ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, junho 22, 2005





Eu, superficial do hedonismo de silhueta me confesso(?)
A propósito das discussões já tidas aqui, aqui e aqui acerca do tema, tenho de fazer um esclarecimento, antes de deixar transparecer uma ideia que não corresponda à realidade.
Afinal de contas, qual é o papel na expressão física das pessoas naquilo que são os mecanismos de atracção e consequente afeição gerada? Até que ponto o nosso corpo representa um papel fundamental na dinâmica relacional das pessoas, desde o ponto anterior ao conhecimento até á constância de um relacionamento, seja lá ele de que espécie for - um dia, duas horas, uma semana, uma vida.
E esperando a previsível zurzidela, vou desde já estabelecer uma ponto fundamental. A harmonia mínima é fundamental. Sim, eu sei, o que raios vem a ser a harmonia minima, e a beleza está nos olhos do observador, e tal, e coiso e o camandro.
Harmonia mínima. Um elemento de beleza corporal que permite a visualização da sensualidade como a entendo. A harmonia de que falava o Vinicius, aquela superfície que apetece tocar, aquele desnudar de uma pequena parcela que transforma a imaginação e a incrementa. O levantar da saia que mostra o mundo, nas palavras de Dave Matthews (*).
Talvez eu tenha um elemento de superficialidade que me leva a tomar determinados tipos de opções inconscientes, e me levem a sentir determinadas pulsões somente quando o tal elemento de harmonia está presente. Talvez eu até me envergonhe um pouco ao sentir que só experimento a atracção devida por mulheres que tragam consigo esse elemento minimo de harmonia, a tradução em silhueta de uma insinuação sensual que gera desejo.
Mas algumas coisas têm de ser esclarecidas.
Quando se fala em harmonia, falamos num computo geral. O que significa que a parcela mental, constituida por toda a sensualidade da atitude, da inteligência, do sarcasmo, da meiguice, da generosidade de capacidade criativa - é absolutamente fundamental! Imprescindível.
Mas não julgo obviamente que tudo opera por mecanismos substitutivos. Um corpo fabuloso não substitui a capacidade de colocar a piada genial no momento certo, assim como a maior das capacidades intelectuais e afectivas não geram o desejo através de uma total discordância com a necessidade de um um juizo estético mínimo. Desejo é forma e substância. Nem só uma coisa, nem somente outra. É o equilibrio. Pelo menos mínimo!
Porque como é evidente, não é perfeição que se pede. Não estamos a falar na dita beleza traduzida em construções à lá Top Model, por um lado, e a capacidade e elucubração e de um Umberto Eco ou uma Harper Lee.
Trata-se tão somente da possibilidade de reconhecer a beleza que nos cative nos dois universos que constituem a pessoa.
É a silhueta falante, uma pele que toca porque as duas dimensões, física e psíquica, já há muito que se fundiram, tornado impossível a dissociação.
Se isto faz de mim uma pessoa superficial, então não tenho outro remédio senão enfiar a carapuça e meter a viola no saco. Encontro-me algures perdido então entre a tradução física de um arquétipo minimo, e sua vivência feita de uma sensualidade inteligente, agressiva e generosa. Em termos mais soltos, mulher "boa" e inteligente q.b. - que me desculpem os mais sensíveis.
Sei que não é muito politicamente correcto, mas é a verdade, e qualquer melindre que isso possa comportar para alguém, contra mim reverte, porque até provavelmente sofro os efeitos da aplicação do meu próprio conceito.
No entanto, julgo que não é demais ser exigente se estivermos de acordo connosco. E essencialmente se acharmos que temos para dar aquilo que pedimos. É uma questão de coerência e mesmo generosidade perante o outro. Queremos dar-lhe o melhor, porque achamos que é precisamente isso que ele nos proporciona ao nivel dos juizos estético e emocional.
É nessa linha que também me insurjo contra a chamada "bandalheira" pós-relação. Aquela ideia que assenta numa espécie de imobilidade porque se cria a noção do "já está". O já está caçado/a, preso/a, assente.
Descura-se o corpo porque "é normal depois de casar". Deixam-se de ter pulsões criativas relativamente aquela pessoa porque "é normal que amaine numa relação". Deixa-se de inventar formas de gostar e surpreender porque " é normal que outros assuntos se sobreponham".
Claro. E depois é normal que as pessoas se separem, se desinteressem, se anulem.
E o corpo, a essência física, é apenas mais um elemento dessa panóplia, mas nunca, em circunstância alguma, se torna despicienda.
Pelo menos na minha forma de ver e sentir as coisas.
Espero ter esclarecido. :)
(*) "Hike up your skirt a little more
show the world to me
in this boy's dream "
Crash - 1996

5 comentários:

Lisa disse...

Nada a opor, e nem me alargo - é que hoje estou mesmo cansada e ainda nem almocei.
É que eu amo o todo, mesmo nas partes mais feínhas. E estas talvez mais ainda, pois são elas que nos demonstram que é gente que está ali, não um sonho, não uma elaboração nossa, egoísta.
Eu amo gente. Pelo que é, tal como é.

miss caipira disse...

(aplausos barulhentos).
é isso mesmo King. Uma relação é um todo, e que tem de ser apimentada todos os dias, renovada, mimada e trabalhada. Só assim resulta.
O culto do corpo é bom e necessário porque transmite ao mundo o que pensamos sobre nós proprios. O exagero é que é sempre prejudicial.
A beleza, esta, está nos olhos de quem a vê.

miss caipira disse...

Bjinhos (empolguei-me, desculpa) e Bom dia

Lisa disse...

Nem a propósito - estou aqui a ouvir uma musiquita dos Morcheeba: 'women loose weight'.
'the only thing left for me to do is to kill her' :D e tb :P

L'enfant Terrible disse...

We're not alone :).