ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, dezembro 06, 2004

Existem uma grande classe de pessoas que utiliza aquele que talvez seja dos mais irritantes dos fundamentos para alguma coisa.
Dizem-no com uma postura rendida, mas plenamente confiante, como se o acabassem de dizer tivesse uma justificação plena. Na pose socrática pré-cicuta, dizem, calmamente que :

"Não é defeito, é feitio".


Não se pode ser estúpido por defeito, mas sim por feitio.
Não fica bem ser cruel por defeito isolado, mas e aceitável quando é feitio.
É impensável ser desonesto por defeito, mas aceitável quando se trata de feitio.
O egoismo isolado em determinadas manifestações é recriminado violentamente, mas aceite como uma idiossincrasia quando é reiterado e transformado na constancia de um feitio.

Então eu pergunto:
As coisas e detalhes que não são positivos, que causam mal a terceiros, e não raras vezes aos próprios, são inaceitáveis quando expressos isoladamente, ou por momentos, mas tornam-se passáveis quando perduram no tempo e nas atitudes e escolhas que são feitas ao longo deste?
Sou só eu que acho que a constância de um defeito, quando se conhece o dano que exerce sobre outros, só perdura por vontade? Que isso significa ter uma conduta deliberadamente agressora para com o outro, estendida por tempo indeterminado?
Sou só eu que acho que os erros, porque isolados, são o que fazem de nós humanos ao tentar resolvê-los?
Ou será o feitio a chave mestra que permite arrumar o insanável numa gaveta própria, advertindo os outros para nunca a abrirem?

Este relativismo absoluto irrita-me.
Não é de todo o meu feitio...



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