ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, abril 06, 2005

Há dias em que nem apetece sair da cama...
É já "vox populi" o conteúdo do vídeo que anda a circular por aí protagonizada pela avantesma chamada Fátima Lopes e o seu assentimento e colaboração com o tratamento dado aos animais para lhes retirar a pele.
Ao vê-lo, (parcialmente porque não consegui chegar ao fim do show de horror gratuito que significava), recordei o que me tinha sucedido ao ver o excelente filme de Iñarritu - Amores Perros, ou seja, fiquei duas semanas a remoer as lutas de cães na cabeça, genuinamente espantado com o desejo e rigozijo que algumas pessoas têm em ver sangue e violência a níveis que eu considero insuportáveis. O júbilo em ver sofrimento absolutamente revoltante.
A mim o que me espanta é como alguém é capaz de defender o uso de peles. Estamos a falar em submeter animais em vias de extinção, ou mesmo que não o sejam, a um sofrimento excruciante apenas com o intuito de passear com as suas peles em cima do nosso lombo. Haverá móbil mais imbecil e injustificável do que este? Haverá fundamento mais ausente de explicação para a depredação da natureza ( como o caso Vicaima), que a vaidade? Para ter um casaco ou um móvel praticam-se actos no mínimo inenarráveis?
É um triste mundo quando alguém consegue exibir um sorriso enquanto fala de métodos de morte tão bárbara que desafiam quaisquer rituais medievos para justificar o uso de peles no corpo. Quando alguém acha que a moda é justificação para uma violação atroz do mundo natural, e da simples decência.
O comércio de peles e espécies protegidas é algo que existe apenas porque alguém quer o produto final desta cadeia infernal de trocas. E enquanto assim for, enquanto "pessoas" como Fátima Lopes mantiverem o autismo relativo ao que é já uma realidade premente, a crueldade é olhada com inexplicável complacência, e o destino da natureza será facilmente conhecido.
Só espero já estar a fazer tijolo nessa altura, porque em momentos como este, perco toda a esperança na capacidade colectiva do Homem para fazer alguma coisa com jeito.
Morpheus, dá-me mas é o comprimido azul...

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