O comodismo é uma espécie de praga aceite com uma indulgência que me assusta.
Muitas pessoas simplesmente acham mais fácil viver num marasmo entre pragmatismos do que fazer um esforço para que algo ( já nem digo de diferente), aconteça.
Fica-se em casa porque está frio e não se janta com uns amigos.
Tem-se vontade de dizer algo a alguém, mas não se pega num telefone nem se escreve uma carta.
Quer-se proximidade, mas não se rende ou entrega coisa nenhuma.
Esquece-se, deixa-se para depois, e ganha-se aquela convicção de que os pragmatismos dão direito automático a que tudo na vida pessoal se arranje, como que por ajuste directo. É como pagar os impostos da alma.
"Se eu trabalho e até ganho uma peseta, porque raio é que não hei-de ter direito a alguém que me monte uma cena de sexo escaldante na sala ou me escreva uma ode? Mas onde é que anda a minha quota de sexo, arrebatamento e glória social?"
O comodismo lança as pessoas na chamada busca dos objectivos que não acumulam cansaço ao tal pragmatismo. Cria a chamada solidão artificial. É um pouco como os tectos falsos. O que está ali não é o que parece, e quando chega a hora, não aguenta nada.
Já é conhecida a dificuldade em lidar com a intimidade. Com a necessidade de mexer o cu e fazer algo de realmente especial por alguém. Por criar aquele inesperado a partir de um talento só nosso, seja escrever a tal ode ou simplesmente oferecer uma pequena prenda a partir de uma dica dada num dia tão distante que só a dedicação consegue manter na memória.
O comodismo é uma espécie de falso mendigo.
Estende a mão não porque tem necessidade de o fazer, mas porque crê em algo que lhe está em falta devido á inércia de alguma providência manhosa.
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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