ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, janeiro 31, 2005

Elucidativo

Nem sempre fácil, ou possível.
Mas ainda assim, com muita razão.
E assim foi.
31 anos. Estranho ver como aqueles clichés da passagem do tempo parecem tão adequados.
E apesar de alguns engulhos, a verdade é que o tradicional jantar acabou por ser bem melhor do que imaginava. Acho que o meu espírito não aparentava ser dos melhores, mas as pessoas acabaram por ser capazes de o melhor dos ambientes, e isso nunca acontece por planeamento. Foram as suas capacidades, a disponibilidade, os sorrisos descomplexados e generosos, a vivência das memórias e presente, o calor.
Foram todas estas coisas, e ainda assim, por vezes sente-se algo estranho, como se eles se esvaíssem. Porque o tempo é essa malfadada unidade escorregadia, e sinto que não os consigo agarrar o tempo ou nas ocasiões suficientes.
Numa altura particularmente difícil, queria agradecer-lhes, mesmo sem eles saberem.
No meio da confusão, lá estão eles, cá estou eu, e ali fica o tempo, que espero aproveitar ao máximo com todos.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

O comodismo é uma espécie de praga aceite com uma indulgência que me assusta.
Muitas pessoas simplesmente acham mais fácil viver num marasmo entre pragmatismos do que fazer um esforço para que algo ( já nem digo de diferente), aconteça.
Fica-se em casa porque está frio e não se janta com uns amigos.
Tem-se vontade de dizer algo a alguém, mas não se pega num telefone nem se escreve uma carta.
Quer-se proximidade, mas não se rende ou entrega coisa nenhuma.
Esquece-se, deixa-se para depois, e ganha-se aquela convicção de que os pragmatismos dão direito automático a que tudo na vida pessoal se arranje, como que por ajuste directo. É como pagar os impostos da alma.
"Se eu trabalho e até ganho uma peseta, porque raio é que não hei-de ter direito a alguém que me monte uma cena de sexo escaldante na sala ou me escreva uma ode? Mas onde é que anda a minha quota de sexo, arrebatamento e glória social?"
O comodismo lança as pessoas na chamada busca dos objectivos que não acumulam cansaço ao tal pragmatismo. Cria a chamada solidão artificial. É um pouco como os tectos falsos. O que está ali não é o que parece, e quando chega a hora, não aguenta nada.
Já é conhecida a dificuldade em lidar com a intimidade. Com a necessidade de mexer o cu e fazer algo de realmente especial por alguém. Por criar aquele inesperado a partir de um talento só nosso, seja escrever a tal ode ou simplesmente oferecer uma pequena prenda a partir de uma dica dada num dia tão distante que só a dedicação consegue manter na memória.
O comodismo é uma espécie de falso mendigo.
Estende a mão não porque tem necessidade de o fazer, mas porque crê em algo que lhe está em falta devido á inércia de alguma providência manhosa.


Bem, é véspera de fim de semana e acabei de vir de um dia inteiro de formação em procedimentos de emergência para fazer face a acidentes e catástrofes naturais. O que tendo em conta o meu percurso recente, até vem a calhar, se bem que não na perspectiva da prevenção.
É igualmente o fim de semana do meu aniversário, e custa-me a crer no tempo que passa e verificá-lo em mim. Aceitar que existem polícias mais novos que eu. Que a malta dos vinte e pouco já me olha de outra forma, com um ar de diferenciação, como se de repente passasse a ostentar um dístico que me enquadrasse noutra pandilha genérica.
Mas o mais complicado é que mais este avanço no percurso nada significa. E porquê?
As pessoas, (pelo menos eu achava), tendem a pensar que com a idade a insegurança, a confusão e uma certa sede de procura e incerteza desaparecem. É comum pensar-se que as peças do mecanismo começam a aproximar-se mais da obra completa, e que ao percebermos o funcionamento, aplicamo-lo a nós.
Mas sinceramente, a ideia que tenho não corresponde a esta minimamente.
A verdade é que continuamos confusos, inseguros, e com um senso de procura bem aceso. Se tivermos a ousadia de não desistirmos de alguma ingenuidade bem intencionada, ficamos perplexos com os resultados que ela produz. O medo não se vai embora, simplesmente se transforma numa nova bateria de testes mentais que determinam as buscas exactas. As paixões transformam-se e até se tornam mais exigentes, porque a experiência assim o dita.
Fazemos a mesma porcaria, cometemos os mesmos erros e pequenas injustiças, tentamos cobrir os mesmos pequenos crimes. Com mais competência e elaboração, mas o que somos acaba por revelar-se de alguma forma.
Por outro lado, aprendemos a apreciar as coisas de outtra forma. O prazer é trabalhado até poder realmente tornar-se naquilo que promete.
Lemos muitos mais livros, vimos muitos mais filmes, ouvimos dezenas de milhares de notas ordenadas em música. Criamos uma identidade e passamos a crer um pouco mais nela. É pela linguagem que lhe está destinada que criamos o reconhecimento alheio.
A esperança, enquanto conceito abstracto, é trabalhada de forma diferente. Pode haver mais dor de esclarecimento, mas acho que percebemos até que ponto o passar dos dias, como unidades irrepetíveis, nos faz acreditar de forma diferente e talvez até mais dedicada nas coisas boas.
O passar do tempo incrementou o meu agnosticismo, mas só me dourou os imperativos categóricos. Há uma triagem mais intensa, mas ainda gosto das mesmas coisas nas pessoas.
Tudo parece fazer cada vez menos sentido, mas a vontade de o encontrar aumenta.
No fundo, é subir de escalão nas opções, julgo eu.
Tão simples como isso...


terça-feira, janeiro 25, 2005

Em breve o meu irmão estará de volta.
De vez. Retorna do Brasil onde deu alguns dos melhores anos da sua vida a uma estrutura que não soube nunca reconhecer. Uma estrutura que o esmifrou até ao tutano, e que injustamente o responsabilizou por uma conjuntura económica global desastrosa. Alguém que tinha triplicado a facturação durante 4 anos, para soçobrar no 5º, como de resto tantas outras situações semelhantes desde o início da recessão global.
Volta para o meu quotidiano. Para os meus dias. Para me acompanhar e aconselhar. Para me exigir. Para não me poupar. Para me proteger. Para o proteger a ele e defender. Para sermos irmãos de actos, presente e substancia novamente, ao invés da ocasionalidade dolorosa que a distancia tantas vezes impôs.
Volta a pessoa que mais coisas me ensinou. Que não arriscou a mostrar-me o que era o mundo numa altura em que cinco anos faziam uma gigantesca diferença. Que acreditou em mim, a espaços até mais que eu. Que não me perdoa algum desperdício do que ele chama de "meu potencial", embora eu nunca tivesse uma ideia clara do que ele quer dizer com isto.
O meu irmão está quase de volta.
Até que enfim.
Já era sem tempo.
Talvez um dia lhe consiga explicar a falta que me fez.


Algumas pessoas permanecem numa posição de força perante si mesmas que reforça a sua independencia, mas acentua uma solidão desnecessária.
Algumas pessoas não conseguem desligar-se de um senso de missão perante o mundo que as rodeia, porque torna mais fácil o auto-esquecimento, o escorregar para um frenesim de actividade que não permite o eco dos próprio querer.
Algumas pessoas aceitam a herança de um quotidiano apático, e resolvem abaná-lo. Não através de acções que ganham páginas de jornais. Mas através de detalhes. De uma palavra dita a tempo. De um gesto inesperado, mas adequado. Pelo simples facto de perante o desconforto, arriscarem-no em detrimento de algo que pode não significar mais que um esgar sorridente por parte de alguém.
Algumas pessoas aceitam o quotidiano como um sistema que se combate. Um sistema de hábitos e distanciamentos, de adequações e maturidades secas.
Algumas pessoas esquecem-se de si porque é mais fácil. Mas ao contrário do que se pense, essas pequenas (parcelares mas em meu ver, muito importantes ) atitudes não são geradas senão por um impulso de dar. Um impulso para que se esqueça que por vezes duas gotas de tempo significam um mar de diferença.
Algumas pessoas são assim. Extinguem-se e exaurem-se em defender o que lhes parece natural, até mais que algo nascido de convicção.
Algumas pessoas querem um pouco mais de cor, de vento, de humano.
Ainda bem que existem algumas pessoas.
Existe uma fase que julgo não me enganar quando digo que todos a terão experimentado. Usando um brocardo popular, há quem fale no toque de Midas.
Eu falo do toque de merda.
Aquele que não obstante as nossas intenções e esforços parece fazer estragos em tudo quanto toca e se direcciona. Apoia-se em pormenores mais ou menos relevantes, em coincidências que parecem saídas de um enredo inverosímil. Apesar dos esforços, alguma coisa vai sempre acontecendo em sentido contrário ao desejável, e arrastando não só o próprio como aqueles que perpassam por esses acontecimentos.
O toque de merda é ainda mais frustrante porquanto não se apoia em nenhuma malícia ou má intenção, mas antes pelo contrário, até tem por base boas intenções e o desejo de encontrar resolução para situações mais ou menos complicadas.
As coisas acontecem e olhamos para elas com uma espécie de incredulidade, imaginando o que raio se passará a seguir. E não são coisas excessivamente graves, ou pelo menos não todas, mas somadas, vão dando a imagem de uma constância de eventos complicada de gerir.
O que vale é que otoque de merda é como qualquer fenómeno sazonal. Normalmente chateia-se e vai-se embora, como um fantasma agoirento, provavelmente em busca de outra pessoa a quem chatear a molécula.
Esperemos que seja para breve, e que quem tenha sofrido com ele por tabela, encontre a bonomia suficiente para retornar depois de eu ter restaurado a centelha característica de um porvir mais fresco e luzidio.
Dizem que o toque de merda é adverso a uma atitude mental contrária, ou seja, optimista.
Veremos. O dia até está soalheiro. Mas depois lembro-me da seca que começa a assolar o país... e do vácuo de ideias existente nas forças políticas em conquista da governação do país, do segundo mandato do Bush, do surgimento disto, dos meus pais em casa com gripe...pois, não vai ser fácil, parece-me...

domingo, janeiro 23, 2005

É sempre arriscado escrever algo a um Sábado á noite, especialmente quando as condicionantes nao nos permitem ter uma visão clara de tudo.
Mas sinceramente, e pegando no que disse o Rui Zink num dos seus livros, o melhor que podemos esperar é que no meio de tudo, possamos não fazer mal. A ninguém. Especialmente aqueles de quem gostamos.
Não há forma senão irmos tentando fazer o melhor possível, e esperar que aquilo que tenhamos de bom, supere o que de mau fizemos ou mostrámos.
Andam anjos por aí.
Mas para um especialmente, de cabelo escuro e olhos perdidos, no balcão do Lux.
Que as asas não cheguem para que voe para longe...

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Hoje há uma espécie de desafio de primavera. O sol desafiou o frio.
Saí quando o sol ainda mal se erguera sobre os montes ou prédios, e vi mais sorrisos.
Vi cores que não pareciam de Inverno, ainda que as árvores permaneçam despudoradamente nuas.
Hoje o mundo prometeu algo, como um verdadeiro deus multifacetado. A natureza vestiu-se de gala e desafiou a estação.

Bom dia!


quinta-feira, janeiro 20, 2005

Estava no multibanco hoje de manhã, quando sou agraciado com a imagem de uma face bonita e sorridente. Aquela face não me era estranham e leio a legenda do anúncio, percebendo que se trata de alguém que participou naquele vómito inqualificável que chamaram "Quinta das Celebridades".
Mas a estupefacção cresce quando verifico que se trata de uma biografia dessa menina chamada Mónica. Agora pergunto eu. Uma biografia? Aos vinte e sete anos? Mas que raio fez esta moça para ter uma biografia publicada? É a clara associação ao dito programa, o que na minha óptica se torna ainda mais inexplicável.
É realmente impressionante a espécie de glorificação que se faz da imbecilidade em Portugal. Impressiona mais ainda quando vejo pessoas que considero inteligentes ligarem a televisão no fim de ano para verem quem seria a aberração que levaria o dinheiro para casa depois de andar um meses a chafurdar com os porcos e as vacas.
Se este é o retrato do país, mas porque raio andamos admirados com a classe política, os serviços, a noção de cidadania ou a cultura que temos?
Se as únicas coisas que mexem meio neurónio passam na televisão depois da meia noite e meia, se o prime time é desculpa para tudo o que é diarreia cerebral com argumentos e clichês recauchutados até ao impossível, porque é que ficamos admirados com inanidades como Santana Lopes ou Celeste Cardona, ou essa pérola da educação chamada Mariana Cascais?
Em Portugal glorifica-se a imbecilidade precisamente pela facilidade com que ela se impregna na mentalidade e escolhas dos cidadãos. É tão fácil que se torna estranha a permeabilidade portuguesa á falta de qualidade, de desafios, da procura de uma entidade cultural que não assente em mutantes assexuados com uma dose de afectação suficiente para irritar qualquer ser humano que execute mais que duas sinapses por hora.
Mas porquê?


Palhaçada Completa...

Será que vão fazer um molde do Charlton Heston para a figura do Moisés?
Já agora com uma Smith&Wesson...?

sexta-feira, janeiro 14, 2005

"A minha vida dava um filme indiano" - Gato Fedorento

O melhor momento de humor português desde 1997, quando o Herman ainda se parecia com alguma coisa que não o mestre de cerimónias do circo de Freaks pimba...

"Bou pra Fiães, p'la estrada "noba", "bira" e corta... "bocê" está maquilhado?"

De génio....
O Sono da Razão Gera Monstros



Apesar de toda a informação, o preconceito consegue ser mais forte, e por consequência, horrendo.
E não é um preconceito gerado por medo. Pelo menos não exclusivamente. Assenta sim num mecanismo demasiado popular, que consiste em varrer a suposta sujidade para debaixo do tapete, e esperar que ela se conforme a ficar aí.
O esforço para entender é completamente posto de parte, porque a qualificação das pessoas surge como um automatismo social . Muita gente nem sequer tem a vergonha necessária para ser ao menos subtil, já que pensar, reflectir e agir positivamente não lhes passa definitivamente pela cabeça.
Continua a ser muito dificil para muita gente fazer o exercício da inversão. Não conseguem colocar-se na pele do outro e perceber que a solidariedade e compreensão podem muito bem fugir-lhes a certo ponto das suas vidas. A solidão mata, mas ela emerge por geração espontânea.
Lamentável...

"For Mlangeni, the rejection he encountered at his father's house grew so painful that he moved out. He and his father had never had an affectionate relationship, Mlangeni said, but he was comfortable in the large, lavish brick home they had shared for 22 years after his parents broke up.

The HIV test changed that. His father virtually stopped speaking to him and locked the outer gate, saying he should no longer visit friends. After three weeks, Mlangeni moved into his mother's one-room shack, because she accepted his sickness unconditionally."

Director Nacional da PSP jubilado preamturamente por problemas psicológicos que determinaram uma pretensa incapacidade para a função, recebendo a reforma por inteiro, que se cifra em 5320 € (!!).
Talvez eu esteja enganado, mas essa situação devia preconizar uma incapacidade permanente absoluta para o trabalho, já que pressupunha que o sujeito em causa não mais pudesse retomar funções.
Segundo a informação veiculada
aqui, o senhor sentia-se sozinho, e como tal, trabalhou nessa condição até fundir um fusível. Até que foi convidado para o exercício de cargo público, onde estaria rodeado de malta, o que supostamente acabaria com aquel senso insuportável de alienação social. É de facto de ir ás lágrimas, mas de riso, com o descaramento demonstrado.
Gostaria de ironizar, mas sinceramente, há certa palhaçada que nunca faz rir.

Adiante!!!

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Vá.. andem lá...
Mexam-se.
Tragam a vossa lógica ao de cima, mas não desculpem a inércia.
Não aceitem a malvadez do conforto. Não se tornem a curva feia do cenário dito perfeito.
Toquem. Aproximem-se.
Façam das palavras do dia uma intenção de ir algures. As gotas de tinta que cairem no papel da vossa carta imaginária, formarão borrões onde se verá sempre a mesma coisa.
E desdenhem o pessimismo usando a própria tristeza.
Por vezes não sabemos de onde vem a serenidade, mas é original a abordagem que faz. E não vos dando razão, ainda por cima...
Vá, andem lá.
Um beijo é apenas mais um sopro de realidade, mas contém oxigénio. E o desiquilibrio suficiente para ser doce em meio a tudo o que são agulhas.
Não basta estar aí.
Também é tempo daquilo que quero.
Já sabiam?

Pois claro....






Quero tocar-te no impossível.
Voar sem rumo até que toda a paisagem se confunda num vórtice, e a dor seja um eco passado por uma voz arrependida.
Quero que o mundo se encolha. Que se molde numa peça perfeita e te escorra pelo rosto, numa lágrima de alívio, num rasgo de sol e de vida que não cessa e me ensurdece.
Mostra-me a nudez e torna-te um anjo com sexo. Traz a monção se vier dos teus olhos, porque o seu sabor é do mar que nunca foi visto, de paragens que são sonhos feitos mundo.
Quero tocar-te no impossível e denunciar-te o meu absurdo.
Para que o mundo não o seja.
Voa e volta.
Faz das peças em que tocas a perfeição do teu hálito no segundo imediato a qualquer beijo. Sorri e quebra-te em pedaços que se confundam com o vento, para que eu saiba que estás em todo o lado.
Organiza as peças do mundo onde vives e constrói-te. Torna-te perfeita, ainda que não o possas ser mais, e depois fenece num sono de braços acolhedores. Daqueles que imaginam e nunca desaparecem, como a angustia terrivel de uma mente que se apercebe que sonha.
Quero tocar-te no impossível.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Uma grande tristeza. Uma grande perda.

Will Eisner morreu ontem.
Um génio da tão maltratada e fantástica arte que é a banda desenhada, morreu aos oitenta e sete anos, sucumbindo aos efeitos de mais um bypass.
O senhor que criou a primeira grafic novel, uma espécie de romance dividido entre as palavras e as imagens, e que disse ter descoberto em si uma aptidão ( a sua fabulosa banda desenhada), a partir da junção de duas inaptidões ( não conseguia ser um escritor ou pintor de forma consistente), partiu ontem.
Espero que esteja bem melhor, ou quem sabe, até mesmo sentado na secretária pertencente ao comissário Dolan, com uma máscara azulada e nos braços da filha daquele.
Uma homenagem sentida a um absoluto ícone da Banda Desenhada, que ao contrário do que alguns preconceituosos afirmam, é de facto uma arte.
Pense-se em Alan Moore, Mike Mignola e Neil Gaiman, dois dignos e magníficos sucessores. Continuadores de uma arte que cresce cada vez mais por qualidade própria e pela magia e emoção que consegue conter através da sua linguagem mista.
Will, boa sorte.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

200 000 mil mortos.
Parecem números de uma guerra. Demasiado horripilantes para que qualquer palavra lhes faça justiça.

Repisados nas notícias, espremidos naquele sensacionalismo para extrair audiências de que são feitos os notíciários de hoje. O mais sóbrio continua a ser o da RTP 1, e o mais inenarrável, a TVI.

Não há respeito por nada?
A sobriedade é assim tão abominável?


Embora já cá se soubesse, (e após alguns visionamentos), nunca é demais concluir:

Gato Fedorento (RAP em particular) é puro génio .
Não se iludam.
O Amor é uma doença.
Talvez a melhor delas todas, mas ainda assim uma doença.
Algo invisível que sem automatismos ou uma relação de causa efeito material e cientificamente verificável, pode destruir-nos num simples segundo.
E ainda assim não se consegue deixar de crer nesse invisível.
Por muito que mintamos e digamos o contrário.

Bom(?) Ano...

Em frente pela estrada que se estende