Um dos grandes problemas, e que sinceramente, obstam a que as relações entre as pessoas conheçam momentos mais risonhos, prende-se com a incapacidade de ajeitar a vingança ao crime cometido. A impunidade faz com que a infecção perdure, e a dor se torne viciada, antiga, traiçoeira. E essa impunidade vive na mente enquanto a esperança de retracção lá se mantiver. De nada adianta esquecer as falhas com que nos alvejam, se o senso de correcção não for minimamente restítuido.
É por isso que uma mão erguida no ar, em jeito de pedido de desculpas faz toda a diferença ao transformar o atrasado mental a quem somos capazes de abrir o crânio porque cruzou a faixa sem pisca, num tipo que, coitado, estava distraído e vendo a merda que fez, tenta remediá-la da única forma possível.
Parece simples, mas imaginem num segundo a quantidade de situações em que este gesto não é executado, e no que isso deriva. E depois certo tipo de raiva já não parece tão inexplicável...
1 comentário:
Soberbo texto!
"Caberia" em qualquer campanha alusiva ao dia que recentemente se celebrou.
E tudo se resume a colocarmo-nos na pele dos cromos, quando os cromos... somos nós!
Um abraço!
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