É certo que embora seja apartidário, inclino-me mais à esquerda.
É também verdade que ainda era cedo.
Mas hoje, por volta das oito da manhã, procurava a reacção da chamada direita (liberal ou conservadora) ao anúncio da norma que o Ministro do Interior inglês irá propor.
Procuro pelos jornais por um artigo esclarecedor, que me possa realmente elucidar acerca dos contornos do que se pretende, mas fico apenas com a notícia televisiva que indica uma proposta para controlo de conteúdos postais e e-mail, bem como de telefones e internet em geral. Um Echelon à Europeia, um conceito absolutamente grotesco pelo atentado clamoroso que faz ás bases da democracia. Lança-se a privacidade pela janela, e instala-se o clima securitário.
De repente tenho Orwell e Huxley ou mesmo Bradbury aqui a dançar à minha frente, fantasmas com um sorriso amargo nos rostos cansados.
De repente tenho muito medo que o medo permita a desculpa perfeita para o constrangimento inadmissível da liberdade e privacidade de cada cidadão, conceitos basilares da estrutura do Estado de direito.
De repente percebe-se que o terrorismo ganha quando, juntamente com as vidas estupida e cruelmente levadas pelo ódio e maldade inexplicáveis, a liberdade é metida no mesmo pacote de sacrifício. Vêm à memória prelúdios de outros tempos. A suposta justificação securitária.
Só espero que a proposta não passe. Seria uma vergonha para a cidadania Europeia permitir que as constituições sofressem alterações quanto à inviolabilidade da privacidade e liberdade pessoal.
Por isso hoje acordo com medo.
Muito medo.
1 comentário:
Acorda! O Echelon controla todo o mundo, as pessoas é que são levadas a pensar que não...
Não creio que se possa travar essa proposta. Quando muito, se se fizer muito barulho, consegue-se adiá-la :(.
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