ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Não estando de forma nenhuma em causa que a qualidade da classe política, incluindo a vencedora, não é dos melhores, a verdade é que aconteceu história ontem. História que muitos e bem mais versados nestes meandros da política dissecarão com a habitual eficiência e desdramatização jornalistica (espero!), mas ainda assim, dá que pensar a qualquer cidadão, especialmente aqueles que estão nas facções "derrotadas".

A descida da abstenção, não tão intensa como se previa ao início, mas que registou quase 3%, quer dizer alguma coisa. E quereria dizê-lo independentemente da força política que, através desse fenómeno, atingisse o melhor resultado. As pessoas mobilizaram-se, e de alguma forma, quiseram demonstrar o desejo de mudança, de que alguma coisa tem de ser feita, e com rapidez, sob pena de colapsarmos debaixo deste vendaval de instabilidade e trapalhadas que marcaram o último ano.

A alegria dos socialistas vai brevemente ser substituida pela percepção do que há a fazer. E é bom que o cheque de continuidade passado pelo povo sirva para por em pé um projecto, seja lá ele qual for, para que efectivamente se chegue a algum lado. Têm uma grande responsabilidade nas mãos, e este é um tempo em que a melhor gestão das dificuldades não é só desejável, como imperativa. A corda do país não mais se pode esticar.

Quanto ás facções derrotadas, penso que a reflexão é necessária e desejável. Sou sincero, e digo que talvez tenha sido o melhor que pudesse ter acontecido ao PSD. Talvez agora a escumalha santanista possa ser deportada para um oceano longínquo, e em alternativa surjam os homens realmente capazes e que de alguma forma dêem a face e competência certa a um partido tão necessário á democracia nacional como é o PSD. E isto porque uma oposição competente é tão necessária como um bom governo. É no confronto de ideias nas instituições que o equilibrio democrático se garante, julgo eu.
Mais uma nota para Portas, que caso confirme a sua saída, mostrou um sentido de responsabilidade politica de louvar, e ao contrário de Santana, teve a atitude correcta perante os circunstancialismos.

E agora o que vem aí? Nunca gostei de maiorias absolutas, porque são terrivelmente arriscadas. Mas no presente cenário, talvez seja a única solução para que os projectos não se fragmentem a meio, e para que deixemos de andar nesta dança dos cortes e interrupções. Portugal ainda não maturou politicamente para permitir a existência de um pacto de regime, o qual tornaria desnecessária qualquer maioria absoluta. Talvez quando se perceber que a politica não é uma luta de facções futebolísticas, mas um caminho para servir os cidadãos e o país, o tal pacto seja possível.

Esperemos que o optimismo seja possível.
Sem euforias, vamos lá ver o que vem. É que há mesmo muito por onde melhorar.
Boa sorte Portugal... Que a escolha feita não te morda os calcanhares.

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