O furto de certas formas de inocência, não está necessariamente preso aos dias de adolescencia mal preparada.Assim como a auto-confiança vem de uma crença própria, nascida muitas vezes no seio de dores importantes e complicadas, a inocência não é produto de ausência de conhecimento.
É apenas algo frágil, mas extremamente maleável. É como um molusco preso por uma membrana suave a uma rocha milenar. E fica ali, muitas vezes ao sabor do embate de ondas infelizes e rancorosas. Segura-se, improvável, quase eternizada, como uma canção doce. Até que um dia se solta. Uma onda maior que as outras, nunca vista naquelas águas, faz com que desista e se solte, deslizando resignada para dentro do turbilhão de água revolta.
É uma espécie de fábula da renúncia. É a lambidela áspera do corte na pele, uma mão impossivelmente persistente que larga a beira do precipicio. E no entanto a água embala-a, afogada, mas estranhamente grávida. Cheia das promessas de renovação que só nova rocha, e nova onda, podem fixar. Até que a mão flexível consiga novo poiso. Mas de tão raro que se torna, raramente se avista. O mar dificilmente produz duas ondas iguais.
1 comentário:
So true.
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