ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, dezembro 19, 2005

Estou de férias.
Razão pela qual o blog está em pausa.
Como muitas outras coisas.
Durante alguns dias, veremos se o Estações tem ou não futuro.
Eu espero que sim...

Até já

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Falsidade e cinismo. Escarnecido e repudiado quase de imediato por qualquer pessoa que se encontra com os conceitos, mas mais usado que qualquer mentira branca perante um cenário onde a mesma pode evitar chatice desnecessária.
Em primeira mão, o cinismo e falsidade parecem, para quem os usa, estar revestidos de uma qualquer capa de elegância estranha. É como se a pessoa soubesse que está a fazer merda, mas porque até tem uma capa de elegância e aparência normalizada, passa como algo que só uma educação superior pode conceder. E o mais engraçado é que existe uma espécie de ilusão na qual as pessoas parecem ter a noção de que esse cinismo ou falsidade nunca transparecem. Os sorrisos amarelos, os gestos afectados, os olhares semi-cerrados surgem como uma capa de invisibilidade perante a fundamentação factual e indesmentível dos actos.
A verdade é que essas atitudes, ou conceitos, desrespeitam mais ainda a pessoa que os pratica, porque são uma mentira dentro da mentira. Acabam por se lhes colar como uma segunda pele, e a tolerância exercida rouba qualquer espécie de confiança externa que lhes possa ser entregue. E julgo que não existe nada mais triste do que olharmos para alguém e percebermos que podemos esperar tudo. Que o bom e o mau poderão ser encarados como normais, como indiferentes, como uma mancha de indefinição vinda de alguém que com o passar do tempo, não deixa as marcas necessárias ou desejáveis em alguém, mas simplesmente isso... marcas. Pedaços de algo irrelevante porque absolutamente esperado.
A falsidade acaba por ter sempre as pernas curtas. E cedo ou tarde, ainda que permanecendo impune, julga-se peranto o próprio praticante. Ela, assim como o cinismo, são as muletas da adaptação solitária de um qualquer mecanismo pretensamente darwinista de eficiência social. É das piores formas de selvajaria polida que existem.
Ao contrário das deslealdades singulares, ninguém é falso uma vez. A falsidade pressupõe continuidade no tempo. E premeditação, consciência de que a atitude se repete uma, e outra, e outra vez, baseado em motivações que a espaços, até mesmo os praticantes esquecem. É algo que pode ser calculado ao pormenor, e que nem sequer tem a desculpa de um comportamento pleno daquela pathos violenta que volta e meia nos leva a cometer erros.
A falsidade é algo que parece cair bem, e denunciar até alguma inteligência. Mas o escárnio incluido nesse comportamento acaba por recair naquele que, quando descoberto, não tem nenhuma outra alternativa senão canibalizar-se com a sua própria pele podre. Os falsos acabam por acumular outra péssima caracteristica. Mais cedo ou mais tarde são os seus próprios delatores...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Excerto....

"É extremamente difícil explicar às pessoas o impacto de certas coisas na nossa mente ou aquele local estranho e intangível onde formamos os nossos juízos estéticos. É uma forma de solidão, como outras, mas de um certo modo nunca desistimos de querer generalizar ou universalizar a noção clara de que um autocarro acabou de nos atropelar a alma. Nunca sabemos como o fazer, ou as tentativas, ainda que satisfaçam os outros, nunca fazem o mesmo por nós.
Esses momentos tornam-se uma terapia, uma espécie de local seguro onde paramos quando estamos fartos de jogar à apanhada com o que quer que nos assole todos os dias. Uns usam drogas, outros bebida, outros ainda psiquiatras ou psicólogos. Os mais afortunados, usam amigos verdadeiros, mas esses são ainda mais raros que bruxas a recitar poesia.
Eu fecho os olhos e vejo aquela rapariga vestida de bruxa, com as formas do corpo jovem e belo desenhadas mas igualmente difusas na luz roxa, lendo um poema que faz exactamente as mesmas perguntas que eu e sem responder acaba por confortar-me. É um truque como todos os outros, É meu. Daí a sua validade idiossincrática e duvidosa.
Bem sei que é bem mais elegante ser cínico, e que a mais das vezes se confunde essa predisposição mental com a verdade ou sinceridade. Não haja também qualquer dúvida que eu próprio concordo algumas vezes com essa premissa ou atitude. Mas naquele instante essa noção irritar-me-ia se nela tivesse sequer pensado, como me irrita agora que a vejo em tela de recordação. Porque era algo ao qual eu desejava dar uma importância que acabou por verificar-se no decurso da minha vida, ainda que os restantes milhões de pessoas no mundo não pudessem estar-se mais nas tintas para isso. É uma realidade dura de enfrentar, e nada nova. Mas nunca me habituei a ela e calculo que ninguém o faça."
“The Tyger Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal band or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare sieze the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And, when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?
What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the Lamb make thee?
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night, What immortal hand or eye,
Dare frame thy fearful symmetry?

William Blake
(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)

A LISTA - PARTE IV

1. Reconhece que optas sempre, mas admite contentar outras vontades. Quem sabe se não acabarás por concordar?

2. Tem sempre sonhos. Alimenta-os sempre, por mais estapafúrdios que sejam. Poderá ser a coisa mais preciosa a partilhar com outra pessoa, ou a marca mais evidente da tua identidade.

3. Tem paciência. Mesmo quando já a tiveres perdido completamente, pelo menos recorda-te de que a tiveste e que a quiseste manter.

4. Persegue os que amas. Nunca desistas de obter uma confirmação exacta do que podes conseguir. Mas nunca exageres, e liberta-os sempre antes da ultima tentativa.

5. Faz amizade com um médico, um advogado e um empregado de papelaria e livraria.

6. Transforma-te no que puderes, mas não te faças no que não és.

7. Indigna-te sempre que achares legítimo. O cinismo é subtil, por isso acautela-te.

8. As coisas nunca estão tão más como parecem, mas também nunca ficarão tão bem como se espera. Se possível ,vive feliz nesse intermédio.

9. Aceita a desilusão. Mas nunca a aches natural.

10. Passeia pela internet e fala com alguns desconhecidos. Mas quando sentires necessidade de gesticular e fazer caretas ao monitor, então está na hora de descansar e ler um livro.

11. Faz surpresas a quem amas. Nunca são demais e repelem o cansaço da convivência. São o antídoto do veneno comodista.




E nos instantes em que nos reencontramos connosco, salvos do que nos carcomia, e encontrados na constância do instinto, aceitamos o respeito, a tolerância, e a dor doce dos impulsos, como os formatos esperados de algo que se jugava meio perdido, mas que se encontra somente protegido.
E nas perspectivas de uma vida que segue, apesar de tudo, há intermitências do que não se perdeu, do que não é possível de expurgar da teimosia sanguínea de um modo de vida.
É esse pedaço que mostras.
É esse o sabor do mundo.
É viver nele.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Há algo que não entendo na lógica de espectador ou cidadão com consciencia política.
Se um debate corre civilizadamente, se as pessoas apresentam as suas ideias com elevação (que não de tom de voz), há um bocejo generalizado.
A imprensa, e os comentadores, agem como a turba excitada em busca de sangue, sendo os mesmos idiotas que depois reclamam que o discurso político está desacreditado e entrou definitivamente na bandalheira.
Provavelmente o debate Soares/Cavaco vai ter contornos circenses muito mais ao gosto da malta que quer é ver palhaçada e baixaria, porque pelos vistos, isso é que constitui um debate quente, mesmo que a noção de debate seja prematuramente substituída por baderna inconsequente e ataques pessoais.
Ou um Louçã/Cavaco... isso é que vai ser engraçado. Panelas e maços de manifestos políticos a voar por todo o lado.
Realmente, só temos a classe e situação política que queremos.
Que tristeza...
Neste dia, em 1926, Benito Mussolini introduziu um imposto aos homens solteiros.

É caso para dizer que, em certa medida, algumas ditaduras ainda se mantêm. Mais suaves e escondidas, mas ainda assim, socialmente visíveis.

E certos preços a pagar ainda são altos, embora de certa forma opcionais.

Mas só de certa forma . . .
"It is a golden maxim to cultivate the garden for the nose, and the eyes will take care of themselves."

Robert Louis Stevenson


Sim, mas sempre com mínima promessa de flor, ó Robert...

segunda-feira, dezembro 05, 2005



Como diria o Euronews... No comments....
(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu.
Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)

A LISTA - PARTE III

21. Arranja um cão ou um gato, ou uma iguana, ou qualquer outro animal de companhia. É a forma mais clara que a natureza tem de te dizer que te aceita, sem palavras ou símbolos humanos, e com um grau de incondicionalidade que não conhece par.

22. Quando amares, aceita-o. Quanto mais protestares contra ti próprio, mais tempo levas a desfrutar de quem te corresponde, ou a esquecer quem não o faz.

23. Engana apenas em ultimo caso. Mas nunca partas do princípio de que não o farás. Quanto mais o pensares, mais rapidamente acontecerá.

24. Conhece a fundo aquilo que detestas. É a forma mais eficaz de desmereceres aquilo que eventualmente o mereça, e de reconheceres o alcance dos teus preconceitos.

25. Opina, mas julga o menos possível.

26. Conhece a fundo aquilo que amas e em que acreditas. Dessa forma, poderás a mais das vezes ser contestado, mas nunca desarmado.

27. Pratica um desporto. Saboreia a competição. Mas tem cuidado com o teu desejo de ganhar perante a generalidade das regras.

28. Apoia os teus superiores e acarinha os teus subordinados. Mas somente quando aches que realmente o merecem, e se fores obrigado a fazê-lo, fá-lo pela medida mínima. Quem tiver de o fazer, cedo o perceberá.

29. Olha para outros que não o teu companheiro ou companheira. A diversidade é necessária e a tentação inevitável. Supera-se melhor aquilo que se conhece.

30. Mascara-te todos os Carnavais.
Nos ultimos dias encontrei-me incapaz de escrever.
Quando estamos emersos em alguma espécie de confusão, especialmente quanto á própria identidade no espaço dos outros, tendemos a caminhar para alguma reclusão. E no meio do cansaço, surgem as inevitáveis perguntas, tão próprias de momentos e instantes que a pressão socializante tornam especialmente penosos.
Fiz a minha árvore de Natal, e congratulo-me por conseguir olhar para ela com alguma surpresa alegre. Pensei genuinamente que olhar para aquela iluminação colorida, na minha sala semi escurecida e cortada em pedaços por algumas velas, seria penoso. Mas não. É apenas uma percepção clara de que certas coisas germinam dentro de nós, mesmo contra qualquer intempérie menos clemente. Que a percepção de certa ideia permanece clara, e apesar de ferida de um certo respirar fundo, está lá, envolta nos elementos que a tornaram desde sempre querida ou importante.
Julgo que mais realidades deveriam ter esta característica de perenidade. Afinal, as memórias aparecem assim, feitas de parcelares detalhes que duram o espaço de uma vida, feitas dos sulcos que são as letras de cada uma das nossas histórias.
Estes são tempo extremamente dolorosos para algumas pessoas. Porque a pressão é avassaladora e plena de perguntas demasiado incómodas. Há uma atmosfera no ar que tem aquela particularidade de ser duplamente avassaladora. E desenganemo-nos. É de facto inclemente, como qualquer potenciação dos nossos melhores sentimentos, ou anseios por estes.
Mas a árvore está lá. As luzes piscam e não me ligam nenhuma, e as velas parecem mais brilhantes.
Para um agnóstico, a magia desta quadra parece uma piada. Mas não é.
Porque afinal de contas, ela é feita pelas outras pessoas.
E é por isso que se torna tão fantástica ou insuportável.

segunda-feira, novembro 28, 2005

... para quê?...

... pergunta o esclarecido...
This is planet earth....

Look now, look all around, there's no sign of life
Voices, another sound, can you hear me now?
Is is planet earth, you're looking at planet earth
HELP ME...

...disse o ingénuo...



Quando sorris, o mundo inteiro colapsa.
É a morte que num arrepio de imagem, que se imagina e abate sobre mim.
É o fim de ti, no início do que me permite imaginar.
Porque não existes, talvez não me reste não criar.
Criar-te num instante em que páras... sorris... e o mundo inteiro colapsa.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Quando tentei pensar num conceito de musa, apareceu-me isto....
Nos pequenos sons, onde te escondes como aquela cábula que nunca se consegue consutar num exame, reconheço-te.
Não tens forma, mas és feita de toda a recordação e futurologia possivel. Magoas porque não podes ser ignorada, mas como não existes, faço-te num quadro imaterial, cujo pincel do meu sorriso muda a cada dez segundos da tua imobilidade.
Não tenho a lógica comigo. Deixei-a no outro casaco, aquele que num dos outros bolsos tinha aquilo que arriscava como alma. A agonia caiu por um buraco no tecido de cujo qual não fui causador. As unhas que o poderiam ter furado, ou afastado a tua pele de veneno doce, nunca cresceram.
E se no tempo presente não consigo dar-te forma, embora dances incógnita nos cantos das minhas percepções, entrego-me ao que parece feito de ti. Porque os velhos truques são os melhores, especialmente vindos da cartola da genuinidade.
E a dor, imensa e translúcida, que emerge da percepção clara de que és feita de linha ainda não artisticamente domesticadas, ameaça-me pelo conceito de ilusão.
E nos pequenos sons, onde estás partida em milhares de bocados que falam a linguagem da intuição sensível, reside a terrível ameaça de verdade.
Está lá o calor da luz trespassante, e a teimosia da culpa que sei ser minha.
Mas os dias aproximam-se.
E nascem.
E nem mesmo a falta de memória de um mapa rouba a ansiedade de um espaço.
Que acaba por ser casa.
Definição de Bad Girl ou Mulher fatal:

Gaja boa com demasiado tempo na mãos, rodeada pela ausência de espirito crítico.
FALA QUEM SABE OU QUEM CONSEGUE
II
The rose is a rose,
And was always a rose.
But now the theory goes
That the apple's a rose,
And the pear is, and so's
The plum, I suppose.
The dear only knows
What will next prove a rose.
You, of course, are a rose
But were always a rose.
The Rose Family
Robert Lee Frost



FALA QUEM SABE OU QUEM CONSEGUE
I

The sea is calm to-night.
The tide is full, the moon lies fair
Upon the straits;--on the French coast the light
Gleams and is gone; the cliffs of England stand,
Glimmering and vast, out in the tranquil bay.
Come to the window, sweet is the night-air!
Only, from the long line of spray
Where the sea meets the moon-blanch'd land,
Listen! you hear the grating roar
Of pebbles which the waves draw back, and fling,
At their return, up the high strand,
Begin, and cease, and then again begin,
With tremulous cadence slow, and bring
The eternal note of sadness in.
Sophocles long agoHeard it on the {AE}gean, and it brought
Into his mind the turbid ebb and flow
Of human misery; we
Find also in the sound a thought,
Hearing it by this distant northern sea.
The Sea of Faith
Was once, too, at the full, and round earth's shore
Lay like the folds of a bright girdle furl'd.
But now I only hear
Its melancholy, long, withdrawing roar,
Retreating, to the breath
Of the night-wind, down the vast edges drear
And naked shingles of the world.
Ah, love, let us be true
To one another! for the world, which seems
To lie before us like a land of dreams,
So various, so beautiful, so new,
Hath really neither joy, nor love, nor light,
Nor certitude, nor peace, nor help for pain;
And we are here as on a darkling plain
Swept with confused alarms of struggle and flight,
Where ignorant armies clash by night.
Dover Beach
by
Matthew Arnold
Apenas um comentário acerca da rábula do Nuno Markl acerca da posição da igreja relativamente á proibição da ordenação de gays, ou de quem supostamente apoia a cultura gay ( seja isso o que for)...
Brilhante.
Apenas um comentário a mais uma pérola de Ratzinger...
Triste.

quarta-feira, novembro 23, 2005

If I dream and see your eyes, lost inside a city of untamed hair, and come to a conclusion, is that beauty sometimes transcends all definitions, and the capability to state them.
As I see myself small in front of that beauty, I believe myself to be huge when I find it possible to behold it, as a simple miracle, as a killer of cynicism.
And as I imagine, and find myself incapable of letting the images go, I recreate pain in the form of energy, for rage, when just, saves our sense of dignity. Because it states realism, and we feed on the ground on which we stand.
Of course you are nothing but imagination. But that doesn’t mean that you do not feed on me, and my debt is my simple and explicit demonstration of a quiet rage.
You do not exist, and yet I hear you all the time. My hands just flow through whatever they have to do to reach some representation of a synonym for beauty that has no defined form, no unthinkable pain derived from distance.
And as I always told you, on the edge of what I am, a simple and mild child, don’t think that I can pretend that the world can’t come to an end.
But let him say that to me, in person.



Como é possível que não te deixem cantar...
Apenas uma demonstração da palhaçada asquerosa em que se tornou a modorra cultural e artistica feita de tipos que falam em vez de cantar, mostram umas gajas com mamas e cus empinados e vendem uma porrada de discos a malta que acha que é cool andar de arma á cintura e parecer-se com um gangster.

Leiam e constatem a razão pela qual o novo album de Fiona Apple não é editado e que explicará talvez o problema que a Sony Music terá tido com mais artistas no passado.

O mercantilismo economicistas é realmente, a espaços, o conceito mais nojento e infeccioso do planeta.
Se:
As pessoas não fazem esforços,
Aceitam a rotina como algo de absolutamente normal,
Acham que tudo se torna mais importante que cuidar de algo que supostamente deveria unir duas pessoas,
Encontram a importância nas merdices e picuinhices, porque tudo pode ser deixado para amanhã,
Desistem da sua individualidade porque aceitam que não a podem partilhar a certo nivel com a pessoa que escolheram,
Encaram o desinteresse como uma consequência normal da dinâmica relacional,
Abandalham o espólio intelectual e físico porque afinal de contas, "há coisas mais importantes" e "isso já não interessa" porque afinal, no que diz respeito à pessoa, "já está",
Nada criam, nada provocam, nada mudam, nada evoluem porque o pragmatismo levou a melhor e há que pensar em tudo menos nisso,
Entendem que a voz interna morre na vida adulta porque a imaginação é coisa de miudos,
Aceitam que uma qualquer espécie de relação duradoura/estável é uma negação de brincadeira, de travessura ou risco,
Encaram os outros como bibelots num anúncio simpático a cerveja os whisky novo,
Acham que está tudo dito quando se atolam das supostas felicidades das obrigações, e deixam morrer a voz interna, o espirito criativo e a ideia de que a sua liberdade nunca pode estar em causa, porque só a entregando de livre vontade e sempre na medida certa é que se consegue pertencer a alguém...
...Façam um favor a vós próprios, e aos outros.
Fiquem sós e pensem no que andam a fazer. Na merda que andam a fazer.
Se acham que no complexo afectivo entre duas pessoas tudo é relativo, então a maior das faltas de respeito está efectuada. A falta de esforço redunda no desrespeito de considerar que qualquer acordo tácito relacional justifica todo o tipo de modorra ou automatismo sonolento.
Ou então aceitem, e não se queixem. Assumir as responsabilidades é já um caminho célere para a dignificação de uma mudança necessária.
E percebam rapidamente que estão mortos, e ainda não receberam o aviso lá em casa.
A maturidade não é medida pela ausência de rugas na gravata, ou as medalhas de mérito obtidas na realização dos pragmatismos.
A maturidade é aceitar as coisas na verdadeira medida, mas rebelar sempre contra aquilo que afoga a idiossincrasia do espírito. Porque se é certo que não podemos ser sempre felizes, é igualmente indiscutivel que a felicidade a espaços é possível, desde que procurada activamente.
Se não estão para isso, não se queixem.
Não têm qualquer legitimidade para o fazer...

terça-feira, novembro 22, 2005

(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)


A LISTA - PARTE II

11. Conhece o teu corpo. Usa-o ao extremo. Mas conhece o teu ponto de harmonia. Raramente conseguirás lá chegar, mas poderás estar sempre nas redondezas.

12. Quando cumprimentares alguém, não te fiques pelos monossílabos. Pergunta sempre como elas estão, pois não estão habituadas.

13. Recorda-te que o dinheiro não é tudo, mas que sem ele não podes fazer nada.

14. Serve-te da natureza, mas nunca abuses dela. A memória da terra não é assim tão má como a ignorância parece crer.

15. Sê modesto, mas acredita no que podes efectivamente fazer.

16. Dá o exemplo, mas acalenta os vícios que te tornam mais humano. A negação destes tornar-te-ão frio e inacessível.

17. Numa conversa de amigos, inventa acerca de ti uma história divertida. Depressa te aperceberás de que as histórias que são verdadeiras virão à memória muito mais rapidamente, e com outro gosto e vivacidade.

18. Lê! Seja lá o que for, mas tenta sempre saber coisas diferentes, nem que seja algo chato. A cultura, em alguns aspectos, é necessariamente chata!

19. Tem cuidado com as crianças que encontres. Se não tens jeito para elas, aprende rapidamente, pois serás recompensado de uma forma que nunca ninguém espera.

20. Ao cumprimentares as pessoas, toca-as o mais possível.



Das melhores tiras de uma das melhores BD dos ultimos tempos.

Mutts, de Patrick McDonnell...

E uma homenagem a alguém que adoro ver rir...

domingo, novembro 20, 2005

Os modos de vida que nos são apresentados, por circunstâncias de vida, surgem como estranhos, mas depois encaixam perfeitamente. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, já lá dizia o génio.
Acabamos por gerar a normalidade a partir do que surge inicialmente como gritante originalidade. Há quem diga que alguns aceitam a lógica do que são capazes. Outros simplesmente aceitam o receio como parte integrante de uma vivência, e entregam-se ao que são capazes.
Dificil aceitação aquela que se apega à normalidade. Aos códigos do que, sendo aceitável, simplesmente restaura uma noção de desespero em contagem decrescente perante o que toda a gente considera como "o normal objectivo".
E se aquilo que toda a gente quer tiver sido roubado? E precisamente por excesso de aceitação do que é considerado aceitável, ou bonito, ou mesmo desejável?
Ninguém responde.
E os pequenos crimes acumulam-se.
Quid Juris... ?

sexta-feira, novembro 18, 2005

Começo hoje uma espécie de listagem de máximas que apenas têm eco naquilo que o contributo dos outros me ensinou.
Conceitos e ideias que retive dos ensinamentos e experiências junto a outros, e que me levaram a estas pequenas e inconsequentes conclusões.
Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)
É dirigida a uma um personagem feminino que sinceramente, nem sei bem que é...
A LISTA - PARTE I
1. Quando acordares, levanta-te depressa. É a única forma de apagar rapidamente o toque da preguiça;

2. Fala bem alto de manhã. Nem que seja sozinha, pois esse tipo de loucura é sedutora;

3. Entristece-te se for necessário, mas evita ao máximo o desespero. A primeira é genuína e válida, mas o segundo não é condição de vida, apesar do que possa ser dito em contrário;

4. Elogia as pessoas que amas, sem bajulices. Os silêncios subentendidos não são tão subentendidos como isso, e o amor necessita de ser falado;

5. Sê sempre educado, mas nunca deixes de perder a calma quando isso se justificar. A contemporização é, infelizmente, demasiadas vezes confundida com fraqueza;

6. Faz algo disparatado todos os dias. Mesmo aquilo que te pareça mais idiota no momento menos importante. O absurdo praticado ajuda a entender o alheio;

7. Sorri para todas as pessoas que o merecem, mesmo que a tua disposição não seja a melhor. é a melhor forma de ser facilmente reconhecido;

8. Não apagues toda a irreverência do teu espírito. A tua resistência tornar-te-á identificável e respeitada até mesmo pelos teus antagonistas e inimigos;

9. Nunca olhes para um momento especial pensando no medo que tens do seu término. Conta antes os segundos em que te apercebes que foi melhor estar vivo para estar a vivê-lo.

10. Aceita as críticas, mas procura sempre refutá-las. Os teus argumentos serão sempre prova de que elas foram injustas, e a incapacidade dos mesmos provará a irrefutabilidade daquelas.
(...)

quarta-feira, novembro 16, 2005



A ausência de palavras, perante a manifestação complexa e subjectiva de beleza, é apenas a lógica comportamental que determina a reacção perante o evidente e completo.
Porque nos deparamos com algo que transcende uma certa capacidade analítica de explicar cada arrepio leve da estética que nos invade, ao mesmo tempo que percebemos o que ultrapassa essa mesma ideia, e que no fundo até a pode revelar.
É por isso que a complementaridade e o equilíbrio são uma busca.
Constroem-se, e ninguém, mas ninguém nasce com eles.
Talvez a voz, talvez o contorno, mas talvez a visão só seja possível quando o resto leva o palpável a transcender-se.

terça-feira, novembro 15, 2005

"Ignorance is the night of the mind, but a night without moon or star."

Confuncio

O grande problema é que de uma certa forma, muita gente escolhe nem ver a mínima réstia de aurora.

sexta-feira, novembro 11, 2005

O silêncio que se pensava impensável, tornou-se afinal uma lógica, muito determinável.
As voltas que sentem estáticas, não são mais que amostras de delírio, necessariamente erráticas.
Aquilo que é feito de alegria impensada, é o produto de cada pedaço de originalidade dispensada.
A paragem dos papagaios num céu sem vento, são as escolhas alheias, cuja fundamentação é tão inexplicável como o seu intento.
O facto de não querer saber, não é verdade, trata-se apenas de defesas, nascidas de simples ansiedade.
O silêncio que se pensava impensável está cá por escolha, à espera que a mesma se torne consciente, e alguma redenção a recolha.
E nas percepções dos dias que se sucedem, na rapidez que entontece, vejo o imenso sucedido, porque se calhar, afinal tudo acontece.
Tornada incolor a consistência de cada pedaço de memória, deixa-se de lado uma possível e dolorosa realidade, para se tornar história.
O silêncio que se pensava impensável, e a vida daí decorrente, torna o passado já suportável, porque afinal, não é o presente.



Hoje apetecia-me falar de algo belíssimo e perturbador.
Enquanto conceito.
E depois ocorreu-me.
Para quê cansar-vos com palavras, quando num segundo se torna tão fácil ver o que quero dizer ;)
É assustadora a facilidade com que se consegue manter distância.
E como isso é um código aceite.
Como surge á guisa de dissuasão causada pela visão de uma arma carregada, pronta a mostrar o que se intui até por vezes como um tique de personalidade.
É por isso que tenho evitado olhar-me ao espelho nos ultimos dias.
As atitudes perante as obsessões têm dois espectros antagónicos.
Existem aqueles que as tentam combater, e em alguns casos, até são bem sucedidos, e existem os outros que as agraciam, como uma espécie de lógica irremediável e tão característica como a curva do nariz ou a cor dos olhos.
Sem de forma alguma julgar os tiques esquizoides de cada um, ( chiça e eu tenha alguns), a verdade é que a insistência num comportamento que em ultima instância se torna auto-destrutivo, escapa-me. Não tenho qualquer forma de procurar uma empatia mínima com aquilo que está mais que provado, e não se compadece com o mínimo de auto-respeito. E no entanto sucede, porque algumas pessoas traçam a linha demasiado além do razoável, e com isso, criam a falsa sensação de limites de respeito próprio que, a mais das vezes, já arderam há muito.
Claro que as obsessões não se compadecem com racionalismo. A raiz do conceito assim o dita.
Mas a linha é sempre conhecida. A pessoa sabe sempre a cor dos seus olhos e pressente a curvatura do seu nariz. E a identidade sofre os abalos de recuos cada vez mais pronunciados, porque alguém provavelmente aproveita um poder que não deveria ter, mas que lhe é ofertado em bandeja.
As obsessões são uma espécie distorcida de porto seguro. Por vezes creio que as pessoas só se reconhecem no exercício da sua obsessão, levados pelo desejo de certeza do que são e como o manifestam, ainda que isso as vá destruindo.
Algumas pessoas não estão preparadas para a perda. Nem querem estar.
Embora fosse isso a possível solução.
"Tiny Little Fractures"

Is there a place I can go
Is there a light to get me there
If I've forgotten what to say
It's because all words are dust
If this is really what you think
How come you won't look me in the eye
All this crying in your sleep
As I lie awake beside
Is there a T-shirt I can wear
Coz I am soaking look at me
What do you mean I don't love you
I am standing here, aren't I
Maybe you thought of it first
Maybe I get all the praise
Is there a place I can go
Is there a light to get me there"

Snow Patrol

Mensagens de outros tempos.
As recordações também podem ser conceptuais, úteis, além de neutras.
Felizmente.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Nos dias que amanhecem assim, fica a nítida sensação que por mais improvável que seja, é possível continuar a ser medianamente optimista.

Alguém lá ao fundo protestou.

Os aplausos são de facto para lá, embora a luz teime em ficar acesa.

Ou quase.
Por instantes estive quase lá novamente...

Deve ser este o real sinónimo de aprendizagem.

terça-feira, novembro 08, 2005

segunda-feira, novembro 07, 2005

Não faço ideia do que se passa em Paris. Em França, aliás.
Assusta-me e preocupa-me, mas falta-me talvez ainda mais informação para poder entender minimamente o que se passa.
A ideia que me dá é que estamos perante o rebentamento de uma bolsa infectada de sociedade, por um pretexto que dá a mais perigosa ferramenta que uma multidão necessita. Uma causa.
Estamos perante uma reacção violentíssima de um sector de excluídos, aproveitada a espaços por arruaceiros profissionais para os seus intuitos próprios.
Mas coloca-nos uma questão pertinente, que obriga a um olhar atento para elementos preocupantes numa sociedade fracturada por códigos e elementos gregários diferentes.
A exclusão gera raiva, e com ela toda a falta de espírito crítico e discernimento que resultam em violência inaceitável e injusta. No fundo parecem dois sectores da sociedade que se canibalizam, sendo que o papel predatório vai alternando sequencialmente. A violência verte com a naturalidade e cadência de algo que se impele a si mesmo. As razões originárias desaparecerão em breve, e cada soldado de rua recrutado junta-se a um bando que resiste, provavelmente não sabendo coisa alguma sobre os "mártires" que deram origem a esta situação.
É, no fundo, a história mais velha do mundo.
Alguma razão haverá para este fenómeno.
Ou milhentas.
Mas qual será?
Os motins de Los Angeles começaram com algo muito parecido.
O que faz crer que existem demasiados rastilhos por identificar, e que a dita segurança presente à ordem pública é cada vez mais uma ilusão.
A separação dos estractos sociais cria monstros. Lembrando Goia, talvez até mesmo o sono da razão colectiva.
Sei lá...
Acarinhamos o que é (também) nosso.
Fazêmo-lo, porque a naturalidade de qualquer expressão de afeição é a conservação da vida, a manutenção da natureza doque nos enlaçou, nos trouxe uma percepção estética e afectiva perante algo ou alguém.
Cuidamos dos que escolhem a nossa presença, que absorvem o nosso conceito, para que possamos simplesmente desfrutar de algo que nem sequer pode ser apelidado de retribuição. É apenas a verificação da vontade, criada de forma alheia e pela qual somos inconsciente e felizmente responsáveis.
Agimos perante o que nos agrada, porque a paixão abstracta é uma forma de rendição. É por isso mesmo que nos abrimos a uma melodia e ela nos leva daqui para fora. É por isso que procuramos cada letra, som e imagem que nos construa a inconografia certa do que somos fora de nós.
Somos o que podemos, porque não temos alternativa.
E pensando bem, não precisamos.
Porque se vamos sempre evoluindo, mantemos a constância do que nos sustenta, e melhoramos, convictos de que a inércia é a morte por asfixia que qualquer forma de amor por qualquer coisa ou pessoa.
Cuidamos do que é nosso, porque não temos outra alternativa.
A percepção da afeição é por vezes demais.
Enche-nos de tal forma que tendemos a libertar o excesso através da paixão, do juízo rendido. Somos forçados a admitir que a paixão é em si criada, e nasce de dentro para fora.
Como aliás, a maioria das coisas.
Cuidamos do que é nosso porque fomos nós que o fizemos.
De todas as formas.
Como fomos ou somos igualmente feitos...

sexta-feira, novembro 04, 2005

No outro dia discutia com alguém, quais os mecanismos para que uma relação de compromisso e longo curso pudesse funcionar.
Esta é talvez a pergunta mais recorrente no chamado mundo urbano/moderno, e aquela que menos pessoas conseguem responder. Talvez por isso, na faixa etária onde me situo, só me depare com duas situações.
- Pessoas comprometidas, divididas entre aquelas com vida infernizada e os que conseguem ser decentemente felizes ( filhos da mãe sonegadores de fórmulas bem sucedidas).
- Pessoal que se separou e se vê plantado na chamada normalidade quotidiana.
O verdadeiro(a) solteiro(a) não existe aos trinta anos. Bem, com algumas raras excepções, a verdade é que as pessoas raramente acordam aos trinta anos com a noção de que ainda não tentaram um projecto. A mais das vezes, e agora tendo em conta o segundo grupo, sabem que tentaram e reiteram pensamentos relativos à merda que lhes terá acontecido.
Lambem-se feridas, conjectura-se acerca das marcas que ficam, e a forma como estas são realmente muito mais complicadas de ultrapassar do que se julga.
O solteiro dos trinta anos simplesmente conjuga uma espécie de crença suave com um pragmatismo reactivo que diz algo muito simples - "Eu sei muito bem o que não quero" - por isso, os ameaços de chatice são corridos a uma velocidade estonteante.
(Assim sendo, o solteiro de 30 anos sabe o que não quer, e como tal perde a paciência para amantes de Nicholas Sparks, Paulo Coelho, Celine Dion, gente que escreve em linguagem sms, histerias, fundamentalismos, pressas, burrices emocionais por precipitação, moralismos, anarquias emocionais, etc, etc, etc)
Esse pragmatismo é algo de insuportavelmente chato quando confrontado com várias premissas, como as comparências desacompanhadas a jantares. Ou as conclusões alheias e opinativas de relacionamentos infelizes e conflituosos acerca de formas atalhadas de estar com alguém, como se existisse uma moralidade subjacente ao facto de se partilhar algo especial com outra pessoa.
A verdade é que os gatos escaldados simplesmente aceitam uma latitude maior de formas de estar, e vivem como podem, da forma que as suas defesas lhes permitem. Para alguns é incompleto, mas para quem nunca experimentou uma perda relacional séria, ou o fim de um projecto de vida, a visão é necessariamente toldada. Ou entao é apenas uma questão de opinião emocional ou sensorial, e como tal, não sujeita a postulados ou axiomas. Há muitas formas de se conseguir estar com alguém, precisamente porque o baixar da guarda se torna cada vez mais dífícil. Porque as coisas realmente doem, e a vulnerabilidade é apenas um pedacito de pele que não suporta muitos esfolamentos consecutivos, sob pena de se descaracterizar ou destruir.
O solteiro pode ser teimoso, mas raramente é convicto.
É, no máximo, humano, e vive como pode com os fantasmas que o assolam, mas plenamente consciente de que não consegue nem quer afastar-se do mundo das pessoas, que ainda é a motivação maior que possui.
Claro que muitos transformam isso numa jornada de líbido ou de descoberta desenfreada. Alguns entram em stress completo porque concluem que as barreiras se mantêm firmes, apesar de todos os esforços. Há outros que se enamoram realmente, e simplesmente se deixam ir porque como qualquer pessoa calçada com borracha lisa em gelo polido, só podem mesmo é escorregar.
A noção é esta - as relações para funcionarem, dependem de coisas tão singelas como sentido de humor, esforço, e capacidade de ser o mais extraordinário possível. E isso deve ser ponderado através mesmo da actividade profissional ou o desejo de criar um rancho de pirralhos. Porque, como me disse a pessoa com quem conversei sobre o assunto, tudo menos que o extraordinário entre duas pessoas, é inutil e uma perda de tempo.
E como ele tem razão.
O solteiro escaldado sabe disto.
Perfeitamente.
Ah, já para não dizer que são devoradoras de todos os livros do Paulo Coelho...
Se conheço mais alguma mulher cujo livro preferido é "As Palavras que Nunca te Direi", e o filme favorito " O Diário da Nossa Paixão", vou cortar os pulsos com um X-Acto, ou simplesmente premir o gatilho...
As pessoas dizem que a vingança é um prato que se come frio, mas sobretudo que é um sentimento desprezível.
Algo que supostamente apodrece o espírito e deixa uma lógica de eterna falta de paz na expectativa de um ressarcimento que nunca é o esperado.
Não sei muito bem o que pensar disto.
Entre a vingança e a impunidade, venha o diabo e escolha. Qualquer uma das duas é perniciosa, mas depois recordo-me de Dantes e dos 40 anos no castelo de If. E sinceramente, payback might be a bitch, mas por vezes é absolutamente justo e bem aplicado.
E afinal de contas, Justa ira é boa ira. Ou não?

quarta-feira, novembro 02, 2005

Aproxima-se o fim do ano, as festividades.
Aproxima-se uma reflexão aturada sobre o tema, as urgências dos afectos, a dentada mais forte da solidão, os balanços, as medicações de alma, enfim...
Aproxima-se o genesis... ou o némesis...?
Em três passos de uma energia renovadora,
Está a morte em fuga,
E a tua visão, assim dominadora...
Embora eu ande necessariamente perdido entre a minha costela inatista e uma outra feita de empirismo, tendo a dar uma certa preponderância ao poder modelador das experiências tidas.
E isto porque quando chegamos a um certo ponto na nossa vida, não temos outra alternativa senão aceitar que as formas de viver podem alterar-se a pontos quase não admissíveis pela chamada "normalidade".
Formas talhadas e guiadas pelos contornos possíveis, que espantam e transmitem estranheza. Mas essa estranheza assenta numa percepção diferenciada. Naquilo que alguns viram, e outros não. Naquilo que alguns perderam, e outros apenas acham que podem imaginar o que será essa perda.
Entendo perfeitamente que para alguns, a falta de convencionalidade não faça sentido. Porque existem demasiadas coisas a proteger. Os pés normalmente não gostam de solos falsos, e as derrocadas, ainda que parcelares, podem ser desconfortáveis.
Eu sempre julguei que as defesas pessoais fossem produtos de uma normalidade de processos conscientes, de vontade expressa. Algo que provém da vontade própria, traduzida no abafar de uma qualquer promessa de fogo.
Mas estava enganado.
As defesas surgem como um espirro, como o estertor de um corpo a adormecer ou o reflexo vocal perante a dor. Não estavam lá. Mas depois estão. Aparecem. Solidificam-se. Borrifam-se nos nossos protestos e assentam arraiais, coriáceas como só as intransponibilidades o conseguem ser. O estilhaçar de qualquer coração é demasiado ensurdecedor, e repete-se como a zanga de trovoada num céu negro ainda de dia.
É em razão dessas defesas que duas coisas ocorrem.
Ou se dá início a um rápido e progressivo processo de seca, de engelhamentos de todas as formas relacionais, sob a égide da segurança neutra.
Ou vive-se como se pode. Como é possível. Sem desvirtuar quaisquer emoções, sentimentos ou formas de estar. Simplesmente se encontra uma maneira. Pode por vezes assemelhar-se a roer uma passagem por entre as paredes do labirinto, mas ao menos tem-se a consciência de que ele existe, e que lá andamos. Vive-se como se torna possível não ignorar os contributos de uma realidade que nos tendo ameaçado, mostra sempre a outra opção.
E cansados, damos connosco em ebulição partida, porque embora certos locais estejam perdidos sem mapas, outros são o que somos, e não há volta a dar.
Abraçamos o que sentimos, e viajamos.
Ainda que seja como podemos.
Sim, é um fantástico modo de vida...

Passem por

Está cada vez melhor.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Muitas pessoas dizem que é difícil experimentar uma certa felicidade pelo bem estar de outros. Pelos seus triunfos, pelo facto de que entre as suas mãos está um abraço real que os salva, nem que seja pedaço a pedaço, pelo facto de que talvez até estejam melhores que nós e não se coibem de nos exibir esse sorriso por esse mesmo facto.
Não entendo o conceito da inveja enquanto elemento abstracto. Ficar roído porque alguém conseguiu genuína e justamente um triunfo. Porque venceu à sua custa, e é alguém mudado em virtude dessas mesmas vitórias.
Não entendo como pode algo dentro de alguém contorcer-se em virtude do sorriso de felicidade genuína, que até sabemos que não durará muito naquela intensidade. Como verificamos que a aura da pessoa transpira para outros, e alguém simplesmente puxa a nuvem para o auge da parada.
A inveja mesquinha é dos sentimentos mais execráveis que existe ao cimo da terra. Oscar Wilde à parte, faz parte do elemento mais repugnate do cinismo, que assenta na recordação da morte necessária do que se mascara de eterno. Com alguma sorte e meio mundo de trabalho, até pode ser.
Mas o invejoso fará tudo para minimizar cada feito, para se sobrepor como uma espécie de delator das más colheitas e escolhas do mundo, como se este lhe pertencesse numa sala de audiência.
A inveja é a pior forma de roubo que existe entre pessoas de guarda meio baixa. Mascarada de adulação, não faz dos invejados Othelos, mas planta demasiadas sementes de dúvida, e esvazia os instantes que justificam todos os outros que não são tão bons. Ou mesmo insuportáveis.
Um invejoso queixar-se-á de um ruído no banco de um carro de sonho comprado pelo amigo que o desejava desde miudo. Criticará a voz estridente na terceira gargalhada da maravilhosa mulher que o amigo traz para um jantar. Sublimará as pequenas derrotas, e ignorará os grandes triunfos.
O invejoso só suporta ser condescendente. Quando erroneamente pensa que se pode tornar o queixoso dos efeitos de uma suposta felicidade superior.
Não é difícil ficar feliz por outros.
De certa forma descansa-nos. Permite-nos atacar outros problemas com mais força, porque sabemos que a nossa energia gasta a aplacar aquela dor alheia, deixou de ser necessária.
Ficar feliz pelos outros, é calçar um pouco dos seus sapatos, e passar mais uns metros no meio do vridro farpado. Sem cortes, sem cautelas. Anestesiados por algo que se resolve, e que pode muito bem propagar-se.
Num vírus de justificação terrena.
Alheio ás putridas vacinas da inveja.
Sim, é uma importação, mas em termos de iconografia, das mais felizes.
Claro que sou suspeito pela forma como ligo a noite das bruxas a qualquer traço dos ambientes conceptuais do Tim Burton, mas ainda assim há algo na exploração do medo, da percepção de outras realidades que as torna próximas e atraentes à curiosidade.
Nascida do paganismo ( muito mais divertido que qualquer forma de monoteísmo) e muito radicada na cultura anglo-saxónica,
esta festa assenta na nossa capacidade de experimentar o gozo do medo, o respeito pelo canto escuro que necessariamente está vazio, mas que se mexe por vezes sem que possamos arriscar um segundo olhar sem estremecer.
Bem sei que para comércio e afins, é mais um esfregar de mãos, porque os putos adoram uma boa desculpa para personificar aquilo que alguns já são - monstros à solta.
Mas é igualmente uma festa de imaginação, um instante para procurar coisas que não estão lá, mas que por segundos é bom ter a dúvida.
Um afloramento do paganismo acolhido pela sociedade monoteísta de hoje, que a mim muito me apraz. :)
Fora a mercantilização que se faz de tudo isto, o conceito importado é giro.
Por mim, bem inspirador. Ou não fosse a noite de Hallowen ( ou Hallow Eve) um eterno retorno às obras do mestre. Vejam a curta metragem Vincent.
E a viagem começa.
A falta de imaginação é a praga comunicacional.
Emudece tudo o que até podia ser genuíno, mas sai em fórmula, e penetra somente por rendição...
Amanhã faz um ano que algo muito especial aconteceu.
Algo que de alguma forma reúne umas pitadas de impossível, só entendido por aqueles que o vivem, que o respiram, que o aceitam.
Alguns, porque não lhes foi dado a conhecer este prisma ainda, vivem como podem e sabem. No fundo, todos fazemos isso.
Mas o restauro e manutenção de uma certa sanidade e amor pelas coisas mais fundamentais, teve a génese num pequeno pormenor que fará um ano de idade amanhã.
Um pormenor de cores escuras perante um rio de fios mais claros.
Um pormenor mais tarde reencontrado. Concretizado.
A felicidade simples das coisas realmente preciosas que tão raramente cruzam o nosso caminho.
Na noite mais pagã do ano, eis-me a ponderar certas formas de providência.
Agnósticas claro...
Embora ainda algo cedo, e na esperança do restauro das nossas reservas, branco é a cor do Inverno....
14 Furacões este ano....


"Nature is just enough; but men and women must comprehend and accept her suggestions."

Antoinette Blackwell

sexta-feira, outubro 28, 2005

Recupera-se, mas nunca se esquece.
Nunca.
A cura nunca é confundida com esquecimento.
As dores não desaparecem. Simplesmente mudam de enquadramento.
E retornam nos passos das memórias do que não tinha sentido, para que algum dia passe a ter.
Entende-se, mas regista-se.
Aceita-se, mas fermenta-se.
Percebe-se, mas questiona-se.
Recupera-se, mas nunca se esquece.
Para mim, dos momentos do ano em cinema :)

"Mal: Ok, clearly some aptitude for this, but it ain't all buttons and charts, little albatross. You know what the first rule of flying is? Well, I suppose you do, since you already know what I'm about to say.

River: I do. But I like to hear you say it.

Mal: Love. You can learn all the math in the 'verse, but you take a boat into the air you don't love, she'll shake you off just as sure as the turning of worlds. Love keeps her in the air when she oughta fall down, tells you she's hurting 'fire she keens.
Makes her a home.

River: Storm's getting worse.

Mal: We'll pass through it soon enough. "

Joss Whedon - Serenity
Para aqueles que acham que fazem pouco, ainda que em cada instante tenham a preocupação da melhoria, queria deixar uma palavra.
Deixá-los mais descansados porque há quem nada faça. Porque há quem nada crie para outros, não importando aquilo que lhes é dado. Que há quem simplesmente ignore a capacidade de fazer o fantástico das coisas mais simples. Há quem ignore que a proximidade, ou qualquer espécie de instinto gregário e afectivo não vive de subentendidos.
Para os que julgam que os esforços são parcos, queria apenas certificar que uma palavra é importante, e uma lógica de presença assenta na simplicidade frontal das pequenas dádivas. Para os que olham para os esforços ofertados com o reflexo das mãos vazias, queria apenas que percebessem que aquilo que fazem se transforma numa das barreiras ao cinismo individualista e absoluto.
Para os que a cada dia não se importam de oferecer um gesto, tendo a noção de que são necessários, queria apenas dizer que cada dia é pelo menos parcialmente salvo, e feitas as pazes por meio segundo com os dentes da humanidade.
Creio sinceramente que é assim.
Obrigado.

quinta-feira, outubro 27, 2005

No jogo da sedução, Pigmaleão e Galateia serão sempre associados ao género com que foram inicialmente criados.
Infelizmente.
A iniciativa é um "turn on" tão grande...
Tempestade lá fora.
Procela cá dentro.
Não tenho explicações para as variações de humor, ou para o facto de tudo o que é emocional ser captado como raios soltos na atmosfera. São demasiados recortes notáveis em cada pedaço do real. Demasiados relevos, que o tacto não consegue ignorar, e sons novos feitos de sensibilidades antigas.
São os olhos daqueles que passam e sorriem de forma triste, afastando o seu cansaço como arautos dos dias normais, culpados e vitimas dos pequenos crimes entre amigos e amantes.
São os cães cabisbaixos, que cheiram o chão molhado em busca das novidades dos dias. Dos passeios que são os seus livros, dos aromas a mortes e vidas que fazem as narrativas do período consciente.
Os cinzentos por vezes descem. Feitos gás inócuo, passeiam-se como fantasmas que aos vivos pouco mais fazem que mostrar-se. E congratulo-me com aquele toque mais frio, aquele cheiro a água que já foi, e a renovação do mundo.
A cidade escurece e acende as suas velas. Recordo-me dos rostos e emparelho-os nas felicidades parcelares que me trazem. São demasiados os instantes para que os mereça todos, e no entanto aparecem-me. Pintados em organizada confusão. Quase que como inexplicavelmente gratos por serem meus.
E então é tudo demasiado.
A chuva cai e o céu pisca os olhos.
Afinal avançamos....

domingo, outubro 23, 2005

Tilling my own grave to keep me level
Jam another dragon down the hole
Digging to the rhythm and the echo of a solitary siren
One that pushes me along and leaves me so
Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you

Someone feed the monkey while I dig in search of China
White as Dracula as I approach the bottom

Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you

Pale angel go away
Come again some other day
The devil has my ear today
I'll never hear of what you say
Promised I would find a little solace
And some piece of mind
Whatever just as long as I don't feel so

Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you
Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you


Maynard James Keenan

sexta-feira, outubro 21, 2005

Surreal é a presença de uma lógica.
Normal é a falta dela.
Triste é a frequência da segunda, quando todos gostam da primeira.