"Não tens idade para essa merda, pá!"
Digo com sinceridade, não sei o que isto quer dizer exactamente. E não é pelo facto de ter visto a versão romanceada da vida de J.L. Barrie, no excelente "Finding Neverland" que ganhei algum síndroma de Peter Pan. Se o tenho, já é pré-existente, e fundamenta-se numa lógica muito própria de fruição da vida no que ela tem de melhor.
Digo com sinceridade, não sei o que isto quer dizer exactamente. E não é pelo facto de ter visto a versão romanceada da vida de J.L. Barrie, no excelente "Finding Neverland" que ganhei algum síndroma de Peter Pan. Se o tenho, já é pré-existente, e fundamenta-se numa lógica muito própria de fruição da vida no que ela tem de melhor.
As pessoas confundem frequentemente o chamado crescimento com uma secagem interna, uma espécie de código de conduta que as impede de aceder a qualquer loucura, porque se acha que o estágio de vida a tingido só permite a deferência dos gestos brandos. Além de ser uma seca do cacete, deixem-me que vos diga, torna as pessoas cinzentas. Perdem-se as paixões porque já não se tem paciência ou tempo para as perseguir, porque há a porra das fraldas, e dos cortinados e dos jantares com as dentaduras dos sogros. Porque se encolhem os ombros juntamente com uma expressão de encurralamento, como se a vida a partir de um certo estágio fosse definida pelas responsabilidades pragmáticas e uma total ausência da maluqueira necessária para se ser feliz e completo. Para espremer o fruto da vida de forma a valer a pena o suster do seu peso.
Caraças, já não chega termos de viver a vida do Papalagui? Já não chega termos de sobreviver em meio a todas as complexidades de estruturas auto-alimentadoras?Dizia um autor de BD ( sim, essa coisa de putos, ao que ouço para aí dizer) famoso que a imaginação é a última coisa que nos resta antes de nos tornarmos autómatos com a ilusão de que nos auto-dirigimos. E se expressar vivamente a entrega a determinadas paixões é o sinónimo do síndroma do Peter Pan, podem ter a certeza que eu serei o cota que vai aos concertos de t-shirt, sem barriga, e até algo embriagado se isso se justificar. Porque no dia em que não existir nada pelo que ansiar, mas somente uma repetição mais ou menos movimentada do quotidiano, então mais vale dar à sola para a Terra do Nunca, porque esta aqui deixa de ser guarida segura ou satisfatória.
E ao contrário do que se costuma dizer, pela boca dos "adultos", tenham menos juízo!É que a vida não sabe a nada se se transformar nesse nada. E não somos só as nossas missões. Sejamos mães, pais, profissionais ou responsáveis. Nós somos feitos dos nossos disparates, das nossas criações, daquilo que nos distingue dos outros e que por vezes é até demasiado pessoal para fazer sentido.
Não cresçam.
Pelo menos não assim.
Não vale a pena...
4 comentários:
kd andava no liceu eu e alguns amigos meus tinhamos atrofios lindos, estavamos sempre a rir, a inventar canções a gozar com as pessoas, e gritos de guerra estupidos. Dois ou tres anos depois foi cada um para seu lado, àqueles que raramente vejo ou mesmo àqueles que continuo a ver, noto que "cresceram", levam tudo a sério, inclusive a eles proprios; e acham que os outros é que estão mal porke são uns mimados ou uns irresponsaveis. Tenho pena, porque era essa criança neles que fazia com que eu achasse que muitos deles poderiam vir a ser alguem na vida. Afinal as crianças, tal como as pessoas que marcaram a humanidade, não são nada mais do que aqueles que ousam perguntar o "porquê" de tudo.
As pessoas estão a secar.
A olhos vistos.
Tudo começa e acaba no aplicável, no correcto e no adequado.
Morre-se a espaços, e o pior que tudo é que se exercem preconceitos a partir da própria insistência na infelicidade sensaborona, como uma contaminação necessária.
Obrigado por passares por aqui. :)
Volta sempre!
Concordo contigo, mas quando falamos de pessoas, de personalidades é tudo muito relativo. Porque é que uma pessoa que seja mais certinha, que segue determinadas rotinas, terá uma vida mais cinzenta ou estará mais seca por dentro que alguém que procura continuamente paixões que a façam sentir viva? Será que primeira não é tão, ou até mesmo, mais feliz que a segunda?
Nós não vivemos ou sentimos a vida da mesma maneira. O que faz alguém feliz, poderá não ter o mesmo efeito noutra pessoa. O importante é que todos nós possamos aproveitar a vida o mais possível, sem deixarmos de ser quem somos.
Adorei o Finding Neverland e tb eu sofro do síndroma de Peter Pan, desde que me lembro de mim.
Inês, as pessoas que levam uma vida regrada certamente serão felizes, mas isso depende do porquê levam uma vida regrada. Se a levam por imposição de terceiros (pais, amigos, sociedade, o que for) certamente não o serão na totalidade e, mesmo que sonegada, há uma pontinha de inveja por aquele tipo que aparece numa festa formal de jeans rasgados, camisa aberta no peito e com o cabelo cheio de gel e despenteado (figuração de rebeldia, inconformismo).
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