ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, julho 29, 2005

Ao sol que espreita só lhe digo isto.
A luz dos dias também é feita de corpos menos que celestes, que se movem sem explicação.
A POESIA DO ENTOMÓLOGO ( OU BOTÂNICO?)


John Laroche Says:

"Point is, what's so wonderful is that every one of these flowers has a specific relationship with the insect that pollinates it. There's a certain orchid look exactly like a certain insect so the insect is drawn to this flower, its double, its soul mate, and wants nothing more than to make love to it. And after the insect flies off, spots another soul-mate flower and makes love to it, thus pollinating it. And neither the flower nor the insect will ever understand the significance of their lovemaking. I mean, how could they know that because of their little dance the world lives? But it does. By simply doing what they're designed to do, something large and magnificent happens. In this sense they show us how to live - how the only barometer you have is your heart. How, when you spot your flower, you can't let anything get in your way."

Charlie Kauffman "Adaptation"
Por vezes é impressionante verificar a quantidade de sentimentos diferentes que podemos abarcar numa só porção da nossa reserva mental.
Mesmo quando estamos exaustos, é interessante verificar até que ponto a natureza de alguém nunca muda, mas sofre processos de transformação. Até que ponto somos teimosos na verificação da importância do contributo de outros.
A luz está acesa.
O futuro é diário.




Fracas Palavras por um Amigo que não salvei...

Os amigos não vão.
Eles ficam.
As memórias também não.
Nem o que significam.
O tempo não ajuda
Ao contrário da crença
A ausência não muda
Porque havia pertença
A mágoa permanece
A ira pelo desconhecido do porquê
A imagem pára, mas não fenece
Os amigos não vão, será que ninguém vê?

quinta-feira, julho 28, 2005

Por vezes não entendemos nada de nada.
E depois entendemos ainda menos...
Não há energia para dizer nada.
É como o céu.
Um cinzento cor de nada.
Dormir. Só dormir.

quarta-feira, julho 27, 2005

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A Solução de Aracne.
Aquilo que em nós perdura, ou tende a perdurar, é forçosamente entendido como algo que nos é permitido manter. Dito assim, parece quase uma inexplicável atribuição de poder a alguém que nos é exterior. É a rendição de um estado mental a um poder, por vezes até involuntário, que alguém detém sobre outrem.
No entanto, se pensarmos um pouco sobre os legados que qualquer experiência deixa, surgem algumas questões. Por um lado, a vida da nossa criação, emocional por exemplo, pode ser castrada por entendimentos diversos ou pela falta de lógica que assiste ao medo pelos desejos realizados. Por outro, existe sempre algo após uma experiência emocional que reflete o desejo alheio de alguma coisa perdure. Que fique e não mude.
Claro que isso pode prender-se com um desejo honestamente preocupado com manutenção de uma personalidade, mas a mais das vezes é apenas uma forma de amainar as manifestações de culpa e compaixão que acompanham aqueles que transformam a realidade em legado. Torna-se necessário para algumas pessoas perceber que não foram os causadores da transformação inoperável de uma qualquer personalidade, e para tal, tentam manter o legado a todo o custo. Um pouco como se a morte não roubasse o produto gerado por aquela personalidade.
Quando algumas pessoas insistem na amizade "pós-stress-pós-traumatico-relacional" ( chiça!), estão no fundo a dar-nos a teia quando fomos feitos para construir o tecido. Há uma compungência que quase se permite justificar a liberdade mal explicada. A mesma que perdura no tempo como uma espécie de remédio subsidiário. É, de alguma forma, uma cobardia elegante, mas à qual ninguém está subtraído nas suas andanças de vida.
Porque afinal de contas, ninguém quer ser responsável pela perda de um real talento ou singularidade numa outra pessoa. E nem o egoísmo cala a trompeta da dúvida quando é tempo de verificar o cenário do pós-guerra.
Por isso não é raro ouvir-se que as pessoas mudam no rescaldo dos seus respectivos infernos.
A força e constância de personalidade que admiram naqueles que se recuperam é apenas mais um lençol feito teia. É como olhar para um país destroçado e ver os esforços de recuperação e reconstrução apesar de qualquer catástrofe. Alguns mandam suprimentos e ajuda. Mas as alterações, o tempo consumido e as pequenas mortes dos detalhes importantes mantêm-se.
Como a teia em que o próprio tecelão se enreda, esperando que a malha algum dia seja pequena o suficiente para voltar a ser tecido.
Em bom rigor, a questão mantém-se.
Se as pessoas se mantêm as mesmas, ou se o desejo é que se mantenham assim o mais possível, qual a razão para o justificar, a partir do momento em que se trata dessa manutenção que não basta, não chega, não serve?
Porque a teia é bonita, mas o seu propósito parece ser prender aqueles que não se querem dar a alimentar.





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No museu erótico de Barcelona, (duas salitas com alguns quadros e artefactos interessantes que constituiram uma decepçãonão em termos da qualidade dos mesmos, mas da dimensão do dito museu), vi e retratei este abraço africano.
A estatueta é fantástica, e fazia parte de uma série de objectos que elucidavam uma preocupação com o retrato do quotidiano sexual como elemento imprescindível da vida de qualquer civilização em qualquer tempo ou espaço.
Em religiões ou cultos antigos,
a sexualidade chega a ter mais história que qualquer forma de organização politico social.
Por isso qualquer menção ao chamado "controlo" ou "decência" que não parta do livre arbítrio da pessoa é uma perfeita aberração, própria dos mecanismos de castração e exercício de poder por parte de certos sectores da sociedade.
A apologia que se possa fazer ao sexo deriva da impensável miríade de ideias, sugestões e fantasias que provocam na psique humana. É um dos maiores impulsionadores de criação artística (que o diga Balzac), e estende-se muito para além da sua dimensão física.
O sexo, ou sexualidade, é uma forma de estar na qual se trinca muitos segundos da vida para se descobrir o interior de um fruto sumarento e viciante. Significa que o milagre do corpo e a fonte sensorial que acabamos por ser, se torna possível numa expressão viva e dinâmica.
Diz o lugar comum que é comunicação na sua forma mais pura.
Eu cá arrisco a dizer que é a comunicação possível quando todas as outras falham na procura da intensidade de um conceito nascido e criado nas mais variadas formas de desejo. E está num centímetro de pele, numa palavra, numa imagem criada no escuro.
Não se "faz sexo".
É-se sexual.
E isso faz toda a diferença

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O silêncio que aqui se pôde ouvir, era apenas uma tradução do milagre da natureza de um paraíso perdido algures no parque natural da serra do Alvão.
A imagem é uma pobre desculpa de simulacro, eu sei, mas no toque suave da natureza estava a imensidão do seu conceito.
Pelo menos assim me contavam os penhascos.

terça-feira, julho 26, 2005

Há dias empenhei-me...
Eis o que me espera na cabeceira:


Bono por Bono , de Michka Assayas - Sempre quis ler uma biografia do moço. Espero que seja boa. Estou especialmente interessado em saber o que ele dirá sobre a fase "Zoo (cínica) TV"


American Gods e Neverwhere, do grande Neil Gaiman - Depois de ter andado pelo maravilhoso universo de Sandman , chego aos romances do rapaz. Se a qualidade se mantiver, esperam-me duas excelentes viagens. Junto a Allan Moore, é um dos autores de imaginação mais irrestrita que tive a oportunidade de ler até hoje.


Jonathan Strange & Mr. Norrell , de Susanna Clarke. Há quem diga que é o melhor romance fantástico desde o Senhor dos Anéis. A crítica parece rendida. Vamos lá ver que pasa.


Hell House , de Richard Matheson, o senhor responsável pelo argumento do primeiro filme de Steven Spielberg - "Duel". Aquele do carro que é perseguido pelo camião através de estradas no deserto. Deste senhor já li "I Am Legend" e adorei, recomendando a todos aqueles que desejem mergulhar em páginas de puro medo e um ensaio sobre a solidão daí decorrente.
E o tão propalado FAHRENHEIT 451 do grande Ray Bradbury, que será provavelmente o primeiro da lista.
Cá vou!
( E ainda tenho lá "A Luz em Agosto, do William Faulkner, e "Morality Play" de Barry Unsworth - E o tempo, caraças? Onde anda o tempo???)
Se não me engano, esta é a imagem do "Shinning" de Stanley Kubrick, filme adaptado de um dos melhores romances de Stephen King.
Um dos meus livros preferidos, levado a cena de forma absolutamente arrasadora num dos meus filmes preferidos.
(Miguel, o Jack esta no canto inferior esquerdo, onde se pode ler "Overlook Hotel".)
Beijos e olhos não mentem.
Pelo menos nunca ao mesmo tempo.
Há algo no fio divisorio das costas, e num cabelo que por elas cai, que desafia toda a lógica de enquadramento anatómico objectivo.
As costas de uma mulher são território de um imaginário ainda mal explorado.
Lindíssimo, diga-se...

segunda-feira, julho 25, 2005

Por vezes é nos teus olhos que não existem, que reside todo o desespero de todas as coisas silenciosas. Nas noites que não se desligam.
No péssimo hábito de perguntar o que já se sabe.
E no tempo que se arrasta.
É o teu conceito que não tem nome.
Luz é radiação electromagnética com um comprimento de onda que é visível ao olho, ou num sentido mais geral, qualquer radiação electromagnética que se situa entre as gamas infravermelho e ultravioleta. As três grandezas físicas básicas da luz (e de toda a radiação electromagnética) são: brilho, cor, e polarização.
Devido à dualidade onda-partícula, a luz exibe simultaneamente propriedades quer de ondas quer de partículas.

Um raio de luz é a representação da trajectória da luz em determinado espaço, e sua representação indica de onde a luz sai (fonte) e para onde ela se dirige. O conceito de raio de luz foi introduzido por Alhazen. Propagando-se em meio homogéneo, a luz sempre percorre trajectórias rectilíneas; somente em meios não-homogéneos é que a luz pode descrever "curva".
Não senhor....
A luz não é nada disto.
É muito mais...
Hoje em dia tenho 3 Moleskine.
Este de onde vos escrevo agora, um outro no qual a minha caligrafia dá o ar da sua real e imensa desgraça, e um terceiro.
Esse terceiro é um contador de passos. É provar a chegada a um destino, sem mapa, sem lógica, tendo apenas como linha condutora o que talvez sempre tenha existido. Estou sempre a actualizá-lo, mesmo sem saber.
Não é imaginado. Como um incêndio florestal, só nas cinzas se vêm os reais danos.

sábado, julho 23, 2005

Daqui, ( Mondim de Basto) com dois artistas convidados.
Muito em breve de volta ás lides, com algumas fotografias de um dos multiplos paraísos perdidos em Portugal.



Abraços
SK

quinta-feira, julho 21, 2005

Serendipity é um conceito difícil de traduzir não apenas em termos linguísticos, mas especialmente no plano da realidade.
Será que realmente podemos ter a noção de que um acaso pode fazer toda a diferença?
De que tudo pode não passar de sorte?
Podemos realmente ter a noção de que viajamos, mas não conduzimos de todo o veículo?
Por alguma razão isso soa-me a algo alarmante...

Ideia via
Charlotte

"A protecção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos."

Victor Hugo

"Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam."

Pablo Neruda

Para mim, agnóstico como sou, entendo que um amigo real, faz com que a necessidade solitária que criou um Deus imaterial e sempre companheiro, produtor de esperança, seja desnecessária. Um amigo real, o milésimo homem ou mulher, é quem preenche esse vazio.
É quem cá está, mesmo quando não damos por isso, é quem vê, mesmo quando não mostramos, é a palavra certa acerca daquilo que nunca confessámos ou partilhámos. Assim sendo, seja feita a justiça a quem o disse de forma superior, a amizade é a incondicionalidade de um estado de afeição.
É a renuncia nunca esperada, alguém que vê em nós uma missão sem qualquer objectivo imediato.
Era também alguém que abanava a cauda e reclamava um toque simples. Parecendo sorrir.


Amanhã estarei aqui.

Se existir um Deus, chama-se Natureza.
A Terra da Liberdade, ou a palhaçada Republicana do costume...

Que futuro para
eles?




Ainda por cima o narrador é o Morgan Freeman...

Para quando a estréia?
O meu pai disse-me ontem que estava cada vez mais parecido com ele e com o meu irmão.

Só mesmo a família para nos desejar o melhor, apesar das diferenças crassas e evidentes.

I should be so lucky dad....
Algumas pessoas envergonham-nos pela boa vontade com que abraçam o mundo.
O sorriso, a total falta de má vontade.

Algumas pessoas fazem com que o cinismo recém-despontado se encaracole como um insecto peçonhento e fique sossegado na presença de uma tal alegria pela vida e o optimismo.

Uma dessas pessoas fez anos ontem. Está
aqui.
E embora não tenha podido dar-lhe os parabéns pessoalmente, espero poder compensar a minha falta.

No outro dia, numa conversa mais ou menos acesa levada a cabo numa mesa de almoço, discutia-se qual o pior papel. O da pessoa que abandona um relacionamento, ou daquela que é abandonada.
E ouviam-se opiniões fervorosas na defesa de que o pior papel cabe a quem abandona, porque além da dor da fractura, carrega consigo a responsabilidade da sua génese. No fundo, torna-se um Sísifo tremendamente infeliz.
Sinceramente, esta é uma daquelas tretas próprias de quem tem a consciência pesada por algum feito no passado. Todos nós já estivemos de ambos os lados, julgo eu, e sabemos perfeitamente que por mais complicada que seja a tarefa de carregar a responsabilidade, é a possibilidade de escolha que limpa qualquer mal estar que possa ficar, ainda que residualmente.
Para quem sai, quem se evade, a lógica da liberdade pela qual se opta, surge como um argumento genérico. É a vontade dessa pessoa que está a ser levada a cabo. Por isso toda e qualquer complicação surgida nesse processo significa apenas uma consequência necessária de certas escolhas. E normalmente são consequências merecidas.
É algo próprio da natureza humana, julgo eu.
Conseguir limpar a memória do sofrimento alheio pela aquisição de um estado de liberdade novo.
Não está eivado de culpa. Afinal, os caminhos são o que são, e as pessoas sentem apenas que têm de os trilhar, sob pena de se condenarem a uma morte aparente.
Mas desenganem-se.
As pessoas que saem sentem-se mal pela consciência. Não pelo mal infligido a quem quer que seja. Sentem-se mal porque se colocam na figura do carrasco, e isso retira-lhes o ar completamente puro á sua liberdade. Sentem-se mal porque sabem perfeitamente que esse sentimento desaparecerá, ao passo que do outro lado fica durante o tempo suficiente para desencadear pequenas mortes e marcas indeléveis.
É triste que a natureza das atitudes das pessoas, das suas escolhas e sentimentos as levem a conseguir ignorar de forma natural o Inferno que fica para trás. Todos nós já o fizemos a certa altura, e bem vistas as coisas, pode dizer-se que passamos pelo Inferno talvez porque já o tenhamos sido. Há quem veja nisto o equilibrio natural de uma malfadada pulsão intelectual que a Natureza nos legou enquanto seres racionais, mas também emocionais.
E emergimos desse ciclo onde a regeneração se torna possível, apenas para entregar mais um pedaço do inviolável a uma suave dentada de cinismo e desespero.
Emergimos livres, prontos a progredir, mas nunca mais se é o mesmo.
Quer se saia, quer se fique.
ARRASTINHO...
Eu gostava de saber onde andam os ilustres comentadores que se indignaram tanto à distância antes de conhecerem os factos.

Aqueles que nem sequer estiveram na praia em questão, mas que automaticamente engoliram a história do enxame de quinhentos meliantes que terá invadido a praia de Carcavelos.
O silêncio fala por si, assim como o relatório da PSP.
Claro que existirão esforços monumentais, especialmente daqueles que não puseram lá os cotos, em comprovar que tudo não passa de distorção de informação. O que é engraçado nestes artistas, é que aceitavam os 500 como a versão da verdade sólida, e tudo o que pusesse em causa a sua concepção de certos estractos sociais não passava de manipulação informativa de uma qualquer suposta esquerda.
O que estes amigos também não entendem é que ninguém põe em causa os problemas de segurança que existem, nem sequer uma política mais exigente ao nivel dessa mesma segurança.
O que se põe em causa são os preconceitos, a falácia e sobretudo a lógica da desresponsabilização da sociedade pelas suas faces negras, ou não fosse ela própria a produtora do seu desequilíbrio.
Sem segurança não existe Estado de Direito.
Com preconceito institucionalizado, muito menos.
(Re)começa a palhaçada

Começam as vítimas dos delitos de opinião própria. Campos e Cunha foi o primeiro.


Tudo normal no reino da Dinamarca, infelizmente...

quarta-feira, julho 20, 2005

Vi o "Closer".

E tendo em conta polémicas recentes entre frangos e bombas, escreverei algo sobre o assunto em breve.
VERDADE UNIVERSAL

"A grande infelicidade do Homem é que este não possui nenhum orgão, nenhuma espécie de pálpebra ou travão, para mascarar ou bloquear um ou todos os pensamentos sempre que deseja fazê-lo."

Paul Valery
Por vezes a vida parece um sonho dentro de um sonho, já lá dizia o Poe.
Por vezes é o silêncio que se instala o verdadeiro produtor dessa atmosfera de perspectivas trocadas e pouco coerentes.
E como os espaços parecem infindos sem aqueles que lhes davam vida.

terça-feira, julho 19, 2005

"When anger rises, think of the consequences."

Confuncio

Já pensadas... Com prazer....

"Steve" - 1997-2005

"The poor dog, in life the firmest friend. The first to welcome, foremost to defend."

Lord Byron

Como é que se racionaliza a maldade? Quero dizer, como é que pura e simplesmente encontramos uma medida explicativa, quando não existe qualquer fundamentação que não seja o exercício de um desejo mórbido de causar sofrimento e destruir?

Quando olhamos para as atitudes alheias, já lá dizia o Fitzgerald, devemos tentar refrear o ímpeto para julgar. Talvez porque em quase todos os comportamentos se pode pelo menos tentar ver a motivação e o passado construtor dessa mesma atitude. E não é raro encontrar-se alguma coisa. Agora quando a motivação não existe, quando a única coisa que permanece é o niilismo do desejo destrutivo, não é possível compreender e dá origem à raiva mais primeva que se possa imaginar.

Na noite de Sábado mataram-me um amigo. Um amigo e membro da família. Uma presença alegre e desinteressada que não nos deu nada além de afeição durante sete anos. Possuidor de uma saúde de ferro conjugada com uma desobediência divertida, o Steve aparentava ser muito mais novo. Nunca perdera a feição de puto, de cachorro obstinado pela brincadeira. Bem sei que para muitos um animal é um animal, mas quantos existem bem melhores que muitas pessoas? Era um amigo.

Na noite de Sábado mataram um membro da família. Um animal que se fundira na estrutura familiar a que pertenço e que era alvo da mesma preocupação, irritação e afeição reservada a todos. Nessa noite mergulharam todos numa tristeza e raiva sem limites ou explicação, especialmente às duas pessoas que compartilhavam com ele o maior dos períodos de tempo. Os meus pais.

Na noite de Sábado não mataram só um animal, mas a alegria de uma casa, uma companhia incansável e um comediante nato. Nessa noite mataram a felicidade de poder tratar um animal como um amigo e receber o melhor que ele tinha para dar. Foi-se um companheiro de uma família, mas essencialmente de um casal que com ele vivia diariamente, e bebia da sua refrescante traquinice como uma novidade reiterada. Uma alegria simples, poder gostar de alguém ou de um animal. Sem que isso interferisse com quem quer que fosse.

Mas não se limitaram a assassinar este amigo. Fizeram-no de forma a que o mesmo sofresse agonias que nem consigo recordar. Ou talvez nem queira. Para que morresse em dor, destruído internamente, em meio ao desespero daqueles que o estimaram e acarinharam até ao final. Da pior forma possível, portanto.

A marca ficará sempre. Uma noite interminável que não derivou em nada senão um fim trazido pela compaixão. E depois o vazio. Depois a tal falta de explicação. Depois a ira. O perdurar da maldade simples, que desarma pelo seu carácter estanque. Dali nada pinga senão um gás nauseabundo da falta de sentido, e da tristeza que fica. Pela intenção de magoar pelo gozo sádico e repugnante de o fazer.

Gostava apenas de deixar uma mensagem ao filho da puta, energúmeno cobarde e sádico que deixou este vazio, que me fez olhar para os meus pais e ter de ver a tristeza no rosto dos mesmos, que me fez pensar novamente sobre certas coisas bem incómodas acerca da natureza humana e que me roubou mais uma coisa num tempo onde as perdas têm sido constantes.

Que eu nunca tenha o azar/sorte de saber quem foi o assassino deste meu amigo. Porque essa escória, porque isto não é uma pessoa, tem o privilégio de ser a primeira desde que me conheço que odeio de forma concreta e quase perigosa (sim, há muita gente que o merece, mas tive a sorte de nunca os ter encontrado na minha esfera pessoal directa). A primeira pessoa para quem tenho de usar a palavra ódio, o que desde já representa uma perda impassível de definição e uma tristeza adicional em si.

Por isso pergunto. Como é que se explicam certas coisas?

Qual a génese de algo como isto?

Fica para mim, e levará muito tempo a desaparecer, a imagem deste amigo, com os olhos postos na bolacha de água e sal e a cabeça rebelde à procura de uma palma da mão amiga. É sempre difícil deixar ir aqueles de quem se gosta, e tentar sentir apenas o que de bom nos deu. Uma perda é uma perda. Ponto final. O que é que faço com esta falta que dele sinto?

Mas uma coisa é certa. Haverão outros amigos.

Mas o nome ficará sempre o mesmo.

Steve.

quarta-feira, julho 13, 2005



Dear friends.

It's my father's birthday today, and I just had to be here. We’re all getting together for dinner later on at an Indian restaurant. I hope he likes it, because he’s kind on one track minded when it comes to alternative food. But we’ll all be together and that’s fine by me. Since my brother came and got his divorce, and I lost my girl, things have been different. Not easy, but rather easily confusing.
We all got a little closer I guess, and that feels good.

He's one of a kind. A wonderfull man, who lives his life still being to nice. His health, happily, is iron made. Strong as a bull, time just seems to pass and leave him undisturbed. He’s 76 today, but he just doesn’t look like an old man. He smiles, and sometimes his reasoning has lost some of its customary warp speed, but he is as I remember him ten or fifteen years ago. He’s generous and resilient. Brave and somehow scared of some changes necessary in the so called modern world. He as bonr in 1929, ok? Give the guy a break...

I’m happy that in these last years I have had the chance to get closer to him and my mother. My ( tiny tiny) maturity has allowed me to enjoy my parents. Allowed me to savour their contribution as a fundamental part of whatever I might do right. If I do anything correctly, it's because of them. My parents made an agnostic. And just for that, I could love them as I do.

Happy Birthday young man.
You’ve always set the best example for me.
I hope someday to become at least just a little bit of what you are.
Then I’ll have a story to tell, and might be proud of something in my life.
As I am of you and your permanent legacy.

Love You DAD!

Happy Birthday!

Your loving son. .
Uma amiga minha disse-me que por vezes é necessário deixarmos de olhar para dentro e ver o que anda por aí fora.
Embora entenda a mecânica e aprecie a lógica optimista, a verdade é que posso ter perdido essa capacidade. Não porque as pessoas não me fascinem ainda, mas porque certos traquejos da boa fé manquejam quando a queda prévia tenha sido consideravelmente grande.
Outra situação engraçada é o encurtar da paciência. É impressionante a falta de pachorra que se instala perante a idiotice intencional, a mesquinhez e a falta de desejo perante as coisas. As frases surgem algo irritantes como uma espécie de cartilha repetida em ladaínha num chamado destino previsto e convencional.
É normal que se queira ver. Que se guarde aquilo que não é expurgável. Que se vão dando as notícias. E que façamos da vida de cada dia uma jornada tendente ao que isso possa trazer de melhor. Talvez as armas estejam lá e baste apenas um angulo de visão diferente.
Um reposicionamento.
Deixarmo-nos inundar.
É isso.
Talvez.
Por vezes fazemos o que podemos.
E o que podemos é viver um dia de cada vez. Vivê-lo como se de alguma forma todas as escolhas, opções e investimentos pessoais fossem colocados diariamente à prova.
É a aventura da vida.
Só nos cabe fazer o melhor que pudermos.
Palhaçada

Vasco Rato para Presidente da Câmara?
Ainda por cima de Vila Franca de Xira, tão longe dos locais supostamente próprios para os seus modos educados, afectados e pedantes? Ainda estou à espera da volta ao Rossio todo nu, que deve acontecer quando aparecerem as armas de destruição maciça, ou seja, no planeta imaginário da Lúcia no Céu com Diamantes...

Ao que alguns elitistas não descem pelo belo do tacho...
Tenham medo, muito medo....

É certo que embora seja apartidário, inclino-me mais à esquerda.
É também verdade que ainda era cedo.
Mas hoje, por volta das oito da manhã, procurava a reacção da chamada direita (liberal ou conservadora) ao anúncio da norma que o Ministro do Interior inglês irá propor.
Procuro pelos jornais por um artigo esclarecedor, que me possa realmente elucidar acerca dos contornos do que se pretende, mas fico apenas com a notícia televisiva que indica uma proposta para controlo de conteúdos postais e e-mail, bem como de telefones e internet em geral. Um Echelon à Europeia, um conceito absolutamente grotesco pelo atentado clamoroso que faz ás bases da democracia. Lança-se a privacidade pela janela, e instala-se o clima securitário.
De repente tenho Orwell e Huxley ou mesmo Bradbury aqui a dançar à minha frente, fantasmas com um sorriso amargo nos rostos cansados.
De repente tenho muito medo que o medo permita a desculpa perfeita para o constrangimento inadmissível da liberdade e privacidade de cada cidadão, conceitos basilares da estrutura do Estado de direito.
De repente percebe-se que o terrorismo ganha quando, juntamente com as vidas estupida e cruelmente levadas pelo ódio e maldade inexplicáveis, a liberdade é metida no mesmo pacote de sacrifício. Vêm à memória prelúdios de outros tempos. A suposta justificação securitária.
Só espero que a proposta não passe. Seria uma vergonha para a cidadania Europeia permitir que as constituições sofressem alterações quanto à inviolabilidade da privacidade e liberdade pessoal.
Por isso hoje acordo com medo.
Muito medo.

terça-feira, julho 12, 2005

É melhor deixarmo-nos de coisas.
Tudo é sorte.
Infelizmente...
Com muitas mulheres, tem de ser assim. E na maior parte das situações, talvez nem resulte...
Ainda para o meu irmão. :)

"Kate: Other men have loved me, you know.

Bill: I figured as much.

Kate: And I've loved them too.

Bill: That's only natural.

Kate: And all of those men have gone out of my life. Why do you think that is?

Bill: Because they weren't me.

Kate: And who are you?

Bill: I'm the man who's going to make you happy.

Kate: That's very romantic.

Bill: Be good to her and she'll be good to you.

Kate: Are you sure you're not just trying to seduce me?

Bill: It's you who has seduced me.

Kate: We'll see. "

Hal Hartley - Simple Men
Ao meu irmão, não só por ser uma das suas obras de referência, mas porque este diálogo me ficou na cabeça desde sempre. Um filme a ver absolutamente.

Mano, esta é para ti :)

"Ned: I want adventure. I want romance.

Bill: Ned, there is no such thing as adventure. There's no such thing as romance. There's only trouble and desire.

Ned: Trouble and desire.

Bill: That's right. And the funny thing is, when you desire something you immediately get into trouble. And when you're in trouble you don't desire anything at all.

Ned: I see.

Bill: It's impossible.

Ned: It's ironic.

Bill: It's a fucking tragedy is what it is, Ned."

Hal Hartley - Simple Men
Afinal de contas, não temos só impulsos violentos ou destrutivos.
Bem vistas as coisas, somos duais, e por isso mesmo completos.
O neo-realismo feioso, cínico e supostamente esclarecido que se foda.
Não tem direito a mais que o seu devido quinhão. E no que me diz respeito, já é demasiado grande.

Ver porque aqui
I am surrendering to the gravity and the unknown
Catch me heal me lift me back up to the sun
I choose to live,
I choose to live.

Maynard James Keenan - Gravity

A uma desconhecida...

I threw you the obvious
And you flew with it on your back
A name in your recollection down among a million same
Difficult not to feel a little bit disappointed and passed over
When i've looked right through
To see you naked and oblivious and you don't see me
But i threw you the obvious
Just to see if there's more behind the eyes of a fallen angel
Eyes of a tragedy
Here i am expecting just a little bit too much from the wounded
But i see through it all and see you
So i threw you the obvious
To see what occurs behind the eyes of a fallen angel
Eyes of a tragedy
oh well
apparently nothing
You don't see me
You don't see me at all...

Maynard James Keenan - 3 lybras


Em quase dois anos de viagem por aqui, já pensei em terminar com o blog por várias vezes.
Em meio a tanta companhia ilustre, com tanto para dizer e de forma tão válida e sobretudo suportados por um trabalho de investigação notável, por vezes olhava desconsolado para as minhas "escrevinhadas" e perguntava-me o que andava aqui a fazer.
Mas também entendo que cada um tem uma forma de expressar o simples desejo de dizer alguma coisa. Por vezes é impossível não exteriorizar para que alguém que simplesmente não nos conhece possa ter alguma ideia acerca do que dissemos e queira partilhar connosco. Outras, é simlesmente abrir a torneira e deixar sair, porque como dizia o Pacheco Pereira, não acredito em escrita para guardar. Pode existir, mas escapa-me a razão pela qual tal fenómeno sucede.
Por isso queria agradecer à malta que veio, vem e poderá vir a aparecer por este canto.
São dez mil visitas.
É a continuidade de uma experiência que me permitiu fazer algo que nunca consegui de outra forma - um diário, uma conta-corrente, um registo de entradas e saídas.
É igualmente a forma que tenho de comunicar com quem não consigo fazê-lo de nenhuma outra forma. Com velhos amigos que não têm outra forma de saber onde ando. Esperando que talvez apareçam.
E com quem não conheço.
Obrigado malta.
A nova série de episódios vem já a seguir.
Como é que se pode explicar algo como isto?
Existem quatro formas de combater o chamado horror existencial.
Uma delas é o humor.
As outras três perdem-se nos silêncios forçados do desejo real.

segunda-feira, julho 11, 2005

A oito visitas das dez mil.
Quem diria que a paciência de certas pessoas fosse tão homérica?

Obrigado malta.



Tentando encarnar um pouco o espírito absolutamente fora do convencional que percorre toda a cidade, e já agora a região (basta ir a Figueres e ver o museu Dali para ter essa noção), e e um pouco imbuido do toque de Gaudi por toda a cidade, eis a minha surrealista tentativa de provar a presença na única cidade europeia onde seria capaz de viver para além de Lisboa. É um local fantástico, uma cidade plana, linda, ensurdecedora e absolutamente viva a qualquer altura do dia. A Rambla funciona como uma artéria fundamental da cidade, como uma espécie de canal sanguíneo principal que carrega as pessoas desde a costa até ao centro. O ruído e o bulício são por vezes difíceis de interiorizar no primeiro impacto, mas depois tornam-se parte do charme que esta cidade tem.
As mulheres estão em toda a parte, e a são tão belas como diversificadas. Há um toque cosmopolita de distância entre as pessoas, mas há menos gelo do que em Lisboa por exemplo. Barcelona é mais barulhenta que Nova Yorque, apesar de incomparavelmente mais pequena. No entanto, o maior ruido vem das pessoas, das suas conversas, do castelhano ou catalão metralhado em conversas entusiástias largamente impulsionadas pelo imenso calor e humidade que se faz sentir.

No fim da Rambla, e já na zona comercial e portuária, existe um homem que, pelo menos nos cinco dias em que lá estive, alimentava os pombos. Tinha um olhar perdido, a pele acastanhadas pela torreira de mil dias de sol, e sorria-nos simpaticamente enquanto dançava com os seus amigos emplumados. Estava em todos os planetas menos no nosso.
Por toda a parte os ambulantes vendem o que seja. Desde óculos de sol pirateados, a latas de cerveja quente. Na Rambla, existem os artistas, os homens estátua, e a calçada de vários km fervilha de vida e agitação. De retratos a caricaturas, os artistas, que normalmente são os mesmos quase todos os dias, trabalham afincada e inspiradamente nos seus papéis brancos, até que lá aparece um rosto de uma criança que passa as passas do Algarve para estar quieta tanto tempo e deixar-se retratar.

Porta sim porta sim, existem paquistaneses ou indianos que vendem toda a espécie de souvenirs, lado a lado com os restaurantes, dos quais saem senhores calvos que praticamente nos deitam as ementas para as mãos, na esperança que escolhamos comer ali alguma coisa. À porta de um desses restaurantes estava uma rapariga de vinte e poucos anos, com um par de olhos de um azul faíscante e sorriso terno. Estive quase para entrar e beber uma caña, só por causa daquele sorriso.

A cidade a caminho de Montjuic é um desfilar de monumentos, de cultura e espaços verdes. Do "Poble Espanhol" á fundação Miró, é um deleite escolher o local para parar e passear. Há imensas linguas e sotaques, cores de olhos e sorrisos, por toda a parte.O recinto Olímpico é de uma grandiosidade e luminosidade assombrosas, completamente rodeado pelo verde da vegetação luziriante que envolve toda a encosta da cidade.

O bairro gótico é uma maravilha de ruas estreitas e escuras, cheias de lojas de comércio tradicional ( os centro comerciais colombos e hipermercados são pragas que em Barcelona ainda não atacaram), onde dá gosto andar e andar até que os pés fiquem em sangue ( foi o que literalmente me aconteceu).

E depois há Gaudi. E a Sagrada Família. E não há fotografia que faça jus à imponência trabalhada das suas paredes, à imaginação e beleza das suas esculturas e figuras paralisadas na construção. A sagrada família é possívelmente o meu monumento sacro preferido, e é uma maraviha de originalidade e irreverência. E ou percebi mal as indicações do guia, ou só estará pronta daqui a 20 anos... É obra!

Viajar sozinho pode ser o prelúdio da esquizofrenia. Ter visto, passeado e sentido a cidade com outra pessoa seria muito diferente. Lançaria outra luz, outra qualidade, porque aquilo que é muito bom normalmente sabe sempre melhor se devidamente partilhado com quem aprecie. Mas por outro lado, entre fazê-lo sozinho e não fazer, mais vale a solidão parcial da perdição da descoberta, onde há sempre para onde olhar, o que descobrir, e tuas estreitas e escuras para passear.

Barcelona é um romance de Verão que se poderia tornar a única história de amor para além de Lisboa.
Em Barcelona surgiu igualmente a urgência em adquirir um Moleskine.
Porque nada se deve esquecer, e as fotografias não resolvem tudo.

sexta-feira, julho 08, 2005

Para um agnóstico, a fé é um conceito humanamente determinável, ou seja, está nos homens, e num desconhecido que se auto-regula por processos de magia maravilhosamente simples.
Por vezes é preciso dar aquele salto no vazio, e esperar que algum sentido, que se encontra na lógica de progressao de qualquer vida, apareça por si.
Essa é a máxima de vida assente num mecanismo de esperança simples.
Aquele que permite que coisas como a que aconteceu em Londres nao nos deixem num desespero total perante a arbitrariedade das acçoes de algumas pessoas.
Que permite pensar num circulo que se feche com alguma razao de ser, em quase tudo.
Londres, todos os pensamentos estao contigo...

segunda-feira, julho 04, 2005

Novamente do mesmo cyber-café, algures perto da Praça da Catalunha.
Existem algumas coisas para contar, que serao desenvolvidas no post de regresso, mas deixo como imagens a enchente da Rambla, o homem bronzeado e de olhos perdidos que todos os dias alimenta os pombos junto ao mar, as ruas do bairro gótico, a ensurdecedora vida da cidade, as bolhas nos pés.
O mar que abraça Barcelona, a noçao que existe de que seriam necessários várias dezenas de dias para conhecer a cidade, para a esventrar e roubar os segredos.
A noçao de que viajar sozinho, apesar de ter os seus encantos, sabe a uma antecamara para uma certa forma de demencia...
Enfim, saudades daqui quando chegar, e daí agora que estou quase de volta.
Até já...



SK

Olá Amigos:

De um cyber café em Barcelona aproveito para mandar umas palavras.
A primeira é que tenho de comprar um moleskine. Tenho de tirar alguns apontamentos, embora esta cidade já me seja familiar, como um amor antigo que se vai renovando.
A segunda é que está um calor infernal, os homens estátua estao cada vez mais incríveis, há mulheres lindíssimas por toda a parte, a luz e cor da cidade fazem do seu bulicio uma delicia, e esta é uma cidade do amor sem duvida...

Já vi o Dennis Rodman ao vivo ( grande como o caraças!!!), o mais fantástico beijo entre duas mulheres em plena "Rambla", e estou prestes a viajar pelo Porto e recorte maritimo da bela Barcelona.
Esta é de facto uma cidade diferente, a única concorrente ao meu amor eterno por Lisboa.
Esta está também a tornar-se uma cidade de reflexao da qual, espero, emergirei com outra perspectiva. Nunca uma semana pareceu tao decisiva, realmente...

Um abraço forte a todos. Lá para o meio da semana, pois tentarei escrevinhar mais alguma coisa.

Ah, já vi T-shirts do Tim Burton...

SK

sexta-feira, julho 01, 2005

Amigos...

A caminho de Barcelona.

O blog ficará parado, assim como eu.

A caixa de mail no entanto estará activa, para qualquer assunto, doação, contrato milionário, entre outros.

Até breve.

Um forte abraço

SK

( Dia 19 de volta)
Cerca de dez anos depois, eu e o meu irmão voltamos às viagens.
Só os dois. Desta vez para terras catalãs, para minha cidade Europeia favorita ( das que conheço claro), a única na qual seria capaz de viver para além de Lisboa.
Claro que a temática dos circulos e ciclos na vida das pessoas já não é nova, mas as curiosidades e coincidências dão sempre que pensar. Aquilo que as vidas vão deixando para trás, o lastro doloroso de minutos transformados em anos, e que depois derivam numa nova situação. Numa nova forma de estar.
Por vezes temos de decidir a lógica que assiste em cada passo.
Capitular ou simplesmente obedecer aos ecos do que parece certo, do que tem um sentido próprio, e do que pode inclusivamente estender-se no tempo, algures entre o ponteiro dos segundos e a base do mostrador.
O meu irmão retornou de várias formas. Retornou de um outro país, de um outro estado civil, de uma outra forma de vida.
E bem vistas as coisas, há dez anos, era precisamente este tipo de caminho que nos aprestávamos a trilhar.
Porque no fundo sabemos sempre quem nunca nos falha.
E no final, é só isso mesmo que conta.
Adiante para Barcelona.
Se algum dia vier a ter filhos, ( já agora uma companheira primeiro - tambem dava um certo jeito) este é um cenário que gostaria de ver na minha casa.

Em vez de cenas de pancadaria para saber de quem é a vez de operar a Playstation, adorava ver algo como isto:

"With a single copy to share, my two oldest daughters devised a plan to read it simultaneously. Each girl got the book for a five-hour period, after which she had to mark her place and relinquish it - without pinching or hair pulling - to her sister. For three days reading proceeded around the clock, at intervals enforced by stopwatch. " ( NY Times de hoje)



Lindo!