ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, março 28, 2005

Judith Moore publica "Fat Girl"

Ao que parece, trata-se de uma reflexão ponderada mas brutal sobre o problema do peso na estrutura social, e nas suas relações correlativas.
Volta-se à velha questiúncula que divide a asserção que fazemos dos outros, na sua medida de alma e corpo, e até que ponto o equilíbrio é mesmo necessário.
Seria engraçado colocar esta senhora e Vinicius de Moraes numa mesma sala, discutindo a "Receita de Mulher" deste último. Adoraria ouvir os argumentos de parte a parte.
O problema do culto do corpo é o mesmo do costume. Até que ponto se justifica a necessidade da beleza dita "tipificada"? Mas até que ponto é que esses ideais não povoam os sonhos de todos? Considero a miopia corporal um dos maiores feitos que qualquer pessoa é capaz de executar. Alguém que consegue "olhar" única e exclusivamente para o valor interior de alguém, e ainda assim desenvolver sentimentos e emoções de cariz fortemente psico-sexual, tem a minha mais profunda admiração. Inveja mesmo. Porque tenho de reconhecer a minha limitação, e ter necessariamente de ver uma linha de silhueta numa mente que seja brilhante.
No fundo, como disse a alguém há pouco tempo, "In Media Res".
É aí que está o equilíbrio, e sinceramente, existe uma grande diferença entre a obesidade como questão hormonal, e a obesidade como resultado de uma determinada forma de preguiça. Esta última é inteiramente genuína, mas se for uma escolha assumida, preclude qualquer queixa relativamente aos efeitos da mesma, especialmente de cariz social. Porque quer queiramos quer não, o nosso corpo é também uma forma da nossa identificação enquanto seres humanos. E se é certo que se torna muito mais importante a forma como pensamos e até que ponto somos humanos, a nossa carcaça mortal não é dispensável ou dispicienda. Já a primeira, não depreende uma escolha, e pode ser um terrível fardo. Toda a gente se lembra dos putos gordos da escola e da inclemência que todos tínhamos. A idade pode libertar-nos do preconceito, é verdade, mas as Três Graças não têm o mesmo impacto no nosso mundo moderno. Não mesmo. E embora real, não deixa de espalhar um amargor a injustiça.
O equilíbrio. A medida de reconhecimento do que são os elementos estéticos, numa dose, ainda que mínima. E se a natureza pode ser mais ou menos generosa, há que ter em conta que assim como nos podemos aculturalizar e exercitar o nosso cérebro, o mesmo pode ser feito pelo corpo. E há tanto a fazer, tanto onde se pode chegar...
Tenho assim de dar alguma razão ao Vinicius. Porque assim respondo aos estímulos visuais, embora reitere claramente que substância sem espírito é apenas mais um elemento plástico impressionante, mas não vivo, e como tal, ignorável...
Nada tenho contra o culto do corpo.
Prefiro obviamente o culto do ser total. Até que a fronteira entre o que é pensado e corporizado se perde. Aliás, não se trata de preferir. É uma inevitabilidade...

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