Nunca é demais dar a mão á palmatória quando se está errado. Bem sei que algumas pessoas têm alergia a dar o braço a torcer, e há até quem julgue "encantador" essa característica. Como se teimosia e convicção fossem uma e a mesma coisa. Para dar um exemplo, eu até sou um tipo mais chegado à esquerda ( às pessoas, portanto), mas não posso de forma nenhuma pactuar com elogios feitos a Estaline ou a sugestão de que a Coreia do Norte é uma democracia. São aspectos da história e realidade social que não estão sujeitos a qualquer espécie de interpretação criativa que não revele facciosismo ou burrice disfarçada de ideologia.
Por isso sei que, no curso dos últimos tempos, tenho falhado com algumas pessoas. Pessoas que de alguma forma o tempo foi deixando para trás. E quando não era o tempo, era uma etapa a espaços aparentemente instransponível que me tolhia os movimentos.
Mas ao contrário do que se julga, estamos sempre a tempo. Bem sei que as pessoas acabam por aceitar o desisteresse, o sofrido e infligido como um facto da vida social e suas condicionantes. Para mim tem uma designação diferente - preguiça e os perigos do pragmatismo.
E tendo em conta que tenho cidadãos recém - chegados ao planeta para ver, conversas a manter e reatar, decisões a tomar, pessoas a conhecer, rostos a rever, oportunidades a criar e fôlego a recuperar, deixo no ar uma ideia orgulhosamente agnóstica. A admissão do erro que a passagem do tempo criou.
Em ultima análise, tudo depende de cada um de nós.
A aleatoriedade até nos pode dar uma mão de quando em vez, mas para quem não tem nada de transcendental a cuidar de si, pelo menos que reconheça, resta a percepção clara perante os jogos de força que nos trazem as opções.
À semelhança de tantas pessoas, não faço ideia do que por aí vem, mas farei com que dependa ao máximo do meu esforço e intervenção, da minha identificação enquanto pessoa com valores, conceitos e ideias.
A sorte se quiser que apareça.
Mas não se pode depender dela.
1 comentário:
Gostei muito deste texto. Eu penso que é sempre necessário falar com os outros, mesmo quando não concordamos.
Também acho que há formas de falar. Um diálogo de ideias não deve ser agressivo. Tebho muitos amigos que bão alinham ideologicamente como eu - isso não faz de nós menos amigos.
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