ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quinta-feira, dezembro 16, 2004






Sendo uma época que as pessoas aproveitam para balanços, e tomadas de consciência e mais o caraças, fica aqui mais uma. Nada de grandes discursos tendente a uma reformulação desejosa de comportamentos ou factos. Apenas uma espécie de chamada de atenção.

Ouvindo a ocasional conversa sobre o assunto, vejo que as pessoas estão cada vez mais desinteressadas pela quadra. E não falo do stress, que a maioria não sabe transformar em diversão já que se trata de dar trabalho à cabeça para encontrar algo para pessoas de quem supostamente se gosta. Falo de uma corrente generalizada de despreocupação e desinteresse perante qualquer manifestação de algo especial. O argumento é sempre o mesmo. É uma fantochada, e argumentos comercialistas, e por aí fora.
Esta corrente grassa e atravessa outros sectores. Outros fenómenos e momentos. As pessoas andam assoberbadas pelos seus pragmatismos, é verdade, mas contribuem para essa invisibilidade dum outro lado da vida, desculpando-se com o conceito da maturidade. O que me parece uma treta desculpabilizante para a preguiça e a inércia induzida pelo ambiente civilizacional que se vive, mas enfim.
As pessoas perdem ( ou ganham no meu modesto ponto de vista) pouco tempo a divertir-se com as coisas simples. No caso do Natal muita gente age como aquele puto que finalmente descobre que o Pai Natal não existe e como tal preocupa-se mais em remoer esse facto do que em aproveitar as luzes, a atmosfera, alguns actos de bondade genuína entre amigos e familiares, a comida, e sobretudo, em divertir-se com um período em que as pessoas são instadas a fazê-lo. Para elas recomendo “Skipping Christmas”, do John Grisham, o qual não li ainda, mas segundo a critica do NY Times e algumas sinopses disponíveis na net, fala precisamente deste sentimento de greve a um período que, confesse-se ou não, acicata as emoções, sejam elas quais forem.
Por pressão social? Claro que sim, pelo menos em parte. Mas que espécie de sentimentos e emoções que derivam de uma estrutura gregária é que não são, em parte, condicionadas um pouco por estrutura social?
E sinceramente, não entendo esta gaita de protesto contra a suposta invasão comercial do Natal. Posso estar a ser ingénuo, mas essa invasão só é interiorizada por quem altera comportamentos, ou seja, se antes não se compravam prendas e se passam a comprar, aí sim o protesto é válido. Embora me pareça um pouco parvo já que deriva de uma formulação da vontade própria. Até à data ainda não vi tipos na rua disfarçados de pai natal, como uma arma na mão, a investigar sacos e ameaçar furiosamente os energúmenos que decidam não torrar o que não têm em prendas.
O boicote ao Natal é legítimo, na perspectiva de quem leva o conceito a sério e descontraidamente. Mas ouvir aqueles que vociferam contra a quadra com um olhar de mágoa estampado no rosto parece-me, no mínimo, incongruente. Quem não gosta da quadra, poderá lamentá-la? Não sei… pensem lá nisso…
Em reacção contra esta corrente, aproveito para me dirigir a vocês, e de alguma forma tentar passar um sentimento pueril e mesmo ingénuo, mas que espero que apareça aí pelas vossas bandas. Esta é uma altura óptima para soltar a imaginação, em todas as vertentes, se é que me entendem. O argumento do pragmatismo necessário acaba por secar as pessoas, por isso mais vale aprendermos a divertir-nos com alguns disparates menos objectivos, aceitar um pequeno calor interno pelo facto de vermos a cidade enfeitada, e sobretudo porque em meio a todo esse neo-realismo feio, surgem de facto votos sinceros e emoções partilhadas por força de uma altura do ano.
Por isso espero que se divirtam. Que façam alguns disparates. Que coloquem um barrete na cabeça e façam alguém rir, nem que sejam os vossos filhos, se os tiverem.
Espero que possam ter oportunidade de beber um chá quente e ver o crepúsculo da véspera de Natal, ao mesmo tempo que sentem um pequeno frenesim pelo que se aproxima. Espero que possam realmente andar de loja em loja, ou seja lá porque meio for, à procura de algo para aquela(s) pessoa(s), antevendo o sorriso que esperam que ela venha a ter. Espero que não ouçam as vozes que se auto-proclama esclarecidas enquanto eivam tudo com cinismo cortante, e ao contrário, dêem convosco a sentir daquelas coisas que envergonham pelo facto de serem talvez um pouco ridículas, mas certamente muito libertadoras. Porque quem inventou este conceito de ser adulto não falou em secagem interior. Se falou, eu acho que faltei a esse seminário…
E pensem assim. Há o resto do ano para um tipo se chatear com o Governo, com os imbecis que saem à rua só para chatear o próximo, com as consecutivas derrotas do clube de eleição, com a desconsideração dos outros, com as dietas que não resultam, com a elasticidade muito reduzida do orçamento. Não falta o que inventar para se chatearem sem precisarem do ressentimento da quadra.
Por agora, só gostava mesmo é que tivessem todos um ….



Feliz Natal!!!!!!!
e
Feliz
Ano Novo!!!!!!



Sem comentários: