O maior truque das afeições e estados emocionais verdadeiros é convencer os seus destinatários da imortalidade dos seus efeitos.
A Amizade consegue fazê-lo. Tempos infindos podem passar sob o signo da real e verdadeira troca de essencias, porque simplesmente não existe fogo a nublar as ideias ou expectativas. Mais que convencer, consegue cumprir.
O Amor, em raríssimas ( esta não era a minha primeira opção na escolha de termos) ocasiões, tem esta ultia virtude. Mas é o melhor vendedor de ideias, certezas e conceitos do universo, ainda que seja tão transparente como os unguentos mágicos dos vendedores de banha da cobra.
No entanto, a relutância em abandonar essa perspectiva tem o significado de qualquer entrega real. Nem que seja ao conceito.
A razão pela qual não creio em cinismo absoluto, é precisamente pela lógica de contradicção que lhe assiste. É uma denúncia, e essa denúncia pressupõe a perspectiva de uma solução alternativa. A falta de compromisso com o negrume está assente na incapacidade de aceitar os seus efeitos. Será que o Diabo não se queima quando está no seu próprio inferno? Eu aposto que não. Mas o maior atributo desse personagem, foi convencer toda a gente que não existia. Torna-se possivel conceber o argumento cartesiano ao contrário, julgo eu.
E digo isto porque nunca me senti tão próximo á denúncia, tão critico dos seus efeitos, e tão explorador da sua refutação.
Podemos ser melhores.
Não me lixem...
2 comentários:
Gosto bastante do que escreves. Por outro lado, tenho muitas dificuldades em ler. Este vermelho mata-me. Suponho que gostes, mas olha que é uma provação. Pronto, fica a reclamação.
Isabela, vou tentar mudar para uma cor mais simpática á leitura. O efeito de cor é bom, mas realmente custa a ler. Fica desde já registado :)
Publicar um comentário