ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, janeiro 28, 2005

Bem, é véspera de fim de semana e acabei de vir de um dia inteiro de formação em procedimentos de emergência para fazer face a acidentes e catástrofes naturais. O que tendo em conta o meu percurso recente, até vem a calhar, se bem que não na perspectiva da prevenção.
É igualmente o fim de semana do meu aniversário, e custa-me a crer no tempo que passa e verificá-lo em mim. Aceitar que existem polícias mais novos que eu. Que a malta dos vinte e pouco já me olha de outra forma, com um ar de diferenciação, como se de repente passasse a ostentar um dístico que me enquadrasse noutra pandilha genérica.
Mas o mais complicado é que mais este avanço no percurso nada significa. E porquê?
As pessoas, (pelo menos eu achava), tendem a pensar que com a idade a insegurança, a confusão e uma certa sede de procura e incerteza desaparecem. É comum pensar-se que as peças do mecanismo começam a aproximar-se mais da obra completa, e que ao percebermos o funcionamento, aplicamo-lo a nós.
Mas sinceramente, a ideia que tenho não corresponde a esta minimamente.
A verdade é que continuamos confusos, inseguros, e com um senso de procura bem aceso. Se tivermos a ousadia de não desistirmos de alguma ingenuidade bem intencionada, ficamos perplexos com os resultados que ela produz. O medo não se vai embora, simplesmente se transforma numa nova bateria de testes mentais que determinam as buscas exactas. As paixões transformam-se e até se tornam mais exigentes, porque a experiência assim o dita.
Fazemos a mesma porcaria, cometemos os mesmos erros e pequenas injustiças, tentamos cobrir os mesmos pequenos crimes. Com mais competência e elaboração, mas o que somos acaba por revelar-se de alguma forma.
Por outro lado, aprendemos a apreciar as coisas de outtra forma. O prazer é trabalhado até poder realmente tornar-se naquilo que promete.
Lemos muitos mais livros, vimos muitos mais filmes, ouvimos dezenas de milhares de notas ordenadas em música. Criamos uma identidade e passamos a crer um pouco mais nela. É pela linguagem que lhe está destinada que criamos o reconhecimento alheio.
A esperança, enquanto conceito abstracto, é trabalhada de forma diferente. Pode haver mais dor de esclarecimento, mas acho que percebemos até que ponto o passar dos dias, como unidades irrepetíveis, nos faz acreditar de forma diferente e talvez até mais dedicada nas coisas boas.
O passar do tempo incrementou o meu agnosticismo, mas só me dourou os imperativos categóricos. Há uma triagem mais intensa, mas ainda gosto das mesmas coisas nas pessoas.
Tudo parece fazer cada vez menos sentido, mas a vontade de o encontrar aumenta.
No fundo, é subir de escalão nas opções, julgo eu.
Tão simples como isso...


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