ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, maio 31, 2005

Os Milagres de Maio (fora de Fátima)
A propósito desta discussão e correndo o risco de alienar até algumas pessoas, tenho de esclarecer uma coisa.
Neste período pré-férias, os ginásios, incluindo o meu, enchem-se de pessoas que levam o optimismo às ultimas consequências. Não são gente com esperança, mas autênticos crentes no milagre a cada esquina. Falo da malta que entope o local onde um tipo anda a treinar o ano inteiro, mesmo naqueles dias de inverno em que eles enchiam a mula com chocolate quente e quejandos enquanto outros suavam o pouco possível para poder dar alguma saúde ao corpo.
Esses amigos têm a noção de que no espaço de um mês, a treinar mal e porcamente, aquele biquini da
Giselle lhes vai assentar que nem uma luva. Julgam que a porcaria com que se entupiram o ano inteiro escorre juntamente com o suor vertido em duas ou três corridas e alguns pesos. E quando se pergunta a essa malta, durante o ano em que está frio e custa como a merda sair do trabalho e ir dar ao cacete, a razão pela qual não treinam, dizem que não têm tempo, têm mais o que fazer, que são preguiçosos, que estão muito bem assim e quem não gostar, azarinho.
E no entanto , em Maio, lá os encontro a todos na sala de ginásio, a impedir o uso das máquinas em tempo útil ao pessoal que efectivamente lá vai para treinar.
Lê-se naquelas caras uma genuina esperança de que um mês de treino, (durante o qual o corpo limita-se a olhar para cima e dizer " foda-se, agora é que te lembras, palhaço?") vá corrigir as curvas todas e salientar aquele aparelho muscular que fica tão bem com o modelito da estação.
Mas o milagre vai mais longe.
Estas espécies desaparecem do ginásio em fim de Junho, em direcção ás ansiadas, e não duvido, merecidas férias. O treino fica suspenso até ao próximo Maio, como é óbvio, e toca a enfardar que nem camelos novamente porque, caraças, afinal estão de férias e ninguém é de ferro. E em férias a malta até se pode exceder porque afinal, é festa e tal e o camandro...
Claro que os fatos de banho não servem, e aqueles que metem na cabeça que em um mês a coisa se regulou e ainda assim resolvem vestí-los, fazem uma figura interessante, como aqueles moços de barriga proeminente que resolvem vestir calções justos de malha de lycra. Um portento.
Ora esta pequena constatação tem dois intuitos.. bem, três.
1º - Deixem-me treinar em condições, porra!
2º - Na linha da discussão supra referida, existe uma grande diferença entre os excessos de peso por ausência de escolha, [ou seja, patologias físicas e psíquicas, falta de vil metal que permita a frequência de um local de prática desportiva ( se bem que existem alternativas, mas está bem), ou um estilo de vida não opcional que consuma cada segundo de tempo - profissional, familiar, etc. ], e as auto-induzidas por falta de vontade, preguiça, inércia, e sobretudo, uma falsa auto-aceitação de si mesmos que depois os impede de por os pés na praia porque, e cito, têm algum pudor em mostrar a trampa que fizeram durante o ano inteiro ao corpo.
Realmente é apenas mais uma diversificação do culto da desresponsabilização ou facilitismo, onde as tendências se baralham e as pessoas não se percebem a si mesmas. E digo isto porque quem se sente bem de uma certa maneira, fá-lo o ano inteiro, tenha mais ou menos roupa em cima. Não sofre alternâncias consoante a natureza o obrigue a mostrar perspectivas alternativas.
E a esses, que podendo, optam por simplesmente deixar-se chegar a um estado de falta de saúde ou auto-insatisfação por pura preguiça e mais nada, não me custa reputá-los de gorduchos, ou banhosos. Porque afinal de contas, quem o defende como uma escolha, deve ter até orgulho em que o reconheçamos, quer-me parecer.
3 - Comparo isto á aversão que também existe pelo fenómeno de aculturação, leia-se, ter algum caraças de algum interesse em alguma coisa. Pegar num livro sem ser para estudar, procurar ver coisas novas. Porque se o desenvolvimento da mente é tão bem visto, e com muita razão, porque ainda acaba por ser o mais importante, porque será que existe uma (falsa) despreocupação com o corpo, com a saúde que daí advém? Sim porque o corpo em forma melhora tantas coisas, desde o sexo (mais fôlego, força agilidade) ao simples prazer de movimentar-se e ter alegria na agilidade. Somos uma unidade compostas, feita de carne e alma. Pensar que qualquer uma delas é dispicienda em detrimento da outra, quando existe escolha, é dizer apenas meia verdade. É correr hipocritamente aos ginásios um mês antes da época balnear. É por o adoçantezinho no café, porque o açucar engorda, mesmo que se tenha comido meio cabrito antes, e não esquecer que em Portugal só se for com muito pão!
Em suma, o lugar comum do mens sana in corpore sano não é senão uma lógica que me parece evidente. Uma lógica que assenta num respeito da pessoa por si mesma, em querer ser cada vez melhor, e sentir-se de acordo com isso mesmo.
A escolha é aqui o factor decisivo. Porque ao escolhermos, traçamos um caminho. E se o fazemos, é porque queremos a maioria das consequências da mesma, julgo eu.
Por isso, amigos, por favor, deixem-me treinar como deve de ser, e tratem de vocês.
Se não quiserem, é legítimo, mas não se queixem depois, porque precludem essa hipótese por mão própria. Enfardem como quiserem, mas assumam a escolha ao fazê-lo. É um direito que toda a gente tem, e ainda bem por isso.
Desporto é saúde, é alegria, e sobretudo, é crescimento enquanto pessoa, porque o corpo também é quem somos, e uma extensão magnífica no romance com todos os fenómenos do mundo.
No fundo, sermos nós próprios em todos os aspectos, e viver de acordo com isso mesmo.
Mais felizes, espero.
EM OBRAS...

Aguarda adjudicação do pacto de fé no próximo e semelhante.

segunda-feira, maio 30, 2005

As crónicas de Stephen King na Entertainment Weekly

A não perder.
As exigências existem enquanto nos atrevemos a sonhar.
E fazemos o que podemos no sentido de as fundamentar, porque de nenhuma outra forma se consegue ultrapassar a aleatoriedade dos mecanismos empáticos.
Os arquétipos são no fundo previsões. São um reconhecimento dos gostos próprios que antevêm um impacto. No fundo, não passa de sonhar acordado, com uma lógica definida. Aquela que de alguma forma rejeita a aleatoriedade porque esta, quando pura, fere o reduto de qualidade da pessoa.
No fim, todos nós sabemos o que fizémos, e muito pior, o que queremos.
E isso não tem lugar na aletoriedade. Aliás, como num jogo de peças conhecidas, a aleatoriedade comanda o rolar do dado, mas as pintas deste e o tabuleiro já existem.
E depois entram as regras, se bem que a criação da chamada regra do jogador simplifica o jogo e aumenta o gozo do mesmo.
Sim...
É exactamente isso.
Desafio da semana:
Imaginar um fim para o que teima em não começar.
Fazer de um objectivo pragmático uma venda emocional.
Bonne chance everybody!
Concerto.
No meio dos miúdos. Nos empurrões, na febre da música e do entusiasmo.
No som que reverberava até fazer tremer o corpo.
Penso na maioria das pessoas da minha idade perante este cenário, e tiro apenas uma conclusão relativa às suas ideias do que são comportamentos adequados.

Cresçam!
Embora nunca cá chegue, eu gostaria de ver este filme, embora tenha a noção que depois de o ver, vou desejar nunca ter pensado nisso.
Horror e impassividade internacional.
A frio.
Este fabuloso artigo de crítica literária do NY Times dá-nos um lamiré sobre a vida da avó de Mary Shelley... aquela, sabem, que escreveu, a par com Bram Stoker, aquela que é a mais conhecida história de horror de sempre. Mulher formidável, devia ser um óptimo fantasma para colcar na mesma sala que o Nuno da Câmara Pereira...
E existe lá uma engraçada incongruência da autora, como acontece com todos nós, a qual vale a pena salientar:
"And then, astonishingly, within two years, this brilliant, focused woman moved to Paris to write about the French Revolution, lost her virginity at 34 -- yes, she was, notably, a virgin when she wrote her germinal work, and perhaps the wiser for it -- to the charismatic though clearly ''unsuitable'' American adventurer Gilbert Imlay and gave birth to their daughter, Fanny. She attempted suicide with laudanum when Imlay proved faithless. Within two weeks, Imlay persuaded her to spend several months, with baby and French nanny in tow, on a mysterious, madcap mission to Scandinavia to recover, on his behalf, £3,500 worth of silver cargo from a treasure ship. There was no silver, no ship and, when she returned to England, no Imlay; he had taken another mistress."
Saberão aquilo que querem até mesmo os mais galhardos e congruentes?
É complicado aceitar qualquer uma das premissas.
O mundo conforme o conhecemos, em cada uma das realidades pessoais, encerra determinados fluxos, tendências e conjunturas que levam á tal conclusão da via em ciclos.
Para os amantes de desportos aquáticos, esta lógica é evidente. A vida como que surge em sets (não sei se é assim que se soletra), semelhante a ondas, num movimento sempre expectante, que faz adivinhar de que forma se encaracolará a superficie do tecido real no instante seguinte.
Talvez o mais complicado seja aceitar o carácter necessário de alguma mudança. Até porque dizem os optimistas, as pessoas encontram-se e os eventos não ficam guardados. A estrutura gregária talvez até seja mais forte que toda a espécie de condicionalismos idiossincráticos.
Através de histórias recentes, chega ao meu conhecimento que os "volte-faces" não são apenas produto de mentes rocambolescas, e que até acontecem a boas pessoas, com naturezas que as tornam merecedoras de todas as felicidades parecelares possiveis e para além dos relativismos.
A passagem do tempo esclarece-nos. Permite que sejamos uma espécie de painel multifacetado, pejado de tendências, cores e recortes que esperamos a cada instante que sejam suficientes.
E em instantes perdidos no tempo, feitos da mais nostálgica e pura associação de ideias, quatro acordes e uma palavra podem fazer uma grande diferença.
A que assenta na persistência do que não é relativo. Aquilo e aqueles que amamos de paixão, e que de alguma forma, identificam e forma o nosso contorno. Porque a nossa criação pessoal, ainda que fique internamente encerrada, é feita dos impulsos lá semeados, que derivam em disparidades emocionais de amores, odios, desilusões e alegrias desmedidas.
E que vida triste seria sem que em alguns recantos nossos não perdurasse a fervorosa paixão por alguém ou alguma coisa.
Que marasmo não sentir um abraço cúmplice e arrasador entre a consciência e o afecto na contemplação de coisas que são a nossa vida.
Podem ser terrivelmente complicadas de explicar, mas é no seu contorno que está a nossa identidade, e como tal, é através desse mundo de detalhes que podemos ter a expectativa de ser amados por alguém.
Somos aquilo que criamos, amamos e entregamos, como uma espécie operação de transferência. Somos a estrutura da nossa própria forma de paixão.
É por isso que amamos o que as pessoas são, e não apenas o que traduzem factualmente.
É pelo menos o que acho...



Doze anos à espera da voz do Chris Cornell neste tema.
Desde que perdi a esperança de ver Soundgarden ao vivo, devido à dissolução da banda em anos posteriores a 1992, ano em que vieram a Alvalade.

Senti algo indescritível porque este tema era da minha banda preferida, porque me acompanhou em momentos tremendamente dificeis da minha vida, porque é como encontrar um velho amigo que se adora num local improvável.
Que maravilha de concerto.
In my eyes
Indisposed
In disguise
As no one knows
Hides the face
Lies the snake
The sun
In my disgrace
Boiling heat
Summer stench’neath the black
The sky looks dead
Call my name
Through the cream
And I’ll hear you
Scream again
Black hole sun
Won’t you come
And wash away the rain
Black hole sun
Won’t you come
Won’t you come
StutteringCold and damp
Steal the warm wind
Tired friend
Times are gone
For honest men
And sometimes
Far too long
For snakes
In my shoes
A walking sleep
And my youth
I pray to keep
Heaven send
Hell away
No one sings
Like you
Anymore
Hang my head
Drown my fear
Till you all just
DisappearIn my eyes
Indisposed
In disguise
As no one knows
Hides the face
Lies the snake
The sun
In my disgrace
Boiling heat
Summer stench’neath the black
The sky looks dead
Call my name
Through the cream
And I’ll hear you
Scream again
Black hole sun
Won’t you come
And wash away the rain
Black hole sun
Won’t you come
Won’t you come
StutteringCold and damp
Steal the warm wind
Tired friend
Times are gone
For honest men
And sometimes
Far too long
For snakes
In my shoes
A walking sleep
And my youth
I pray to keep
Heaven send
Hell away
No one sings
Like youAnymore
Hang my head
Drown my fear
Till you all justDisappear
Chris Cornell
As for now, à tona. :)

terça-feira, maio 24, 2005

Verdades Absolutas


"KAUFMAN
I don't want to die, Donald. I've wasted
my life. God, I've wasted it.


DONALD
You did not. And you're not gonna die.

KAUFMAN
I wasted it. I admire you, Donald,
y'know? I spend my whole life paralyzed
worrying what people think of me and you -
- you're just oblivious.


DONALD
I'm not oblivious.


KAUFMAN
No, you don't understand. I say that as
a compliment. I really do.

There was this time in high school. I
was watching you out the library window.
You were talking to Sarah Marsh.


DONALD
Oh, God. I was so in love with her.


KAUFMAN
I know. And you were flirting with her.
And she was really sweet to you.


DONALD
I remember that.


KAUFMAN
Then when you walked away, she started *
making fun of you with Kim Canetti. It *
was like they were laughing at me. You *
didn't know at all. You seemed so happy.


DONALD
I knew. I heard them.


KAUFMAN
How come you looked so happy?


DONALD
I loved Sarah, Charles. It was mine,
that love. I owned it. Even Sarah *
didn't have the right to take it away. I
can love whoever I want.


KAUFMAN
She thought you were pathetic.


DONALD
That was her business, not mine. You are
what you love, not what loves you.
That's what I decided a long time ago.
"


Adaptation - Charlie Kauffman
Atenção á excelente crónica de Daniel Oliveira na sua estadia no Iemen - aqui

Miguel Sousa Tavares, eat your heart out.
Stan
Stan

Which South Park Character Are You?

Cortesia da querida Charlotte

Alguém ponha os olhos nisto
O nosso planeta fartar-se-á desta merda qualquer dia.
E varre-nos com a mesma limpeza com que o fez relativamente aos dinossauros.
Os religiosos podem achar que qualquer deus terá feito os homens à sua imagem.
Mas a mãe-terra está-se a borrifar para isso, e num ápice pode realmente mostrar-nos aquilo que o Michael Crichton disse uma vez - ao contrário do que pensamos, o planeta terra não precisa de nós para nada. Deixa-nos cá estar. Mas só por enquanto.

segunda-feira, maio 23, 2005

A propósito de uma demonstração de má - vontade...
Se há algo que não é incongruente nas pessoas, é a mistura de um carácter acessível e afável com sensualidade.
No entanto a percepção externa que se tem coloca a sensualidade num pedestal inacessível, como condição necessária do impacto a provocar.
Sinceramente, isso parece-me uma treta tão grande como a ideia de que se consegue ignorar a silhueta em detrimento de um interior absolutamente completo.
Alguns conceitos não excluem os outros, e a sensualidade não abstrai a pessoa da sua natureza mais generosa ou ternurenta. É um erro facilmente cometido, onde se confunde o gelo com uma espécie de capa sexualmente predatória e despótica, quando sinceramente, não é nada disso que se pretende.
Como homem, posso dizer que a lógica da petulância como condição necessária da beleza um pouco acima da média, é uma espécie de crachat inglório e produtor de muitos dos preconceitos que existem relativamente às pessoas mais dotadas pela natureza.
Aliás, recordo o "Almost Famous" de Cameron Crowe, filme no qual se dizia qualquer coisa como o facto da construção da personalidade ser menos conseguida por parte de quem é belo ou quase. Porque a personalidade faz-se de perdas, dores, aprendizagem, e quem parece um anjo sexuado, seja de que género for, estará muito menos sujeito a estas coisas.
Não têm culpa.
Talvez seja mesmo essa a ordem natural das coisas.
Mas será mesmo assim?
Não me ajudem a perceber-vos.
Limitem-se a deixar-me tentar.
É o suficiente.
Aproxima-se o festival.

Chris, vê lá essa garganta, ok?

Da última vez que te ouvi na televisão estavas um pouco roufenho...
A Imbecilidade Politicamente Correcta

No caso português seriam os Verdes e Vermelhos contra os quê - Vermelhos e Amarelos? E de que cor era a padeira? Tinha uma camisola diferente como os tipos do voleibol que só defendem?
Enfim...
"The condition of an enlightened mind is a surrendered heart."

Alan Redpath


Também sempre fui dessa opinião.
E paguei o preço, pois claro.
A Primavera não é democrática.
De maneira nenhuma.
A liberdade não é uma opção. Nem uma dádiva. Nem um pressuposto. É uma naturalidade, é inviolável, e é nela que a pessoa revela o carácter mais genuíno da sua personalidade. Para algumas pessoas é necessário entender que a liberdade que se atribui á cara metade é apenas mais um sinónimo do respeito que lhe tem. A pessoa livre toma de forma natural as suas atitudes, sem constrangimentos que redundam em artificialidade ou, em última instância, conflito.
As pessoas controladoras normalmente demonstram uma insegurança que não é atraente, e uma falta de respeito pela individualidade do outro baseada num juízo de controlo. No fundo, há um tremendo egocentrismo nesta atitude, porquanto se julga que o compromisso que deve ser entregue por amor, passa a ser assumido por obrigação quase contratual. Com cláusulas específicas.
Não olhes, não faças, não tentes.
Julgo que é mesmo um dos mais gastos dos lugares comuns, mas é na liberdade que as pessoas encontram o seu caminho até nós. É nessa liberdade que cada um de nós encontra realmente a motivação para gostar e exercer essa afeição junto dos outros, e haverá coisa mais satisfatória do que verificar que a pessoa opta por nos incluir, por fazer ou ria algo por nós.
Além disso a vida exterior torna-se necessária para trazer contributo a qualquer esfera composta por duas pessoas. Evoluir também significa aquilo que se faz com o que trazemos do mundo para dentro de um relacionamento. Ver a evolução da pessoa de quem gostamos faz parte de tudo aquilo que nela acabamos por prezar, porque é um desenvolvimento das bases que nos apaixonaram.
Os controladores são precisamente os que mais se arriscam a sofrer infidelidades ou desinteresses, porque a liberdade é uma espécie de prisioneira paciente, mas nunca se remete sempre a esse estado. Aqueles que vêm a sua liberdade constrangida tendem a reagir mais cedo ou mais tarde, porque se vêm privados de algo que lhes é essencial. A manifestação da totalidade da sua pessoa.
A tentação do controlo é de fácil aceitação interna. Especialmente se num primeiro momento existe um assentimento a essa lógica de corrente e grilhão. Mas como em todas as situações de circuito fechado, a inundação leva á erupção, e com ela, os intuitos que se poderiam conseguir de forma livre, acabam por perder-se em fragmentos de um projecto de controlo que em nada redunda senão perda. O contrário absoluto do objectivo inicialmente prentendido.
Não tenham dúvidas. É na iniciativa não solicitada que reside um dos laços mais importantes entre as pessoas. O querer fazer, querer dar, querer estar.
Claro que um pouco de ciume também conforta.
Porque quem não se sente, não é filho de boa gente.
Mas é a velha e costumeira história.
Equilibrio e moderação. Nada de grandes segredos.
Ao ler as críticas ao ultimo filme da saga Star Wars, tenho de conceder algumas coisas:
- As cenas "de amor" entre Anakin e Padme são de fugir a sete pés, talvez com a excepção daquela onde ela o confronta com a possibilidade de estarem a lutar pelo lado errado nas opções políticas (Bush, toma lá mais uma achega).
- Hayden Christiansen tem o visual mas não o peso dramático para ser Darth Vader, embora se perceba a escolha se pensarmos na figura de Mark Hammill, o futuro/passado Luke Skywalker
- Há alguma falta de rigor em algumas situações, como por exemplo os moços andarem em cima de poços de lava, navegando em metal a uma distância de temperaturas que normalmente já os teriam cozido. Quanto à propalada falta de tecnologia para ver se eram ou não gémeos, parece-me a mim que pode suceder que um dos fetos esconda o outro, por isso, esta ultima não é especialmente grave.
No entanto, é impressionante ver o tipo de cabotinice já demasiado mastigada que os críticos de jornal vomitam do alto do seu "impressionante" conhecimento cinéfilo. Não há ali um grama de isenção, mas uma espécie de demonstração de lealdade ao clube dos culturalmente iluminados e conhecedores.
Ao contrário dos dois primeiros filmes, só realmente bons para os fãs, e mesmo assim... bem, ok..., este ultimo filme é bom, especialmente conforme se vai aproximando do final. A tensão cresce e há um peso muito bem conseguido e distribuido por todos os envolvidos, bem á guisa do desenrolar da tragédia grega clássica. Tudo vai acontecendo e embora pareça que srá possível deter o desenrolar dos eventos, a paixão dos protagonistas torna impossível esse exercício de redenção ou salvação.
A morte dos pequenos aprendizes tem um impacto que me fez lembrar a morte de todos os jovens rapazes na batalha de Azincourt conforme imaginada por Shakespeare. A transformação de Anakin, o mito do Fausto, etc, etc.
Claro que para muitos, se estes conceitos tivessem sido utilizados num cenário ultrarealista, a qualidade surgiria assim como que por milagre, mas a massa literata e arrogante acha que a imaginação e o escapismo são pecados mortais, dignos de um auto-de-fé critico/conceptual. Claro que se falarmos no fantasma da familia Canterville, no fantasma - pai de Hamlet e deposto Rei da Dinamarca, nas fantásticas criações de Allan Poe, aí o escapismo e o fantástico ja servem um propósito perfeitamente identificado, mas claramente incongruente com a noção de realidade tão cara aos críticos e quejandos.
A imaginação e a comédia estão condenadas a levar porrada constantes dos auto-proclamados bem pensantes, por razões insondáveis e obscuras.
Mas qual é a embirração afinal????
Apesar de toda a minha inépcia para miudos, desde já lendária, a minha sobrinha abraça-me constantemente, pede-me beijinhos, salta-me para o colo sempre que pode.
Repito, sou a pessoa mais inepta deste mundo para com os petizes, e nem sequer alguma vez fui uma pessoa muito fascinada por crianças.
Mas a minha sobrinha não quer saber de nada disto.
Há aqui uma lição algures, acho eu...
Em primeiro lugar, e para arrumar já isto, os parabéns aos vencedores.
Tenham ou não jogado bem ao longo do campeonato, o que na minha modesta opinião não fizeram, o Benfica aguentou uma certa regularidade, o que lhe permitiu este sprint final para o título. Foram mais espertos, mais regulares, mais resistentes, e com alguma sorte e ajuda do Ricardo, lá levaram isto de vencido.
Mais uma vez, os meus parabéns, e para o ano que vem, lá estaremos para vos apertar os calos.
E pronto, ficamos arrumados com isto do campeonato da Superliga.

sexta-feira, maio 20, 2005



Até gostamos ambos da saga Star Wars...
Plenamente de Acordo

O Figo devia de ter um pouco de vergonha na cara, sinceramente...
Pintei os meus céus porque esbarrei com o cotovelo no frasco da tinta.
Terá sido azar?
Ou Tao?
A facilidade da indiferença alheia é o espelho de toda a nossa incapacidade.
É esforço pintado com tinta invisível, que no seu labor inútil, é exaurido pelo próprio isolamento.
Ocasionalmente lá dou as minhas voltas pelo mundo de imprensa, recolho as minhas histórias, recordo-me de pormenores, e dou comigo a reconhecer que não tenho a mínima hipótese de conseguir fazer um blog sério, político, jornalístico e em jeito de cronista cientifica e factualmente exacto.
É necessário tempo, muito tempo, e sobretudo deixar que certas coisas simplesmente resolvam deixar de passear pela minha cabeça com mais regularidade do que seria desejável.
Pois.
Não há assim muitas hipóteses, quer-me parecer.
O ecletismo débil segue dentro de momentos...
"The roots of words go to the heart of things. This heart can be manifold, even self-contradictory."
George Steiner
Eu só trocava ali uma palavrita...
A propósito de uma discussão com alguns amigos, surge uma ideia que me parece pertinente.
Existem elementos que não serão nunca passíveis de relativizar num relacionamento entre as pessoas, ou tudo pode ser produto de uma adaptabilidade?
Será que o velho mito do elemento que cede e o que domina é uma verdade absoluta? Será impossível instituir alguma racionalidade nos critérios relacionais, tendo em conta que afinal de contas aquilo que as pessoas pretendem é sempre o melhor do outro? Aquilo que motivou a escolha, afinal de contas.
A ideia é sempre a mesma. Em muitos casos não só não existe a lógica do esforço, como se parte do principio que o estabelecimento dos recortes de feitio serve para explicar tudo, desde ausência ou omissões. A frase "sou assim" deve ser o conceito mais irritante desde o advento do reality show, e a verdade é que serve um pouco como código universal para os desencontros entre as pessoas. Quando a racionalidade, e a argumentação esbarra numa clara percepção de desiquilibrio entre os esforços, iniciativas e generosidades no seio da relação, surge como argumento ultimo, uma espécie de bastião da honestidade irremediável chamado feitio.
Ora desculpem-me os mais sensíveis, mas isso parece-me uma semi "filha-putice". Porque na maior parte dos casos serve apenas para desculpar uma inépcia preguiçosa e conformista que em casos mais graves resulta numa paz podre, numa sensaboria de rituais na qual as pessoas simplesmente se esquecem que os relacionamentos são criados para estarmos melhor do estávamos antes. Porque afinal de contas, a experiência do amor deve ser uma dinâmica retributiva, em que queremos fazer porque recebemos e recebemos porque não resistimos à vontade que o outro tem em querer fazer. Sim, é assim estupidamente simples.
Claro que depois surgem os arautos da desgraça que falam do amainar da paixão, dos tempos mais brandos, das fases menos acesas. Sim, mas não vejo onde é que isto preclude a noção de iniciativa, de criar as formas de passar os instantes com a pessoa de quem supostamente gostamos. Porque a partir do momento em que o conceito de apêndice signifique realmente nada mais que um acrescento ao qual se tem de dar atenção porque por acaso até calha bem, então está tudo feito num oito.
A adaptação não pode significar unilateralidade nem um descanso alternado, porque a partir do momento em que as pessoas não puxam, criam, inventam ou correm riscos em favor de uma outra, então vem ao de cima a noção de hábito ou comodismo. Instala-se uma familiaridade à qual as pessoas respondem com a diversão causada por outros elementos, entenda-se, os pragmatismos e a satisfação de necessidades que de repente se tornam incontornáveis. Mais horas de sono, mais ttrabalho, mais concretização de merdas que por vezes nem se sabem bem o que são.
Resumindo, são muitas as formas pelas quais damos as pessoas por garantidas. E fazêmo-lo com uma graça e naturalidade própria de quem se limita a ser quem supostamente é, e a exibir o feitio como panaceia para toda a falta de actividade e esforço de construção relacional.
Inconsciente ou não, é filha-putice. Porque da mesma forma que não vivemos isolados pela aleatoriedade na origem dos afectos não o fazemos na manutenção dos mesmos.
Por isso a questão é simples.
A companhia, a excitação, a dinâmica, o riso, a dádiva, o acto de dar pode ser relativizável?
Ao contrário do Prof. Julio Machado Vaz, julgo que certas inércias são produto de pessoas que até podem amar e bastante, mas estão logo á partida apaixonadas por uma outra pessoa a um ponto insuperável - elas próprias.
Eu, pessoalmente, não vejo qualquer valor em quem não sabe dar. Porque não se trata de desconhecimento, mas numa manutenção consciente deste.

"Men are accomplices to that which leaves them indifferent."

quinta-feira, maio 19, 2005

Katie

Um jogo perfeito.
Um talento.
Uma curiosidade.
Um rude golpe para a misoginia sectária... digo eu
Um pouco em jeito de comentário a este post , penso que existem determinado tipo de conclusões que cada um tira consoante o seu posicionamento perante os fenómenos afectivos. Não, vamos lá ser mais abrangentes. Relativamente a tudo aquilo que pode suceder em consequência das nossas acções.
Ao contrário do que se possa pensar, a admissão da fragilidade (conjuntural ou não) das crenças não é fácil. Olhar para as coisas sem ter qualquer suporte fáctico para suportar um imperativo categórico próprio de algumas delas, não é doce tarefa. É uma espécie de recado maldito. Rodeia-nos como uma percepção indesejada, como uma notícia ou história demasiado duras ou repugnantes, e que no entanto não conseguimos deixar de acompanhar até ao seu desfecho.
Mas falo em fragilidade, não em falência, porque essa não pressupõe a manutenção desses imperativos categóricos, e sim um nihilismo que, em meu ver, é o estágio último do sofrimento psicológico. Pode não ser visível, mas as talas que mantêm certos aspectos das nossas ideias em consonância são bem mais complicadas de aplicar.
A chatice é que podemos sempre tentar o melhor, e perceber que isso realmente não basta. Entender que certos desarranjos são complicados de inverter, e que as pessoas dão consigo a tomar atitudes automatizadas, como se de uma linguagem perfeitamente nova e perceptível se tratasse. Criam-se hábitos defensivos porque a realidade parece toda tingida a uma cor, e a sobrevivência torna-se ainda mais urgente, sob pena de colapso sob o peso.
Aquilo que é demonstrado no post referido, é lealdade a uma interpretação positiva das realidades parcelares, para que o todo possa parecer maioritariamente bom. E tendo a concordar com isso, porque sinceramente, se o cinismo for completo, nada vale a pena. Para que é que nos andamos a chatear de não encontramos a graça da vida em coisa alguma?
Os sorrisos continuam a ser bonitos, a sensualidade continua a desiquilibrar, a denúncia continua a ser necessária. A protecção existe apenas para verificar em que medida a intenção de todas estas coisas consegue quebrar a barreira de segurança. Existem instantes em que se tem a perfeita noção de que não se pode mais. É claro como água translucida, e deixa-se ver em todo o explendor das suas ameaças.
Mas pela repetição se deixa de crer na iniciativa, na geração de comportamentos afectivos autónomos capazes de criar essa paixão desmedida pela tal beleza omnipresente de que falava Alan Ball. E no entanto ela aparece, para nos deixar incutida a dúvida, como um ser fugidio que nunca apresenta a totalidade da sua silhueta, e cria sonhos pela simples sugestão da sua existência. Quem reina aí é a teimosia, e quem desregula tudo é a simples esperança de que alguns detalhes possam apenas ser um pouco diferentes.
Certos conceitos não são relativizáveis. E é a paz podre de alguma convivência social que arrasta tantos problemas para a zona frontal de contacto entre as pessoas. Precisamente porque aqueles que se cansam do esforço, chegam a uma certa altura e simplesmente abandonam o seu lado impulsionador de acontecimentos. Encontram-se então duas expectativas, dois receios, duas formas de estar que não descartaram a sua noção do que desejam e crêem estar certo, mas que se agarram a uma corda esboroada com os últimos dedos, esperando que a maré suba e os empurre pela falésia acima.
Podem ser ciclos, ou permanências. E a defesa existe precisamente para ultrapassar a primeira, e evitar a segunda. Mas morre algo no processo? Com certeza que sim. Não o Pai Natal ou o Coelho da Páscoa - já falecidos em acção há muito tempo - mas uma certa resistência aos ditos pragmatismos maduros, que em última instância significam apenas uma secagem das singularidades de cada um.
Serão permanências?
Sei lá.
Continuarei a ir ao concerto de qualquer maneira...



É hoje.
Não vou conseguir ver o filme senão na semana que vem, mas também sei que lá irei pelo menos mais duas vezes. Recordo-me de ver o "Return of The Jedi" no já extinto e agora roqueiro cinema Condes, e ter uma esperiência absolutamente fantástica com uma obra feita da mais pura imaginação.
Bem sei que os puristas do cinema ou a ala cabotina que se arroga a ter uma espécie de código não escrito sobre a verdadeira noção de qualidade poderá olhar para o outro lado em enfado, mas esta história criou ícones, mudou a face do cinema, e sobretudo, dá uma satisfação tão plena a tanta gente que não é de todo passível de ser ignorada.
E ao que parece, julgnado pela reacção da crítica internacional e dos fãs, (contrariando a sensaboria dos episódios 1 e 2, com horrores inexplicáveis como Jar Jar Binks), este filme não só é o melhor dos três, como parece ser realmente bom e bem conseguido.
Atam-se muitas pontas soltas, e imagino o que sentirão todos quando James Earl Jones disser a primeira sílaba. Prevejo muitas palmas e figuras tristes, a começar por este vosso amigo. É por isso que vou ver mais que uma vez. Porque gasto logo a ridicularia na primeira, e não se fala mais nisso.
"Somos seres luminosos, não esta rude matéria!", já lá dizia o Yodda.
Pois, era porreiro realmente...

quarta-feira, maio 18, 2005



Na paragem deste instante, demasiado sozinho, reconheço uma coisa muito simples.
Não vale a pena combater os estados fixos das coisas. As determinações.
Somos aquilo que amamos, e pouco podemos fazer contra isso. Por mais que julguemos o contrário. É deixar cair, como a chuva.
Aceitamos uma certa indignidade do sofrimento, mas esperamos que um pouco mais adiante sejamos o que somos perante todas as provas, e que aquilo que faz sentido, sejamos nós, reflectidos em última instância.
Há tanta coisa que não tem sentido existir.
Mas no fim, acho que nos recordaremos sem esforço. De nós próprios.
Esperando não estar vivos até ao último instante, mas lúcidos. E que a estranheza não seja senão um detalhe dos milagres próprios da inexplicável sensação de adequação. De que está certo. De que certas coisas não se relativizam.
Nós somos sempre os carrascos dos outros. Mas de alguma forma, também abrimos certas portas posteriores.
Porque não somos nós a salvar-nos. É um processo de simbiose.
Aceitamos quando estamos calmos.
Tentamos porque não há opção.
Esquecemos quando há compaixão.


Foto: Peggy Washburn
Quem manda ao artista ter razão???

Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can’t be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can’t help thinking...
Future’s above...but in the past he’s slow and sinking...
Caught a bolt ’a lightnin’...cursed the day he let it go...

Nothingman...
Isn’t it something?
Nothingman...

She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...one’s left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...

Nothingman...
Isn’t it something?
Nothingman...

Oh, she don’t want him...
Oh, she won’t feed him...after he’s flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...

Burn...burn...
Nothingman...
Isn’t it something?
Nothingman...
Nothingman...
Coulda’ been something...
Nothingman...

Eddie Vedder
MEDO

Drácula?
Homem Lobo?
Azazel?
Teresa Guilherme? (bem, ok... aqui talvez...)

Não...

Coreia do Norte
Minuto de silêncio para o inenarrável...
Não, não simpatizo com o porta chaves presidente do PSD, mas uma coisa é certa.

O Governo tem de se resolver nesta merda das SCUT, até porque tudo aponta que a ponderação que andam a efectuar vai contra posições assumidas em período de campanha e oposição. Ou seja, afinal de contas também assumem a posição do utilizador pagador?
De todos os casos,( e atenção, não colocando em causa a necessidade de portagens em alguns troços porque não tenho conhecimento suficiente para aferir da pertiência dessa mesma necessidade) o mais imbecil e irresponsável será o da Via do Infante.
Tributar a circulação na via do infante só vai reavivar o fantasma da sanguinária EN - 125, e mergulhar o Algarve numa nova confusão dos infernos no que diz respeito à circulação automóvel. E dizer que a EN 125 é uma alternativa á circulação é fechar os olhos ao caos sazonal que é o Algarve e aos inúmeros acidentes que vitimaram tanta gente no período prévio á inauguração da referida Via. É, no mínimo, irresponsabilidade...



Estes animais são uma pérola na natureza.
Além de serem tremendamente altruistas entre si (têm babysitters para cuidar das ninhadas, por exemplo), suspeita-se que consigam cantar á desgarrada, em concursos semelhantes a duelos vocais de tirolês.
Além disso entoam cerca de dez sons com significados diferentes, o que se supunha ser domínio exclusivo dos seres humanos, já que pressupõe intenção nessa mesma comunicação.
Alguns naturalistas, entre eles o inconfundível Attenborough, julgam que os suricatas chegam a fazer competições de corrida e algo semelhante a luta livre.
Quando o sol nasce no deserto, aninham-se numa espécie de abraço colectivo para aumentarem o calor, enquanto alguns vigiam o território como precaução contra a aproximação de predarores.
Imunes ao veneno de cobras e escorpiões, estes "mangustos do deserto" são dotados de reflexos rapidíssimos, razão pela qual conseguem bater-se com as velocíssimas serpentes.
Mas acima de tudo são seres que vivem numa organização social que ao que parece, inclui brincadeira, jogos, e cooperação para além do que estamos habituados a ver em qualquer estrutura animal gregária.
São divertidíssimos de observar, e arrastam um culto de admiradores atrás de si.

São apenas uma das muitas maravilhas na Natureza que muitos acham divertido lixar a torto e a direito, e que mostram que certos conceitos não são exclusivos da espécie humana. Nem, a bem dizer, serão nesta o expoente máximo...
Um Gesto, Mil Problemas

Bem, já de si,
Guantanamo tem sido palco de situações complicadas de explicar em termos da legitimidade de detenções e respectivo procedimento legal, mas desta vez uma brecha de informação mostra mais uma asneirada que pode ter repercussões longas. Ao que parece, alguém na base deitou o Corão pela sanita abaixo. A informação transpirou, e a ira instalou-se á escala mundial no que diz respeito ao mundo islâmico.
O gesto em si encerra desde logo questões complicadas de responder em termos das técnicas usadas para interrogatório, mas é o simbolismo que acaba por unir o protesto global, e de uma certa forma, revestir esse mesmo protesto de legitimidade e visibilidade. Porque julgo que não é necessário um doutoramento em antropologia ou sociologia para saber que as pessoas se unem tremendamente em torno dos seus simbolos e ícones mais representativos. Basta pensar em qualquer uma das religiões ditas dominantes, e sabemos bem que tipo de paixões podem ser despoletadas com alguns gestos, em si mesmo simbólicos, especialmente na presente conjuntura.
Que mais ouviremos ainda de Guantanamo?
Ou da Administração Bush, claro...

terça-feira, maio 17, 2005

Salve-se quem puder.
Máxima dos tempos modernos?
Não.. somente bom marketing para a apatia.
Arrisco a dizer que há uma grande verdade no que diz respeito á nossa influência.
Ao efeito que acabamos por ter relativamente a tudo o que nos rodeia, ainda que não façamos a mínima ideia do produto dessa acção involuntária.
E damos connosco a reconhecer a legitimidade daqueles de quem gostamos, como teríamos de reconhecer a nossa, quando as lógicas não se encontram, e sermos nós próprios é tudo o que nos resta.
A tentação para dobrar uma certa quantidade de regras é enorme. Mas como todas as tentações, não mostra todo o espectro da sua influência. E aí, a protecção vale o que vale, porque a escolha é simples.
Viajar ou aceitar a pertença.
Sermos nós próprios, ou simplesmente mergulhar numa sorte imprevisivel, aceitar que a saudade bate á porta sem licença, e que como dizia o John Mellencamp, aceitar que a vida continua, mesmo quando a euforia para a viver simplesmente desaparece.
Para quando esta iniciativa com Margarida Rebelo Pinto, Maria João Lopo de Carvalho, Paulo Coelho,etc...
Grande e Oportuno Post

Somos assim tão míopes ao ponto de julgar que as nossas acções não têm qualquer reflexo no comportamento de outros? Ou achamos que temos direito a tudo, mesmo que pouco façamos para isso?

H., de acordo!
Aceitando o repto da MissM , pois cá vai!


Que fazes neste momento?
Pausa antes de reunião de trabalho para poder responder a este inquérito. E parto a cabeça a perguntar porque raio tenho 4 histórias começadas e não consigo acabar nenhuma...

Planos para o fim de semana?
Bem, espero dar um pulo ao Lux, finalmente(!!!), na Sexta feira, depois do treino. Claro que tenho trabalhar no Sábado, o que é porreiro, e tentar não dar cabo do resto da minha débil cabeça...

Que coisas te causam stress neste momento?
O que é que não me causa stress neste momento seria a pergunta certa.

Entre projectos de escrita inacabados, dinheiro a receber por muito trabalho já feito e a fazer, colagem de coração partido, ausência de destino de férias... uff, venha o diabo e escolha...
Algum dia pego ainda nisto... é demasiado grande e vocês têm mais o que fazer...

Que fizeste desde que acordaste?
Guiei, trabalhei e perguntei-me pela 65000ª vez acerca do paradeiro de certo tipo de pessoas...

Ao
Bird, à Lisa, e à Miss Caipira
Qualquer responsabilidade deve ser endereçada à querida Miss M , acima referida.

segunda-feira, maio 16, 2005

Be Yourself

Someone falls to pieces
sleepin all alone
someone kills the pain
spinning in the silence
to finally drift away
someone gets excited
in a chapel yard
catches a bouquet
another lays a dozen white roses on a grave
to be yourself is all that you can do
to be yourself is all that you can do
someone finds salvation in everyone
and another only fame
someone tries to hide themself
down inside their selfish brain
someone swears his true love
until the end of time
another runs away
separate or united?
healthy or insane?
to be yourself is all that you can do
to be yourself is all that you can do
to be yourself is all that you can do
to be yourself is all that you can do
you can be fading out
and pulled apart
or been in love
every single memory of
could have been faces of love
don't lose any sleep tonight
i'm sure everything will end up alright
you may win love
but to be yourself is all that you can do
to be yourself is all that you can do


Audioslave - Novo Album dia 26 - Superbock Superock
Estarei lá.
Nem que seja sozinho.
Aliás, para onde vou, é melhor que o seja.
A pior coisa que alguém nos pode fazer, julgo eu, é desfazer uma crença simples.
Toda a gente brinca com o fim do velhote de barbas brancas, com a fada dos dentes que por acaso até é parecida com a nossa mãe, com aqueles bichos parecidos com pirilampos que teimam em nunca cair dentro do nosso saco. Fala-se da experiência da realidade como uma espécie de rito de passagem necessário, e somos instados a concordar.
Mas se tivermos a noção de que outros acontecimentos na nossa vida, já adulta, também se podem pautar pelo mecanismo ilusório, haverá coisa pior que quebrar essa mesma ilusão? Ou será que não devemos de forma alguma deixar-nos render a lógicas convenientes de cinismos instalados, simplesmente porque o cansaço já levou a melhor?
Querem saber uma coisa?
O grande problema dessas ilusões comparativamente às que referi ao principio, é que as primeiras estão condenadas a sê-lo por mais que desejemos o contrário, ao passo que as segundas são possíveis, por mais que as imaginemos ilusórias. São morte suaves, mas ainda assim, eficazes.
É precisamente por isso que se torna a pior coisa que fazemos a alguém.
Porque ao contrário da irrealidade, o que fazemos neste outro plano é responsabilidade nossa.
E de que maneira.
Excelente Artigo relativo ao fenómeno da prostituição, e as variadas perspectivas de uma prática milenar que ainda se revela como a ultima saída em alguns estratos sociais.
A ilegalidade que reveste o conceito de prostituição é apenas mais um dos afloramentos hipócritas de uma organização social que usa este tipo de "recursos", mas depois os vilipendia, afastando-se debaixo de uma carapaça moral e normalmente pejada de furos.
A prostituição, quer se queira e agrade ou não, desempenha uma função social que não é passível de ser ignorada por ninguém. E num mundo onde a prostituição masculina cresce a olhos vistos, e as mulheres começam também a aceder a estes serviços em virtude do seu ganho de poder económico e ascenção aos lugares de topo na gestão, já não se pode falar em práticas definidas por tendências de género.
Á ilegalidade que reveste a prostituição é um conceito proibitivo pouco eficaz e até certo ponto ilegítimo. A pessoa é dona do seu próprio corpo, e se o pode "vender" para carregar pesos ou lixar as pestanas atrás de um computador, também o poderá fazer se decidir partilhá-lo de forma sexual em troco de remuneração. A moralidade é algo da responsabilidade de cada um. Não concordo com o acesso livre de crianças a estes serviços, porquanto a sexualidade é um elemento importante da educação, e como tal, não me parece a forma indicada de o ministrar. (Embora a prática dos pais que levam os putos á iniciação sexual com prostitutas ainda seja muito frequente, não me parece de todo a melhor forma de introduzir um rapaz à sua vida sexual. De raparigas ja nem se fala senão na repressão do conceito até enquanto ideia abstracta.)
É a ilegalidade que potencia as monstruosidades sociais como o tráfico de mulheres, e a coacção agressiva sobre estratos de população indefesa que dessa forma entram numa espiral de horror e violência que a maioria de nós nem sequer gosta de imaginar. E aí quase todos são vítimas. É um negócio rendoso que implica sevícias e actos de escravidão da pior espécie para quem as opções são a prostituição ou morrer de fome.
Faz algum sentido manter a prostituição como o mais mal guardado e sujo segredo do funcionamento da sociedade?
Sinceramente, escapa-se-me o que se tentará proteger aqui com o estabelecimento de uma ilegalidade, senão aqueles que lucram com a actividade à custa da miséria alheia.
"Corridos por um Perú"

Titulo do filme de Sábado á noite....

Força Sporting! Esperemos que o CSKA não marque muitos cantos!!!!

Uma cama é um mar.
Afogamo-nos ou vivemos nela, consoante aqueles que a habitam, movimentam ou abandonam. Uma cama é um reduto final. Conhecemos as pessoas de olhos abertos, fechados, em paz, rendição ou tumulto.
Vemos a expressão depois do pesadelo, no momento de fogo, ou naqueles instantes que duram uma noite de gelo.
Tem várias temperaturas, humores e formatos, essa cama.
A água dos lençóis pode andar desarrumada pela costa, ou chegada ao casco do barco, consoante a temperatura que existe, ou que com gozo se inventa.
Fica assim imensa, fazendo-nos imaginar o que nela encontraremos, ainda que apagados como a luz que precede a escuridão total.
Uma cama é um mar
Anda por aí um rascunho de uma obra minha.
Mas quando acordo, olho lá para fora e vejo que as folhas fugiram todas pela janela. E não as podendo agarrar, como nunca posso, percebo porque não nos recordamos inteiramente dos sonhos, por muito que queiramos.
Como é que se apanham centenas de folhas levadas pelo vento?
Aposto que é por isso que todas as nossas histórias pessoais são algo erráticas.
Só ficam os fragmentos, escritos em dias e com disposições diferentes.
As palavras parecem não jogar. Andamos ás turras com recordações misturadas, e depois destilamos a aparente falta de sentido num sentimento de perda genérica.
Eu, por exemplo, dou comigo a fazer demasiadas perguntas perante os pragmatismos.
Os Aerosmith podem estar bem enganados.
Que nos livremos da sorte de ter alguém a quem não conseguimos resistir.



O mais cool dos vilões reaparece depois de uma ausência de largos anos.
Digam o que disserem os tipos mal dispostos que só vêm cinema checo dos anos 60 e ali reconhecem alguma qualidade, ainda que a Kathleen Gomes venha disparar a sua peçonha pedante por cima destes filmes ( e de quase todos os outros), a verdade é que a primeira trilogia, de longe a melhor, mudou a face do cinema. Contou uma história a espaços ingénua, mas com uma imaginação e capacidade criativa ainda sem par no cinema. (A saga de Neo e companhia poderia ter sido a justa sucessora, mas os manos Washowski borrariam a pintura toda nos dois episódios subsequentes ao magnífico e para mim, único Matrix. Aliás, a história que me fica na memória acaba precisamente com o primeiro filme. )
Este último - "Vingança de Sith" - trará de volta Darth Vader, e sobretudo, fechará um ciclo intermédio, que explicará muito do que sucede nos episódios IV, V e VI. Lucas nunca disse que procurava contar uma história emocionalmente perfeita e cheia de tomadas de consciência dignas de uma reinvenção da ontologia.
Queria apenas contar uma história e deixar a imaginação voar.
Para mim, a trilogia sagrada, como lhe chama Kevin Smith, é um marco.
E é sempre bom termos conceitos na nossa vida que nos prendem e chamam e provocam ternos delirios onirícos.
Há muito tempo, numa galáxia longínqua...
Pequenos Obesos


A obesidade infantil parece-me um claro reflexo das opções de vivência partilhadas pelos pais.
Se estes têm barrigas que frustram qualquer hipótese de ver o cinto das calças sem ser ao espelho, se enfardam religiosamente uma quantidade de comida e bebida suficiente para satisfazer um pequeno regimento de infantaria, se desistem de tudo em detrimento do trabalho e passam essa ideia de que o espaço ludico desportivo (pessoal) são mariquices de quem não quer trabalhar a sério, então onde está a surpresa?
Se os miúdos rejeitam o desporto porque a playstation lhes permite fazer dribles á Ronaldinho e afundar como o Michael Jordan, e os pais vão nisso, onde está a imprevisibilidade desta situação?
Correndo o risco de parecer pateticamente paternalista, sabem há quanto tempo é que eu não tenho de travar o carro por causa de uma bola saltitante que cruza a estrada?
Sinceramente, não se vêm miudos a jogar á bola, a correr de um lado para o outro. Vejo sim miúdos encostados aos muros, martelando furiosamente as teclas de um telemóvel ou consola móvel.
Portanto, a obesidade infantil está intimamente ligada com outro tipo de desinteresses, como a leitura e quejandos. Porque no fundo, as crianças, em grande parte, são o reflexo do que têm em casa. Ou então ganham uma curiosidade e vontade inexplicável por algo, e esse auto-ditactismo leva-os a encontrar uma linguagem própria e identificação da alegria do corpo.
Mas é raro. Porque é difícil.
Embora correndo o risco de ser algo teórico (não sou pai, nem sei quando e se serei), parece-me a mim que certo tipo de firmeza e esclarecimento, de estabelecimento de objectivos não faz mal nenhum a ninguém. Merecer o que se ganha, só isso.
A obesidade infantil é apenas mais um reflexo do facilitismo.
Se eles têm de comer, mais vale que o façam com o que gostam, do que ter de aturar marcha sonorizada de greve aos bróculos.
A criação de espaços para actividade também tem de abranger os adultos, sob pena de termos este cenário, porque as crianças, no fundo, são psitacídeos bem intencionados, a pureza do empirismo.
Por isso, miudos ao desporto já! E para as colónias de férias, e coisas que tais...



A todos quantos adoptaram um animal este fim de semana, um obrigado genérico. Porque ao contrário do que se pensa, a bondade não está definitivamente fora de moda.
Quando tiver uma casa que mo permita, o meu Beagle lá andará aos pulos a comer-me os chinelos. É mais que certo.

Este terrorista meigo, provavelmente o cão mais desobediente do universo, consegue expressar na sua simples irracionalidade coisas que envergonhariam muitos humanos.
Este é o Steve. E todos os dias tem algo para me dar.

"A proteção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos."

(Victor Hugo)

sexta-feira, maio 13, 2005

Nu Artístico ou Atentado ao pudor?

A fascinante história do pénis falante...
Especialmente dedicado à malta casta que se preserva para a noite de núpcias...

Ler aqui
(Des)conversas de Surdos


Chega-te ao pé de mim.

Mas para quê?

Já te mandei embora?

Não, mas não queres?

Sim, mas...

E no entanto fica assim.

E porque é que não te vais embora?

Porque não me mandaste.

E então?

É a mesma certeza.

Ah sim?

Claro. De que serve negar ao vazio?
Só rejeito perante a reacção.
Negar sem efeito não cura nada.

Sim, está bem.
Agora afasta-te.
Depois falamos.

Estás a ver ??




Está por todo o lado.
Nem vale a pena tentar dormir, apagar, porque ao contrário do que dizia a Fionna Apple, normalmente vamos dormir para sonhar, e não há ordem nem senhas de vez nos corredores das sensações em bruto.
Está ali e dança connosco.
Condiciona os comportamentos, eleva o corpo ao estatuto do além/receptor.Permite a percepção do milagre de formas que não pensámos em desenhos feitos do apetite.
Surpreende-nos porque afinal de contas, o toque é a tradução de muitas tentativas vocabulares de um impulso unico fragmentado em milhares de pormenores.
E a beleza, que surge como a necessidade da cobiça ansiosa, paira ali. Sossegada.
A ela juntam-se os sons certos.
Não vale a pena fugir. Está lá.
E aqui não mostra o rosto, porque embora seja sempre diferente, nunca é desconhecido.
O sexo é a tradução dos nosso mais dolorosos silêncios numa linguagem única.
Faz-nos pairar acima do nosso plano, porque embora até o possamos prever, não mais somos que passageiros das suas mudanças de rota.
Deve ser por isso que nunca se fazem viagens suficientes
A propósito de uma maravilhosa memória desenterrada pelo
José Mário Silva do BDE II, recordo as duas peças de escrita que são puro génio e arrepiam em qualquer instante no qual sejam lidas e relidas. Não li muito de Joyce, mas esta continua a ser a pedra de toque para mim.
Que absoluta maravilha. Obrigado Mário por esta recordação.

"I can see him so plainly," she said, after a moment. "Such eyes as he had: big, dark eyes! And such an expression in them -- an expression!"


"O, then, you are in love with him?" said Gabriel.


"I used to go out walking with him," she said, "when I was in Galway."


A thought flew across Gabriel's mind.


"Perhaps that was why you wanted to go to Galway with that Ivors girl?" he said coldly.


She looked at him and asked in surprise:

"What for?"


Her eyes made Gabriel feel awkward. He shrugged his shoulders and said:


"How do I know? To see him, perhaps."


She looked away from him along the shaft of light towards the window in silence.
"He is dead," she said at length. "He died when he was only seventeen. Isn't it a terrible thing to die so young as that?"


"What was he?" asked Gabriel, still ironically.


"He was in the gasworks," she said.


Gabriel felt humiliated by the failure of his irony and by the evocation of this figure from the dead, a boy in the gasworks. While he had been full of memories of their secret life together, full of tenderness and joy and desire, she had been comparing him in her mind with another. A shameful consciousness of his own person assailed him. He saw himself as a ludicrous figure, acting as a pennyboy for his aunts, a nervous, well-meaning sentimentalist, orating to vulgarians and idealising his own clownish lusts, the pitiable fatuous fellow he had caught a glimpse of in the mirror. Instinctively he turned his back more to the light lest she might see the shame that burned upon his forehead.


He tried to keep up his tone of cold interrogation, but his voice when he spoke was humble and indifferent.
"I suppose you were in love with this Michael Furey, Gretta," he said.


"I was great with him at that time," she said.


Her voice was veiled and sad. Gabriel, feeling now how vain it would be to try to lead her whither he had purposed, caressed one of her hands and said, also sadly:


"And what did he die of so young, Gretta? Consumption, was it?"


"I think he died for me," she answered.


A vague terror seized Gabriel at this answer, as if, at that hour when he had hoped to triumph, some impalpable and vindictive being was coming against him, gathering forces against him in its vague world. But he shook himself free of it with an effort of reason and continued to caress her hand. He did not question her again, for he felt that she would tell him of herself. Her hand was warm and moist: it did not respond to his touch, but he continued to caress it just as he had caressed her first letter to him that spring morning.


"It was in the winter," she said, "about the beginning of the winter when I was going to leave my grandmother's and come up here to the convent. And he was ill at the time in his lodgings in Galway and wouldn't be let out, and his people in Oughterard were written to. He was in decline, they said, or something like that. I never knew rightly."


She paused for a moment and sighed.


"Poor fellow," she said. "He was very fond of me and he was such a gentle boy. We used to go out together, walking, you know, Gabriel, like the way they do in the country. He was going to study singing only for his health. He had a very good voice, poor Michael Furey."


"Well; and then?" asked Gabriel.


"And then when it came to the time for me to leave Galway and come up to the convent he was much worse and I wouldn't be let see him so I wrote him a letter saying I was going up to Dublin and would be back in the summer, and hoping he would be better then."


She paused for a moment to get her voice under control, and then went on:
"Then the night before I left, I was in my grandmother's house in Nuns' Island, packing up, and I heard gravel thrown up against the window. The window was so wet I couldn't see, so I ran downstairs as I was and slipped out the back into the garden and there was the poor fellow at the end of the garden, shivering."


"And did you not tell him to go back?" asked Gabriel.


"I implored of him to go home at once and told him he would get his death in the rain. But he said he did not want to live. I can see his eyes as well as well! He was standing at the end of the wall where there was a tree."


"And did he go home?" asked Gabriel.


"Yes, he went home. And when I was only a week in the convent he died and he was buried in Oughterard, where his people came from. O, the day I heard that, that he was dead!"
She stopped, choking with sobs, and, overcome by emotion, flung herself face downward on the bed, sobbing in the quilt. Gabriel held her hand for a moment longer, irresolutely, and then, shy of intruding on her grief, let it fall gently and walked quietly to the window.

She was fast asleep.

(...)

A few light taps upon the pane made him turn to the window. It had begun to snow again. He watched sleepily the flakes, silver and dark, falling obliquely against the lamplight. The time had come for him to set out on his journey westward. Yes, the newspapers were right: snow was general all over Ireland. It was falling on every part of the dark central plain, on the treeless hills, falling softly upon the Bog of Allen and, farther westward, softly falling into the dark mutinous Shannon waves. It was falling, too, upon every part of the lonely churchyard on the hill where Michael Furey lay buried. It lay thickly drifted on the crooked crosses and headstones, on the spears of the little gate, on the barren thorns. His soul swooned slowly as he heard the snow falling faintly through the universe and faintly falling, like the descent of their last end, upon all the living and the dead

James Joyce - Dubliners - The Dead