Estava no multibanco hoje de manhã, quando sou agraciado com a imagem de uma face bonita e sorridente. Aquela face não me era estranham e leio a legenda do anúncio, percebendo que se trata de alguém que participou naquele vómito inqualificável que chamaram "Quinta das Celebridades".
Mas a estupefacção cresce quando verifico que se trata de uma biografia dessa menina chamada Mónica. Agora pergunto eu. Uma biografia? Aos vinte e sete anos? Mas que raio fez esta moça para ter uma biografia publicada? É a clara associação ao dito programa, o que na minha óptica se torna ainda mais inexplicável.
É realmente impressionante a espécie de glorificação que se faz da imbecilidade em Portugal. Impressiona mais ainda quando vejo pessoas que considero inteligentes ligarem a televisão no fim de ano para verem quem seria a aberração que levaria o dinheiro para casa depois de andar um meses a chafurdar com os porcos e as vacas.
Se este é o retrato do país, mas porque raio andamos admirados com a classe política, os serviços, a noção de cidadania ou a cultura que temos?
Se as únicas coisas que mexem meio neurónio passam na televisão depois da meia noite e meia, se o prime time é desculpa para tudo o que é diarreia cerebral com argumentos e clichês recauchutados até ao impossível, porque é que ficamos admirados com inanidades como Santana Lopes ou Celeste Cardona, ou essa pérola da educação chamada Mariana Cascais?
Em Portugal glorifica-se a imbecilidade precisamente pela facilidade com que ela se impregna na mentalidade e escolhas dos cidadãos. É tão fácil que se torna estranha a permeabilidade portuguesa á falta de qualidade, de desafios, da procura de uma entidade cultural que não assente em mutantes assexuados com uma dose de afectação suficiente para irritar qualquer ser humano que execute mais que duas sinapses por hora.
Mas porquê?
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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