensa e complexa. Até que ponto a forma como ri pode transformar tudo e dar-lhe uma solenidade e poder imensos.
Conforme li noutro dia numa revista, é na pele que tudo começa, pois é através dela que chegamos ao Céu ou ao Inferno. Curiosamente, isto vinha de um senhor (Paul Valery) o qual afirmou a certa altura que o cinema era um desperdício de inteligência...
Ironias á parte, há de facto fragmentos da vida que por vezes escapam ao inexorável buraco negro característico de uma importante parcela da natureza humana. São momentos belos, únicos, e sobretudo, mostram-nos até que ponto a criatividade pode ser um bálsamo que dá valor a preciosos minutos. E não é isso que vale a pena, afinal?

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