Com cuidado, há que perceber que as nossa fragilidades, o núcleo daquilo que somos, não interessa a ninguém.
Há que entender que aquilo que nos torna humanos, que faz parte da nossa razão de pedir, de aceitar o contributo de qualquer afeição, é frágil e parte-se com facilidade. São mapas de tesouros já tão corroídos pelo tempo e maus tratos que, perante um manuseamento mais violento e descuidado, desintegram-se, deixando-nos a nós próprios hesitantes quanto à sua localização.
A verdadeira tristeza é afinal de contas a dificuldade de emparelhar a tolerância. De perceber que o desafio humano também está ao nível das suas fraquezas, dos seus desejos maiores que a terra, e que de alguma forma minam alguma da sua força ou coerência.
A verdadeira canseira é uma certa canção de fim, a ausência dos elementos explicativos no acervo de dor passada por uma boa causa ou uma crença firme.
Com algum cuidado, há que perceber que se temos de nos proteger de nós próprios perante quem tem algum tipo de chave, então o sentido primordial já voou pela janela. Nada é mais difícil que sentir a desadequação silenciosa do nosso material mais profundo e delicado, perante as exigências de força e exactidão de quem constantemente revê a nossa imagem perante si mesmo.
Sem pudores, há que admitir a profunda tristeza que nos leva a aceitar a predação do que supostamente é desejado como "conhecimento" profundo.
A génese das defesas é o desejo dos outros em vê-las actuar.
E com algum cuidado, podemos deixar que isso não nos destrua.
Mas não é fácil.
1 comentário:
belíssima mensagem a tua. Lutar por uma liberdade e harmonias implicam sempre um olhar reflexo, nunca uma imagem imposta...
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