Questão matinal
No final do ultimo conto de Dubliners, "The Dead", de Joyce, um personagem mata-se por amor.
Deixa que a chuva gélida sele um destino de enfermidade, porque simplesmente já não quer saber se vive ou morre perante a ausência de correspondência por parte do seu objecto de desejo e afecto. Há uma entrega exausta ao que o consome, e ficamos mudos perante a beleza triste desse instante.
Leio aquela prosa que parece quase irreal de tão perfeita e bela, e fico no entanto com esta noção.
Aquilo que poderia ser um sentimentalismo, é respeitado genericamente porque está (maravilhosamente) integrado da obra de um grande escritor.
Mas pergunto-me o que fariam os arautos do neorealismo perante um facto destes. Que diriam, como qualificariam, especialmente se estivesse algures enquadrado numa narrativa de folhas profusamnte escritas?
Poderá o cinismo dos tempos actuais aceitar a seriedade de algo que parece perdido nos tempos idos de um romantismo que ninguém recorda, mas que transpira por vezes, à sua maneira, nas mensagens subtis de um desespero silente perante a denúnica supostamente elegante de uma descrença genérica?
Que diríamos nós perante a morte por abandono amoroso completo?
Como suportaríamos a demonstração factual daquilo que parece apenas feito para sustentar incredulidades?
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
3 comentários:
O cinismo dos tempos actuais, apenas esconde essa morte. Ou a evita.
Quem não morre, quando ama e e é rejeitado?
Pode-se voltar algum tempo depois, renascer. Mas morre-se. Morre-se sempre.
Talvez por isso cada vez menos se ame. E por isso, tudo se está a tornar tão superficial.
Para não se morrer de amor, morre-se para a vida.
Para além da morte, fica-nos tudo o que é para sempre nosso: tudo aquilo que não se deixou de viver, apesar da morte.
E afinal, de que é feita a vida de todos aqueles que vivem, apesar de todas as mortes, qualquer morte?
Ou não fosse o amor a mais bela forma humana de eternidade...
(e até q enfim alguém q gosta de perfect circle!)
Gostei do teu blog.
Vou voltar!
Acredito que seja possível morrer de ou por amor.
Eu é que não quero.
Para não se morrer de amor, morre-se para a vida.
Estás lá, miuda! :)
Enviar um comentário