ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, agosto 31, 2005

Com cuidado, há que perceber que as nossa fragilidades, o núcleo daquilo que somos, não interessa a ninguém.
Há que entender que aquilo que nos torna humanos, que faz parte da nossa razão de pedir, de aceitar o contributo de qualquer afeição, é frágil e parte-se com facilidade. São mapas de tesouros já tão corroídos pelo tempo e maus tratos que, perante um manuseamento mais violento e descuidado, desintegram-se, deixando-nos a nós próprios hesitantes quanto à sua localização.
A verdadeira tristeza é afinal de contas a dificuldade de emparelhar a tolerância. De perceber que o desafio humano também está ao nível das suas fraquezas, dos seus desejos maiores que a terra, e que de alguma forma minam alguma da sua força ou coerência.
A verdadeira canseira é uma certa canção de fim, a ausência dos elementos explicativos no acervo de dor passada por uma boa causa ou uma crença firme.
Com algum cuidado, há que perceber que se temos de nos proteger de nós próprios perante quem tem algum tipo de chave, então o sentido primordial já voou pela janela. Nada é mais difícil que sentir a desadequação silenciosa do nosso material mais profundo e delicado, perante as exigências de força e exactidão de quem constantemente revê a nossa imagem perante si mesmo.
Sem pudores, há que admitir a profunda tristeza que nos leva a aceitar a predação do que supostamente é desejado como "conhecimento" profundo.
A génese das defesas é o desejo dos outros em vê-las actuar.
E com algum cuidado, podemos deixar que isso não nos destrua.
Mas não é fácil.
Completamente de Acordo

O casamento enquanto contrato cível sempre me pareceu algo absolutamente contrário ao principio do amor concretizado numa união de vida entre duas pessoas.
Uma aberração do positivismo jurídico aplicado a elementos da vida humana que deveriam estar isentos de qualquer regulamentação que não a da vontade emocional das pessoas.

terça-feira, agosto 30, 2005

"You touched my hand
Said, "Follow me
I'll be your eyes when you cannot see"
Now the only blindness that I'm gonna choose
Is ignorance to all your misuse"

Beth Orton

Dá-se sempre pouca atenção ao perigo inerente aos julgamentos, egoísmos e indiferenças.

Não era o Fitzgerald que dizia que:

"Whenever you feel like criticizing any one," he told me, "just remember that all the people in this world haven't had the advantages that you've had (...) Reserving judgments is a matter of infinite hope."

ou então outro senhor, mais contemporâneo e para muitos menos ilustre:

Threw you the obvious and you
flew with it on your back,
a name in your recollection,
Thrown down among a million same.
difficult not to feel a little bit disappointed
and passed over
when i've looked right through
to see you naked and oblivious
and you don't see me.

But i threw you the obvious
just to see if there's more behind
the eyes of a fallen angel,
the eyes of a tragedy.

Here i am expecting just a little bit
too much from the wounded.
But i see through it all and see you.
So i threw you the obvious
to see what occurs behind
the eyes of a fallen angel,
eyes of a tragedy.
Oh well.
Apparently nothing.
You don't see me.
You don't see me at all...

Maynard James Keenan - "3 Libras"
Ídolos apenas demasiado humanos, ou até que ponto os exaurimos?
Ela erradicou-me da sua lista de links.

Perfeitamente compreensível, dado o tom mais recente deste meu local.

Mas lá se vão as minhas hipóteses de publicar alguma coisa.
Fiquei apreensivo.
Eu devia saber.
Era muita fruta.

Lá se vão metade das minhas visitas.


(brincadeira, ok?)

Ontem compareci a um velório.
De uma pessoa que nem sequer conhecia, por solidariedade a pessoas de quem gosto muito.
A morte para um agnóstico é uma dualidade engraçada. É o velho abraço entre a curiosidade e o terror, numa dialéctica de argumentos internos acerca de qualquer das formas de transcendência.
Alguém luminoso falava-me acerca da férrea certeza que tinha de que a sua familiar estava bem agora. Não havia nada no seu discurso que indicasse qualquer forma de propaganda religiosa ou reforço de convicções perante descrentes ( leia-se eu), mas um semblante de paz e profunda convicção pela ideia de um pós-vida melhor. Nos olhos pairava uma tristeza suave, que lhe embelezava estranhamente os traços, mas que sobretudo fazia emergir uma imagem de força e convicção perante a inevitável lógica da esperança necessária que a talvez real e ecléctica crença traga ( ou devesse trazer, sei lá) às pessoas.
Não sei onde estará a senhora agora, se é que está em algum lado. Duvido porque não tenho alternativa, porque é algo tão intuitiva e automaticamente presente como a orientação sexual, por exemplo. (As mulheres são outro tipo de divindade idiossincrática, mas isso são males meus e por isso irrelevantes.)
Está lá é nada posso fazer quanto a isso.
Mas o que sei é que por vezes encontramos a manifestação de emoções e formas de estar na vida que desarmam pela sua honestidade e ausência de intuitos evangelizadores.
Alguém que se limita a "saber" da existência de um plano de existência diferente, e a encontrar uma transferência de conforto e felicidade simples para quem se dirigiu para lá.
Saí de lá transtornado, porque a morte(de outros) assim me deixa, mas com a noção de que em situações limite, o altruismo e afeição podem ser expressos por um simples desejo de felicidades.
E essa simplicidade poderia ser tão válida em vida, como em morte.
Resolveria uns quantos problemas, asseguro-vos.

segunda-feira, agosto 29, 2005


Na era do chamado investimento pessoal, das procuras de sustentabilidade para um suposto sentido para as respectivas vidas, ainda assim surgem, a espaços, os queixumes ( por um lado justificadíssimos) das ausências.
Ausências do essencial, do que deveria ser um automatismo da vida socialmente considerada. Aquela ausências que raramente são perceptíveis pela unidade constituída de pessoas, estratificadas pelos laços sanguíneos ou afectivos.
Talvez por isso
alguém se preocupe realmente, embora tema que esteja a falar para o boneco.
Porque é nos compromissos do calmo, do adiado, do projecto pragmático que se encerram as novas máximas divinas da vida moderna como a entendemos.
É curioso porque se virmos as coisas de uma perspectiva quase ontológica, estamos em competição connosco próprios, para ganhar algo a alguém que talvez nem sequer exista. Concretizando ainda mais, cria-se o delírio do Eldorado quotidiano, o tempo escorre como se dispersado em sementes débeis por cima de instantes. Só instantes. Vidas feitas de instantes, morte das continuidades. A pertença é encarada como um retorno necessário do IRS. Como se uma qualquer entidade estivesse obrigada a providenciá-lo em troca das agruras sentidas.
E no entanto está lá.
Estampado em todos os rostos como uma espécie de enfeite sazonal perfeitamente reconhecivel. Como esses enfeites, aparece apenas de quando em vez, mas nota-se como um grito estridente antes de um serviço de ténis.
Vemos as preocupações com a inércia dos pequenos rituais. Percebemos as procuras, a confusão e insegurança, e observamos como são devorados por um senso de auto-investimento. Porque tem de haver força, combatividade, agressão protectora. Não se perguntam os motivos. São apenas elementos de causa-efeito. Para que serve essa merda afinal?
Para que serve tentar explicar a ansiedade nas palavras, as dores latejantes em locais escuros e silenciosos, ou o frio de previsibilidades diárias perfeitamente escalonadas?
A Humanidade progrediu à custa de pessoas que se transcenderam todas um pouco.
Mas porra, o Balzac dava umas quecas, o Goethe era um tipo razoavelmente feliz e viveu a vida cheia de cores...

O insofismável...


"Taught by time, my heart has learned to glow for other's good, and melt at other's woe."

Homero
Porquês e Génese.


The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revalations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear.

Stephen King - Different Seasons, "The Body" - 1982
Hoje estou de baixa.
Feriram-me o descaramento para poder escrever...
Espero que não dure o dia todo.

sexta-feira, agosto 26, 2005

"Alistem-se, alistem-se, diziam eles..."


We were drinking like the Irish
But we were drinking scotch
Bartender turned on a movie
Everybody turned to watch
And every single eye was gleaming
As he reached the final scene
Well, at least mine did
Here's lookin' at you, kid

It's a mad mission
Under difficult conditions
not everybody makes it
To the loving cup
It's a mad mission
But I got the ambition
Mad, mad mission
sign me up


I think I've seen the look before,yes,
it's kind of non-commital
It says come hither, baby,
but then he's hard wood to whittleit
says it don't mean a thing,
but still, somebody does
He'd like you to join the club that likes to say
there's no such thing as love

and

It's a mad mission
Under difficult conditions
not everybody makes it
To the loving cup
It's a mad mission
But I got the ambition
Mad, mad mission
sign me up

Sometimes you find yourself
flying low at night
Flying blind and looking for
Any sign of light
You're cold and scared, and all alone
You'd do anything just to make it home

It's a mad mission
Under difficult conditions
not everybody makes it
To the loving cup
It's a mad mission
But I got the ambition
Mad, mad mission
sign me up
Sign me up

Patty Griffin
Em breve vou arrumar a minha biblioteca. Finalmente.
Livros e mais livros que estavam encaixotados há demasiado tempo, vão conhecer o seu local nas devidas prateleiras, para que lhes possa tocar, reler uma passagem, e encontrar uma memória.
Uma vida também se arruma desta forma...

quinta-feira, agosto 25, 2005

A pior piada do século:

Sabem o que diz um mau escritor, com óculos escuros e blusão de cabedal, ao cabo de mais um sucesso de vendas?

"I'll be a hack!"
Quando as idiossincrasias felizes estão de férias e os pragmatismos não, as primeiras tornam-se anseios pouco suaves e os segundos fazem-se quimioterapia para a solidão.
Que bom o fim de certa forma de silly season...
A incerteza é um desconforto prolongado e canibal.
Algo do Amor explica-se, pelo menos parcialmente.
Sem capacidade de real comunicação e cumplicidade, o que resta são resquícios químicos que toldam comportamentos, mas não se tornam objectivos de uma mente ávida de felicidade a espaços simples, mas real e genuína.
A total aleatoriedade soa-me a um jogo de sorte que coloca de parte o valor intrinseco das pessoas.
E isso incomoda-me.
Ontem alguém me falou da importância da bondade no acervo qualitativo das pessoas. Especialmente das pessoas que podemos vir a amar, ou as que já amamos.
Foi estranho ouvir a repercussão de uma ideia muito interna vinda da boca de alguém mais vivido, mais experiente, e com uma surpreendente visão de sereno anseio pelos outros.
Aliás, toda a conversa tida naquela mesa de ontem teve o condão de mostrar que certos esquecimentos dolorosos não são afinal generalizados.
Nem vox populi, felizmente...

quarta-feira, agosto 24, 2005

No filme "Whale Rider", vemos alguém que apesar da consciência de ser alvo de um amor alheio incondicional, não consegue erguer-se até ao patamar exigido.
E confunde-se o personagem porque se sabe susceptível dessa afeição, mas não encontra a certeza do merecimento em parte alguma, apesar de todos os esforços, apesar mesmo de cantos e a rendição das baleias.
Podemos transcender-nos, ou tentar, mas chegar ao que gostaríamos de ser perante um olhar que vê sempre mais á frente, pode ser terrivelmente complicado.
Ama-se, exige-se.
Mas qualquer excesso conceptual é perigoso e eventualmente doloroso.
Tornam-se marcas de tanto querer, julgo eu.
Meus amigos, dêem um pulo aqui

Porque há quem tente chegar aos outros de formas que parecem conhecidas, mas construidas de forma singular.
Portugal Selvagem - Animais noctívagos.

Os gabirus ou "homo engatus compulsivus", especimen abundante na savana urbana, são animais noctívagos com hábitos de acasalamento curiosos, ou seja, todos os possíveis e imaginários.
Animais solitários, alimentam-se do que conseguem apanhar, como respigadores.
Embora sejam animais competitivos, raramente têm refregas por território, já que vivem em comunidade aberta de oportunismo ecléctico. Rugem à passagem, mas essa é toda a intimidação de que necessitam.
De pelagem vistosa, são animais que se ornamentam conforme a estação do ano.
Raramente se reproduzem, o que constitui um milagre da natureza, já que a espécie está em franco desenvolvimento, e os números conhecidos pelas últimas estatísticas dão como certo um franco aumento da população.
As fêmeas possuem um mecanismo de camuflagem natural que quase leva os cientistas a duvidar da sua existência, embora anos de aturada observação apenas as distingam dos machos pelo carácter esquivo e subtil na verificação dos comportamentos da espécie.
A beleza da simplicidade.





"It was that night I discovered that most things you consider evil or wicked are simply lonely, and lacking in the social niceties."

Big Fish - Tim Burton
Questão matinal

No final do ultimo conto de Dubliners, "The Dead", de Joyce, um personagem mata-se por amor.
Deixa que a chuva gélida sele um destino de enfermidade, porque simplesmente já não quer saber se vive ou morre perante a ausência de correspondência por parte do seu objecto de desejo e afecto. Há uma entrega exausta ao que o consome, e ficamos mudos perante a beleza triste desse instante.
Leio aquela prosa que parece quase irreal de tão perfeita e bela, e fico no entanto com esta noção.
Aquilo que poderia ser um sentimentalismo, é respeitado genericamente porque está (maravilhosamente) integrado da obra de um grande escritor.
Mas pergunto-me o que fariam os arautos do neorealismo perante um facto destes. Que diriam, como qualificariam, especialmente se estivesse algures enquadrado numa narrativa de folhas profusamnte escritas?
Poderá o cinismo dos tempos actuais aceitar a seriedade de algo que parece perdido nos tempos idos de um romantismo que ninguém recorda, mas que transpira por vezes, à sua maneira, nas mensagens subtis de um desespero silente perante a denúnica supostamente elegante de uma descrença genérica?
Que diríamos nós perante a morte por abandono amoroso completo?
Como suportaríamos a demonstração factual daquilo que parece apenas feito para sustentar incredulidades?
No périplo pelas palavras dos outros, encontramos ecos inesperados.
Ecos de idiossincrasias nossas que automaticamente nos colocam próximos a uma perspectiva. Essa perspectiva pode ser a antecâmara de uma afeição, porque a coincidência dos códigos gera uma alegria espontânea. Aquela que é gerada no reconhecimento dos conceitos e intenções como sendo mais que uma alegoria solitária de um modo de vida.
E é essa a verdadeira ausência de solidão.
A troca das ideias, o espírito das percepções, o partilhar sussurado dos disparates mais esconsos e internos.
A procura por coisas assim nunca é excessiva.
É a arrogância dos tempos pragmáticos e do cinismo mediático que parece estar a mais.
Ou pelo menos, ser demais.

terça-feira, agosto 23, 2005




A ira é só mais uma forma de ignorância.
Atrevo-me a dizer que a pior espécie da primeira, surge com a verificação da segunda no que seria o sentido dito normal para as coisas...
Mas as explicações são, cada vez mais, luxos...
A coerência tem aquela qualidade estanque dos conceitos quase perfeitos, porque é vista mesmo quando não se demonstra.
Arrisco-me a dizer que o faz especialmente nessas alturas.
A retorno de férias deixou-me ainda algo perro.
Não que não hajam ideias ( se são boas ou não é que se torna logo noutra conversa), mas estão atravancadas à porta.
Mas uma coisa desde já fica como introdução.
As pessoas tendem a ter pouquíssimo cuidado com os outros.
E queixamo-nos das espécies daquilo que geramos.
A mais das vezes.
Se me pudesses ver enquanto vôo, aborrece-me saber que perguntarias para que serve tal coisa...

segunda-feira, agosto 22, 2005

A Lisa enviou-me um excelente repto, ao qual, agora retornado de férias, tenho a oportunidade e prazer de responder. Se as respostas têm piada, bem, quanto a isso já nada posso fazer...



Idiossincrasias - as 5 menos

Solidão - É a praga, a doença social, a maleita do século e mata indiscriminadamente embora vá deixando sobreviventes moribundos. Causada por inércia induzida pela "urbanite", a solidão vive hoje em dia alimentada pela sôfrega demanda do sucesso pragmático e o individualismo confundido com individualidade.

Soberba - Malta armada ao pingarelho tira-me completamente do sério. E aqui está também todas as formas de preconceito e complexo de superioridade que nada mais são que expressões inconsequentes de uma imbecilidade tonitroante por parte de pessoas que se julgam mais que os outros sem qualquer fundamento "whatsoever"...

Ganância e Cupidez - As noções de sucesso estão muit interligadas à lógica do domínio, muitas vezes esconómico. A ganância, a pilhagem dos mais fracos por um desejo de poder são os principais responsáveis pelo que de mais inominável assola o planeta. Exemplos? Rwanda, Iraque, os milhões de crianças que morrem de fome diariamente, as guerras civis e fraticidas, a fome, a miséria e a escravatura mal disfarçada.

Ignorância (intencional) - Quem escolhe ser estúpido e completamente desinformado porque "não tem paciência para isso". Porque afinal de contas, a qualidade não está no que se sabe, mas naquilo que se deseja saber, e de que forma.

Maldade - Ela anda por aí. E não está explicada por factores sociológicos ou condicionantes civilizacionais. Existe de facto uma maldade presente um pouco por toda a parte, e pode ir desde osactos de agressão injustificada no quotidiano emocional de outra pessoa, aos horrores que o Chefe de Estado Coreano inflige ao seu povo. Na Coreia do Norte só há um nome para o que lá se passa. Maldade.


Idiossincrasias - as 5 mais

Amizade a sério - (desculpa imitar-te Lisa) Daquela que não receia gripes, nem palavras. Aquela que faz engolir em seco quando a bebida retira toda a prudência às manifestações de afeição. Aquela que lá está.

Compaixão e bondade ( não caridadezinha ou condescendência) Actos simples de uma tendência positiva que fazem com que nos rencontremos com o mundo. Fazer bem ao próximo. Na medida do possível. Não é necessário ser-se missionário em África para se ser boa pessoa. Sorrisos bem colocados e um par de gestos podem ser suficientes.


Sensualidade - O Sexo, o aroma, a silhueta, os rituais. A expressão do desejo numa dança sexuada de sentidos, palavras, formas de estar. A sensualidade é a carne viva de cada espírito.

Praia - Toda a praia possível é ainda assim pouca praia.


Livros ( BD incluída, claro!), muita música e muito cinema. - Tudo o que expresse a vivência numa representação de paixão necessária à vida possível.


5 álbuns

"Ten" - Pearl Jam - por todas as razões e mais alguma que surgem desde 1990

"Superunknown" - Soundgarden - Recentemente fiz uma dasquelas coisas que pensava já impossíveis antes de morrer - ouvi o Black Hole Sun ao vivo. Essa já ninguém me tira...

"Under The Table and Dreaming" - Dave Matthews - Que dizer dos satélites senão que são coisas que ornamentam o céu para além do impossível?

"13th Step" - Perfect Circle - Do principio ao fim, excelente.

"Laterallus" - Tool - Pouco menos que perfeito

(mas 5 é pouco...)


5 canções


Muito complicado escolher, mas lá vai...

"Black" - Pearl Jam

"Fresh Tendrils" - Soundgarden

"Plush" - Stone Temple Pilots

"Crash" - Dave Mathews

"Nooze" - Perfect Circle


5 álbuns no iPod ou outro

Parafraseando novamente, não tenho iPod mas tenho pena. Mas assim de repente, nos dias que correm:

"Garden State" Soundtrack

"13th Step" - Perfect Circle

"Final Straw" - Snow Patrol

"Happy songs for Happy people" - Mogwai

"Euphoria Morning" - Chris Cornell

5 MP3 na playlist

"The Ballad of Peter Pumpkin Head" - Crash Test Dummies

"Schism" - Tool

"You've got to hide your love away" - Beatles versão Eddie Vedder

"Fever Dog" - Stillwater

"Caring Is Creepy" - The Shins


domingo, agosto 21, 2005

sexta-feira, agosto 12, 2005



De volta daqui a uma semana.

Comentem, reclamem, apareçam.

Estarei de volta.

Vosso Amigo

SK
Por maior que seja o esforço, nem sempre merecemos tudo.
Especialmente dádivas únicas que não podemos aceitar...
ALGO ATÍPICO, PESSOAL E IRREPETÍVEL
( Se quiserem, passem á frente. A sério, talvez até seja melhor...)
É verdade.
Amanhã vou de férias.
Uma semana, talvez a pior do ano para estar no Algarve, mas vou para o meio da confusão apanhar algum sol e tentar por em dia alguma leitura.
Vou igualmente tentar não fazer muitas asneiras, e consolidar no espírito as coisas boas que possuo, em detrimento de tudo o que me dilacerou durante mais de seis meses.
Não.
Não é um período de "reflexão" ou "balanço".
É apenas uma constatação de que por vezes não temos outra alternativa senão tentar agir inconsequentemente, sob pena de sufocarmos debaixo da conta do hipotético.
No entanto algumas conclusões se podem tirar de mais de uma metade de ano que se aproximou do mais absoluto surrealismo.
Os trinta anos são uma espécie de terra de ninguém, na qual somos demasiado jovens e ao mesmo tempo velhos para praticamente tudo. Há uma espécie de estruturação socializante que empurra as pessoas para as chamadas posições dominantes ou adequadas. É lixadíssimo ser solteiro com esta idade, porque estamos precisamente no beiral estreito para todas as questões, e afastados de praticamente todos os mundos.
Ir a um jantar de amigos, com casais constituídos, alguns já com filhos, é mais ou menos como estar no centro da praça do Rossioi, semi-nu, debaixo do jorro de luz de um holofote. Por mais que não se queira, há a afabilidade, a amizade e a recepção no seio. Não obstante, surgem os momentos em que se percebe porque raios é que se escolhe uma pessoa para tranferir afectos, e a percepção de que estamos no meio de muitas perguntas e pouquíssimas respostas. Deslocados numa espécie de consciência de escolha que no entanto nunca foi tomada nos termos que a vox populi normalmente pressupõe.
Estamos igualmente equidistantes do outro mundo, mais jovem, que busca o apoio para ambos os pés numa caminhada necessária. Somos "velhos". Bem, eu diria que somos mais "indefinidos", porque a qualificação ronda sempre uma certa ausência de pertença. Não estamos demasiado longe, mas também nunca suficientemente perto. Também porque se perdeu a paciência para uma certa falta de pragmatismo, e sobretudo, para a ausência de códigos necessários. Crescer também tem destas merdas, julgo eu.
Nunca pensei sinceramente que a mudança de uma certa forma de vida trouxesse um turbilhão tão intenso, uma forma de viver os dias como se eles escapassem rapidamente. É um pouco como ver um filme em ritmo acelerado. Os dias de trabalho intenso, ou as noites mais ou menos doidas cheias de um tempo que passa entregue à lógica bipartida do esquecimento e descoberta. Busca-se, mas não se pode realmente procurar seja lá o que for.
A forma da organização social, contaminada pela "urbanite", faz com que seja complicadíssimo extrair um sentido minimamente coerente às mais variadas agendas, planos desejos e legítimas expectativas. Comunicar passou de uma forma de arte, a uma expressão de sorte.
E passei por ambientes diversificados. Pelo que me dizem, levei a cabo uma transformação para melhor no meio de um inferno de combustão lenta que me ia levando quase tudo o que era lealdade conceptual. Descobri, vi, vivi instantes de uma vida que em seis meses foi feita de fastforwars mais ou menos alucinados, passando pela noção de que tudo se pode escoar em meio ao desejo de esquecimento, mas sobretudo, em face da emersão. Vir á tona respirar é um luxo, e pode exaurir tudo o que temos. Mas se for exequível, transforma-se na bóia da teimosia feita de algo mais que sobrevivência. Percebe-se que mesmo na terra queimada há espaço para vegetação persistente. Aprende-se a moldar as formas de amor pelo instinto irreprimível de sentir, que parece sempre conseguir levar a melhor sobre a secura cínica que o medo semeia.
Do impensável faz-se sentido, conteúdo, alguma felicidade.
Faz-se essencialmente luz.
Como já disse num post anterior, foram tempos inegavelmente interessantes. Em meio ao atordoamento de golpes consecutivos, foi possível aprender, emergir, fortalecer. Foi possível sentir que em meio a uma avalhanche, se viram e conseguiram coisas muito diferentes e interessantes.
Claro que há a noção confortável que a partir de um certo estágio o medo e a confusão desaparecem, por acção de uma consciencia de si no espaço do tempo e do mundo.
Essa noção é uma falácia.
Quanto muito fazemos o melhor que podemos. Sem desistir.
Vou de férias.
Sinceramente, é um ano agridoce.
Terrível.
Brilhante
Lindo.
Horrível.
Doravante sou mais eu.
Espero que ainda haja algo por aí...
Até já.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Vacation on site.
Let's roll...
Eu sabia que isto tinha de existir. Já presenciei fenómenos destes, e de alguma forma parecem desconcertantes num primeiro olhar.
Depois tornam-se até demonstrativos de mais uma forma, (de entre as 5656556754098674095867045645 existentes) que as mulheres têm de sentir alguma coisa, e de a expressar.
Entre nós, rapazes, existe uma ligação forte, mas não vai a este ponto.
Não desta forma. E as nossas lealdades são reputadamente longas e robustas.
Em que é que ficamos então?
Outra das minhas urticárias pessoais nos dias que correm é o sufixo "ocas".

Teresocas, Pocas, Anocas, Xanocas, Nocas, etc, são casos de polícia.

São uma espécie de corruptela de diminuitivos carinhosos que no entanto mais parecem uma espécie de colagem a tempos de juventude irreverente, com uma ligeira consonância a marcas de pastilhas ou batatas fritas. Pretende ser carinhoso mas mais parece uma continuidade aquela alcunha de liceu individual que todos ganham mas ninguém quer.
Mas quem os exibe demonstra um orgulho estranho no facto, já que ainda por cima é moda.

Enfim, maus fígados matinais.
Desculpem.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Certas coisas ardem como o país.
A ilusão de beleza incontrolada só deixa destroços.
Na sequência do post anterior...


Drink up baby down
Are you in or are you out?
Leave your things behind'
Cause it's all going off without you
Excuse me too busy you're writing a tragedy
These mess-ups
You bubble-wrap
When you've no idea what you're like
So, let go
Jump in
Oh well, what you waiting for?
It's all right'
Cause there's beauty in the breakdown
So, let go
Just get in
Oh, it's so amazing here
It's all right'
Cause there's beauty in the breakdown
It gains the more it gives
And then advances with the form
So, honey, back for more
Can't you see that all the stuff's essential?
Such boundless pleasure
We've no time for later
Now you can wait
You roll your eyes
We've twenty seconds to comply
So, let goJump in
Oh well, what you waiting for?
It's al right'
Cause there's beauty in the breakdown
So, let go
Just get in
Oh, it's so amazing here
It's all right'
Cause there's beauty in the breakdown

Frou Frou "Let Go" - Garden State OST
Em qualquer forma de esperança não há outra hipótese senão sublimar o impossível e defender o improvável.



"Garden State" é uma daquelas pequenas maravilhas feitas de simplicidade, inspiração, desejo e emoção reais. Sem fórmulas. Onde os sofrimentos oscilam entre a pungência histérica e o cariz brando da habituação.
É um filme feito de cicatrizes, acerca delas, acerca das sequelas que nos constituem enquanto uma unidade diferenciada de todos. E como a certa altura se pode constatar, os personagens contam-nos que a espaços na nossa vida somos efectivamente unicos e fazemos realmente algo que nunca ninguem fez. A própria noção do amor pós-expiação redunda nesse conceito. O amor não tem grandes divergências em conceito, mas é diferente para cada uma das pessoas que o experimenta, e raramente se admitem semelhanças entre histórias.
É também um filme acerca de um estranho anjo. Uma mistura de inocência e largura de horizonttes que desarma qualquer pessoa no seu chamado estado normal.
Sam, à semelhança de Clementine, do igualmente fabuloso "Eternal Sunshine of The Spotless Mind", é um rajada de vida, de inesperado e iniciativa. É a representação daquelas pessoas que não desarmam, que de alguma forma tendem a perceber os maus passos dados e ainda assim criam uma perspectiva positiva a partir da sua própria loucura pessoa, a meias com a nossa. Sam, magistralmente representada por Natalie Portman, é a segunda personagem pela qual tenho um fraco real, porque ali estava uma pessoa diferente da Natalie Portman. É ridículo, eu sei, mas pelo menos só me aconteceu duas vezes.
"Garden State" é uma gema preciosa que só teve 3 semanas de exibição no Quarteto, e que só agora tive a sorte de conseguir ver no escuro da minha sala.
E a ideia base de toda a história é talvez a máxima mais difícil de seguir. E diz-nos simplesmente que a abertura a sentir é necessária, ainda que a primeira emoção que encontremos seja a dor.
Nos dias que correm, não me é possível defender esta noção com a ausência de defesas de outros tempos. Mas na sua essência, somos vasculhados por todas as pequenas parte de Sam ou Clementine que por aí andam.
São duas paixonetas que duraram dois filmes.
Sim, sou uma paródia de adolescente que se enamorou por duas horas de duas mulheres que não existem. Sam e Clementine são duas picadas inexplicáveis no coração.
Mas sobretudo senti-me tocado por uma história contada do ponto de vista de quem viaja para retornar a si mesmo, mas melhor, diferente, mais completo.
Por todas as razões e mais alguma, era o filme certo a ver na altura certa.
Além de ser excelente e anti-cínicos, que normalmente baixam a crista perante a dor real.
Vão ao clube de vídeo.
Já!


A empatia é o EuroMilhões da espécie.

terça-feira, agosto 09, 2005




Este sou eu, versão South Park...
Cada pedaço.
Cada coisa que vale a pena.
Cada partícula do que não pode escapar.
Depende do que me possa supostamente tornar.
Mesmo que não saiba como o estou a fazer...


Good and bad
I swear I’ve had them both
They’re overrated
But is it fun
When you get hold of one
Some grow bad
And some grow back
Good ones all get taken
I’m calling blood
You ain’t strong enough
Wait and pray
You’ll pick on me
The day I raise my hand
Guess that I’ve been nice
But I’ll be damned

Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go
Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go

Say your prayers when you get scared
Pray you’re gonna make it
And then when you’re done
You keep fucking up

One day soon I’ll disappear
And if you’ll come
I’ll take you somewhere to go
To keep from growing old

Wait and pray
You’ll pick on me
The day I raise my hand
Guess that I’ve been nice
But I’ll be damned

Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go

Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go

OhOhOh
Disappear
The light is fading
Disappear
Outside their rage
Disappear
I’m tired of waiting
Disappear
Before we get away
Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go
Halo
God only knows
Right behind me everywhere I go

Foo Fighters - Halo -

Nos surrealismos de um dia cinzento, recordamos os sentimentos de outros, porque se por vezes somos os carrascos sem culpa ou consciência, temos de saber que a fereza da nossa existência acontece assim mesmo.
Não há forma de explicar uma dor que se provoca, especialmente em algo tão puro, belo e generoso. Não há forma de aplacar a culpa de não podermos ser algo.
Mas tenta-se.
E prossegue-se.
Gostava de cconvidar o Bernardino Soares a ler este artigo
E a administração americana a explicar porque raios é que a noção de direitos humanos e armas perigosas será diferente quando traduzida para coreano...


"To survive has required tenacity. Koreans are reported even to have murdered children and mixed their flesh with pork to eat. When I have encountered North Korean refugees in Asia, they look barely human -- stunted figures with sallow, terrified faces. Some North Koreans have tried to grow their own food, potentially a sign of independent thinking. But for years Kim had them stopped, though he has begun to open the economy slightly in the past three years. Those who protested were sent to an extensive gulag system, which may have resulted in the deaths of one million people. In this internal slave state, Becker suggests, tests of chemical weapons are carried out on prisoners, and pregnant women whose children were tainted with foreign blood have been forced to have abortions. Kim Jong Il has ''resisted adopting every policy that could have brought the misery to a quick end,'' Becker says, making ''the suffering he inflicted on an entire people an unparalleled and monstrous crime.'' "
Excelente recordação e faixa musical (clicar aqui)

Aliás, uma faixa completamente "sebem"! Gracias, batukada, for this stroll down memory lane...

segunda-feira, agosto 08, 2005

Intermission.....
A minha "silly season" só começa daqui a uma semana, e durante pouco mais de uma semana.
Sol, praia e tempo para ler algumas coisas.
E penso sobre a metade de um ano que foi, as horas infindas feitas de uma ausência de percepção, mas sobretudo, de uma consciência de mudança profunda. Muito profunda em certos aspectos.
E é engraçado verificar o quão periclitantes somos. O quão pessimamente apoiados estamos nas nossas certezas, e afinal incorremos nos pecados irracionais a cada cenário que nos é apresentado. E tenho nas mãos os despojos de dores tão intensas num meio segundo, que quase toda a noção que tenho do meu mundo se transformou num pó muito fino e inconsequente.
As palavras de alguém que afinal gosta mais de nós do que pensávamos, e que nos relata como finalmente vivos. Ouvi-as e só posso dar razão a certo ponto. Porque a culpa não se trata do mundo. Não exclusiva.
Talvz crescer seja isso mesmo.
Talvez crescer seja aprender a dosear.
E com isso mesmo, tornar a ganhar alguma visão. Nao que me iluda. Essa visão está ali a um palmo somente, mas já há algum farol no meio da névoa.
E quando concluio o que sou, o que aparento representar, e me surpreendo, vejo afinal a minha pressão sobre outros. A força de um qualquer peso que desconhecia ter.
Na minha silly season ficará espelhada essa noção.
Aquela que não me deixava saber onde raios andava.
A um amigo só...
Praia.
Olhei para os olhos dele e estava lá o cansaço irreprimível de eras de solidão. O sorriso simpático, afável e ligeiramente gozão, a ingenuidade de certos trejeitos.
Tinhamos andado o fim de semana todo, desde quinta(!) a circular por uma cidade nocturna pejada de pessoas e calor, mas os resultados eram os conhecidos. A noite mostrava-se parca em acolhimento à sua estratégia de procura. Era necessária uma dose "mastodôntica" de confiança e mesmo agressividade para ultrapassar os olhares ora desconfiados, ora desinteressados, ora alheios porque sonhando com desejos que não se atreviam a conceder.
E via-lhe no rosto o encurralamento, a visão de instantes repetidos à exaustão. A ausência dos rituais, do toque de conforto e acolhimento, dos sorrisos rendidos.
As minhas palavras saem sempre ocas perante o cenário urbano. As máximas da aleatoriedade parecem uma brincadeira de mau gosto, e ele sente-o na perspectiva de quem talve até possa procurar mais, mas não sabe como. Que maldade inconsciente da minha parte, por não poder ajudá-lo. Por desconhecer os mecanismos que o pusessem numa roda viva de descoberta, e não de expectativa por dias que passam e um ciclo que nunca mais recomeça.
Locais à noite, internet, grupos formados por circunstância. Um sorriso triste e um abanar de cabeça.
Praia. Silêncio.
Os reflexos de algo guardado há demasiado tempo. Os ghinchos enferrujados de um portão que cada vez mais custará a abrir até que a inanição de amor presente o lance numa roda viva, espiralada e descendente.
E então dou-lhe um calduço, sorrio-lhe, tentanto fazê-lo ver que por vezes tenta-se tudo e mesmo assim não se consegue. Mas que não pode ser um processo vazio, que há que mostrar e tentar a cada instante. Ainda que o resultado seja previsível.
Porque há mais exploradores por aí.
Tem de existir.
Sorrio-lhe e deito-me ao sol, pensando dos tempos infindos dos seus silêncios, e dou comigo magoado pela atitude de todo um mundo que não conheço perante alguém que só quer estar dentro dele.
Aparece o sono, mas a percepção está lá.
Quando acordo os olhos cansados dele levantam-se de um livro técnico.
Não há o sorriso de outras noites.
Cada corpo que passa fere-o com a nostalgia do que nunca haveria de faltar a ninguém.
E ele ressente-se, afundando o rosto entre os ombros, sofrendo com a ausência de confiança que o vai carcomendo como um desespero lento. Dou comigo a ver o sol mais escuro, e esperando os seus sorrisos futuros.
Abraço-o sem ele saber, com promessas surdas de um amor vindo de qualquer lado trazido por uma qualquer mulher que o veja, porque há tanto para ver.
Praia.
Fim de dia.
Vento e voz branda.
Saímos mais uma vez de um local onde estava a solução, mas sempre numa língua ininteligível.
Para ele.
Para os olhos tristes de quem tarda a encontrar.
Sem culpa.
"Galaxie"

Blind Melon

Para fazer do novo Verão um pedaço de sabor dos antigos.
Para todos os efeitos.
Recomeçamos e aprendemos a agir e ser de uma determinada forma, a nossa, das formas mais estranhas e ilógicas.
Descobrimos um sorriso e a qualidade dos instantes num ápice.
Embalamos as tristezas na nossa teimosia, e acabamos por diluí-las no que nos recusamos a ceder.
Está sol.
Há memórias.
E há luz.
Quando for grande, quero ter um blog assim

Um velocipede alegre sempre de primeira água que felizmente (para nós) voltou de férias.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Quando julgamos que já passamos por umas quantas coisas, surge um vendaval de sensações e enquadramentos que faz suar o mais engenhoso e imaginativo dos argumentistas...
Nunca passámos pelo mais inacreditável.
Há sempre mais alguma coisa.
Dizem os chineses:
"Que possamos viver em tempos interessantes".
Mais interessante que isto não, obrigado...
Já basta...
Fazemos as asneiras e tentamos remediá-las.
Passamos pelos instantes mais inacreditáveis, e ainda assim, a essência está lá, porque não morre num simples brilho de uma forma de olhar.
Vamos e vimos como marés teimosas nas vidas entrelaçadas, e damos connosco a perceber que certos detalhes são da nossa natureza, e não do que dela decidimos fazer a espaços e entre contextos.
E as pessoas ficam.
Vêmo-las.
Como realmente são. Não importando os seus protestos.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Mas porque raios é que tanta mulher gira gosta da Margarida Rebelo Pinto?
Ninguém lhes falou que a beleza interior também conta????
Existem pessoas que lutam contra o impensável. Ou quase quimérico.
O impensável até mesmo para elas próprias, do qual se destacaram sempre como se delas nada fizesse parte.
E no entanto, as lógicas do encurralamento são feitas das pistas distribuidas, dos montes de pedaços de vida espalhados por toda a parte que alguém se deu ao trabalho de recolher.
E é essa recolha, feita em parte de forma inconsciente, que permite o impensável.
Além, atrás daquela esquina, constrói um cenário anterior á perda.
E com ele torce a realidade num gesto, transformando despojos em sentidos.
É melhor ir vivendo.
Ao contrário do que eu gostaria, nem tudo é passível de mudar por acção.
Talvez só por aquilo que somos, e nunca avaliado por nós próprios...
A expressão "Carpe Diem" deve ser o cliché mais utilizado do mundo para demonstrar alguma literacia quando se pretende sugerir a outros que agarrem a vida pelos cornos.
Celebrizada por
Robin Williams, (o qual apesar de algumas pessegadas histriónicas, é um óptimo actor), num dos filmes de culto e referência para grande parte da malta da minha geração, ( mesmo que muitos o neguem) Dead Poets Society , a expressão significava não só agarrar o dia, mas elevar o nosso potencial ao máximo da concretização. Fosse ou tivesse ela a morfologia que tivesse.
A verdade é que ficou na boca do mundo, e a malta dispara a frase como uma espécie de alternativa lexical a um um óptimo conselho. Depois disparam erros ortográficos, ou torcem o nariz a qualquer coisa com mais de dez páginas e menos de trinta fotografias. Mas o Carpe Diem está lá, caraças. Dá aquele toque de classe.
Imbuído desta disposição veraneante, resolvi aumentar o leque de material que poderá incrementar ainda mais conversas como: - "xtá tdo bem? Tásse? olha, oje n sei o k vou fazr, mas k certz carpe diem!!"
E o interlocutor não será induzido em qualquer erro que tenha a ver com pesca de peixes de água doce .
Ora para os interessado ficam aqui uns exemplos:
"Nonne amicus certus in re incerta cernitur?" - Já os Placebo a utilizaram numa das suas melhores faixas...
"Veni, Vidi, Dormivi" - Depois dos festivais de Verão, impõe-se...
"Corripe Cervisiam" - Ó meus amigos! Durante o Verão, ela flui como um rio
"Taurus excreta cerebrum vincit" - Algo que muita gente ainda não percebeu... estranhamente
"Non Gradus Anus Rodentum!" - O que se pode facilmente dizer do ultimo filme do Spielberg?
"Exitus acta probat" - Olhe que não, olhe que não...
"Vacca foeda." - Não, não é definitivamente o que parece...
"Fac ut gaudeam." - Só dito pelo Clint Eastwood é que tem pinta...
Ou então deixem-se disso...
É Verão!
O diem praeclarum!!!!!
Your Kissing Purity Score: 49% Pure


You're not one to kiss and tell...

But word is, you kiss pretty well.


Arrancam-me estas confissões a ferros....

Your Hidden Talent
Your natural talent is interpersonal relations and dealing with people.
You communicate well and are able to bring disparate groups together.
Your calming presence helps everything go more smoothly.
People crave your praise and complements.


Bem, pelo menos metade está certo...

quarta-feira, agosto 03, 2005



Amigos...



ILÍACOS


Libertando o esteta veraneante que há em mim, quando me perguntam qual o local para onde sou forçado a olhar quando as mulheres resolvem usar a indumentária de Verão, responde imediatamente barriga e ilíacos. A vox populi retorque:
"Ilíacos? O que raio são os ilíacos?" "Este gajo deve estar a fazer género com certeza. Olha para o rabo e mamas como toda a gente, e agora anda armado ao pingarelho com originalidades".
Bem, passemos a esclarecer.
Sim, obviamente olho para as chamadas curvas, sejam elas no peito ou rabo ou pernas. (Não vou de forma nenhuma entrar numa polémica discussão que já tive dezenas de vezes acerca dos contornos e silhuetas versus beleza interior - já chega)
Mas confesso que passada a primeira análise visual aos chamados locais habituais, a minha mirada centra-se na barriga, tão sabiamente descoberta pelas camisolas curtas. Além dela, os ilíacos, ossos das ancas que ficam na direcção do umbigo e que sobressaem de forma fantástica devido á acção combinada da dita camisola curta com as calças de cintura descaída. Este enquadramento físico, que baptizei de rectângulo carnal de antecipação, é fabuloso de contemplar. Há algo numa barriga firme ladeada por dois ilíacos visíveis que possui o condão de antecipar tudo o que o precede ou sucede na escada carnal do corpo.
Aliás, louve-se a evolução da moda que permitiu que as roupas femininas deixassem vislumbrar aquele pequeno pedaço de pele da barriga, pois é realmente a vitória da sugestão sobre a demonstração. Mas os ilíacos, que emergem ao lado dos abdominais e deixam antever toda a curvatura e estrutura óssea da pélvis e quadril, são, o que juntamente com a barriga, me leva o olhar nestas deambulações pelas ruas de Verão, onde as mulheres mostram (ainda mais) o quão realmente bonitas são. Chegam a ser mais electrizantes que um decote desenhado por mão divina.
(Sim, claro que isto só funciona se a barriga em causa não cair para cima das calças, à guisa de um bom um MICHELIN ENERGY E3A 205/65 R15 94T , - sem jante, claro. E ao que parece, muita gente não tem essa noção, pelo que vejo barrigas ao sol apertadas por calças que as projectam adiante, e descobertas pelas tais camisolas curtas, formando uma espécie de balão pouco cheio que se lança para fora do corpo como se o Alien de James Cameron estivesse à beira de emergir. E antes que me linchem, nada tenho contra o facto das pessoas andarem como querem, mas desculpem, não fica bonito. E julgo que a amostragem da barriga combinada com a calça de cintura descaída nada tem a ver com o calor, mas sim uma certa postura perante o próprio corpo. Não me levem a mal.)


As regras democráticas nos sites de troca de imagens ou companhia não são em nada diferentes daquelas que regem o dia a dia da carne e osso.
Há grupos, há afinidades, há sobretudo qualificações necessárias.
Existem os temores, as intimidações.
O suposto bom e o suposto mau.
Os ghettos.
As linguagens de "rua" ( o meu asco pela linguagem abreviada continua de boa saúde...) e o código dos guerreiros.
Os arautos e os desejados.
As expectativas.
As mensagens subliminares enviadas a alguém que nem sabe o que procura, mas espera ser encontrado.
As coincidências e o serviço de pessoas desaparecidas.
Enfim, pela Internet se comunica, é verdade, mas as dificuldades permanecem. Encontrar os tipos certos de discurso torna-se uma tarefa digna de figurar num dos jogos da Santa Casa da Misericórdia.
E no entanto as imagens estão lá. Juntas a um livro preferido ou a devoção a um filme.
Junto à imensa cautela de um mundo que cada vez mais aprende a desconfiar.
Não faço ideia se estes sites produzem companhia ou não.
Sei sim que criam a expectativa. Criam a noção de que por mais remoto que seja o "bitaite" a enviar, ele será, pelo menos, ouvido.



A forma pela qual as pessoas se encontram e desencontram, faz lembrar um pouco o novelo de Ariadne. Andam perdidos numa espécie de labirinto onde infelizmente no qual deambula mais que um único monstro.
Mas há uma espécie de fio, que é solidificado num ápice, constituido por meia dúzia de detalhes únicos, e que parece não abandonar ninguém durante todo o tipo de jornadas.
Seria bom pensar que todos os caminhos levam a uma solução, mas o medo do porvir assenta precisamente na noção de que o equilíbrio não é determinista. É perfeitamente possível viver em direcção a algo que nunca se soluciona, embora haja sempre a convicção de que a teoria do equilibrio é algo que corre num circuito fechado.
Teseu saiu do labirinto e abandonou Ariadne à sua sorte em Naxos, mesmo após se ter salvo pelo ténue fio que nunca fez da sua desorientação uma ausência de vida ou esperança.
O herói de Creta, como tantos outros, deslumbrou-se com a sua nova liberdade, como se ela fosse eterna, ou de génese individual.
Como se houvesse liberdade sem os outros.
A Verdadeira Vitória do Terrorismo (clicar aqui)





Quando se instala o medo e a irracionalidade feita de ataque á diferença, o terrorismo atinge a sua primeira e mais fundamental vitória.
A criação dos mecanismos de ódio à escala mundial traz ventos alarmantes.




Your Brain is 53.33% Female, 46.67% Male



Your brain is a healthy mix of male and female

You are both sensitive and savvy

Rational and reasonable, you tend to keep level headed

But you also tend to wear your heart on your sleeve



Não sei bem o que isto quer dizer, mas coração na manga?...

A espaços, está mesmo na ponta dos dedos...

Via Charlotte