A minha "silly season" só começa daqui a uma semana, e durante pouco mais de uma semana.
Sol, praia e tempo para ler algumas coisas.
E penso sobre a metade de um ano que foi, as horas infindas feitas de uma ausência de percepção, mas sobretudo, de uma consciência de mudança profunda. Muito profunda em certos aspectos.
E é engraçado verificar o quão periclitantes somos. O quão pessimamente apoiados estamos nas nossas certezas, e afinal incorremos nos pecados irracionais a cada cenário que nos é apresentado. E tenho nas mãos os despojos de dores tão intensas num meio segundo, que quase toda a noção que tenho do meu mundo se transformou num pó muito fino e inconsequente.
As palavras de alguém que afinal gosta mais de nós do que pensávamos, e que nos relata como finalmente vivos. Ouvi-as e só posso dar razão a certo ponto. Porque a culpa não se trata do mundo. Não exclusiva.
Talvz crescer seja isso mesmo.
Talvez crescer seja aprender a dosear.
E com isso mesmo, tornar a ganhar alguma visão. Nao que me iluda. Essa visão está ali a um palmo somente, mas já há algum farol no meio da névoa.
E quando concluio o que sou, o que aparento representar, e me surpreendo, vejo afinal a minha pressão sobre outros. A força de um qualquer peso que desconhecia ter.
Na minha silly season ficará espelhada essa noção.
Aquela que não me deixava saber onde raios andava.
4 comentários:
MAIS UMA VEZ PALAVRAS INTENSAS...será que crescer é mesmo aprender a dosear? agora que penso nisso, talvez seja... ainda me falta muito então...
Uma vez houve alguém que me disse: Nada é perfeito, há que aprender a tirar partido das coisas boas para estas eliminarem as menos boas!
Conselho que tenho vind a seguir...
Será isto uma especie de dosear?
Dosear no sentido em que a vontade não pode levar sempre a melhor.
Aprender a defender a propensão compulsiva para dar.
Essa noção surgiu-me ao longo de um tempo considerável em que tudo era ofertado de um sopro.
nhua, tens toda a razão.
É no equilíbrio entre os dois polos da nossa vida que não perdemos o juízo.
Sublimar o bom e tentar de alguma forma diluir o mau.
E está encontrado um caminho diário em que talvez até seja possível gozar um pouco o mundo.
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