ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

segunda-feira, agosto 08, 2005

A minha "silly season" só começa daqui a uma semana, e durante pouco mais de uma semana.
Sol, praia e tempo para ler algumas coisas.
E penso sobre a metade de um ano que foi, as horas infindas feitas de uma ausência de percepção, mas sobretudo, de uma consciência de mudança profunda. Muito profunda em certos aspectos.
E é engraçado verificar o quão periclitantes somos. O quão pessimamente apoiados estamos nas nossas certezas, e afinal incorremos nos pecados irracionais a cada cenário que nos é apresentado. E tenho nas mãos os despojos de dores tão intensas num meio segundo, que quase toda a noção que tenho do meu mundo se transformou num pó muito fino e inconsequente.
As palavras de alguém que afinal gosta mais de nós do que pensávamos, e que nos relata como finalmente vivos. Ouvi-as e só posso dar razão a certo ponto. Porque a culpa não se trata do mundo. Não exclusiva.
Talvz crescer seja isso mesmo.
Talvez crescer seja aprender a dosear.
E com isso mesmo, tornar a ganhar alguma visão. Nao que me iluda. Essa visão está ali a um palmo somente, mas já há algum farol no meio da névoa.
E quando concluio o que sou, o que aparento representar, e me surpreendo, vejo afinal a minha pressão sobre outros. A força de um qualquer peso que desconhecia ter.
Na minha silly season ficará espelhada essa noção.
Aquela que não me deixava saber onde raios andava.

4 comentários:

Anónimo disse...

MAIS UMA VEZ PALAVRAS INTENSAS...será que crescer é mesmo aprender a dosear? agora que penso nisso, talvez seja... ainda me falta muito então...

Yakunna disse...

Uma vez houve alguém que me disse: Nada é perfeito, há que aprender a tirar partido das coisas boas para estas eliminarem as menos boas!
Conselho que tenho vind a seguir...
Será isto uma especie de dosear?

SK disse...

Dosear no sentido em que a vontade não pode levar sempre a melhor.
Aprender a defender a propensão compulsiva para dar.
Essa noção surgiu-me ao longo de um tempo considerável em que tudo era ofertado de um sopro.

SK disse...

nhua, tens toda a razão.
É no equilíbrio entre os dois polos da nossa vida que não perdemos o juízo.
Sublimar o bom e tentar de alguma forma diluir o mau.
E está encontrado um caminho diário em que talvez até seja possível gozar um pouco o mundo.