ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, maio 12, 2005



Deixem-me dizer-vos uma ou duas coisas acerca da minha família nuclear.
Acerca do meu pai e mãe.
Em meio a tanta conturbação relacinal que se testemunha, os meus pais criaram uma referência esperançosa. Mostraram como se aldraba o tempo, com truques e segredos que só a eles pertencem, e reinventam na sua simplicidade uma progressão de tempo quando a vida necessariamente entra em velocidade de cruzeiro.
A discordância apenas redundou em liberdade. Liberdade de pensamente nunca ausente de disciplina. Disciplina assente na idolatria do respeito e consideração pelo próximo.
Os meus pais estão juntos há 37 anos, e mostram com a graciosidade de quem teve uma sorte incontestável e gloriosa, que por vezes o impensável pode acontecer. Que duas pessoas existem melhorando apenas quem e o que está á sua volta, e em consequência disso nunca granjearam a aprovação ou o poder de outro tipo de conquistas.
Aos meus pais que me salvaram a vida em vários momentos de minutos feitos, e que ao fazê-lo mostraram que certas coisas não se aprendem. Os meus pais não se tornaram no que para mim foram e são. Eles existem como tal desde sempre. E falar de orgulho é fazer-lhe a parca justiça de quem os admira com mil perguntas a mais em cada mão, e tanta mais ignorância relativa á forma de (saber)viver.
Não agradeço vezes suficientes, porque não o sei fazer, e eles não merecem tão pouca justiça feita. Mas crio em mim a referência que me dão desde sempre, como uma espécie de lógica emocional da simplicidade dos afectos. Como aquilo que fazemos, porque gostamos, passa por uma medida de respeito até na discordância. No verdadeiro crescimento.
Por isso deixem-me dizer uma ou duas coisas acerca dos meus pais.
Quem me dera conseguir dizer-lhes na medida em que lhes fizesse justiça.
Quem me dera saber viver com metade da mestria que lhes sai natural, sendo quem são, e criando-me a esperança de que certas coisas são possíveis.
Não é essa a tarefa de qualquer pai?
Demonstrar que o que a vida poderia eventualmente ser?
Que o impo´ssível até acontece, de quando em vez?

2 comentários:

H disse...

Brilhante post.

Confesso que já pensei escrever sobre os meus pais, mas neste caso, é mesmo verdade que a emoção me tolda o pensamento, e não sai grande coisa...Um dia eu tento!!:-)

Abraço!

miss caipira disse...

Excelente, muito bonito, fico feliz por saber que há familias assim.