SONDAGEM DE OPINIÃO
Embora seja um tema talvez recorrente, a questão volta a ser pertinente, em meu ver, devido a alguns acontecimentos recentes na minha vida privada e de pessoas que me estão próximas.
Sem entrar em muitos detalhes, até porque a situação já foi referida aqui e aqui, (por inerência indirecta, se posso chamar-lhe assim) a verdade é que algumas questões deixam-me perplexo, pelo que agora peço mesmo contributos e opiniões aos que por acaso aqui caírem e lerem este post.
Com a obsessão da meritocracia, do reinado dos objectivos materiais, a elasticidade limitada do tempo ( há quem diga que é inexistente) colocam-se algumas questões no campo da opção, ou da escolha.
Até que ponto é justo relegar a esfera pessoal para décimo terceiro plano, depois do trabalho, dos cursos, das obrigações, do engrossar do curriculo, etc, etc, etc...? Até que ponto não será mais honesto obedecer a uma lógica optativa, mas honesta, na qual as pessoas tem efectivamente de dizer a quem amam ou estimam que a escolha está tomada.
Reagirão alguns dizendo que as prioridades não se confundem, mas gerem-se, adiando os momentos e situações importantes para um porvir mais descansado. A porra é que esse porvir tarda em chegar, e vai-se substituindo por outros mecanismos de adiamento. E depois mais outro, e outro ainda...
Sinceramente, para que raio querem essas pessoas alguém a quem amar? Ou alguém a quem chamam de amigos ou família? É perfeitamente legitimo que escolham esse caminho de crescimento e evolução profissional/académica ( e sei lá mais o quê). Mas a legitimidade vai um pouco às urtigas quando a ideia geral é manter as pessoas que deles gostam num estado de longa animação suspensa, muitas vezes escudando-se na ideia de que estas têm mais é que se aguentar, porque isso é que significa gostar e compreender o outro.
Discordo completamente. Acho que é um despotismo, muitas vezes mascarado numa subtil chantagem emocional, deixando a pessoa que quer dar um pouco mais de dedicação com uma sensação estranha de ser um acessório, algo que tapa os hiatos entre os momentos de ocupação. No fundo, importa apenas saber que aquela pessoa está lá, como um conforto potencial e permanente, mas ao qual (quase) nunca se recorre. Esta noção, além de injusta, acaba por ser desonesta, porque no fundo quer-se ter tudo ao mesmo tempo, sabendo de antemão que a vida pessoal será feita de intenções e não concretizações. Uma no papo e outra no saco, como diziam os antigos. No fundo, é aquela velha ideia cuja premissa assenta no factor secundário e auto-sustentado da vida pessoal, emocional ou lúdica. Como já disse antes, essa vida não é um motor contínuo e necessita de movimento, ou atrofia e morre como um musculo inactivo. Torna-se uma coisa mole, inerte e sem vida, limitando-se a existir, a estar ali.
Não sei até que ponto isto pode exigir-se a uma pessoa, sob a capa do amor ou da necessidade de compreensão. Não sei até que ponto tolerar isto significa compreender o outro. Não entendo a razão pela qual existem tantos esforços e concentração para umas coisas, e uma ausência confrangedora de emprenho para outras.
E se as pessoas em causa disserem, como o dizem tantas vezes, que estão bem assim, a solução é simples.
Trata-se de levantar os olhos do umbigo e perceber que se calhar os outros não estão bem assim. Nem têm de estar. E talvez tenham direito a seguir um caminho onde tenham um pouco daquilo que querem, do que afinal torna possível qualquer espécie de relacionamento. A vida, o movimento, a pele e a presença. Já chegam os momentos necessários de saudade próprios da vida que temos.
Ninguém vive com o conceito de alguém. A interacção é a vida de qualquer impulso humano.
Este tipo de boas intenções nem o Inferno enche.
São vacuidades.
Sem entrar em muitos detalhes, até porque a situação já foi referida aqui e aqui, (por inerência indirecta, se posso chamar-lhe assim) a verdade é que algumas questões deixam-me perplexo, pelo que agora peço mesmo contributos e opiniões aos que por acaso aqui caírem e lerem este post.
Com a obsessão da meritocracia, do reinado dos objectivos materiais, a elasticidade limitada do tempo ( há quem diga que é inexistente) colocam-se algumas questões no campo da opção, ou da escolha.
Até que ponto é justo relegar a esfera pessoal para décimo terceiro plano, depois do trabalho, dos cursos, das obrigações, do engrossar do curriculo, etc, etc, etc...? Até que ponto não será mais honesto obedecer a uma lógica optativa, mas honesta, na qual as pessoas tem efectivamente de dizer a quem amam ou estimam que a escolha está tomada.
Reagirão alguns dizendo que as prioridades não se confundem, mas gerem-se, adiando os momentos e situações importantes para um porvir mais descansado. A porra é que esse porvir tarda em chegar, e vai-se substituindo por outros mecanismos de adiamento. E depois mais outro, e outro ainda...
Sinceramente, para que raio querem essas pessoas alguém a quem amar? Ou alguém a quem chamam de amigos ou família? É perfeitamente legitimo que escolham esse caminho de crescimento e evolução profissional/académica ( e sei lá mais o quê). Mas a legitimidade vai um pouco às urtigas quando a ideia geral é manter as pessoas que deles gostam num estado de longa animação suspensa, muitas vezes escudando-se na ideia de que estas têm mais é que se aguentar, porque isso é que significa gostar e compreender o outro.
Discordo completamente. Acho que é um despotismo, muitas vezes mascarado numa subtil chantagem emocional, deixando a pessoa que quer dar um pouco mais de dedicação com uma sensação estranha de ser um acessório, algo que tapa os hiatos entre os momentos de ocupação. No fundo, importa apenas saber que aquela pessoa está lá, como um conforto potencial e permanente, mas ao qual (quase) nunca se recorre. Esta noção, além de injusta, acaba por ser desonesta, porque no fundo quer-se ter tudo ao mesmo tempo, sabendo de antemão que a vida pessoal será feita de intenções e não concretizações. Uma no papo e outra no saco, como diziam os antigos. No fundo, é aquela velha ideia cuja premissa assenta no factor secundário e auto-sustentado da vida pessoal, emocional ou lúdica. Como já disse antes, essa vida não é um motor contínuo e necessita de movimento, ou atrofia e morre como um musculo inactivo. Torna-se uma coisa mole, inerte e sem vida, limitando-se a existir, a estar ali.
Não sei até que ponto isto pode exigir-se a uma pessoa, sob a capa do amor ou da necessidade de compreensão. Não sei até que ponto tolerar isto significa compreender o outro. Não entendo a razão pela qual existem tantos esforços e concentração para umas coisas, e uma ausência confrangedora de emprenho para outras.
E se as pessoas em causa disserem, como o dizem tantas vezes, que estão bem assim, a solução é simples.
Trata-se de levantar os olhos do umbigo e perceber que se calhar os outros não estão bem assim. Nem têm de estar. E talvez tenham direito a seguir um caminho onde tenham um pouco daquilo que querem, do que afinal torna possível qualquer espécie de relacionamento. A vida, o movimento, a pele e a presença. Já chegam os momentos necessários de saudade próprios da vida que temos.
Ninguém vive com o conceito de alguém. A interacção é a vida de qualquer impulso humano.
Este tipo de boas intenções nem o Inferno enche.
São vacuidades.
Gostaria muito de saber as vossas opiniões e sensibilidades quanto a esta questão.
Digam lá de V. Justiça
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