O problema nunca é errar. As pessoas fazem asneira a torto e a direito, por razões mais ou menos válidas. Sermos imperfeitos tem a graça já conhecida e debatida, e muitas vezes deriva da confluência algo descompensada de paixões e racionalidades. Tal caldeirada por vezes estraga-se e damos connosco a meter o pé na real poça.
É persistir no erro, como uma espécie de atitude bipartida, que consiste no problema. Não é cair no lago sem saber nadar, mas ficar lá a chafurdar mesmo sabendo que se tem pé.
Claro que existem vários problemas, como a questão do orgulho, do medo que a nossa perspectiva perante as pessoas que maltratamos ou perante as quais errámos tenha ficado de tal forma danificada que qualquer tentativa de reparação conduziria a resultados piores.
Dar o braço a torcer, como a própria imagem popular indica, dói. Coloca-nos numa posição de fragilidade, na qual é preciso reconher que os nossos esforços para sermos uns tipos porreiros também sofrem de insuficiência, e por conseguinte, também somos capazes de ser maldosos, injustos, traidores, etc.
Mas não errar, além de uma utopia que sinceramente deve ser uma estopada do caraças, é extremamente difícil, e pressupõe uma perfeição descaracterizada. Sermos circulos fechados dentro de circulos, (sem analogias hegelianas que a malta aqui é do clube do Kant) e por isso finitos em algumas das nossas caracteristicas, é o que nos torna diferenciados. Talvez únicos.
É necessário pensar que algumas das grande demandas do mundo, de produção literária ou não, pressupõem a correcção de uma falha, a reconstrução de um sonho ou a chamada redenção ou expiação.
Basta pensar da demanda de Hércules, Schindler, Andy Dufresne, etc...
Quanto muito, o que é exigível, é que tentemos o mais possível não fazer mal a nada ou ninguém. Simultaneamente, chegar á conclusão que nunca conseguiremos fazer isso de forma completa e absoluta, e julgar que a nossa capacidade de aprender com erros, e sobretudo tentar corrigi-los é um dos maiores argumentos que temos.
Afinal de contas, como já dizia alguém que não me recordo, divino é aquele que sabe ser humano.
Melhor ainda é assumi-lo, e tentar reparar com a honestidade e emoção possíveis aquilo que foi mal feito.
"Hell is yourself and the only redemption is when a person puts himself aside to feel deeply for another person."
Tennessee Williams
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