Dizem que uma vez divididos, não há nada a subtrair.
É um pouco como restabelecer a nossa identidade a partir das coisas que nos reconhecemos. Como prática onanista, padece precisamente do mesmo problema. A auto-suficiência, a longo prazo, é uma falácia.
Bem sei que existe uma espécie de louvor omnipresente à identidade e ao isolamento como formas de reforço da auto-confiança ou do valor próprio. Mas a verdade parece-me clara.
A outra face da auto-suficiencia é um corredor de fundo que cedo ou tarde apanha toda a gente. E ao fazê-lo, as conclusões, minadas pelo cansaço e silêncio, são toldadas até se tornarem um murmúrio inaudível.
E precisamente por isso que o protesto não é então ouvido, e tudo se precipita para um fim.
Feliz ou não, depende da reserva que não dividimos. Depende da ulterior massagem do futuro.
Depende de cada um, acho eu.
1 comentário:
A auto-sufuciência é uma mentira, ninguém é feliz no isolamento e na solidão. Quando muito, habitua-se, mal ou bem.
Mas é na partilha e na dádiva que crescemos e nos multiplicamos, as relações humanas não obedecem a princípios matemáticos imutáveis.
E é bom precisar de alguém, partilhar, não fechar ou sufocar afectos. :)
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