As promessas que fazemos todos os dias, as resoluções e todos os elementos de decisão que determinam os nossos passos têm uma lógica muito própria.
Porque ao longo do dia cremos nelas com intensidades diferentes.
Às sete e cinquenta de uma manhã de sol somos capazes de esquecer tudo. De por para trás das costas todas as vulnerabilidades e mistificações da nossa estrutura affectiva e sensorial.
À hora do almoço o sol ganha o meio do céu e tudo é sujeito a uma escolha. Damos por nós a verificar que o esquecimento afinal não apareceu, e que mais vale fazer a triagem daquilo que pode ficar para trás. O peso da primeira metade do dia de trabalho assenta num misto de fome e expectativa pelo decorrer do tempo. Sente-se aquela pequena e omnipresente perda de um dia irrepetível.
Quando a tarde se instala, e a luz começa a fraquejar, uma salada de sensações começa a instalar-se na cabeça. O esquecimento prova-se, ou desmistifica-se, já que é nesta altura que as saudades seja lá do que for se instalam. O cansaço torna-nos mais analíticos, por um lado, mas monta a primeira tenda de resignação no que ficou para trás, perdido no deserto das decisões adiadas. E então podemos apreciar a luz que cai em cascata vermelha no céu, e reparar nos recortes de tudo o que significa o retorno ao tempo que é nosso. Aguçam-se os amores, fazem-se as chamadas, encontram-se aquelas deixas perdidas para a continuidade de uma história.
À noite aparece tudo quanto existe. As promessas escudam-se para dormir, ou estão realizadas. Tudo estremece. Tudo é um manancial apurado de emoções contraditórias, porque o dia finda, e algumas coisas ameaçam os sonhos, ou mesmo o dia seguinte. Mantemos a esperança intacta que o sono não mais é que a antecâmara de certas realizações.
E sonhamos com elas.
Com sorte, que raramente há, até passam á realidade.
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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