ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, agosto 30, 2005

Ontem compareci a um velório.
De uma pessoa que nem sequer conhecia, por solidariedade a pessoas de quem gosto muito.
A morte para um agnóstico é uma dualidade engraçada. É o velho abraço entre a curiosidade e o terror, numa dialéctica de argumentos internos acerca de qualquer das formas de transcendência.
Alguém luminoso falava-me acerca da férrea certeza que tinha de que a sua familiar estava bem agora. Não havia nada no seu discurso que indicasse qualquer forma de propaganda religiosa ou reforço de convicções perante descrentes ( leia-se eu), mas um semblante de paz e profunda convicção pela ideia de um pós-vida melhor. Nos olhos pairava uma tristeza suave, que lhe embelezava estranhamente os traços, mas que sobretudo fazia emergir uma imagem de força e convicção perante a inevitável lógica da esperança necessária que a talvez real e ecléctica crença traga ( ou devesse trazer, sei lá) às pessoas.
Não sei onde estará a senhora agora, se é que está em algum lado. Duvido porque não tenho alternativa, porque é algo tão intuitiva e automaticamente presente como a orientação sexual, por exemplo. (As mulheres são outro tipo de divindade idiossincrática, mas isso são males meus e por isso irrelevantes.)
Está lá é nada posso fazer quanto a isso.
Mas o que sei é que por vezes encontramos a manifestação de emoções e formas de estar na vida que desarmam pela sua honestidade e ausência de intuitos evangelizadores.
Alguém que se limita a "saber" da existência de um plano de existência diferente, e a encontrar uma transferência de conforto e felicidade simples para quem se dirigiu para lá.
Saí de lá transtornado, porque a morte(de outros) assim me deixa, mas com a noção de que em situações limite, o altruismo e afeição podem ser expressos por um simples desejo de felicidades.
E essa simplicidade poderia ser tão válida em vida, como em morte.
Resolveria uns quantos problemas, asseguro-vos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Obrigada!...