Os Milagres de Maio (fora de Fátima)
A propósito desta discussão e correndo o risco de alienar até algumas pessoas, tenho de esclarecer uma coisa.
Neste período pré-férias, os ginásios, incluindo o meu, enchem-se de pessoas que levam o optimismo às ultimas consequências. Não são gente com esperança, mas autênticos crentes no milagre a cada esquina. Falo da malta que entope o local onde um tipo anda a treinar o ano inteiro, mesmo naqueles dias de inverno em que eles enchiam a mula com chocolate quente e quejandos enquanto outros suavam o pouco possível para poder dar alguma saúde ao corpo.
Esses amigos têm a noção de que no espaço de um mês, a treinar mal e porcamente, aquele biquini da Giselle lhes vai assentar que nem uma luva. Julgam que a porcaria com que se entupiram o ano inteiro escorre juntamente com o suor vertido em duas ou três corridas e alguns pesos. E quando se pergunta a essa malta, durante o ano em que está frio e custa como a merda sair do trabalho e ir dar ao cacete, a razão pela qual não treinam, dizem que não têm tempo, têm mais o que fazer, que são preguiçosos, que estão muito bem assim e quem não gostar, azarinho.
Neste período pré-férias, os ginásios, incluindo o meu, enchem-se de pessoas que levam o optimismo às ultimas consequências. Não são gente com esperança, mas autênticos crentes no milagre a cada esquina. Falo da malta que entope o local onde um tipo anda a treinar o ano inteiro, mesmo naqueles dias de inverno em que eles enchiam a mula com chocolate quente e quejandos enquanto outros suavam o pouco possível para poder dar alguma saúde ao corpo.
Esses amigos têm a noção de que no espaço de um mês, a treinar mal e porcamente, aquele biquini da Giselle lhes vai assentar que nem uma luva. Julgam que a porcaria com que se entupiram o ano inteiro escorre juntamente com o suor vertido em duas ou três corridas e alguns pesos. E quando se pergunta a essa malta, durante o ano em que está frio e custa como a merda sair do trabalho e ir dar ao cacete, a razão pela qual não treinam, dizem que não têm tempo, têm mais o que fazer, que são preguiçosos, que estão muito bem assim e quem não gostar, azarinho.
E no entanto , em Maio, lá os encontro a todos na sala de ginásio, a impedir o uso das máquinas em tempo útil ao pessoal que efectivamente lá vai para treinar.
Lê-se naquelas caras uma genuina esperança de que um mês de treino, (durante o qual o corpo limita-se a olhar para cima e dizer " foda-se, agora é que te lembras, palhaço?") vá corrigir as curvas todas e salientar aquele aparelho muscular que fica tão bem com o modelito da estação.
Mas o milagre vai mais longe.
Estas espécies desaparecem do ginásio em fim de Junho, em direcção ás ansiadas, e não duvido, merecidas férias. O treino fica suspenso até ao próximo Maio, como é óbvio, e toca a enfardar que nem camelos novamente porque, caraças, afinal estão de férias e ninguém é de ferro. E em férias a malta até se pode exceder porque afinal, é festa e tal e o camandro...
Claro que os fatos de banho não servem, e aqueles que metem na cabeça que em um mês a coisa se regulou e ainda assim resolvem vestí-los, fazem uma figura interessante, como aqueles moços de barriga proeminente que resolvem vestir calções justos de malha de lycra. Um portento.
Ora esta pequena constatação tem dois intuitos.. bem, três.
1º - Deixem-me treinar em condições, porra!
2º - Na linha da discussão supra referida, existe uma grande diferença entre os excessos de peso por ausência de escolha, [ou seja, patologias físicas e psíquicas, falta de vil metal que permita a frequência de um local de prática desportiva ( se bem que existem alternativas, mas está bem), ou um estilo de vida não opcional que consuma cada segundo de tempo - profissional, familiar, etc. ], e as auto-induzidas por falta de vontade, preguiça, inércia, e sobretudo, uma falsa auto-aceitação de si mesmos que depois os impede de por os pés na praia porque, e cito, têm algum pudor em mostrar a trampa que fizeram durante o ano inteiro ao corpo.
Realmente é apenas mais uma diversificação do culto da desresponsabilização ou facilitismo, onde as tendências se baralham e as pessoas não se percebem a si mesmas. E digo isto porque quem se sente bem de uma certa maneira, fá-lo o ano inteiro, tenha mais ou menos roupa em cima. Não sofre alternâncias consoante a natureza o obrigue a mostrar perspectivas alternativas.
E a esses, que podendo, optam por simplesmente deixar-se chegar a um estado de falta de saúde ou auto-insatisfação por pura preguiça e mais nada, não me custa reputá-los de gorduchos, ou banhosos. Porque afinal de contas, quem o defende como uma escolha, deve ter até orgulho em que o reconheçamos, quer-me parecer.
3 - Comparo isto á aversão que também existe pelo fenómeno de aculturação, leia-se, ter algum caraças de algum interesse em alguma coisa. Pegar num livro sem ser para estudar, procurar ver coisas novas. Porque se o desenvolvimento da mente é tão bem visto, e com muita razão, porque ainda acaba por ser o mais importante, porque será que existe uma (falsa) despreocupação com o corpo, com a saúde que daí advém? Sim porque o corpo em forma melhora tantas coisas, desde o sexo (mais fôlego, força agilidade) ao simples prazer de movimentar-se e ter alegria na agilidade. Somos uma unidade compostas, feita de carne e alma. Pensar que qualquer uma delas é dispicienda em detrimento da outra, quando existe escolha, é dizer apenas meia verdade. É correr hipocritamente aos ginásios um mês antes da época balnear. É por o adoçantezinho no café, porque o açucar engorda, mesmo que se tenha comido meio cabrito antes, e não esquecer que em Portugal só se for com muito pão!
Em suma, o lugar comum do mens sana in corpore sano não é senão uma lógica que me parece evidente. Uma lógica que assenta num respeito da pessoa por si mesma, em querer ser cada vez melhor, e sentir-se de acordo com isso mesmo.
A escolha é aqui o factor decisivo. Porque ao escolhermos, traçamos um caminho. E se o fazemos, é porque queremos a maioria das consequências da mesma, julgo eu.
Por isso, amigos, por favor, deixem-me treinar como deve de ser, e tratem de vocês.
Se não quiserem, é legítimo, mas não se queixem depois, porque precludem essa hipótese por mão própria. Enfardem como quiserem, mas assumam a escolha ao fazê-lo. É um direito que toda a gente tem, e ainda bem por isso.
Desporto é saúde, é alegria, e sobretudo, é crescimento enquanto pessoa, porque o corpo também é quem somos, e uma extensão magnífica no romance com todos os fenómenos do mundo.
No fundo, sermos nós próprios em todos os aspectos, e viver de acordo com isso mesmo.
Mais felizes, espero.
12 comentários:
Em grande Stephen!!! My point exactly quando ataco as gordas. E vê-las de manhã na pastelaria, roliças e sebosas, com o saco da "Ella Lingerie" na mão com os iogurtes para os vários lancher, a tomar café com adoçante e a comer um palmier recheado? É de ir às lágrimas!!!!
Este post dava pano para mangas... mas vou tentar resumir. Tenho peso a mais, mas já tive um peso francamente excessivo. Com muita força de vontade e disciplina reeduquei-me e reaprendi a alimentar-me. Sei que por questões de saúde e não meramente estéticas tenho que praticar desporto. Só agora tenho o peso mais indicado e disposição para iniciar uma actividade desportiva, mas adiei para setembro a inscrição num ginásio simplesmente por não querer ser confundida com essa leva dos desportistas de véspera de verão.
Sou preguiçosa, sim senhor. Vai-me custar, mas vou pôr-me a mexer. Mas por mim, pela minha saúde e não por ideais estéticos ou potencial deleite de quem me olha. Porque me estou cagando para os ideais estéticos da maioria, porque se não sirvo por não corresponder a um padrão de beleza então podem arrepiar caminho que para mim também não servem.
E mainada.
Também censuro o desleixo e a hipocrisia de quem se trata como descreves, mas atenção, cada pessoa é uma história diferente.
E aqui há 100 anos as mulheres de Rembrant é que era... cuidado com os seguidismos da moda do fitness, não é preciso exagerar!
Lisa:
Concordo. Cada caso é um caso. Mas tu, como sabes, não te enquadras na critica aqui feita, porque a mesma é destinada a quem, ao contrário de ti, tem escolha e nada faz, nem sequer por si mesmo. E falo de homens e mulheres, porque os casos mais gritantes que conheço até são masculinos. A cerveja é implacável, por exemplo.
O que se critica aqui não é a forma que as pessoas têm, mas o facto de estarem ou não satisfeitas com ela, e como se comportam de acordo com os objectivos que possam ter.
É um pouco como quem insiste em permanecer ignorante e deixar o mundo lá fora, porque se recusa a ler, e depois dá consigo a lamentar a ausência de comunicação. Somos unidades compostas. Temos de agir em direcção ao que, como bem disseste, é melhor para nós. E se no caminho também melhorarmos a nossa imagem exterior, então é um brinde.
Mas basicamente, estamos ambos de acordo, certo? :)
Beijinhos
Bird, já tinhamos até falado nisso num dos nossos jantares, recordas? :)
Grande Abraço!!!!
A mãozinha dada a palmatória... Claro que o ideal e praticar desporto todo o ano, e é isso que tento fazer, mas sem dúvida que as portas do verão e da praia, a ansia de perfeição aumenta e leva a mais visitas ao ginásio e maior afluência. Não me parece nada de anormal, se bem que lamentável. ;)
Como te compreendo!!!! às vezes até apetece gritar "SAI DAI, QUERO TREINAR". Mas temos que compreender que o efeito psicologico para essas pessoas deve ser optimo....
Claro que nada disto preclude a ideia de que cada um faz o que lhe der na real gana. Mas a coerência nunca fez mal nenhuma a ninguém. :)
Pois eu compreendo as pessoas. Já tentei várias vezes ter uma actividade desportiva continuada e não consigo... perco a motivação com facilidade porque não tiro prazer algum daquilo. Nunca o fiz para perder peso, nem a um mês do verão - fui abençoada pela natureza ;) - mas para me sentir mais em forma.
E se as pessoas que fazem esse tipo de coisa, andam o resto do ano a dizer que não se importam... a maior parte das vezes dizem-no mas não o sentem...
Ora lá está.
Cada um encontra a sua motivação e vive com ela. Assim como a sua escolha. A mim o que me dá vontade de rir são as falsas formas de auto-aceitação, como uma espécie de móbil para a preguiça, quando se poderia ser de outra forma, simplesmente através de mais movimento.
Só isso.
Suponho que tens razão. De facto, acho que tens mesmo razão. Mas se digo que compreendo é porque sei (e acho que todos sabemos) como, às vezes, é díficil fazer as coisas que estão certas. Em quantas situações da vida sabemos exactamente qual a opção certa e não a escolhemos? Por comodismo, por facilitismo, por medo de falhar, por, por, por.....
Mas não sendo esta uma opção de momento, mas sim com tendência a prolongar-se no tempo... Dá que pensar na razão da persistência pela modorra...
Pois, eu preguiçosa me confesso:
Detesto ginásios. Não tenho pachorra para gajos insuflados e gajas aos berros, muito obrigada, mas passo a vez.
No entanto, sendo verdade que gosto de ir á praia com tudo no sitio, sou daquelas que acordam em Março e lá vou tonificando alguma coisa com passeios a pé pela serra de sintra.
Nesse sentido, percebo que outros bichos da preguiça como eu o façam no ginásio. É mais psicologico que outra coisa. A verdade é que nunca se consegue ficar em forma em 2 meses. Mas.... A esperança é sempre a ultima a morrer, e quase sempre morre de pé.
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